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quarta-feira, 26 de abril de 2023

Grandes vultos: Martins Fontes -- Parte 02.

Olavo Bilac 
 

 

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES

MARTINS FONTES – PARTE 02.

Em 1908, juntamente com Maurício Lacerda e mais 21 colegas, participou do primeiro Congresso Internacional da Juventude Americana realizado em Montevidéu. Aí, empolgaram os congressistas de tal forma, que foram ambos proclamados oradores oficiais do conclave.

Durante os anos de Faculdade, para poder sustentar seus estudos, escrevia para a Gazeta de Notícias e para a revista Careta, ambos do Rio de Janeiro.

Ainda na Faculdade conheceu os intelectuais da época entre eles Olavo Bilac, através de quem ingressou no mundo das letras e das artes. Nesta etapa passou a frequentar a Confeitaria Colombo, ponto de reunião obrigatória da intelectualidade de então.

Foi um dos fundadores juntamente com outros da Sociedade dos Homens de Letras, que teve pouco tempo de duração, face ao desinteresse dos sócios, que preferiram a Colombo para deblaterar sobre literatura, críticas e divulgações.

Médico recém formado, fez parte, em 1908, da Comissão de Obras do Acre, sob a direção de Bueno de Andrade.

Após vinte dias de viagem em navio do Loide Brasileiro, chega aquele território, terra promissora, onde, face aos áureos tempos da borracha, era grande o afluxo de pessoas de outras unidades da federação e quiçá do estrangeiro. Como paradoxo à riqueza de uma minoria privilegiada dos senhores da borracha, vivia a grande maioria em alto grau de miséria e pauperismo, famintos, doentes e desnutridos. Eram os homens dos seringais, que penetravam nas selvas em busca do látex para, ao fim de meses de estafante labor, vivendo em contato com feras, numa região sub-humana, sem a mais elementar condição de higiene ou assistência médica, trazerem o fruto do seu trabalho, futura remessa aos grandes centros consumidores. Foi a esses homens, espoliados, doentes, maltrapilhos, que juntou-se o “homem do cravo vermelho à lapela”, para prestar-lhes assistência médica, orientá-los na cura de seus males, dando-lhes alguns ensinamentos de higiene, moderno missionário, levando-lhes o conforto espiritual, provando-lhes o quanto era bom e generoso.

Continua

LEVY ALVES DA INVENÇÃO


quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Grandes vultos: José do Patrocínio - Parte 14.

Igreja do Rosário

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES

JOSÉ CARLOS DO PATROCÍNIO – PARTE 14.

Seu corpo foi trasladado da humilde casa do Engenho de Dentro para a Igreja do Rosário, onde foi alvo das homenagens consagradoras do povo que desfilava para vê-lo, tendo como guardião de sua cabeça um exemplar da “Cidade do Rio”. Grande foi a multidão que o acompanhou à última morada, entre os quais Olavo Bilac que, à beira do túmulo, disse o célebre soneto, só por si consagrador de sua imortalidade, cujo final é o seguinte:

“E, eterno, à eterna luz dos séculos exposto,

Ficas tu, que ao nascer, já na pele trazias

A imorredoura cor do bronze imorredouro!”

A 31 de janeiro de 1905, escrevia Félix Pacheco: “A figura do gigante adormecido irrompe da terra fria, numa redenção magnifica, e retoma, com o majestoso fulgor de antanho, o lugar que lhe cabe na história do País… negro pela cor, mas ariano pelo espírito, esta contradição fundamental entre um fútil acidente da natureza transitória e a manifestação superior da eterna luz, devia forçosamente fazer de José do Patrocínio um rebelado da vida”… e termina magistralmente o mestre dos perfis: José do Patrocínio representou exatamente isso. Ele constituiu a angústia milenar do negro, abrindo-se, rebentando-se aqui numa eclosão vingadora.

Emílio de Menezes, no dia 2 de fevereiro do mesmo ano fatídico, homenageava, também, o dileto amigo que partiu, com dois sonetos magníficos, o último dos quais assim termina:

“Negro feito da essência da brancura,

Esse que a Terra hoje em seu seio cobre,

Sóis porejava pela pele escura!”

Assim se extinguiu, aos 51 anos de idade, uma vida de contradições, sempre voltada à defesa incondicional dos fracos. Não se extinguiu, porém, o seu espírito, o exemplo de sua coragem, a nobreza das causas que defendeu. Cada dia que passa, mais esclarecida e compreendida é sua alma tempestuosa à qual tanto deve o Brasil.

S. SILVA BARRETO

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Grandes vultos: José do Patrocínio = Parte 10.

