quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Grandes vultos: Tobias Barreto - Parte 04.

Escada/Pe.

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
TOBIAS BARRETO – PARTE 04.
Bacharel em ciências jurídicas e sociais, ainda ficou no Recife por algum tempo, onde lecionava Latim, Retórica, Francês, Filosofia e Matemática Elementar. Em 1871, passou a residir na cidadezinha pernambucana de Escada, e ali morou dez anos, ou seja até 1881, quando teve que se mudar para o Recife, por desentendimentos em torno de herança de sua mulher.
“No ano seguinte – referindo-se ao ano de 1871, diz ele em carta que escreveu ao seu conterrâneo Francisco A. de Carvalho Lima Júnior – vim para a Escada, e entregando-me à profissão de advogado, entreguei-me também, de todo, ao estudo da língua alemã, na qual nunca tive mestre, sou completamente um autodidata – ou mestre de mim mesmo”.
Os anos que Tobias Barreto viveu na Escada constituem um período fecundo de estudos, de realizações e de brigas, assinalando-se, também, o seu rompimento com o positivismo, e a penetração da obra de Haeckel e da qual viria a divergir mais tarde em alguns pontos. Antônio Paim publicou na Revista do Livro, nº 14, um trabalho intitulado A Obra Filosófica e a Evolução de Tobias Barreto, que merece a atenção dos estudiosos.
Aprendendo alemão, teve aberto caminhos para uma nova compreensão da Filosofia e do Direito, além de outros importantes ramos do conhecimento humano. Publica um jornal e duas brochuras na língua de Goethe, e mais Ensaios e Estudos (1875) e alguns periódicos em português. Luís Washington Vita, referindo ao jornal alemão, comenta:
“Na cidade sertaneja imprime um jornal estranho, do qual era o único redator e talvez o único leitor: Deutscher Kampfer”.
Concordo com o escritor que, ali, na Escada, seria ele o único redator e talvez o único leitor. Penso, porém, que publicando trabalhos em alemão, iniciava um intercâmbio com intelectuais germânicos e seus impressos nesse idioma se destinavam a leitores mais do além mar, do que daqui.
Continua…
BRASIL BANDECCHI


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Grandes vultos: Tobias Barreto - Parte 03.



GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
TOBIAS BARRETO – PARTE 03.
Os falsificadores da história em prol do poeta baiano esquecem-se de que em 1860 era um menino de treze e em 1862 um rapazinho de quinze anos, ao passo que o poeta sergipano na primeira daquelas datas era já um moço de vinte e um anos e na segunda, quando chegou a Pernambuco, tinha já vinte e três, era um latinista exímio e estava na plenitude do talento. Ainda mais: nas Espumas Flutuantes os versos mais antigos são de 1864, o que mostra ter o autor desprezado suas composições anteriores, por não possuírem a tonalidade que mais tarde deu a seu talento”. E o citado escritor sentencia: “Só dos dezessete anos (1864) em diante, sob a influência de Tobias no Recife, o futuro autor das Vozes d'África tomou voo em que depois subiu tão alto”.
Os argumentos que apresenta são realmente irrefutáveis. Castro Alves sofreu a referida influência e, como poeta, tem em alguns poemas lampejos geniais que iluminam toda sua obra.
Afrânio Coutinho, no seu livro A Filosofia de Machado de Assis e Outros Ensaios, no capítulo “O problema das influências”, assinala “a influência jamais constituiu motivo de inferioridade”.
Ouçamos algumas estrofes da ode de Tobias, A vista do Recife, de 1862, para evidenciar a força do seu estro:
“Mágoas tem que tem que estão guardadas
quando as vingar é sem dó!
Raça das Romas tombadas,
das Babilônias em pó,
quer ter louros que reparta;
vencer, morrer não a farta…
grande, d’altura de Esparta,
afronta o mundo ela só!…
………………………………………………………….
Sim, eu vejo, ainda a espada,
na tua destra reluz,
cabocla civilizada
de pernas e braços nus,
cidade das galhardias,
que no teu punho confias,
coeva de Henrique Dias,
guerreira de santa Cruz! *
…………………………………………………………
Assopras nas grandes tubas,
que despertam as nações;
eriçam-se as férreas jubas,
uivas as revoluções…
Teus edifícios dourados
vão-se erguendo, penetrados
da voz dos Nunes Machados,
do grito dos Camarões!…


