quarta-feira, 5 de dezembro de 2012


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POR FAVOR, SOMENTE MAIS UNS DIAS!

MEUS QUERIDOS AMIGOS!

Hoje está completando 49 dias que iniciei uma pausa para tratamento da vista. No dia 17 de outubro foi feita a limpeza da lente intraocular do olho direito, e no dia 06 de novembro a do olho esquerdo. No dia 09 de novembro me submeti à cirurgia de pterígio do olho direito, e, por isso, estou pagando meus pecados, usando boné e óculos escuros durante o dia e a noite, pois, segundo ordens do médico, a retirada de ambos somente na hora do banho e quando forem apagadas as luzes para dormir, castigo que se estenderá por um período de 60 dias. No próximo dia 10, retornarei para a segunda revisão, quando, possivelmente, será marcada a data da cirurgia do olho esquerdo.

Agradeço de coração pelas manifestações de carinho e preocupação, não só através dos comentários, mas também, através dos e-mails que tenho recebido, esperando continuar contando com a valiosa compreensão de todos, e prometendo – com a ajuda da minha querida filha – retribuir todos os comentários na medida do possível. Retornarei tão logo me seja permitido, pois a saudade e a falta do convívio de vocês maltratam bastante.

Beijos no coração de todos!

QUE DEUS SEJA LOUVADO!

PS: Este post foi rascunhado por mim, e digitado pela minha filha Roseane, que, muito gentilmente, ao sair da faculdade passou aqui antes de ir para a casa dela, pois como sabem, estou proibido de assistir TV e viajar no PC. Rsrs.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Literatura Ocidental - Parte 40.




HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 40
LITERATURA NORTE-AMERICANA

Naturalismo norte-americano
 
Theodore Dreiser e Sinclair Lewis (1871-1945; 1885-1951) representam bem o naturalismo em solo ianque. Theodore Dreiser, normalmente considerado materialista, não o é realmente, a não ser que o seja na modalidade vulgar e mecanicista; há em seus escritos uma secreta admiração pelos homens da burguesia financeira até a política que estigmatiza, além de um poderoso misticismo que lhe informa o raciocínio, o que se completou com a adoção de uma clara atitude religiosa. Seus romances atacam uma série de tabus, como a situação sexual da mulher (“Jenny Gerhardt”), o poderio do dinheiro (“The Financier”), a vontade de poderio e a grande cidade americana (“Titan”) e o capitalismo (“An American Tragedy”). O mito da ciência e a simplificação dos móveis humanos a dinheiro e sexo diminuem um pouco o valor de seu melhor romance, “An American Tragedy”, notável pela realidade das lutas de classe e pelo destaque atribuído à responsabilidade humana.

Sinclair Lewis é testemunha mais lúcida das duas décadas que seguem o ano de 1920 e seu estilo tem forte sabor de reportagem. Lewis antecedeu Sartre ao recusar também um prêmio de alto prestígio internacional (“Pulitzer” 1925) e justificar a recusa por considerá-lo tentativa de tornar o escritor “obediente e estéril”. Suas obras principais são “Maim Street”, “Babbitt” e “It Can't happen Here”. “Main Street” disseca o provincianismo em sua deformação não apenas das vítimas, mas também para os que o empregam para o triunfo fácil: “It Can't Happen Here” sincera e corajosamente aponta o perigo do ressurgimento fascista. Lewis destaca-se pela técnica dos detalhes e pelo realismo da linguagem com a qual exercita a sátira.

A geração perdida

A geração que ficaria considerada como perdida, graças à consagrada expressão com que Gertrude Stein (1874-1946) a designou, segue a linha de desenvolvimento iniciada por Dreiser-Lewis e é composta, sobretudo, por Ernest Hemingway (1898-1961), Henry Miller (1891), Fitzgerald (1896-1940), John dos Passos (1896), William Faulkner (1897-1962) e John Steinbeck (1902).

Hemingway que praticamente melhor representa esta geração de voluntários da primeira guerra mundial e que são iludidos em sua convicção de eliminar definitivamente o mal quando a segunda guerra explode, é uma lendária figura de aventureiro, por sua participação na revolução espanhola, na libertação de Cuba e nas “aventuras” africanas; seu raro vigor recebe estímulo na convicção de que o heroísmo é necessário para viver, embora este heroísmo possa ser resumido na aventura de morrer gratuitamente. Em sua técnica narrativa evita os comentários de autor e as autoanálises de personagens estruturando a estória à Maupassant através da própria ação. Estilisticamente, observa-se na simplicidade sintática relacionando as orações a partir da principal e formando-as de maneira simples e raramente integrando parágrafos. Hemingway é um autêntico criador de mitos heroicos centralizados em valores primitivos, como a coragem e a perseverança. Entre os seus escritos estão: “A Farewell to Arms”, “To Have and Have Not”, “For Whom the bell Tolls” e “The Old man and the Sea” – este último é extraordinário em sua concentração de “mood” e tom. O tema central de sua produção é o problema de enfrentar a morte apenas armado com o valor da intensidade.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 87/88.


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                                    Meus queridos amigos!

Hoje estarei me submetendo a uma limpeza da lente intraocular que me foi implantada quando de uma cirurgia de catarata, realizada já há alguns aninhos atrás. Rsrs. Portanto, dependendo das recomendações do médico, pois tenho também que me submeter a retirada de alguns quilinhos de pterígio – com data ainda a ser marcada – devo me ausentar das telinhas (TV e PC) por algum tempo, rogando a DEUS que seja o menor possível.

Mais uma vez, agradeço a indispensável compreensão de todos, prometendo voltar logo que me for permitido, pois, como sabem, é muito difícil viver sem o valioso convívio de vocês.

Beijos no coração de todos.

QUE DEUS SEJA LOUVADO!

Rosemildo Sales Furtado.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Literatura Ocidental - Parte 39.



