quarta-feira, 19 de julho de 2017

Grandes vultos: Floriano Peixoto - Parte 06.

     
Esquadra de Papelão


GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
FLORIANO PEIXOTO – PARTE 06
Floriano calmo. Institui imediatamente Salvador de Mendonça, ministro do Brasil em Washington, a fim de que traduza aquele manifesto para a turma do State Department. Trata-se de uma revolução monarquista e os Estados Unidos não deveria apoiá-la, como a estavam apoiando, sob a cor de neutralidade. Salvador de Mendonça age e o State Department muda definitivamente de atitude: passa a uma posição estritamente neutra.
A estratégia de Floriano era simples: cercar a esquadra e não deixar os federalistas do Rio Grande do Sul transpor Itararé.
Para isso conta no Rio Grande com gente braba que não topa o Gumercindo Saraiva e peleja por esporte. Uma gauchada temível.
Moreira César anda pelo Paraná praticando diabruras. Louco furioso. Mas que pode Floriano fazer? Chegam-lhe voluntários do Norte e das escolas do Rio. Ele arma-os. Manda comprar no exterior uma esquadra para dar combate à de Saldanha da Gama e Custódio José de Melo. O princípio de autoridade deve manter-se.
– Esquadra de papelão! – bradam os custodistas. Vai ser metida a pique pelo Saldanha! Ah, ah, ah!
No dia 13 de março o Almirante Jerônimo Francisco Gonçalves, a frente da “esquadra de papelão”, manda içar a sua insígnia a bordo da nau que comanda e apresta-se para dar combate a Saldanha e a Custódio. Ambos o evitam. Capitulação geral. Abrigam-se na corveta portuguesa “Mindelo” comandada por um filho do poeta cego Antônio Feliciano de Castilho. Em Portugal, o Rei D. Carlos fica furioso com a atitude desse oficial de marinha e com a estupidez do seu ministro no Rio, o Conde de Parati. Viu a questão nitidamente. Parecia-lhe absurdo quebrar a neutralidade, tomar partido pelos rebeldes!
Floriano cortou relações diplomáticas com Portugal.
Saldanha da Gama, considerando o erro que cometera ao revoltar-se, partiu para uma espécie de suicídio, no Rio Grande do Sul. Presunçoso, arrogante, mas digno. Nobre caráter. Preferiu morrer a sobreviver ingloriamente derrotado.
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quarta-feira, 12 de julho de 2017

Grandes vultos: Floriano Peixoto - Parte 05.

Revolta da Armada


GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
FLORIANO PEIXOTO – PARTE 05
Floriano oferece ao almirante o cargo de Ministro da Marinha. Saldanha destempera. Jamais aceitaria a pasta. Era contra Floriano. Se estivesse no Rio a 15 de novembro de 1889 o movimento teria abortado. E tatatá, tatatá. “O Almirante Saldanha da Gama não dá a Vossa Excelência o direito de querer experimentar o seu caráter”.
Já que Vossa Excelência não quer ser meu ministro, indique um nome de sua confiança.
O Almirante Saldanha da Gama não tem nomes de mais ou menos confiança. Nomeie Vossa Excelência qualquer outro que não ele. Todos são dignos.
Diante desta arrogância, que demonstrava apenas fraqueza, insegurança, inferioridade, Floriano continua tranquilo.
– Poderei ao menos contar com a sua boa vontade, com os seus conselhos que muito auxiliarão, sem dúvida, aquele que eu nomear para a pasta?
– Não, O Almirante Saldanha da Gama não aconselha nenhum dos seus colegas. Todos são de maior idade.
A Instituição não vê que se está portando mal, fazendo figura de menino malcriado. Floriano volta à carga no dia seguinte:
– O Almirante Saldanha da Gama só tem uma palavra. Disse o que tinha a dizer. Não e não.
Floriano era um homem. Saldanha uma criança. E criança exigente. Queria isto, e mais isto. Aí Floriano entra de sola. Pois se está contra mim, fique contra mim. Lute de armas na mão. Saldanha revolta-se e dá, com o seu manifesto, de 7 de dezembro de 1893, conteúdo político ao movimento da Armada. Ele é monarquista e deseja “repor o governo do Brasil onde estava a 15 de novembro quando, num momento de surpresa e estupefação nacional, foi conquistado por uma sedição militar”. Convida o povo a ir às urnas para dizer se quer a continuação da república ou a volta da monarquia.
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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Grandes vultos: Floriano Peixoto - Parte 04.

