quarta-feira, 24 de maio de 2017

Grandes vultos: Castro Alves - Parte 04.




GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
CASTRO ALVES – PARTE 04.
E Joaquim Nabuco tinha razão. Como acentua Pedro Calmon, o verbo “libertar” é o que maior consumo teria na lira de Castro Alves; o poeta revela-se contrário a qualquer tipo de opressão. Para ele, o Brasil era digno de grandioso futuro, e o caminho para isso seria a conquista de todas as liberdades e a incorporação do progresso sobre todas as suas formas. As fontes de progresso, do progresso que só viria pela instrução, ele as magnificava a ponto de as transformar, como a imprensa, em soberba “deusa incruenta”:
Quando Ela se alteou das brumas da Alemanha,
Alva, grande, ideal, levada em luz estranha,
Na destra suspendendo a estrela da manhã;
O espasmo de um fuzil correu nos horizontes…
Clareou o perfil dos alvacentos montes
Dos cimos – do Peru… às grimpas do Indostã!
Tinha na mão brilhante a trompa bronzeada!
Daí, igualmente, a sua exaltação do livro, do jesuíta em sua heroica propagação da fé – pois propagando a fé civilizou e instruiu. Sim, só com a instrução, como o livro, poderia vir o progresso para a América:
………………....na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto –
As almas buscam beber…
Oh! Bendito o que semeia
Livros… livros à mão cheia…
E manda o povo pensar!
O livro caindo n’alma
É gérmen – que faz a palma,
É chuva que faz o mar.
Vós que o templo das ideias
Largo – abris às multidões,
Pra o batismo luminoso
Das grandes revoluções,
Agora que o trem-de-ferro
Acorda o tigre no cerro
E espanta os caboclos nus,
fazei desse “rei dos ventos”
– Ginete dos pensamentos,
– Arauto da grande luz!…
Continua
PÉRICLES EUGÊNIO DA SILVA RAMOS
Visite também:
Clicando aqui:

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Grandes vultos: Castro Alves - Parte 03.




GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
CASTRO ALVES – PARTE 03.
Quem era, porém, o poeta? Onde nascera, de que país, onde aprendera a escrever assim, que vinha acordar? Filho de um médico ilustre, que viria a ser Professor da Faculdade de Medicina da Bahia, viajado, culto e humanitário, capaz de desenhar e fazer versos, apreciador da pintura – nasceu Antônio de Castro Alves na fazenda de Cabeceiras, em Curralinho, na Bahia, em 14 de março de 1847. Eram seus pais o Dr. Antônio José Alves – que receberia mais tarde a Ordem da Rosa e o hábito de Cristo – e dona Clélia Brasília de Silva Castro, de ascendência parcialmente espanhola.
No Ginásio Baiano, de Abílio César Borges – o futuro Barão de Macaúbas que Raul Pompéia haveria de imortalizar na figura do “Dr. Aristarco”, do Ateneu – o menino revela-se para as letras. Morre-lhe a mãe durante esse período, em 1859, o mesmo ano em que Seceo traduz da antologia todos os poemas de Victor Hugo. Lê depois Byron.
Em 1864, matricula-se na Faculdade de Direito do Recife. No ano seguinte, perde o irmão mais velho, José Antônio, e o pai em 1866, de beribéri.
Nesse período recifense escreve O Século, poema do qual afirmaria Joaquim Nabuco: “O Século é a síntese das aspirações liberais de Castro Alves… Nada me lembra tanto o poeta como esta décima querida dele entre todas:
Quebre-se o cetro do Papa,
Faça-se dele uma Cruz!
A púrpura sirva ao povo
Pra cobrir os ombros nus.
– Sem escravos – sem Guanabara
Que aos gritos do Niágara
Se eleve ao fulgor dos sóis!
Banhem-se em luz os prostíbulos,
E das lascas dos patíbulos
Erga-se a estátua aos heróis!
Altiva estrofe, na verdade, em que o poder temporal da Igreja, a miséria das classes inferiores, a escravidão, a prostituição e o cadafalso político eram condenados ao mesmo tempo, e que o poeta lançava à mocidade com a formula de sua missão na América!”
Continua
PÉRICLES EUGÊNIO DA SILVA RAMOS
Visite também:
Clicando aqui:

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Grandes vultos: Castro Alves - Parte 02.




GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
CASTRO ALVES – PARTE 02.
Castro Alves desde cedo se empolgou com a causa da libertação e dele fez uma das vozes mais convincentes no Brasil, ao lado de Joaquim Nabuco, Rui Barbosa e tantas outras figuras ilustres. Ainda estava no Ginásio Baiano, de Abílio César Borges, quando em 1861, aos treze anos, declamava em Outeiro:
Se o índio, o negro africano…
……………………………….
Ah, não pode ser escravo
Quem nasceu no solo bravo
Da brasileira região.
Pedro Calmon, que recorda esse fato, assinala que o menino resolveria fazer-se “poeta dos escravos”. E prossegue: “Em 65 retornou o fio a esse pensamento, que se lhe tornará, até a hora da morte, o propósito essencial.
Sem escravos, Guanabara…
Ao grito do Niágara,
No Século desfraldara a bandeira. Não a enrolou mais.
E a escravidão – nojento crocodilo
Da onda turva expulso la do Nilo
Vir aqui se abrigar!
A gente moderada estranhou-lhe a censura tremenda:
Senhor, não deixeis que se manche a tela
Onde traçaste a criação mais bela
De tua inspiração.
O sol de tua glória foi toldado…
Teu poema da América manchado,
Manchou-o a escravidão.
Arte, apostolado, campanha, o que fosse, a “ideia fixa” rasgara-lhe, entre os contemporâneos, uma estrada real. Abriram-lhe respeitosas alas, para que parasse com os seus furiosas epítetos contra a “mancha”. A ironia, os motejos do começo, iam-se transformando em surpresa grave, assombro, adesão comovida. Lugar ao sol, para os desgraçados. Redenção para os “Jobs” eternos! A lira de Castro Alves havia de fazer o prodígio – já se profetizava.” Depois em Recife, na Bahia, no Rio de Janeiro, em São Paulo, Castro Alves fala ao povo, declama, escreve poemas e peças teatrais – e com isso se torna uma espécie de esperança e remorso, transfeita em verbo, das classes progressistas e cultas do país.
Continua
PÉRICLES EUGÊNIO DA SILVA RAMOS
Visite também:
Clicando aqui:

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Grandes vultos: Castro Alves - Parte 01.




GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
CASTRO ALVES – PARTE 01.
“E das lascas dos patíbulos
Erga-se a estátua do heróis!”
Quando se fala em libertação dos escravos, no Brasil, desde logo se evoca o nome de Castro Alves, o poeta. Não que tenha sido ele, o primeiro, em nossa terra, a pregar a abolição da escravatura. A história das ideias favoráveis à completa manumissão dos africanos já era velha de mais de cem anos, nas glebas de Vera Cruz, quando o vate baiano começou a produzir e a declamar suas estrofes que galvanizaram a consciência nacional. “De todos os países civilizados – escreve José Maria dos Santos – foi mesmo o Brasil aquele que cujo seio partiu o primeiro grito da redenção dos escravos africanos. Os felizes e belos esforços dos abolicionistas ingleses só começaram realmente no primeiro quartel do século XIX. Entretanto, ainda estava em meio o século XVIII, quando o Padre Manuel Ribeiro Rocha, advogado e bacharel formado pela Universidade de Coimbra, enviava da Bahia para Lisboa os originais do seu generoso e esplêndido trabalho O Etíope Resgatado. Era uma longa e bem estudada memória que, partindo das mais nobres considerações humanas e cristãs, concluía por um sistema completo de emancipação gradual e progressiva, baseado inicialmente na suspensão do tráfico transoceânico e na libertação do ventre escravo.” Depois, lembra-o ainda José Maria dos Santos, seguiram-se sugestões como a de Francisco Moniz Barreto, que em 1818 se pronunciou favoravelmente à suspensão do tráfico marítimo e a libertação dos escravos no interior do país – ideia que, alguns anos depois, chegou a ser redigida para apresentação como projeto de Lei por José Bonifácio, na Constituinte de 1823. Sucedeu-se a efetiva apresentação de quatro projetos que visavam a abolição completa, por parte dos deputados Ferreira França, pai e filho (1830-1833). Essas iniciativas, e muitas outras, foram isoladas. Em 1850, Eusébio de Queiroz extingue definitivamente, e sob penas severas, o tráfico negreiro. Com a guerra da secessão e a vitória de Lincoln, só o Brasil, na América, mantinha o cativeiro. A Junta de Emancipação Francesa dirigiu um apelo ao Imperador D. Pedro II, e este, na Fala do Trono de 3 de maio de 1867, refere-se à emancipação do elemento servil. Data de 28 de setembro de 1871 a Lei do Ventre Livre e, em 13 de maio de 1888, finalmente, a Princesa Isabel assina a Lei Áurea.
Continua
PÉRICLES EUGÊNIO DA SILVA RAMOS
Visite também:
Clicando aqui:

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Grandes vultos: Barão do Rio Branco - Parte 03.