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 39
LITERATURA NORTE-AMERICANA 
 
Já o universalismo pode ser representado por Henry James (1843-1916), intelectual de formação europeia. Henry James escreveu sobre a realidade americana que o obsecava como um visitante onisciente o faria. Seus romances psicológicos – “The Ambassators”, “The Wings oh the Dove” e “The Golden Bow” – revelam-lhe a lucidez impiedosa, o caráter subjetivo e simbólico dos dramas e a devoção aos valores morais. Seus romances têm construção centralizada em paradoxos desenvolvidos com suprema ironia e técnica que o consagram com a realização máxima do romance em seu país. Como crítico literário destaca-se pela autoria de “The Art of Fiction”, magnífico ensaio sobre o romance que é válido até nossos dias.

Emily Dickinson (1830-1886) é um fenômeno original não apenas na excelência de seu lirismo como, principalmente, pelo modernismo avançado de sua técnica na combinação do harmônico e do dissonante e na maestria com que, sob uma superfície enganadora de simplicidade, multiplica os sentidos das palavras que emprega para transmitir a violenta oposição de seus sentimentos e conceitos. A ousadia de suas metáforas intensifica e amplia as imagens centrais de seus poemas.

É necessário destacar três outros escritores desta primeira fase de literatura norte-americana autêntica: Washington Irving (1783-1859), James Fenimore Cooper (1789-1851) e o grande poeta Walt Whintman (1819-1892)

Washington Irving é o iniciador do conto americano e da descrição de tipos regionais, inserindo-se por seu humor, como Mark Twain, na tradição de Goldsmith, mas, por seu estilo gracioso e humorístico. Transforma o conto gótico ao introduzir o humor que torna o terror altamente divertido. Escreveu “Rip Van Winkle” e “The legend of Sleepy Hollow”.

James Fenimore Cooper é, por sua vez, o criador das descrições de cenas norte-americanas e dos acontecimentos e personalidades locais. Seus romances estão centralizados no heroísmo de Natty Bumpo: as principais obras pertencem ao ciclo de Leatherstocking” (“The Deerslayer”, “The Last of the Mohicans”, “The Pathfinder”, “The Pionees” e “The Prairie”). Nunca será demais ressaltar a contribuição de Cooper na emancipação da literatura norte-americana. 
 
Walt Whintman é contemporâneo de Emily Dickinson. Caracterizado pelo individualismo sbjetivo,pelo misticismo, pelo sentimento nacionalista e pelo culto do homem comum, Walt Whintman é um emancipador poético, ou, como o expressou Burroughs, “sua obra apresenta a força de dissolver barreiras em vez de erguê-las, dissolver formas, escapar de fronteiras estreitas, colocar o leitor numa colina e não numa esquina”. O manifesto de Whitman em seu livro “The Leaves of Grass” proclama as linhas básicas de seu romantismo. É impressionante a riqueza de imagens (inclusive as não poéticas), sons e símbolos colocadas nos poemas segundo a enumeração caótica.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 85/86.
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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Literatura Ocidental - Parte 38.


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  HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 38
LITERATURA NORTE-AMERICANA 
 
O grande poeta anterior à época da secessão é Edgar Allan Poe (1809-1849) dominado pela atração pelo fantástico e pelo esotérico. Poe conquistou reconhecimento exterior, principalmente na França, por literatos como Baudelaire, Valéry e Yeats na Inglaterra, enquanto no E.U.A. recebia críticas de Emerson e de outros. Como teórico da literatura, Poe define poesia como “the rhythmical crestion of Beauty”, a finalidade da arte como o prazer e não a verdade, a obtenção do prazer estético através da unidade e da concisão e a criação poético como deliberação consciente elaborada com precisão e rigidez quase equivalentes a um procedimento matemático combinatório. São características da poesia de Poe: o predomínio do imaginativo sobre o racional, a qualidade musical do verso, a nostalgia pela serenidade grega, o predomínio distante no tempo e no espaço sobre o real imediato, o gótico exclusivamente poético e o uso de repetições dextramente modificadas. Os principais poemas de Poe, como “The Raven” ou “Anabel Lee”, seus ensaios de literatura, “The Poetic Principle” e “The Philosophy of Composition”; concorrem com suas estórias para sua imortalização. Seu herói Auguste Dupin é predecessor de Sherlock Holmes pelo uso da análise racional para descoberta e reconstrução de acontecimentos.

A primeira romancista norte-americana, Beecher-Stowe (1811-1896) é a célebre autora de “Uncle Tom's Cabin”, que em apenas dez meses teve a tiragem de 300 mil exemplares. “Uncle Tom's cabin” exprime o conjunto de sentimento pré-revolucionários, mas, evidentemente, a concepção corrente de que tenha “provocado” a Guerra da Secessão é utópico exagero... 
 
Após a vitória do Norte em 1865 os grandes temas norte-americanos são propostos e os grandes valores definidos. As principais ideias-força da civilização nascem e se afirmam neste período: o gigantismo, o messianismo da liberdade, o problema indígena, o problema negro e a coexistência de duas tendências: o isolacionismo e o universalismo.

O isolacionismo seria bem representado por Samuel L. Clemens, conhecido na literatura como Mark Twain, típico representante da América em processo de rápida expansão territorial e autêntico homem da fronteira. Este escritor dos ambientes sulinos exerce um realismo aproximado ao dos humoristas ingleses do século XVIII, como Fielding e Goldsmith, e atinge o nível de alta literatura com seu “Huckleberry Finn” – romance picaresco que alcança a estatura de épico popular. Há profundas notas trágicas em seu humorismo e o pessimismo explodirá no final de sua vida ao publicar “The Mysterious Stranger”. Este escritor que é celebrado como o “americano autêntico” adotou para suas estórias a própria língua popular falada em toda sua truculência e em seu pleno pitoresco.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 84/85.

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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Literatura Ocidental - Parte 37.


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HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 37

LITERATURA NORTE-AMERICANA 
 
O escritor mais representativo no período da juventude literária norte-americana é Benjamin Franklin, cujo pensamento é um misto de senso comum e de reacionalismo e se expressa num estilo simples e claro. Franklin forneceu na otimista Filosofia norte-americana a ingênua figura do heroi conquistador self-made. 
 