Almirante Saldanha da Gama


GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
FLORIANO PEIXOTO – PARTE 04
O Almirante Saldanha da Gama não era custodista. Mas detestava Floriano. Detestava a República. E adorava a si próprio. Falava de si na terceira pessoa, como se fosse uma Instituição: “O Almirante Saldanha da Gama declara isto, O Almirante Saldanha da Gama quer aquilo”.
Floriano sabia-o muito prestigioso na Marinha de Guerra. A 28 de abril de 1892 convidou-o para vir ao Palácio Itamarati que era, então, a sede do governo. Saldanha veio, acompanhado do guarda-marinha Rafael Brusque. Ao recebê-lo à porta, o Coronel Alves, chefe da Casa Militar da Presidência, disse-lhe amavelmente que não precisaria de vir fardado, pois tratava-se de encontro particular com o Major.
– O Almirante Saldanha da Gama – rugiu imediatamente a instituição – não mantém negócios particulares com sua excelência o Senhor Presidente da República e, portanto, só pode vir à sua presença uniformizado segundo estipulam os regulamentos. Puf!
Floriano recebe-o no salão de honra, de fraque e calça listrada. Não se senta no sofá, mas numa poltrona. Indica o sofá ao visitante. Impossível maior deferência.
A Instituição alastra-se no sofá, não estranhando nada. Julga naturais e justas todas as homenagens. Floriano toca em assuntos reais. A Instituição ouve. Situação difícil. Por fim estoura:
– De certo não foi para conversar banalidades que Vossa Excelência chamou aqui o Almirante Saldanha da Gama. Pede-lhe o Almirante que lhe diga o motivo da sua chamada.
Patrão falando a lacaio.
Floriano não se exalta. Sugere ao Coronel Alves que vá tomar qualquer coisa com o guarda-marinha Rafael Brusque. O guarda-marinha olha para Saldanha e fica firme. Floriano roga a Saldanha que afaste o guarda-marinha. Quer falar-lhe a sós. Saldanha, com um gesto, ordena ao guarda-marinha que se retire. Ufa!
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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Grandes vultos: Floriano Peixoto - Parte 03.


A Revolta da Armada


GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
FLORIANO PEIXOTO – PARTE 03
Em 1889 Floriano era Ajudante General do Exercito – posto que hoje corresponde a Chefe do Estado-Maior. Não acreditava no êxito da conspiração republicana. Carecia, porém, de convicções monárquicas. Assim, a atitude que adotou foi – como ele próprio disse – a de “carneiro de batalhão”.
Inegavelmente, o Exercito sentia-se muito mais identificado a Floriano que a Deodoro. Floriano era a competência técnica, a coragem tranquila. Deodoro acreditava nos olhares fulminantes, nas barbas belicosas, na espada desembainhada, rutilante ao sol em cargas teatrais de cavalaria. Um romântico.
Antes de dissolver o Congresso a 3 de novembro de 1891, Deodoro consultou Floriano perguntando-lhe que atitude assumiria:
– Manoel – respondeu-lhe Floriano – eu sou carneiro de batalhão. Para onde vai o batalhão vai o carneiro.
– O Exercito está comigo.
– Está? Eu sigo junto. Sou carneiro de batalhão.
Custódio José de Melo
 Vinte dias depois, Custódio José de Melo revoltava a esquadra contra Deodoro e ele renunciava, passando o poder a Floriano. Aí, deixou Floriano de ser carneiro de batalhão para se tornar “comandante do batalhão”. A coisa mudava de aspecto. O comandante e não o carneiro é que traça o itinerário a seguir. Custódio José de Melo não percebeu isso. A 6 de setembro de 1893 revolta de novo a esquadra esperando de Floriano atitude igual à de Deodoro em 1891. Erro fatal. Até então, governo algum do Brasil resistira a um pronunciamento militar: nem D. Pedro I, nem D. Pedro II, nem Deodoro. Mas agora estava no poder um homem que exigia respeito ao princípio de autoridade. Bloqueou a esquadra impedindo-a de desembarcar tropas, confinando-a na baía da Guanabara. Ninguém acreditava que Floriano vencesse: só ele. Cria em si mesmo. Os que supunham que ele jamais impediria os revoltosos de se apossarem de Niterói desenganaram-se quando do ataque ao forte da Armação.
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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Grandes vultos: Floriano Peixoto - Parte 02.

