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quarta-feira, 6 de maio de 2020

Grandes vultos: Martins Júnior - Parte 06.


GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
MARTINS JÚNIOR – PARTE – 06
Sobre a memória de Tiradentes caiu quase um século de silêncio. Pouco se falava no mártir mineiro, pois que os escritores palacianos, na sua maioria, não queriam lembrar o ato de Maria I, bisavó de D. Pedro II. Além do que, o alferes mineiro era republicano.
Dentre os bem poucos que cantaram o herói da Revolução Mineira, está o autor de estilhaços:
 
                        Somos teus filhos, Tiradentes! Viemos
                        trazer-te um goivo e um pouco de cipreste,
                        para que a voz do nosso amor te ateste
                        que andamos inda a levantar, nos cimos
 
                        da pobre pátria, – aquele templo augusto
                        que tu sonhavas construir de auroras!…
                        Estamos ainda trabalhando. O adusto
                        sol do Equador bronzea-nos; as horas

                        vão gotejando, uma por uma, do astro
                        e nós, enquanto nossos pais – os velhos,
                        ouvem do trono os pérfidos conselhos,
                        vamos beijando o teu ciclópico rastro!”
 
Os ideais republicanos e abolicionistas aproximam Martins Júnior de Clóvis Beviláqua, tornando-os grandes amigos, e com ele publica as Vigílias Literárias. E, com João de Freitas e Clóvis, traduz o livro de Jules Soury, Jesus e os Evangelhos, isto, porém, quando já bacharéis, em 1886.
Cursando a Faculdade, no período 1879-1883, o faz naquele momento histórico que, nesta casa, já tive a oportunidade de examinar quando realizei conferência subordinada ao tema Tobias Barreto – aspectos de uma grande vida e que se encontra publicada na primeira série do livro “Juristas Brasileiros”, edição do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.
Momento de renovação, em que novas ideias alargam os horizontes do pensamento humano. Do grande Tobias Barreto parte a clarinada revolucionária.
Martins Júnior, em 1883, esclarecia sua posição:
“Sou ainda hoje o mesmo sectário convencido e entusiasta do grande sistema filosófico arquitetado na França por Comte. Até hoje, entretanto, não pude ainda substituir Littré por Laffitte, e Wiroubouff pelo Dr. Ribenet. Quer isto dizer que, em face do vertiginoso movimento científico da atualidade, faço-me com Roberty em positivista independente, e escudado no fecundo princípio da relatividade dos conhecimentos humanos, procuro agrupar ao redor da Lei dos Três Estados e da Classificação hierárquica das ciências todas as conquistas definitivas do evolucionismo spenceriano, do transformismo darwínico, do monismo haekelista e do realismo científico materialista”. E ainda: “Entendo que modernamente, ela, a Poesia, deve ser científica debaixo deste ponto de vista, deste modo: – Sentindo o influxo da concepção filosófica do universo quem domina em seu tempo; enunciando as verdades gerais que decorrem para a vida social dessa concepção; mas vestindo sempre os seus ideais com as roupagens iriadas das faculdades imaginativas, e nunca deixando de obedecer à emoção poética que dá nascimento à obra de arte.
Continua
BRASIL BANDECCHI

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Grandes vultos: José do Patrocínio = Parte 10.

D. Pedro II

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
JOSÉ CARLOS DO PATROCÍNIO – PARTE 10.
Acusavam-no de conduta vacilante e volúvel, a ponto de se ver, em certas ocasiões, entre dois fogos de velhos companheiros. Silva Jardim o acoimava de traidor da causa republicana e André Rebouças de traidor da Princesa Isabel. Ao primeiro respondia que sempre foi republicano, mas os abolicionistas não poderiam esquecer sua gratidão à Redentora, motivo pelo qual não admitia o advento da república durante o governo de Isabel. Em relação a Pedro II, entretanto, não lhes ocultava suas antipatias.
Exilado como monarquista, após a proclamação da República, André Rebouças não perdoou o amigo o ter-se manifestado a favor da nova ordem. Sua defesa, fê-la Patrocínio num artigo intitulado “André Rebouças e eu”. Começou por dizer que Rebouças foi, sempre, “a alma de sua alma” e que nunca se permitira a liberdade de contrapor-lhe um pensamento”. Contudo, divergiam num ponto: “Rebouças era monarquista e ele republicano”.
Com a volta de D. Pedro II, muitos republicanos, ao contrário de Patrocínio, entendiam que se deviam respeito ao imperador e esperar por sua morte para a mudança do regime. Patrocínio, ao contrário, entendia que Isabel seria a salvação e suas esperanças estavam depositadas no terceiro reinado. Acreditava num futuro promissor para a Pátria dentro do coração daquela mulher que ouvia a voz do povo para governar. A frialdade de D. Pedro II o assustava.
A opinião de alguns de seus biógrafos de que, adepto franco do terceiro reinado, proclamada a república, não se pejou de passar de armas e bagagens para o novo regime, colocando as colunas da “Cidade do Rio” a serviço dos novos governantes, com as diárias a Deodoro, deve ser rebatida, pois foi o próprio Patrocínio quem, de maneira insofismável, procurou justificar sua atitude. Primeiro, não era ele um monarquista ou um republicano de
última hora. Era realmente, um dos fundadores do “Clube Republicano”. O homem dos primeiros momentos da causa, das primeiras reuniões da “chácara do Capitão Sena”. As linhas tortas escritas por sua conduta temperamental e aparentemente contraditória tinham, objetivamente, um ideal perfeito e retilíneo: a libertação dos escravos. A causa republicana não era sua. Ele seguia sob a bandeira dos amigos da velha casa de seu sogro: Quintino Bocaiuva, Silva Jardim, Lopes Trovão, Olavo Bilac, Benjamim Constant e outros. Não era ele culpado da pretendida mistura, num só corpo, de duas causas distintas. Houve, até, quem pretendesse precipitar a vinda da república sem a abolição, pretensão essa que encontrou inabalável oposição de Patrocínio: “mas, uma república com milhões de escravos?”
Continua…
S. SILVA BARRETO
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