O século XIX eleva a literatura norte-americana ao nível significativo. Boston e Filadélfia cedem lugar a Concord e seu grupo de escritores: Emerson (1803-1882), Hawthorne (1804-1861) e Thoreau (1817-1862). A grande filosofia da época é o transcendentalismo, transplantação do romantismo ao solo puritano e de bases idealistas que exaltam as ilimitadas oportunidades da alma humana. Os mais conhecidos livros da doutrina do individualismo superior, determinado pela natureza espiritual da realidade e pela ascese das virtudes morais burguesas e que determina o pensamento de Ralph Waldo Emerson, são as duas sedes de seus Ensaios, alguns dos quais têm maturidade realmente artística. Embora o pensamento emersoniano traga a ideia de que para a reforma social seja suficiente a reforma pessoal através da autodisciplina e quase coloque o otimismo ingênuo e a sensação  de conquista como verdadeiras “obrigações”, traz também uma das melhores tradições norte-americanas: o não conformismo. Nota-se como defeito do escritor Emerson certa falta de organicidade.
O não conformismo é também a linha mestra do pessamento de Henry David Thoreau. Thoreau distingue-se de Emerson por não ser um filósofo eclético e situar a origem de seu não-conformismo na análise da situação humana sob a revolução industrial que se inicia com seus aspectos de mecanização e padronização do ser humano. Resta ao homem a elaboração de uma maneira pessoal de vida, e Thoreau assim o aconselha e exemplifica. Embora simplisticamente através do retorno à integridade, naturalidade e contentamento obtidos na comunhão com a natureza. Suas ideias estão apresentadas com austeridade de estilo no livro “Walden”.
Nathaniel Hawthorne é o primeiro grande literato norte-americano. O autor de “The Scarlet Letter” e de “The House of the Seven Gables” é um romancista ético que analisa psicologicamente a vida interior a transfere-lhe as verdades ao mundo concreto através de complexos simbólicos. Suas personagens são concebidas como corporificação de traços psicológicos e morais. É constante, na temática de Hawthorne, o retorno ao passado. Com Herman Melville (1819-1891) efetiva-se a maturidade literária americana. De seus contos nota-se a técnica do suspense e o intenso simbolismo, como em “Benito Cereno”, e a trágica observação que se mantém serena perante a submissão da inocência à fatalidade, como em “Billy Bud”. Como romance, aparentemente reduzidos a simples aventuras marítimas, mas, que, de fato, incluem e estão estruturados ao redor de densa pesquisa metafísica, cita-se “Typee”, “Omoo” e sua obra-prima no gênero “Moby Dick”. Curiosamente a cosmovisão de Melville é antiamericana, apesar do muito que se deve ao puritanismo: o Mal é onipresente e revela-se através da miséria, do sofrimento e do pecado do ser humano completamente impotente. Melville foi redescoberto na década de 20 e “Moby Dick” reconhecida como imenso mito moral.
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 83/84.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Literatura Ocidental - Parte 36.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 36

LITERATURA NORTE-AMERICANA


Como ocorre em toda a América, os primeiros escritos norte-americanos só podem ser assim denominados por capricho geográfico: a presença dominadora da pátria-mãe está presente em tais textos tanto em suas ideias e temas como em seus estilos. Realmente, a emancipação literária norte-americana poderia ser localizada no século XIX.

No século XVII o pais está em franco processo formador de sua nacionalidade e cultura e as primeiras características norte-americanas podem ser estabelecidas, embora a vida literária esteja quase que reduzida a sermões e controvérsias religiosas e escassa seja a produção poética. O mundo puritano em sua austeridade, de fato, não oferece campo propício à expressão literária, preferindo concentrar-se num mundo centralizado em Deus e no desejo de uma vida extra-terrena sob orientação das meditações retiradas dos ensinamentos bíblicos. Alguma força poética pode ser saboreada no poema puritano “Day of Doom”, cujo título completo é, à maneira do século, “The Day of Doom, or description oj the great and last Jud-gement, with a short discourse about Eternity”, mas, esteticamente, é tarefa ousada. “Day of Doom” gozou de ampla popularidade e seu autor é Michael Wigglesworth (1631-1705). Em 1939, no entanto, foi redescoberta e publicada a poesia do poeta metafísico Edward Taylor (1645-1729), portadora de vigorosa e sensual imagética e dos aspectos cromáticos.

O século seguinte é a época dos “filósofos naturais”, como Jefferson e Franklin (1743-1826; 1706-1790), e da crença do poder ilimitado da razão num mundo organizado para o progresso humano. A religião revelada é tornada natural, num autêntico deísmo e Deus é conceituado como a causa primeira organizadora da ordem suprema que rege o Universo. Nesta época, o mundo cultural americano está centralizado e contido em Filadélfia.

Os direitos humanos tal como apresentados na Declaração da Independência podem ser resumidos numa receita simplista para obtenção da felicidade: seria a soma de seus tríplices fundamentos: vida, liberdade e propriedade. A ela está ligado o nome de Thomas Jefferson, que fortemente contribuiu para a construção dos Estados Unidos e de seu pensamento político fundamental. Jefferson é mais importante como anarquista individualista que estrutura o pensamento pela conquista da liberdade política, religiosa e intelectual e o concretiza mais por políticas diretas do que como literato. Seus temas centrais: libertação dos escravos, liberdade de expressão, sistema universal de educação, combate à “witch-hunt” (termo que cunhou para designar o terrorismo cultural da época...) e afirmação do direito fundamental de protestar pela violência.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 81/83.

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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Literatura ocidental-Parte 35.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 35

LITERATURA INGLESA

George Bernard Shaw (1856-1950) encerra a época vitoriana e inicia os tempos atuais. Shaw é destacado romancista, dramaturgo, humorista e teórico de uma espécie de socialismo. Como teórico do socialismo publicou o famoso livro “Fabian Essays in Socialism”; mas, a fama e renome de Shaw é, sobretudo, justificada por suas peças teatrais, dentre as quais é difícil selecionar algumas apenas. Excelentes, certamente, são: “Saint Joan”, “Major Barbara”, “Doctor's Dilemma”, “Man and Superman”, “Andocles and the Lion”, “Back to Mathuselah”, “Captain Brassbound's Conversion”, “The Devil's Disciple”, “The Apple Cart”, “Heartbreak House” e as demais...