Plácido de Castro


GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
BARÃO DO RIO BRANCO – PARTE 03.
Na direção do Itamarati, Rio Branco teve oportunidade de revelar não apenas o seu patriotismo mas sua capacidade de ação dinamizando o velho Ministério, que vivia ainda da tradição da velha diplomacia dos punhos de renda, segundo a qual os ministros e embaixadores serviam apenas para comparecer a jantares e oferecer banquetes. Continuava firme na tarefa que a si mesmo impusera, de resolver todos os problemas duvidosos de fronteiras. Foi, como diz um historiador, o período áureo do Itamarati.
Uma das questões mais importantes que Rio Branco teve de resolver, foi a questão do Acre, que havia sido incorporado ao território brasileiro, por Plácido de Castro, cuja audácia derrotou o Bolivian Sindicate, organização de capitalistas norte-americanos que planejavam explorar borracha naquela região. A 17 de novembro de 1907 conseguiu Rio Branco um acordo com a Bolívia, pelo Tratado de Petrópolis, passando o Território do Acre a ser integrado definitivamente no território brasileiro.
Outro importante serviço de Rio Branco foi o Tratado de Condomínio de Lagoa Mirim e do Rio Jaguarão, assinado com a República do Uruguai.
Foi ainda Rio Branco quem designou Rui Barbosa como delegado do Brasil à Conferência da Paz em Haia, onde segundo canção popular da época “A Europa curvou-se ante o Brasil”. Deve-se ao alto tino diplomático do Barão a nomeação do primeiro Cardeal Brasileiro (e também sul-americano), D. Joaquim Arcoverde, Arcebispo do Rio de Janeiro.
E como prova do prestígio internacional adquirido pelo Brasil nos anos anteriores e graças às gestões de Rio Branco, foi o Rio de Janeiro escolhido para sede da III Conferência Internacional Americana. De fato, nesses primeiros anos da República, a ação de Rio Branco colocara o Brasil entre as grandes nações do mundo.
Dentre as obras mais importantes do Barão do Rio Branco, destacam-se Efemérides Brasileiras; Esboço Biográfico do General José de Abreu, Barão de Serro Largo; Anotações à obra de Schneider, A guerra da Tríplice Aliança.
Quando do centenário do seu nascimento, o Ministério das Relações Exteriores levou a efeito a publicação de sua obra completa.
Foi presidente perpétuo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e membro da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira nº 40.
LEONCIO BASBAUM
Visite também:
Clicando aqui:

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Grandes vultos: Barão do Rio Branco - Parte 02.




GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
BARÃO DO RIO BRANCO – PARTE 02.
Ao ser proclamada a República, foi designado superintendente geral do serviço de emigração para o Brasil, tarefa das mais importantes para o país, na época, que lutava por falta de braços, devido a abolição da escravatura.
Sua primeira vitória diplomática em questão de fronteiras se deveu a intervenção de Prudente de Morais, Presidente da República, que o havia nomeado em 1894, ministro plenipotenciário junto ao Governo dos Estados Unidos para tratar do processo de arbitragem na questão do Território das Missões, sobre uma larga faixa de território em disputa com a Argentina. Era uma vasta extensão de terra de cerca de 30.500 quilômetros quadrados, de que o Brasil estava de posse, entre os rios Uruguai e Iguaçu. O chamado “Litigio das Missões” já perdurava havia cerca de 40 anos, apesar de um tratado negociado por intermédio do Visconde do Rio Branco e não ratificada pelo Congresso argentino. Dessas primeiras negociações resultou a decisão de submeter-se a questão dos limites a arbitragem do Presidente dos Estados Unidos, Grover Cleveland.
A tarefa de Rio Branco era justamente a de defender os pontos de vista e os direitos do Brasil, o que conseguiu com êxito, pois a decisão de Cleveland de 5 de fevereiro de 1894 foi favorável ao Brasil graças aos argumentos e aos documentos apresentados por Rio Branco.
Sua intervenção foi ainda decisiva e vitoriosa em outras questões de fronteiras. De fato, essa era uma questão fundamental para o Brasil, pois ao ser proclamada a República, somente havia fronteiras delineada e positivas com o Uruguai, o Paraguai e a Venezuela.
A questão do Amapá, mais que secular, foi decidida por arbitramento, em 1900.
A questão com a Inglaterra, em torno das fronteiras com a Guiana, também foi decidida favoravelmente ao Brasil por arbitramento, entregue à decisão do Rei da Itália, em 1901, graças a ação de Rio Branco.
Ainda graças a Rio Branco, ganhou o Brasil a questão dos limites com a Guiana Francesa, submetida ao arbitramento do presidente Hauser, da Suíça.
Em 1902 o Conselheiro Rodrigues Alves, então presidente da Republica, convidou-o para ocupar a pasta das Relações Exteriores. Desde então, até falecer, em 10 de fevereiro de 1912, esteve Rio Branco à testa do mesmo ministério – o Itamarati, orientando nossa política externa nos governos de Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca.
Continua
LEONCIO BASBAUM
Visite também:
Clicando aqui:

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Grandes vultos: Barão do Rio Branco - Parte 01.


Barão do Rio Branco


GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
BARÃO DO RIO BRANCO – PARTE 01.
(1845-1912)
“Ubique Patriae Memor”
(Lembrando da Pátria onde quer que esteja)
José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, historiador, jornalista, diplomata, é um dos nomes mais notáveis da nossa História, destacando-se como o mais eminente dos Ministros de Relações Exteriores do Brasil.
Filho do Visconde do Rio Branco, outro eminente brasileiro, o autor da Lei do Vente Livre, que libertou os filhos dos escravos, era natural do Rio de Janeiro, onde nasceu a 20 de abril de 1845.
Estudou no Colégio Pedro II, com intenção de seguir a carreira das armas. A seguir, porém, matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo; daí se transferiu para a de Recife, onde se diplomou bacharel em 1866.
Seu primeiro cargo público foi o de promotor em Nova Friburgo, tornando-se a seguir professor de História e Corografia do Brasil no internato do Colégio Pedro II.
Ingressando na política, foi José Maria Paranhos Júnior eleito deputado geral pela província de Mato Grosso, que representou na Câmara de 1869 a 1875. Nesse período começou a interessar-se pelo jornalismo e pela questão mais candente da época, o problema da escravidão, em parte por influência do seu pai. Com Gusmão Lobo e Padre João Maurício fundou o jornal A Nação, que circulou no Rio, de 1871 a 1875, defendendo a causa da abolição.
Seu primeiro contato com os problemas da política externa brasileira, na qual se iria notabilizar, verificou-se a partir de 1876, quando foi nomeado cônsul de Liverpool. Longe da pátria, de acordo com o que passou a ser o lema de sua vida, Ubique Patriae Memor, dedicou-se a estudos e pesquisas sobre História e Geografia do Brasil. Seu primeiro trabalho de natureza histórica, era ainda apenas um ensaio: Episódios da Guerra do Prata. E a seguir começou a escrever uma História Militar do Brasil, com documentação que coligira durante anos, desde quando fora professor de Corografia e História.
Representou o Brasil na Exposição de S. Petersburgo, em 1884, quando escreveu em francês vários trabalhos sobre o Brasil no sentido de divulgá-lo no exterior.
Em 1888 recebeu o título de Barão do Rio Branco.
Continua
LEONCIO BASBAUM
Visite também:
Clicando aqui:

quarta-feira, 22 de março de 2017

Grandes vultos: Tobias Barreto - Parte 18.




GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
TOBIAS BARRETO – PARTE 18.
Por paradoxal que pareça, as academias haviam preparado, em tão pouco tempo, homens que iriam revolucionar a vida do país, num movimento contrário a tudo quanto haviam aprendido.
É que a sobrevivência estava na renovação.
“Voltar a Tobias é Progredir”. Mas nós não voltamos a Tobias. Foi ele que, com seu gênio, chegou até o nosso século e atravessará os séculos futuros. Não se volta na História e muito menos na história do pensamento humano.
A História é um encadear de causa e efeito numa constante evolução.
E, por uma predestinação, a Província em que, em 1822 foi dado o brado da Independência política, tornar-se-ia o berço, passado, exatamente, um século, em 1922, de outro movimento libertador, historiado por Mário da Silva Brito.
Nesse movimento poderia figurar Tobias Barreto.
Imaginai o velho Tobias, entre os moços de 1922, dizendo coisas mais ou menos assim:
A questão é de colocar ideias e não pronomes.
Ou isto que Francisco Teive de Almeida Magalhães me disse que vale por todas as gramáticas do mundo somadas:
A língua não tem código, tem uma história.
E, agora, este julgamento de Hermes Lima:
“Do ponto de vista brasileiro, o que singulariza a inteligência de Tobias são as repercussões que nela tiveram seus profundos contatos com a vida íntima, real do nosso povo.”
Ao terminar este trabalho, quero declarar que disse bem pouco do muito que se pode escrever sobre os múltiplos aspectos da grande vida de Tobias Barreto. É a homenagem que todos nós prestamos a um autêntico revolucionário a quem o Brasil muito deve. É preciso que meditemos sua vida e sua obra. Sua vida que é um exemplo de tenacidade e luta. Sua obra que é uma página vibrante da evolução do pensamento brasileiro.
BRASIL BANDECCHI
Visite também:
Clicando aqui:

quarta-feira, 15 de março de 2017

Grandes vultos: Tobias Barreto - Parte 17.

Alexandre de Gusmão


GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
TOBIAS BARRETO – PARTE 17.
Não quero encerrar este esboço sem tomar por mais alguns instantes a vossa preciosa atenção. Desejo situar Tobias Barreto no panorama da nossa História, pois que ele é um dos marcos mais impressionantes da marcha do pensamento brasileiro. A História do Brasil começa no período que vai de 1492 a 1494, isto é, da descoberta da América ao Tratado de Tordesilhas. Desta data em diante, Portugal já tem direito sobre uma parte embora pequena na América, tanto é que entendo que Pedro Álvares Cabral, acima de tudo, tomou posse da nova terra em nome do Rei. Limitava-se o Brasil a uma faixa litorânea, conforme dispunha o referido acordo. Os paulistas romperam essa linha imaginária, isto é, rebelaram-se contra o tratado, na afirmação de uma vontade própria, no imperativo de forte predestinação, atirando-se contra imposições externas. Notai que falei em imposições externas e não influências, pois estas todos os países e culturas recebem no intercâmbio universal. Imposição é aquilo que não se pode aclimatar dentro das fronteiras físicas e espirituais de um povo. Da maneira que estou conduzindo o meu raciocínio, esta exposição tem razão de ser.
A expansão do Brasil era uma necessidade do meio e da sua existência, e tinha sentido de libertação. E é por isso que chamo a todo movimento de afirmação e libertação nacional de Anti-Tordesilhas. O Tratado de Tordesilhas era a divisão de parte do mundo entre os países da Península Ibérica e não se fundava numa realidade local e sim em interesses extralocais.
O Tratado de Madri (1750) é um tratado Anti-Tordesilhas, onde se reconhece, com a aplicação do uti-possedetis, graças à capacidade do santista Alexandre de Gusmão, a expansão territorial brasileira, contrária ao que ficou assentado entre as coroas de Espanha e Portugal. Esta tese que desenvolverei em trabalho futuro, é o símbolo do pensamento brasileiro na sua afirmação nacional, na sua originalidade, libertando-se de tudo quanto constitui amarras ao seu desenvolvimento.
Um dos acontecimentos mais significativos e profundo da nossa independência, é a fundação dos cursos jurídicos. O ano de 1827 é tão importante como os de 1815, 1822 e 1831. As academias de São Paulo e do Recife irão formar estadistas, filósofos e juristas. A literatura teria no seu seio impulsos poderosos. E houve um processo histórico, cuja aparência era diferente, mas de substância idêntica, pois ao mesmo tempo em que no Recife se cuidava de dar outro sentido ao Direito, aqui em São Paulo, ferviam as ideias abolicionistas e republicanas. Ambos os movimentos se irmanavam e socialmente se completavam.
Continua…
BRASIL BANDECCHI
Visite também:
Clicando aqui:

quarta-feira, 8 de março de 2017

Grandes vultos: Tobias Barreto - Parte 16.