Com a morte bebes a vida;
não te abalas, não te dóis!
D’oiro e luz sempre nutrida,
novas ideias remóis,
é que a voz das liberdades,
calçadas as potestades,
germinam, brotam cidades
do sepulcro dos heróis!


Possa a coragem de novo,
teu bafo ardente inspirar,
e a glória sair do povo,
como tu surges do mar…
O coração te advinha,
ruge o gládio na bainha,
como na gruta o jaguar.


Sejam meus votos aceitos,
dá-me a ver tuas ações,
dá-me a sugar esses peitos
que amamentaram leões…
Saíste nua das matas,
não temes, não te recatas;
contra a frota dos piratas
açula os teus aguilhões...”.


Como Victor Hugo encerrou o ciclo romântico francês, Tobias iniciou o fim do romantismo brasileiro. O poeta Tobias Barreto aparecerá sempre em tôda sua obra. José Veríssimo observa:
“O pensador nele – uma modelação do vate. Transportará para a Metafísica, para as ciências biológicas, para o direito, a magia da adivinhação, o improviso milagroso, a necessidade de idealizar e de imaginar, que é a poesia”.
Continua…
BRASIL BANDECCHI


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Grandes vultos: Tobias Barreto -Parte 02.

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
TOBIAS BARRETO – PARTE 02.
Em março de 1863, encontrava-se no Recife, para ingressar na Academia de Direito, mas, acometido de varíola, não pode fazê-lo, matriculando-se, nessa escola, no ano seguinte, após os exames regulamentares. Em 1866 repetiu o 3º ano, por ter dado mais de 40 faltas. Formou-se em 1869. Quando estudante colaborou nos jornais: O Acadêmico (1865), A Luta (1867), A Regeneração (1868) e O Vesúvio (1869.
Recebe o diploma de bacharel com trinta anos de idade.
Clóvis Beviláqua escreve que “Tobias Barreto de Menezes era genuíno filho do povo, oriundo de uma família pobre, mas operosa desde o berço e que apenas atenuaram no declínio de sua existência, enrijeceram-lhe as fibras de lutador e derramaram-lhe n’alma essa tinta de pessimismo que lhe fazia enxergar sempre turvos os horizontes intelectuais da pátria, e o trazia deslumbrado pelas refulgências de outros sóis que não dos do firmamento latino”.
Refere-se Clóvis aos sóis que brilhavam no firmamento germânico. Mas o grande primeiro sol que deslumbrou Tobias não brilhava na Alemanha. Brilhava na França e chamava-se Victor Hugo, o poeta retumbante da Legenda dos séculos.
Exaltara- o nestes versos:

“Mostras na fronte os estragos
dos raios que a sorte tem;
na falange dos teus Magos
tu és um mago também.
Joelhas, grebo da ideia,
ante a luz que bruxuleia
dos futuros através!
Por grande, os teus te renegam;
cem anátemas fumegam
sufocados a teus pés…

O estilo d’oiro que empunhas,
foi o senhor que t’o deu.
Leva a água a preza nas unhas,
ninguém lhe diz: isto é meu!
Estrelas, mundos, ideias,
bíblias, monstros, epopeias,
tudo que empolgas é teu…
Cabeça que pese um astro
na mente de Noroastro,
na mão de Ptolomeu!”.