Iniciada a época vitoriana com a figura típica do cidadão Kipling, concluída pode ser com sua completa negação: Edward Morgan Forster (1879), autor de “A Passage to India”. O antkipling E. M. Forster é notável no combate ao nacionalismo e ao imperialismo britânicos.

Tempos atuais

Virginia (Stephen) Woolf (1861-1923) é autora dos romances “Jacob's Room”, “Mrs. Dalloway”, “To the Lighthouse” e “Orlando”, nos quais aparece sua preocupação fundamental com a significação dos fatos passados inseridos no presente para a justificação da existência humana.

Aldous Huxley (1894) publicou como romancista: “Antic Hay”, “Brave new world”, Those Barren Leaves”, “Point Counter Point” e “Ecless in Gaza”. Huxley é crítico constante da sociedade e do intelectualismo e a evolução de sua obra atesta um progressivo pessimismo místico. A estruturação de seus romances consiste na apresentação do presente e do passado sem ordem objetiva temporal.

Graham Greene (1904), G. K. Chesterton (1874-1936) e Evelyn Waugh (1903) são todos importantes escritores do catolicismo atual. Green – autor de “Stamboul Train”, “Brighton Rock”, “The Heart of the Matter”, “The Ministry of Fear” e “The End of the Affair” – é o romancista do silêncio de Deus e da angústia do homem, bem como dos paradoxais processos da Salvação e da Graça. Chesterton é autor de contos de detetive (“Padre Brown”), romancista (“The Man who was Thursdey”), ensaísta e biógrafo. Gilbert Keith Chesterton muito contribuiu para a renovação da mentalidade católica. Evelyn Waugh é mestre do humor impiedoso em sua amargura, como o revelam suas obras principais: “A Handful of Dust”, Brideshead Revisited” e “The Loved One”.

Merecem destaque, ainda, escritores como: Joseph Conrad (1857-1924), romancista do mar e do destino humano (“Lord Jim” e “Under Western Eves”); D. H. Lawrence (1885-1930), que desenvolve a temática do sexo e dos mistérios do subconsciente (“Sons and Lovers”, “Lady Chatterley's Lover”); William Somerset Maugham (1874), construtor perfeito de romances (“Of Human Bondage”, “The Moon and Sixpence”) e de contos (“The Trembling of a Leaf “ e “Rain”); KatherineMansfield (1888-1923), contista sutil da solidão dos seres humanos (“In a german Pension”, “Prelude”, “Bliss”, “The Garden Party”, “The Dove's Nest” e “Something Childish”; e, sobretudo, James Joyce (1882-1941). Joyce renovou a técnica do romance com seus livros “Ulisses” e “Finnegan's Wake” ao combinar com perfeição o realismo e a introspecção num contexto simbólico extraordinário através do recurso ao monólogo interior ampliado.

O mais notável poeta da literatura inglesa moderna é o norte-americano de nascimento T.S. Eliot (1888), cujos poemas estão reunidos em “Collected Poems”. O tema central da poesia intelectual e trágica de Eliot é a angústia perante a necessidade de descobrir o sentido da existência humana. Thomas Stearns Eliot é também um dos maiores ensaístas (“The Sacred Wood, “Selected Essays”, “The Use of Poetry and the of Criticism” e “On Poetry and Poets”), além de excelente dramaturgo – poeta em “Murder in the Cathedral”.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 80/81.


Meus queridos amigos!

Depois de quase três meses de ausência, tempo utilizado para solução de assuntos particulares, eis que, com a graça de DEUS, aqui estamos de volta para agraciar-nos com o maravilhoso convívio de todos vocês.

Aproveitamos a oportunidade, para agradecer pela valiosa compreensão, informar que estamos bem, e que, aos poucos, todas as visitas serão retribuídas, pois, como sempre, a recíproca será verdadeira.

Muito obrigado de coração.

“QUE DEUS SEJA LOUVADO”

Rosemildo Sales Furtado

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Literatura Ocidental - Parte 34.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 34

LITERATURA INGLESA

O renome alcançado em vida por Kipling é entregue honrosamente na atualidade a um escritor que, enquanto vivo, era considerado mero narrador de estórias: Robert-Louis Stevenson (1850-1894). Stevenson, romancista, ensaísta e poeta – é, essencialmente, um dos raros escritores capazes de alcançar o profundamente humano e criar poderosos mitos. “Treasure Island”, “Black Arrow” e “The Master of Ballantrae” representam bem a obra deste escritor notável.

Outro criador de mitos é Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930), que, conjugando Ulisses e Aquiles transpostos aos tempos modernos, apresenta seu heroi Sherlock Holmes em aventuras que se inserem num verdadeiro ciclo lendário. Sir Arthur Conan Doyle é, com justiça, reconhecido como o pai do romance policial.

A tradição francesa de Júlio Verne encontrou sua correspondente continuação com Herbert George Wells (1866-1946). George Wells apresenta de original tanto sua pretensão de fundamentar sua visão cientificista prospectiva em uma ciência exata e sólida quanto uma concepção filosófica essencialista e pessimista segundo a qual a inteligência seria a causa fundamental do Mal... De sua abundante produção citaremos “The Time Machine”, “The Invisible Man”, The War of the Worlds”, “Kipps, the Story of a Simple Soul” e Mind at the End of Its Tether”.

O final do século apresenta a escola realista e dois de seus mais importantes representantes ingleses: John Galsworthy (1867-1932) e Thomas Hardy (1840-1928). Galsworthy conjuga um humanismo generoso a certo humor ácido em Forsyte Saga” e “The Silver Box”. Thomas Hardy, romancista e poeta, escreveu “The Mayor of Casterbridge”, “Jude the Obscure” e “Tess of the d'Uberville” – os dois primeiros significativos pela maneira como retrata os personagens e o último também importante pela beleza de suas cenas rurais e pelo completo domínio do trágico habilmente revelado. Como poeta, sua obra-prima é “The Dynasts”, drama que reúne o lírico, o dramático e a dimensão épica.