Sílvio Romero


GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
TOBIAS BARRETO – PARTE 16.
Não foi longo o tempo que ocupou a cátedra da Academia de Direito. A doença, implacável, o abateria sete anos depois de sua conquista. Os últimos anos de sua vida foram de lutas inauditas e de ataques mesquinhos. A seu amigo Sílvio Romero, escrevia:
“Devo preveni-lo de uma coisa: se lhe mandarem alguma notícia ou telegrama, dando-me como morto, não aceite logo. Há por aqui gente encarregada de espalhar falsas notícias neste sentido, a fim, não só de incomodar-me como dificultar a arrecadação das subscrições”.
O ilustre brasileiro estava reduzido à mais dura miséria. Melhor do que qualquer descrição, fala esta carta, também enviada a Sílvio Romero:
“Acabo de receber sua carta e vejo o que me diz a respeito do 7 de junho. É engano seu: eu não me restabeleço mais; a moléstia tem sido rebelde; único remédio é morrer.
Como estou reduzido a proporções de pensionista da caridade pública, e me fala nisto em sua carta, peço-lhe que dê pressa às entradas das contribuições de sua lista, visto como os meus últimos recursos estão se esgotando.
Faço votos pelo seu restabelecimento e adeus; quem assina por mim é o meu Pedro.
Do velho amigo
Tobias.”
Esta carta é de 19 de junho de 1889. Sete dias após, Tobias morria.
Quando Clóvis em Juristas Filósofos, acentua que suas dificuldades atenuaram no declínio de sua existência, evidentemente não podia se referir ao fim de sua existência, que foi penosa.
No período da Escada, Haeckel disse que Tobias lhe parecia pertencer à raça dos grandes pensadores. Isto, já naquela época. Depois do concurso de 1882, poderia afirmar: pertence à raça dos grandes pensadores.
Continua…
BRASIL BANDECCHI
Visite também:
Clicando aqui:

quarta-feira, 1 de março de 2017

Grandes vultos: Tobias Barreto - Parte 15.




GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
TOBIAS BARRETO – PARTE 15.
Faz, depois, um estudo da natureza e fala da organização social e, nesse ponto, discorda de Rousseau, pois que, afirma, é falso que a sociedade se tenha organizado por via de um contrato, mas aceita que ela tenha chegado a funcionar “como se fosse uma convenção, um livre acordo de vontades”.
“Não nos esqueçamos, porem, de uma diferença notável: é que a sociedade não se dirige tão preponderantemente, como a natureza, pelo princípio da causa efficiens, mas ao contrário pela causa finalis, da qual ela é em grande escala uma manifestação e um produto”.
Isso exposto, assim como venho fazendo, é mais uma apresentação rápida das ideias de Tobias Barreto, levando-se, ainda, em consideração que elas não foram por ele manifestadas, pela primeira vez, no concurso famoso, e sim e principalmente, no ano anterior em artigos publicados no jornal A Tribuna.
Torna-se difícil traduzir, neste esboço, por mais que se queira, o que foi a situação multiforme de Tobias Barreto. O que ele escreveu foi maciço e sempre que se destaca um ou outro tópico ou trecho têm-se receio de não escolher o mais significativo. Quanto mais se vai penetrando a obra de Tobias, mais se percebe que ele era um cérebro em ebulição, sugerindo ideias, alargando horizontes.
Costumo dizer que as personagens da História são vistas ao contrário do fenômeno de perspectiva: quanto mais distantes elas se apresentam maiores. Crescem com a distância. Aí entra a imaginação do historiador, ou do romancista-historiador. Tobias pode ser visto ao natural, tal como foi, com suas virtudes e seus defeitos, que ele será sempre grande. Os retoques do retratista o prejudicam, porque representando um momento histórico, alterar-lhe a fisionomia é alterar a fisionomia do momento que ele representa.
Aproximemo-nos dele, sem receio de destruir um ídolo.
Seu opúsculo Menores e Loucos enfeixa páginas memoráveis que, no dizer de Clóvis, “são suficientes para derramarem um jorro de luz sobre a literatura”.
Continua…
BRASIL BANDECCHI
Visite também:
Clicando aqui:
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...