Guerra do Paraguai
 


GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
FLORIANO PEIXOTO – PARTE 02.
Em 1865 vai para Bagé, Rio Grande do Sul, já como 1º tenente. Bate-se com extremo denodo em toda a guerra do Paraguai, de onde volta, a 26 de setembro de 1870, recém promovido a tenente-coronel. Suas grandes ações bélicas, praticou-as como capitão e major. Os amigos jamais o promoveram além de major. Mesmo quando marechal, designavam-no os florianistas por “Major”.
Lutou bravissimamente em Tuiuti, Santo Antônio, Itororó, Avaí, Lomas Valentinas, etc. Sempre nos postos de maior perigo. E sempre modesto. De poucas palavras. Agia; não se remexendo agitando-se, discursando, posando de valente. Porque era valente. No fim da guerra, ele que partia vigoroso, atlético, um feixe de músculos, sente-se combalido. Ainda assim requer matrícula na Escola Central e termina o curso de engenheiro militar. Faleceu na fazenda do Paraíso – uma sombra, quase pele e osso – a 29 de junho de 1896. essa fazenda ficava em Divisa, município de Barra Mansa.
Impossível, numa biografia sucinta como esta, tentar explicar os motivos que levaram Floriano, no dia 15 de novembro de 1889, a ficar ao lado de Deodoro, permitindo, assim, a implantação pacífica da República em nossa terra. Sem dúvida alguma ele admirava, amava o Imperador. Jamais proferiu ou permitiu que diante dele se proferisse uma palavra contra D. Pedro II. Mas uma coisa era a pessoa de D. Pedro II e outra a Monarquia, absolutamente inoperante, paralítica, ausente, alheia aos grandes problemas nacionais. Distanciara-se do povo. Perdera, mesmo, o controle administrativo da nação. Ia ser entregue, por morte de D. Pedro, à Princesa Isabel, senhora bondosa, mas uma espécie de freira leiga, dominada pelo marido – sujeito que todos detestavam. Não digo que fosse detestável. Digo que todos o detestavam, e isso não admite sequer discussão.
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quarta-feira, 14 de junho de 2017

Grandes vultos: Floriano Peixoto -- Parte 01.




GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
FLORIANO PEIXOTO – PARTE 01.
Floriano Peixoto nasceu em 1849 no engenho “Riacho Grande”, na vila de Ipioca (Santo Antônio de Beirim de Ipioca), em Alagoas. Foram seus pais Manoel Vieira de Araújo Peixoto, fazendeiro, e Ana Joaquina de Albuquerque Peixoto. Tiveram, por ordem, os seguintes filhos: Maria do Carmo, Catarina, Alexandre, Francisco, Floriano, José, Ildefonso, João, Cecília e Luís. Floriano foi criado pelo irmão mais velho de seu pai, Coronel José Vieira de Araújo Peixoto, casado e sem filhos. Levou-o com poucos dias de nascido (por estar a mãe doente, impossibilitada de o amamentar) e manteve-o consigo, afeiçoando-se-lhe como pai.
Terminado o curso primário em Maceió, estudou Floriano várias matérias do curso secundário e, aos 16 anos, fê-lo seu tio embarcar para o Rio de Janeiro, onde o matriculou no Episcopal Colégio São Pedro de Alcântara. Daí saiu em 1857, para sentar praça e jurar bandeira no Primeiro Batalhão de Artilharia a pé. A 12 de fevereiro de 1858, uma ordem do dia do Quartel General autoriza o aluno Floriano Vieira Peixoto a usar as estrelas de primeiro cadete. Ei-lo matriculado, em 1861, na Escola Militar. Era de compleição atlética. Destemido. Ágil. E calmo. Topava brigas, se provocado. Uma o levou nesse mesmo ano à fortaleza da Lage, onde cumpriu seis dias de prisão. Foi o caso que um veterano o desfeiteou com palavras dentro da Escola. Uma vez. Duas vezes. Três vezes. Quatro vezes. Encontrando-o na rua, Floriano correu para ele e postou-se-lhe em frente.
– Que é que há, calouro? Retire-se ou dou-lhe uma surra.
– Não prometa: dê.
O rapaz ergueu a mão e, sem saber como, viu-se logo estatelado em terra.
– Erga-se para continuar a apanhar – ordenou Floriano.
Esmigalhou-o.
Dai por diante deixaram-no quieto na Escola. A 9 de agosto de 1861 passa ao posto de cabo, a 29 de outubro ao de 2º sargento, e a 2 de dezembro, aniversário do Imperador, promovem-no a 2º tenente do 3º Batalhão de Artilharia da Corte.
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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Grandes vultos: Castro Alves - Parte 06.





GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
CASTRO ALVES – PARTE 06.
Castro Alves, quase um século depois de sua morte, é ainda o maior poeta social do Brasil e um de seus grandes líricos. Sua obra – morreu muito moço, com 24 anos – é por vezes imatura, mas sua imaginação, sua força verbal, seu colorido, dão-lhe posição de relevo em nossa poesia. Muitas de suas aspirações, como a libertação dos escravos, a proclamação da República, a difusão do ensino – estão hoje realizadas; outras são ainda um horizonte inatingido, como o domínio da fraternidade e da paz universal.
Filhos do novo Mundo! Ergamos nós um grito
Que abafe dos canhões o horríssono rugir,
Em frente do oceano! Em frente do infinito!
Em nome do progresso! Em nome do porvir!
Não deixemos, Hebreus, que a destruição dos tiranos
Manche a Arca ideal das nossas ilusões.
A herança de suor vertido em dois mil anos
Há de intacta chegar às novas gerações!
Nós, que somos a raça eleita do futuro,
O filho que o Senhor amou qual Benjamim,
Que faremos de nós… se é tudo falso, impuro,
Se é mentira – o progresso! E o erro não tem fim?
Não! Clamemos bem alto à Europa, ao globo inteiro
Gritemos – Liberdade – em face da opressão!
Ao tirano dizei: – Tu és um carniceiro!
És o crime de bronze! – escreva no canhão!
Falemos de justiça – em frente a mortandade
Falemos do direito – ao gládio que reluz!
Se eles dizem – rancor, dizei – fraternidade!
Se erguem a meia-lua, ergamos nós a cruz!
Um dos formadores da nacionalidade, na configuração atual de suas instituições político-sociais; voz poderosa numa geração de brilhantes literatos, tribunos e juristas, eis como a pregação de Castro Alves transcende de seu tempo e de seu meio, para tornar-se atual e resplendecer como um facho diante da consciência do mundo que não pode conflagrar-se – mas ainda fala em guerra, atávica ou sonambulicamente.
PÉRICLES EUGÊNIO DA SILVA RAMOS
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quarta-feira, 31 de maio de 2017

Grandes vultos: Castro Alves - Parte 05.