Outro poeta é Algernon Charles Swinburne (1835-1909) hábil senhor dos aspectos melódicos do verso e do lirismo. De sua obra podem ser citados “Poema and Ballads” e Songs before Sunrise”. Poeta também é William Butler Yeats (1865-1939), um dos principais do chamado Renascimento Literário da Irlanda e um dos maiores da literatura mundial moderna. Yeats é criador de um universo simbólico de extrema força e significação poética, seja em seus poemas (“The Rose”, “The Tower”, “The Winding Stair” e “Last Poems”), seja nos versos de suas peças teatrais (“The Land of Heart's Desire”, “The Shadowy Waters”, “The Hour Glass”, “The King's Threshold” e “A Full Moon in March”).


Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 78/79.

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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Literatura Ocidental - Parte 33.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 33

LITERATURA INGLESA

Outros romancistas da época vitoriana são: George Eliot (1819-1880), Charlott e Emily Bronte (1816-1855; 1818-1848), Anthony Trollope (1815-1882) e Wilkie Collins (1824-1889). George Eliot, que seguiu o exemplo de George Sand não só na adoção de um pseudônimo (seu nome real é Mary Ann Evans como pela técnica de análise de personagens e pela admirável apresentação do meio rural. “The Mill on the Floss” e “Silas Marner” são seus romances principais. As irmãs Bronte, Charlotte e Emily, destacam-se pela autoria respectiva de “Jane Eyre”, em que se revela a capacidade de penetração psicológica de Charlotte, e “Wuthering Heights”, um dos grandes romances modernos. Anthony Trollope, escritos de enorme quantia de livros, é o autor de “The Warden” e de “Barchester Towers”, nos quais podemos apreciar o domínio da técnica narrativa e um vigoroso realismo. Wilkie Collins é autor de romances de mistério e terror, dentre os quais destacamos “The Moonstone”. Thomas Carlyle (1795-1881), autor de “Heros and Hero Worship” e de “French Revolution”, foi considerado historiador emérito e original crítico social – juízo reformulado atualmente nas avaliações mais serenas e objetivas. Seu estilo é afetadamente estranho pelo emprego de coloquialismos e de uma linguagem decididamente “não” inglesa, dado o excesso de estrangeirismo e de palavras compostas pelo próprio Carlyle. Autor realmente importante na época e no século seguinte é o cardeal John Newman (1801-1890), um dos fundadores do movimento de Oxford. Este movimento de inspiração religiosa combatia o liberalismo e pretendia a restauração do ritualismo na Igreja Anglicana. John Henry Newman, que adotou a religião católica, está imortalizado com sua obra e, de uma maneira especial, com “Apologia Pro Vita Sua”, comparável às “Confissões” de Santo Agostinho. É excelente a técnica estilística de Newman e a serena nobreza que caracteriza esta autobiografia religiosa.

Pertence, ainda, à época vitoriana o esteticista John Ruskin (1819-1900) que propugnou o culto à beleza e ao ideal nos domínios artísticos e sociais para a eliminação da insinceridade e da corrupção no primeiro domínio e das funestas consequências do industrialismo no segundo. Representam suas ideias “Stones of Venice” e “Unto this Last”.

La belle epoque (1870-1940)

Caracterizam esta época o apogeu da grandeza imperial, a exacerbação nacionalista e o terrível otimismo conquistador e ingênuo. Exemplo notável de tais grandezas imperialistas oferece-nos a obra de Rudyard Kipling (1865-1940) que publicou diversos livros, dentre os quais “Kim” e “Book of the Jungle”, e que pode ser resumido plenamente em suas ideias e visão do mundo através da leitura do seu poema “If”, citado nas antologias escolares.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 77/78.

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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Literatura Ocidental - Parte 32.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 32

LITERATURA INGLESA


Época vitoriana (1840-1870)

De uma maneira geral, a época vitoriana ampliou a força política da classe burguesa ao incluir também a camada média da população e, paralelamente, aguçou os sofrimentos das classes trabalhadoras. Houve, ainda, um reavivamento da religião e a emancipação do catolicismo nesta época de progresso científico e de expansão do imperialismo britânico. Literariamente, ocorreu a tomada de consciência quanto ao decadentismo romântico e a reação muito contribuiu para o florescimento literário notável subsequente. A forma literária característica da época vitoriana é o romance. 

O grande poeta do período é Lord Alfred Tennyson (1809-1892). Tennyson sobrevive em suas obras: Ulysses, Morte D'Arthur e The Lotus Eaters. Embora musicalmente magníficos, seus versos apresentam certa superficialidade e excesso de ornatos que empobrecem seu julgamento atual. O casal Browning – Robert Browning (1812-1889) e Elizabeth Barret Browning (1809-1861) – lideram a chamada escola pré-rafaelista que se caracteriza pela tendência à descrição minusciosa das cenas. Robert Browning escreveu o excelente poema dramático denominado Pippa Passes a obra-prima da literatura inglesa The Ring and the Book. Elizabet Barret Browning demonstra sua notável capacidade poética com seu livro “Poems”, no qual se encontram os imortais “Sonnets from the Portuguese”.

O gosto pelos romances muito devem pelo aparecimento e popularidade das grandes revistas as quais estão ligados os escritores da época. Charles Dickens (1812-1870) publicou em 1833 um conto de sua autoria no Monthly Magazine e, nesta revista e no Evening Chronicle, publicou a seguir diversos textos e romances em fascículos mensais, como “Shetches by Boz”, “Oliver Twist” e outros. Mais tarde, Dickens torna-se editor da revista Household Words (1849) e adquire maturidade de romancista. Deste escritor de enredos complicados e de sentimentalismo ingênuo que pretende alcançar a justiça social através da caridade devem ser citadas obras como “David Copperfield”, “Bleak House”. A Tale of two lities, “Little Darrit” e “Great Expectations”. Outro romancista que foi também editor é William Makepeace Thackeray (1811-1870), o qual se diferencia de Dickens por sua recusa do ingênuo sentimentalismo e porque não idealiza os personagens. William M. Thackeray é o autor de “Vanity Fair, A Novel without a Hero”, no qual aparece claramente o contexto social da época vitoriana através do comportamento dos personagens que apresenta.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 76/77.