Esta poesia é de 1864. Quando necessário cito as datas para fixar bem Tobias na história de nossa cultura. No condoreirismo foi precursor. Sílvio Romero expõe:
“Tobias era mais velho oito anos que o autor de Gonzaga e em Sergipe, Bahia e Pernambuco o antecedera na poesia.
Para prová-lo basta cotejar fatos e datas. Felizmente existem versos de Castro Alves de 1860 nos folhetos comemorativos dos festejos anuais do Ginásio Baiano, onde estudou preparatórios o futuro autor da Cachoeira de Paulo Afonso. Por eles decide-se peremptoriamente a questão da precedência.
Continua…
BRASIL BANDECCHI 

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Grandes vultos: Tobias Barreto - Parte 01.


GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES

TOBIAS BARRETO – PARTE 01.

[1839-1889]

“Nao compareço entre vós, para fazer-me admirar, mas para fazer-me compreender”. Isso afirmou Tobias Barreto no célebre Discurso em mangas de camisa, pronunciado no Clube Popular da Escada, em 1877.

Embora Tobias diga,nessa ocasião, que desejava ser compreendido e não admirado, sempre gostou de uma e de outra coisa. Poeta arrebatado e condoreiro arrancava aplausos de quantos o ouviam. Era tribuno eloquente e inflamado e exímio tocador de violão . Com estes atributos, o notável sergipano tornava-se alvo de admiração. Mas é evidente que o filósofo e o sociólogo seriam menos compreendidos do que o tocador de violão; o poeta e o orador eram aplaudidos.

Tobias Barreto deve ser examinado como um inovador, um revolucionário que, com golpes de talento e cultura, abriu caminhos largos e descortinou novos horizontes para a inteligência nacional. Muito teve que demolir e no seu afã demolidor se expôs a certas restrições e críticas. Ele deve ser estudado dentro do seu papel histórico, em determinado momento da vida brasileira e, assim estudado e examinado, não se poderá negar que cumpriu perfeitamente sua missão. Um filósofo no verdadeiro sentido da palavra, mas um filósofo que antes de tudo, teria que combater princípios e ideias mais velhos do que o Brasil. Ao adiante veremos o que foi essa luta que sacudiu, agitou e renovou o pensamento nacional. Por ora direi que o Brasil se formara à luz dos ensinamentos da Igreja Católica Apostólica Romana e que o catolicismo, por força do artigo 5º da Carta Magna, então vigente, foi a religião oficial do Império até a Proclamação da República, e que Tobias defendia ponto de vista diferente da Igreja quando se arremetia contra o direito natural.

Para melhor entender Tobias, é preciso acompanhar as fases mais importantes da sua vida, onde o labor intelectual atinge os pontos mais altos.

Nasceu Tobias Barreto de Menezes, na Província de Sergipe, em Campos, no dia 7 de junho de 1839, sendo seus pais Pedro Barreto de Menezes e Emerenciana de Menezes. A casa, humilde, refletia a pobreza da família. Era mestiço, o nosso Tobias. terminado o curso primário, transfere-se para Instância, onde estuda latim com o Padre Domingos Quirino, depois Bispo de Goiás. Dessa época até ingressar na Academia de Direito do Recife, levou vida errante, estudando e lecionando. Vai às cidades de Maroim, Lagarto, Itabaiana, Aracaju, Maceió, Salvador, tendo por algumas vezes voltado a Campos, sua terra natal.

Continua…

BRASIL BANDECCHI 
 


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Grandes vultos: Irineu Evangelista de Souza - Parte 08.