Castro Alves conhece Eugênia Câmara


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CASTRO ALVES – PARTE 05.
Castro Alves acredita no futuro de sua pátria, assim como acreditava na grandeza das conquistas cívicas a serem empreendidas. Ainda no Recife, via a República assim:
………………… Vôo ousado
Do homem feito condor!
Raio de aurora ainda oculta,
Que beija a fronte ao Tabor!
Tudo era hiperbólico para ele, que de si mesmo afirmava ser pequeno, mas ter os olhos fitos nos Andes…
Do Recife, onde conhece a atriz Eugênia Câmara, desce à Bahia, onde leva à cena o Gonzaga, peça que escrevera ainda em Pernambuco. Em 1º de fevereiro de 1868, Castro Alves, com Eugênia, parte para o Rio de Janeiro, onde iria conhecer as palavras de estímulo e consagração de José de Alencar e Machado de Assis. Lê o Gonzaga para os literatos e amantes das letras; celebra com o povo, dizendo-lhe versos, a passagem de Humaitá… Vai depois para São Paulo, sempre com Eugênia Câmara, e matricula-se no 3º ano de Direito.
Escreve continuamente, e por vezes declama: em 7 de setembro, diz O Navio Negreiro, poema que até hoje figura entre as suas composições mais célebres.
Auriverde pendão da minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que à luz do sol encerra
As promessas divinas da esperança…
Gonzaga vai à cena, mas termina o romance do poeta com a musa atriz. Passa para o 4º ano, mas, no infausto dia 11 de novembro, indo caçar nas cercanias da cidade, ao saltar um córrego, a espingarda dispara e a carga vai-se-lhe alojar no pé. O Barão de Itaúna, Presidente da Província, médico ilustre, vai vê-lo. São seis meses de cama. Sobrevém a hemoptise. Em maio, vai para o Rio de Janeiro, via Santos. Lá é operado a frio, pois não pode ser cloroformizado, perdendo o pé infeccionado. Encontra ainda uma vez Eugênia. No fim do ano regressa à Bahia. Vai a Curralinho, publica as Espumas Flutuantes; encontra a musa extrema, de casto amor, em Agnese Murri, professora de canto de sua irmã Adelaide. Falece às 15 horas e meia do dia 6 de julho de 1871, em Salvador.
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PÉRICLES EUGÊNIO DA SILVA RAMOS
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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Grandes vultos: Castro Alves - Parte 04.




GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
CASTRO ALVES – PARTE 04.
E Joaquim Nabuco tinha razão. Como acentua Pedro Calmon, o verbo “libertar” é o que maior consumo teria na lira de Castro Alves; o poeta revela-se contrário a qualquer tipo de opressão. Para ele, o Brasil era digno de grandioso futuro, e o caminho para isso seria a conquista de todas as liberdades e a incorporação do progresso sobre todas as suas formas. As fontes de progresso, do progresso que só viria pela instrução, ele as magnificava a ponto de as transformar, como a imprensa, em soberba “deusa incruenta”:
Quando Ela se alteou das brumas da Alemanha,
Alva, grande, ideal, levada em luz estranha,
Na destra suspendendo a estrela da manhã;
O espasmo de um fuzil correu nos horizontes…
Clareou o perfil dos alvacentos montes
Dos cimos – do Peru… às grimpas do Indostã!
Tinha na mão brilhante a trompa bronzeada!
Daí, igualmente, a sua exaltação do livro, do jesuíta em sua heroica propagação da fé – pois propagando a fé civilizou e instruiu. Sim, só com a instrução, como o livro, poderia vir o progresso para a América:
………………....na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto –
As almas buscam beber…
Oh! Bendito o que semeia
Livros… livros à mão cheia…
E manda o povo pensar!
O livro caindo n’alma
É gérmen – que faz a palma,
É chuva que faz o mar.
Vós que o templo das ideias
Largo – abris às multidões,
Pra o batismo luminoso
Das grandes revoluções,
Agora que o trem-de-ferro
Acorda o tigre no cerro
E espanta os caboclos nus,
fazei desse “rei dos ventos”
– Ginete dos pensamentos,
– Arauto da grande luz!…
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PÉRICLES EUGÊNIO DA SILVA RAMOS
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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Grandes vultos: Castro Alves - Parte 03.




GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
CASTRO ALVES – PARTE 03.
Quem era, porém, o poeta? Onde nascera, de que país, onde aprendera a escrever assim, que vinha acordar? Filho de um médico ilustre, que viria a ser Professor da Faculdade de Medicina da Bahia, viajado, culto e humanitário, capaz de desenhar e fazer versos, apreciador da pintura – nasceu Antônio de Castro Alves na fazenda de Cabeceiras, em Curralinho, na Bahia, em 14 de março de 1847. Eram seus pais o Dr. Antônio José Alves – que receberia mais tarde a Ordem da Rosa e o hábito de Cristo – e dona Clélia Brasília de Silva Castro, de ascendência parcialmente espanhola.
No Ginásio Baiano, de Abílio César Borges – o futuro Barão de Macaúbas que Raul Pompéia haveria de imortalizar na figura do “Dr. Aristarco”, do Ateneu – o menino revela-se para as letras. Morre-lhe a mãe durante esse período, em 1859, o mesmo ano em que Seceo traduz da antologia todos os poemas de Victor Hugo. Lê depois Byron.
Em 1864, matricula-se na Faculdade de Direito do Recife. No ano seguinte, perde o irmão mais velho, José Antônio, e o pai em 1866, de beribéri.
Nesse período recifense escreve O Século, poema do qual afirmaria Joaquim Nabuco: “O Século é a síntese das aspirações liberais de Castro Alves… Nada me lembra tanto o poeta como esta décima querida dele entre todas:
Quebre-se o cetro do Papa,
Faça-se dele uma Cruz!
A púrpura sirva ao povo
Pra cobrir os ombros nus.
– Sem escravos – sem Guanabara
Que aos gritos do Niágara
Se eleve ao fulgor dos sóis!
Banhem-se em luz os prostíbulos,
E das lascas dos patíbulos
Erga-se a estátua aos heróis!
Altiva estrofe, na verdade, em que o poder temporal da Igreja, a miséria das classes inferiores, a escravidão, a prostituição e o cadafalso político eram condenados ao mesmo tempo, e que o poeta lançava à mocidade com a formula de sua missão na América!”
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PÉRICLES EUGÊNIO DA SILVA RAMOS
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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Grandes vultos: Castro Alves - Parte 02.




GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
CASTRO ALVES – PARTE 02.
Castro Alves desde cedo se empolgou com a causa da libertação e dele fez uma das vozes mais convincentes no Brasil, ao lado de Joaquim Nabuco, Rui Barbosa e tantas outras figuras ilustres. Ainda estava no Ginásio Baiano, de Abílio César Borges, quando em 1861, aos treze anos, declamava em Outeiro:
Se o índio, o negro africano…
……………………………….
Ah, não pode ser escravo
Quem nasceu no solo bravo
Da brasileira região.
Pedro Calmon, que recorda esse fato, assinala que o menino resolveria fazer-se “poeta dos escravos”. E prossegue: “Em 65 retornou o fio a esse pensamento, que se lhe tornará, até a hora da morte, o propósito essencial.
Sem escravos, Guanabara…
Ao grito do Niágara,
No Século desfraldara a bandeira. Não a enrolou mais.
E a escravidão – nojento crocodilo
Da onda turva expulso la do Nilo
Vir aqui se abrigar!
A gente moderada estranhou-lhe a censura tremenda:
Senhor, não deixeis que se manche a tela
Onde traçaste a criação mais bela
De tua inspiração.
O sol de tua glória foi toldado…
Teu poema da América manchado,
Manchou-o a escravidão.
Arte, apostolado, campanha, o que fosse, a “ideia fixa” rasgara-lhe, entre os contemporâneos, uma estrada real. Abriram-lhe respeitosas alas, para que parasse com os seus furiosas epítetos contra a “mancha”. A ironia, os motejos do começo, iam-se transformando em surpresa grave, assombro, adesão comovida. Lugar ao sol, para os desgraçados. Redenção para os “Jobs” eternos! A lira de Castro Alves havia de fazer o prodígio – já se profetizava.” Depois em Recife, na Bahia, no Rio de Janeiro, em São Paulo, Castro Alves fala ao povo, declama, escreve poemas e peças teatrais – e com isso se torna uma espécie de esperança e remorso, transfeita em verbo, das classes progressistas e cultas do país.
Continua
PÉRICLES EUGÊNIO DA SILVA RAMOS
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