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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Literatura Ocidental - Parte 31.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 31

LITERATURA INGLESA

A segunda geração romântica, composta por Percy Bysshe Shelley, Lord Byron, Sir Walter Scott e John Keats (aos quais correspondem, respectivamente, as seguintes datas: 1792-1822; 1788-1824; 1771-1832; 1795-1821, destaca-se por uma visão revolucionária que considera a poesia como expressão anárquica, o gênio como uma espécie de loucura e o herói como desordem moral.

Shelley, cuja poesia é essencialmente musical, demonstra seus sentimentos revolucionários em The Revolt of Islam e em Queen Mab, onde apresenta as mesmas ideias que, por terem sido consideradas subversivas, haviam motivado sua expulsão da Universidade. Destaca-se, ainda, em sua obra: The Cenci, Prometheus Unbound e Hellas, dramas significativos.

George Gordon Byron expressa um pessimismo extremo unido à coragem de combater preconceitos e opiniões. Sua influência sobre a literatura mundial tem sido vigorosa criando escolas “baironistas” na França, na Alemanha e no Brasil, por exemplo. Em sua obra são célebres: Childe Harold's Pilgrimage (poema em quatro cantos), Mazeppa (poema narrativo) Don Juan (sátira épica plena de realismo e humor) e Manfred (poema dramático).

John Keats apresenta inicialmente corajosa combatividade (Written on the Day that Mr. Leigh Hunt Left Prison, To Kociusko e Anniversary of Charles II's Restoration, são exemplos ótimos) e, posteriormente, uma decadente exaltação esteticista, durante a qual produz os famosos poemas: Ode on a Grecian Urn, Ode on Melancholy e Ode to a Nightingale.

O final do século XVIII assinala a popularidade do romance negro. Anne Radcliffe (1764-1822) publica em 1791 The Romance of the Forest e, quatro anos mais tarde, The Mysteries of Udolpho. Maior influência exerceu Mathias Lewis (1775-1818), cujo romance The Monk gozou imensa popularidade entre os escritores europeus ao ser traduzido.

Sir Walter Scottt inicia o romance histórico quando, reanimando lembranças da cavalaria escocesa medieval, tenta transmutar valores do passado em mitos quase épicos para o presente. São exemplos de seus romances históricos-escoceses: Rob Roy, Inanhoé e Guy Mannering.

O início do século XIX marca o aparecimento dos perfeitos romances de Jane Austen (1775-1817) com a apresentação da vida burguesa em quadros cheios de humor e de encanto. A técnica de Jane Austen para a criação de personagens e para revelações dos caracteres através de diálogos é bem atestada por Sense and Sensibility, Pride and Prejudice e Northanger Bay.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 75/76.

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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Literatura Ocidental - Parte 30.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 30

LITERATURA INGLESA

Romantismo

Se o romantismo francês anunciava um movimento histórico-cultural revolucionário, o romantismo em solo inglês é claramente caracterizado por uma ambiência contra-revolucionária. Filosoficamente amparado nas ideias de John Locke (1632-1704), Shaftsbury (1671-17313), David Hume (1711-1776), Thomas Reid ( 1710-1796) e Jeremy Bentham (1784-1832), caracteriza-se na Inglaterra principalmente pela nostalgia do passado e pela aspiração de libertação em todos os domínios. O intenso interesse pelo passado origina o aparecimento de antologias, como as de Thomas Percy (1729-1811) e de Thomas Warton (1728-1790), e, até mesmo, a “fabricação” de poesia antiga, como os poemas de Macpherson (1736-1796). Macpherson pretendia-se simples tradutor de um lendário bardo gaélico do século terceiro chamado Ossian. Os pretensos ossiânicos apresentam uma imagística impressionista e uma ambiência de ternura e melancolia, mas também um estilo grandiloquente em excesso. O interesse despertado pelas tradições permitem o aparecimento de Robert Burns (1759-1796), considerado o melhor poeta escocês, que se expressa poeticamente principalmente no dialeto da Alta Escócia, o highlander. Burns é notável em sua poesia lírica e canções de amor, mas, deve-se considerar também o poema pleno de humor e humanidade denominado “Tam o' Shanter”.

O ano de 1798 marca o aparecimento de Lyrical Ballads, autêntica carta de princípios do romantismo inglês escrito por Samuel Taylor Coleridge e por William Wordsworth, é um ensaio crítico que apresenta seus princípios poéticos básicos dentre os quais destacam-se: necessidade de ocupar-se o poeta das situações cotidianas simples, preferência pela dicção coloquial, descrição dos sentimentos elementares pela facilidade de contemplação e de comunicação que oferece o estado de simplicidade em que são formados, abandono da tradicional dicção poética e das personificações de ideias abstratas. Esta fundamentação teórica para o renascimento da moderna poesia inglesa é completada pela obra de Coleridge denominada Biografia Literária e publicada em 1817. Trata-se de um verdadeiro tratado sobre a natureza da poesia.

Como poeta, William Wordsworth destaca-se como um dos melhores sonetistas na literatura de seu país. Sua visão do mundo é panteísta e plena de amor e simpatia para com a infância e de ternura em relação a natureza. O poeta Coleridge é sobretudo alguém atraído pelos temas românticos sobrenaturais que encerram verdades morais. Quanto a seu estrato sonoro é excelente em musicalidade e na criação de imagens incomuns, como pode ser observado em seus melhores poemas: Kubla Khan, The Rime of the Ancient Mariner e Christabel, o qual, aliás, apresenta o emprego de acentos e não de pés como base de seu ritmo e, assim, une magnificamente a exata melodia adequada à história sobrenatural. Christabel antecipa a moderna prosódia inglesa.

Coleridge exerceu influência direta sobre os chamados poetas laquistas, que aceitaram as novas ideias sobre a natureza do assunto poético e da linguagem própria da poesia.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 73/75.