Guerra do Paraguai

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
IRINEU EVANGELISTA DE SOUZA (MAUÁ) - PARTE 08.
Essas posições valeram-lhe, senão a antipatia de Pedro II, pelo menos certo distanciamento. A esse respeito, escreve Alberto de Faria: “Não há negar, nem dissimularemos, que o Imperador pareceu nutrir sempre prevenção contra Mauá". Nas cronicas do antigo regime, com visos de verdade, há reminiscência de palavras ouvidas por um dos seus últimos ministros a respeito de outro empreendedor inteligente: “este é um novo Mauá”. O fato, igualmente, de Mauá ter desaprovado a Guerra do Paraguai foi, para Vicente Licínio Cardoso, uma das causas do seu desamparo oficial posterior. 
Dado o interesse de Mauá pela indústria, houve quem o quisesse filiar como adepto de Saint-Simon que, como se sabe, emprestava singular relevo à indústria, como fator capaz de trazer a felicidade humana. Alberto de Faria escreve mesmo: “Mauá está fixado, sem dúvida, entre os que, no século XIX, sofreram o influxo da escola sociológica de Henri de Saint-Simon”. Seu descendente e biógrafo, Cláudio Ganns, acha, no entanto, que Irineu era apenas de formação inglesa, cujos livros e revistas lia desde a mocidade. Para ele, a mentalidade de Mauá estava voltada para autores da escola liberal, como Adam Smith e Bentham e através deles para Stuart-Mill e o frances Jean Batiste Say”. A nosso ver, entretanto, o industrialismo de Mauá não decorria tanto de sua filiação a determinadas correntes filosóficas ou econômicas, mas da compreensão das necessidades brasileiras e das oportunidades que daí lhe adivinham, sendo, acima de tudo um pragmático.
Como se explica, porém, a falencia, o fracasso de um homem culto e avançado como Mauá? Para a vitória dos ideais industrialistas deústrias Mauá era preciso a mudança da estrutura em que estava baseada a nossa economia: a agricultura extensiva do café e a escravidão. Ora, essa estrutura persistiu, como se sabe. Por outro lado, Mauá tinha seus negócios bastante entrelaçados com o próprio Império, que, por sua vez, estava fundado na estrutura arcaica que mencionamos, o que punha em choque os dois interesses. Por isso, a Guerra do Paraguai, que assinala a decadência do Império, surgindo daí por diante as várias "questões" que o levaram à ruína: Cristie, Militar, religiosa e fundação  do Partido República, marca no mesmo tempo o declínio de Mauá. Assim escreve Lídia Besouchet: “com o entrelaçamento de interesses entre Mauá e o Estado Imperial, não é de se admirar que todos os movimentos da infraestrutura do estado se refletissem na economia particular do banqueiro; a vida de ambos está indissoluvelmente ligada. O Iústriasmpério chega ao seu ápice em 1860, quando Mauá atinge o apogeu de sua carreira financeira; a partir desta data declina o Império e começa Mauá a sofrer os primeiros reveses. Os últimos esforços que faz o Estado Imperial para sair da crise pela Guerra do Paraguai, coincidem com os últimos esforços industriais de Mauá”. Também não se deve omitir sobre esse assunto a contradição criada por Mauá com suas indústrias e os interesses ingleses aqui predominantes e bastante influentes.
Foram estas contradições que levaram Mauá à falência, provocando sua ruína, ocasionando sua derrota.
Mas esta derrota não significou o fracasso de seus ideais progressistas, porém, constituiu a semente que mais tarde frutificaria.
Com efeito, Mauá morreu em outubro de 1889, isto é, um ano após a Abolição e um mês antes da República. Um novo surto de industrialização surgia entre nós então com o tão malsinado “Encilhamento”. E este surto de industrialização, embora sofrendo altos e baixos, não iria parar mais, até chegar aos nossos dias. É por isso que a figura de Mauá desperta ainda interesse no momento e continua a ser estudada e mesmo admirada como o grande pioneiro que foi.

Heitor Ferreira de Lima

"QUERIDOS AMIGOS!"

Eis que mais uma vez estou retornando de uma breve pausa. Graças a DEUS, os exames da velha carcaça apresentaram resultados normais, excetuando-se o da próstata que apresentou um pequeno crescimento, porém, compatível com a idade, que já se situa na reta de chegada das 74 primaveras.

Agradeço de coração a todos pela honrosa compreensão, prometendo retribuir a todas as visitas e valiosos comentários deixados no nosso humilde espaço.

"QUE DEUS SEJA LOUVADO!"

Rosemildo Sales Furtado
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...