D. Pedro II

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
JOSÉ CARLOS DO PATROCÍNIO – PARTE 10.
Acusavam-no de conduta vacilante e volúvel, a ponto de se ver, em certas ocasiões, entre dois fogos de velhos companheiros. Silva Jardim o acoimava de traidor da causa republicana e André Rebouças de traidor da Princesa Isabel. Ao primeiro respondia que sempre foi republicano, mas os abolicionistas não poderiam esquecer sua gratidão à Redentora, motivo pelo qual não admitia o advento da república durante o governo de Isabel. Em relação a Pedro II, entretanto, não lhes ocultava suas antipatias.
Exilado como monarquista, após a proclamação da República, André Rebouças não perdoou o amigo o ter-se manifestado a favor da nova ordem. Sua defesa, fê-la Patrocínio num artigo intitulado “André Rebouças e eu”. Começou por dizer que Rebouças foi, sempre, “a alma de sua alma” e que nunca se permitira a liberdade de contrapor-lhe um pensamento”. Contudo, divergiam num ponto: “Rebouças era monarquista e ele republicano”.
Com a volta de D. Pedro II, muitos republicanos, ao contrário de Patrocínio, entendiam que se deviam respeito ao imperador e esperar por sua morte para a mudança do regime. Patrocínio, ao contrário, entendia que Isabel seria a salvação e suas esperanças estavam depositadas no terceiro reinado. Acreditava num futuro promissor para a Pátria dentro do coração daquela mulher que ouvia a voz do povo para governar. A frialdade de D. Pedro II o assustava.
A opinião de alguns de seus biógrafos de que, adepto franco do terceiro reinado, proclamada a república, não se pejou de passar de armas e bagagens para o novo regime, colocando as colunas da “Cidade do Rio” a serviço dos novos governantes, com as diárias a Deodoro, deve ser rebatida, pois foi o próprio Patrocínio quem, de maneira insofismável, procurou justificar sua atitude. Primeiro, não era ele um monarquista ou um republicano de
última hora. Era realmente, um dos fundadores do “Clube Republicano”. O homem dos primeiros momentos da causa, das primeiras reuniões da “chácara do Capitão Sena”. As linhas tortas escritas por sua conduta temperamental e aparentemente contraditória tinham, objetivamente, um ideal perfeito e retilíneo: a libertação dos escravos. A causa republicana não era sua. Ele seguia sob a bandeira dos amigos da velha casa de seu sogro: Quintino Bocaiuva, Silva Jardim, Lopes Trovão, Olavo Bilac, Benjamim Constant e outros. Não era ele culpado da pretendida mistura, num só corpo, de duas causas distintas. Houve, até, quem pretendesse precipitar a vinda da república sem a abolição, pretensão essa que encontrou inabalável oposição de Patrocínio: “mas, uma república com milhões de escravos?”
Continua…
S. SILVA BARRETO

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Grandes vultos: José do Patrocínio - Parte 01.

José do Patrocínio

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
JOSÉ CARLOS DO PATROCÍNIO – PARTE 01.
(1833-1905)
“Ou cede à vontade do povo ou cai.”
José Carlos do Patrocínio, vulgo “Zé do Pato”, era um mulato bronzeado, filho natural de Justina Maria do Espírito Santo – a quitandeira “Tia Justina” – e do padre João Carlos Monteiro – o trigueiro vigário da paróquia de Campos. Nasceu aos nove dias do mês de outubro, do ano de 1853, na cidade do mesmo nome, Estado do Rio de Janeiro. Assim o atesta seu batistério, fornecido pela Paróquia do S. Salvador, Bispado de Campos.
Desengonçado, feio, de estrutura desarmônica, como o descrevem seus amigos Luís Marat, Coelho Neto, Olavo Bilac e outros; físico balofo e olhos empapuçados, como atesta seu mais fiel retrato publicado.
“Não quis o destino – escreve Bilac – que o libertador nascesse de um ventre feliz, entre carinhos e beijos fidalgos, na ventura de um lar amoroso … Tirou-o de um ventre humilde e desventurado, deu-lhe à pele a cor da treva, cercou-lhe o berço de todas as infelicidades, a condição baixa, a origem obscura, a privação da paternidade legítima e a atmosfera dos sofrimentos da gente cativa. O destino quis que no corpo, nas células orgânicas, no sangue, na vibração dos nervos daquele homem, se acumulassem e confundissem todas as revoltas da gente mártir contra a maldade dos opressores, toda a longa e trágica epopeia do sacrifício africano”.
Brandiu sua pena com a força temível da inteligência e da convicção pelas colunas da “Gazeta da Tarde”, da “Gazeta de Notícias” e da “Cidade do Rio” e, em catadupas eletrizantes, dramáticas, com a mesma bravura de um Espártaco, despejou suas catilinárias das tribunas da rua. Ambos tiveram um ideal comum: a luta contra a escravidão.
Luta difícil e penosa, somente teve sua ascensão e esplendor quando JOSÉ DO PATROCÍNIO, acolhido pela simpatia de Ferreira de Araújo, assenta sua barraca na redação da “Gazeta de Notícias”, em 1879, depois do famoso “Congresso Agrícola” e das primeiras agitações populares da campanha abolicionista, alcançando suas armas “para a quebra das grilhetas”, na expressão de Osvaldo Orico.
Continua…
S. SILVA BARRETO


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