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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Literatura Ocidental - Parte 29.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 29

LITERATURA INGLESA

Daniel Defoe e Jonathan Swif (1661-1731; 1667-1745) pertencem ao aparecimento do moderno romance. Defoe destaca-se em seus romances Robinson Crusoe, Moll Flanders e A Peste de Londres pela vivacidade de estilo quase jornalístico, pelo otimismo em que o homem através da inteligência é capaz de completo domínio sobre a natureza e vigor estilístico. Swift é, certamente, o maior prosador satírico da literatura inglesa e mestre notável de clareza de exposição e de argumento. Escreve Jonathan Swift as famosas Viagens de Gulliver, originalmente denominadas “Travels into Several Remote Nations of the World by Lemuel Gulliver”, em que ironiza acremente as loucuras, o animalesco, a falsidade da educação, a opressão, a política e demais aspectos encontrados no mundo humano. Viagens de Gulliver são exemplos magníficos da chamada observação microscópica na técnica narrativa e descritiva. Ambos os escritores, Defoe e Swift, marcam a passagem da narração mais ou menos alegórica ou satírica ao moderno romance de costumes.

Continuam a tradição dos autores de Robinson Crusoe e Viagens de Gulliver um grupo de escritores, cujos romances apresentam centralização sobre o indivíduo em sua unicidade não abstratamente transmissível: Samuel Richardson (1698-1761), Henry Fielding (1707-1754), Tobias Smollet (1721-1771), Lawrence Stern (1713-1768), Oliver Goldsmith e Horace Walpole (1717-1797). Richardson é considerado o primeiro romancista que, ao lado do sentimentalismo, emprega a análise psicológica e, portanto, o romance de personagens: sua obra principal é “Pamela”: or, Virtue Rewarded” – simultaneamente realista na forma e idealista no plano geral e no propósito moral. Henry Fielding, autor do primeiro grande romance de língua inglesa: “The History of Tom Jones, a Foundling”, distingue-se pela vivacidade de diálogos, pela vigorosa narrativa, pelo realismo psicológico e por uma básica simpatia em relação aos seres humanos. Tobias Smollet é o criador do romance náutico bem representado por sua obra “The Adventures of Roderick Random”, caracterizada pela atitude irônica de narração. Lawrence Sterne combina agradavelmente humor e sentimento em suas duas obras principais: “The Life and Opinions of Tristan Shandy. Gent” e “A Sentimental Journey through France and Italy, by Mr. Yorick”. Tanto “Tristan Shandy” quanto A Sentimental Journey” apresentam traços excelentes de prosa colorida e rítmica, assim como simplicidade descritiva dos fatos cotidianos em seus aspectos sentimentais e humorísticos. Goldsmith escreveu o célebre “The Vicar of Wakefield” no qual une uma ingênua visão de vida idílica a uma prática sabedoria e forte senso comum. Horace Walpole inaugura o romance supernatural e aterrorizante conhecido como romance gótico; é autor de “The Castle of Otranto”, conto falsamente medieval que, talvez, inaugure também as modernas histórias de detetives.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 72/73.

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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Literatura Ocidental - Parte 28.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 28

LITERATURA INGLESA

Época neoclássica e romantismo (1660-1800)

O reinício da expressão literariamente válida é marcado pela reabertura dos teatros em 1660. Historicamente, observamos o aumento da potência marítima inglesa, o avanço da colonização do Império e, a partir da segunda metade do século XVII, o início da revolução industrial de grandes consequências sócio-econômicas e culturais.

O renascimento da dramaturgia pode ser atestado pela existência de autores como: John Dryden (1631-1700), Nathaniel Lee (1645-1692), William D'Avenant (1606-1698), George Etheredge (1634-1693). Dryden é, incontestavelmente, a grande figura literária do período. Dryden inaugura o classicismo da restauração com sua excelência na crítica realizada lucidamente, maestria na sátira e perfeição de estilo. Em sus imensa produção devem ser destacadas as seguintes obras: All for Love, The Medall, A Satyr against Sedition, Song for St. Cecillia's Day e Alexander's Feast.

Sir Willian D'Avenant, autor de The Siege of Rhodes, muito contribuiu para a modernização do teatro ao introduzir a mobilidade de cenários e permitir a representação a mulheres. Etheredge destaca-se pela apresentação de personagens que são reais e não os tradicionais tipos de humor; domina com técnica o emprego do “heroic couplet” e pode ser considerado um dos inventores da comédia de intriga: em sua comédia “Love in a Tub” escreve com realismo e desenvolve o tema da guerra entre os sexos. N. Lee escreve The tragedy of Nero, Emperor of Rome – um dos melhores exemplos do gênero teatral da época, denominado tragédia heroica – e The Duke of Guise, em colaboração com Dryden.

Oliver Goldsmith pertence já ao declínio do neoclassicismo e destaca-se mais como romancista do que como autor de peças teatrais, entre as quais, no entanto, deve-se considerar The Gold: Natur'd Man devido a sua irresistível comicidade.

Paralelamente ao renascimento teatral há o renascimento da crítica e da sátira, ao qual já nos referimos ao considerarmos a figura de Dryden. Acrescentemos agora os nomes de Samuel Butler e de John Oldham (1612-1680; 1653-1680): o primeiro é o autor de violentíssima sátira antipuritana de Hudibras, notável pelo humor e irreverência; o segundo, autor de Careless Good Fellow, bem inferior a Butler.

A restauração da liberdade de opinião com a abolição da censura em 1695 favorece o aparecimento de periódicos nos quais se destacam os famosos panfletários Daniel Defoe e Jonathan Swift. O primeiro periódico literário surgiu na Inglaterra em 1680, portanto, quinze anos após o primeiro periódico europeu, o “Journal des savants” publicado na França.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 71/72.

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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Literatura Ocidental - Parte 27.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 27

LITERATURA INGLESA

Outras manifestações isabelinas, além da imensa realidade teatral, são o lirismo, o ensaísmo, o eufuísmo e toda uma literatura de exaltação patriótica poético-histórica resultante da tomada de consciência política do povo inglês. A alegoria é representada por Edmund Spencer (1552-1599), autor da famosa obra The Faerie Queene. Esta novela alegórica é também obra de exaltação patriótica, pois é dedicada inteiramente a Gloriana, na realidade a Rainha Isabel. O enfuísmo é bem representado por John Lyly (1554-1606), precursor de Shakespeare. Lyly deu início à escola com seu primeiro livro: Euphuism – caracterizado pela artificialidade de estilo e pelo emprego de antíteses enfatizadas pela aliteração constante. Francis Bacon (1560-1626) escreve, em inglês, ensaios sobre a crítica, uma história de Henrique VII e uma narração utópica intitulada New Atlantis; no entanto, é certo que sua obra de caráter filosófico em latim, entre as quais o Novum Organum, é a grande razão de sua glória e que fundamenta, junto ao Discurso sobre o método de Descartes, uma nova maneira de aprender e analisar o real que caracterizaria a Europa moderna.

A literatura de enfuísmo pode ser representada por Warner (1558-1609), autor de Albion's England, história versificada da Inglaterra; Samuel Daniel (1562-1619), versificador de “Guerra de Yorque e Lancaster”; Michael Drayton (1563-1631), autor de Polyalbion, versos nacionalistas em trinta “chants”.

Época puritana (1620-1660)

A época puritana é decadente em manifestações culturais e literárias. Foi neste período, dominado pela figura poderosa de Oliver Cromwell, que a vitoriosa revolução puritana fechou os teatros e contribuiu para a morte do drama posterior a Shakespeare e expulsou a poesia para os círculos universitários. O público que frequentava os teatros em 1640 era um povo frustrado que apenas aceitava farsas grosseiras. O puritanismo absolutista matou a dramaturgia com o pretexto de defender a “região” e a “moral” e decapitou o rei Charles em nome da “justiça”. Os únicos gêneros literários que conseguem sobreviver a este obscurantismo cultural são as controvérsias políticas e religiosas, os sermões e as exortações moralistas. Os únicos nomes de relativa importância são os de Thomas Fuller (1608-1661), autor de The Worthies of England; Jeremy Taylor (1613-1661), autor de sermões; Robert Burton (1577-1640), autor de vasta compilação de comentários e citações em língua latina intitulada Anatomy of Melancholy.

Embora a época puritana seja de imensa pobreza literária, foi neste período que surgiu o grande poeta John Milton (1608-1674). É, portanto, Milton, a máxima expressão clássica atingida pelo puritanismo inglês e tem sido modernamente aproximado aos poetas metafísicos numa linha de desenvolvimento burguês do barroco. Milton alcançou notoriedade com a excelente epopeia cristã que descreve a queda do homem e suas consequências: Paraíso Perdido. Outras obras de J. Milton são: L'Allegro, II Penseroso, Samson Agonist, Paradise Regained e Areopagítica. Os poemas menores de Milton conservam a perfeição da forma métrica, a riqueza de imagens poéticas e a grandeza de música verbal.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 69/71.

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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Literatura Ocidental - Parte 26.



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 26

LITERATURA INGLESA

Fato paralelo notável é a popularidade que adquire o gênero teatral. Nicolas Udall (1505-1556), primeiro dramaturgo inglês, apresenta uma adaptação de peça escrita por Plauto. Udall dá forma literária e apresenta em palco sua adaptação no ano de 1553. Nove anos mais tarde surge uma adaptação mais perfeita: trata-se da primeira tragédia em moldes clássicos apresentada em palco inglês e seus autores são Gorboduc de Thomas Sackville e Thomas Northon (1536-1608; 1532-1584). Sackville e Northon modificaram o tema de uma tragédia de Sêneca, inserindo sua temática na crônica dos reais anglo-saxônicos. A multiplicidade de adaptações para o teatro é tão rica como a observada em relação aos poemas clássicos e renascentistas vertidos na mesma época para a língua inglesa. Os autores de Itália fornecem o material primeiro para as obras de Whetstone (1544-1587); Terêncio, Eurípedes e Ariosto servem para a inspiração de George Gascoigne (1525-1577). Durante vinte anos, muitos autores realizarão experiências semelhantes.

O público adepto de teatro aumenta e, progressivamente, torna-se mais exigente. Companhias teatrais permanentes, itinerantes e sedentárias, encontram as necessárias condições para constituição a partir da primeira, em 1580. Este imenso e rápido desenvolvimento teatral encontra apoio concreto com a construção de salas diretamente organizadas para enfrentar a demanda popular. A adaptação de peças estrangeiras alcança cada vez mais a forma de inspiração e retomada de temas com progressiva originalidade. Entre os mais notáveis de tais autores teatrais deve ser destacado Christopher Marlowe (1564-1593), precursor de Shakespeare, autor de imensa obra dramática que pode ser bem representada pela citação de “Fausto” e de “O Judeu de Malta”.

William Shakespeare (1564-1616)

William Shakespeare “o poeta da humanidade”, segundo Anatole France – inaugura a grande época da literatura inglesa. Possuidor de imenso vocabulário que emprega expressivamente e com propriedade notável, Shakespeare conhece e reproduz esta lúcida consciência que tem da natureza humana. Apresenta em sua obra os três séculos da evolução histórico-social da Inglaterra: Hamlet, Othelo, Macbeth, King Lear; King Henry VIII, Romeo and Juliet; The Merchant of Venice (inspirado no já citado “The Jew of Malta” de Christopher Marlowe); The Merry Wives of Windsor , The Tempest e A Midsummer Night's Dream – entre as principais de suas 17 comédias, 10 tragédias e 10 dramas.

Além de poeta em sua obra de dramaturgo, Shakespeare eleva-se como poeta em poemas autônomos de excelente conteúdo lírico. Sua riqueza imagística e densidade num conjunto impecavelmente organizado, bem como a nobreza e musicalidade intimamente unidas à apresentação do pensamento já o colocariam na posição que, inegavelmente, ocupa como um dos maiores escritores da humanidade.

Outros criadores da época isabelina são Ben Johson (1574-1637), autor de Volpone e Epicoene; Thomas Dekker (1570-1641); George Chapman (1559-1634), tradutor de Homero, dramaturgo que retoma temas históricos franceses e autor de The Widdowes Teares onde se assinala a presença simultânea do trágico e do cômico; Francis Beaumont (1584-1616) e John Fletcher (1579-1625).

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 68/69.

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