quarta-feira, 13 de julho de 2022

Grandes vultos: Santos Dumont - Parte 21.



GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES

SANTOS DUMONT – Parte 21.

Existe a carta que, em 1904, escreveram a L’Aérophile, de Paris, sobre os voos confidenciais de 17-12-1903. Apresentada, todavia, em 1944, por um dos seus hidrófobos partidários, s engenheiros de São Paulo, técnicos de aviação, F. A. Brotero e Romeu Corsini – ambos honestamente declararam que, por ela, ninguém afirmaria terem-se os dois parceiros erguido do chão um milímetro. “Pela descrição sumária e tecnicamente incorreta que fazem do aparelho – assevera Corsini – nada se poderia afirmar. De fato, nem porque se chame aeroplano a um aparelho qualquer será obrifado a voar. No caso em apreço, a escassez de dados -e quase absoluta, forçando a um único pronunciamento seguro: sem a admissão, por nós, de determinadas condições imprescindíveis, não podemos julgar da possibilidade de voar uma tal máquina.” E adiante: “nada escreveram sobre o assunto que possa pesar decididamente a seu favor”. Salienta Brotero: “os dados fornecidos são omissos e incompletos. Sobre a questão dos conhecimentos aeronáuticos dos autores dessa máquina, se me cingir exclusivamente ao que está na carta, é impossível fornecer qualquer resposta.

Pesava o “14-bis”, a princípio, cerca de 200 quilos; e depois, segundo leio em revistas europeias e americanas de 1906, mais ou menos 300, o que equivale a umas 600 libras. Precisou de um motor de 50 h.p. para se erguer do chão. Ora, o fabuloso, o mitológico biplano dos Wright – elucida a revista The Scientific American de 3 de novembro de 1906 – pesava o dobro. Dispunha, no início, quando o seu peso ascendia apenas a 335 quilos, de um motor de 16 cavalos e 4 cilindros (segundo confissão dos mesmos Wright) substituído depois por um de 24 cavalos. Transcrevo, exatamente traduzidas, as palavras da citada revista Ianque:

O jovem brasileiro, embora com um aparelho do mesmo tipo usado pelos experimentadores americanos, mas de metade do seu peso (of about one-half its weight), achou que um motor 50 cavalos era necessário para se erguer ao ar e a prosseguir a uma velocidade de 25 milhas horárias – enquanto os Wright, com um aparelho que pesava o dobro e tinha a metade da força (of twice the weight and half the power), alegam ter desenvolvido quase o dobro da velocidade (38 milhas por hora)”.

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GONDIN DA FONSECA

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Grandes vultos: Santos Dumont - Parte 20.

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES

SANTOS DUMONT – Parte 20.

Eu tinha para todas essas ideias uma inferioridade imensa. Imaginava bem as coisas, mas não sabia desenho de máquinas. Nessa época, porém, eu morava em Nova Iorque com o engenheiro Raul Ribeiro da Silva, que não só desenhava admiravelmente, como era um cérebro de inventor, cheio de ideias originais. Ademais, conhecia bem a mecânica. Associei-me a ele e pedimos patente. Foi isso no dia 5 de novembro de 1918. O pedido de patente teve o número 261.182. Nele aparece o nome de Raul Ribeiro da Silva antes do meu, por pura gentileza de minha parte. Mas tratava-se evidentemente da velha ideia de 1911 desenvolvida. A patente foi concedida.

Foi concedida a ele então, como havia sido concedida a dos Wright em 1906. E ele inventou tanto o avião a jato em 1918 como os Wright inventaram em 1903 ou 1905 o avião mecânico… “Ninguém acende uma lâmpada e a põe debaixo de um alqueive” – disse Cristo no Sermão da Montanha (Mat. 5,15). Quem, tendo descoberto a navegação aérea a motor, conservaria em segredo esse valioso feito durante cinco anos – de 1903 a 1908? Quem?

Ainda que toda a imprensa do mundo falasse em 1903 do aeroplano a motor dos Wright, isto de nada valeria sem provas documentais, fotografias, exatas, de que eles haviam voado. Toda a imprensa do mundo falou dos discos voadoras de Marte. E isso não demonstrou cabalmente a sua existência, porque dela não se tiveram provas documentais, fotografias, exatas.

Vimos, que, nos Estados Unidos, só quatro ou cinco jornais veicularam boatos de voos, desses sujeitos. Mas quantos se calaram? Todos os restantes. Milhares. E entre esses milhares os de Dayton, Ohio (conforme atrás referimos). Eles voavam ali, em Springfield, percorrendo, ruidosamente, segundo disseram, a 39 metros de altura, distâncias de 4,500 metros (1904) 18 quilômetros (26 de setembro de 1905) e 39 quilômetros (5 de outubro do mesmo ano) – e ninguém os enxergava, ninguém ouvia coisa alguma. Será possível? Qual! Deixemo-nos de infância! Brincadeira tem hora.

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GONDIN DA FONSECA

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Grandes vultos: Santos Dumont - Parte 19.

Blériot
 

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES

SANTOS DUMONT – Parte 19.

Á 22 de maio de 1906 – bradam ainda os defensores da prioridade dos Wright – eles obtiveram uma patente de avião com motor. E Santos Dumont ainda não voara! Sai desta, seu Gondin!

Chantagem! Pirataria! Em maio de 1906 a quadrilha Wright-Chanute possuía a certeza plena de que alguém na França, na Inglaterra ou em qualquer parte da Europa ia voar. Existiam prêmios de aviação instituídos. Havia gente estudando, experimentando. Chocava-se o ovo. O pinto quebraria a casca mais hoje mais amanhá. Então, que golpe baixo arquitetaram? Registro de patente. Talvez para impedir que Santos Dumont ou alguém do seu grupo voasse nos Estados Unidas. Eram enredadores, mistificadores, litigantes, gananciosos.

Mas que prova essa patente de invenção? Simplesmente que a “gang” Wright-Chanute arquitetava, no cérebro, um aparelho de voo mecânico. Mais nada. Pensavam. Isso em maio de 1906. Isso quando Santos Dumont, Blériot e outros não pensavam apenas – mas realizavam.

Se registro de patente provasse prioridade, a invenção dos aparelhos a jacto devia ser atribuída aos Medeiros e Albuquerque. Diz ele no segundo voluma das Memórias.

Em Paris, em 1911, eu li a descrição dos motores de aviões. Neles se produzem explosões de gases, que impelem os pistões dos motores e é esse movimento aproveitado para fazer girar as hélices. Desde logo que acudiu a ideia de que seria possível suprimir os motores: Fazer com que as explosões dos gases movessem diretamente a própria hélice. Para isso, um meio simples: se o eixo das hélicas fosse oco e fossem ocas e perfuradas as bordas das pás das mesmas de um dos lados, os gases das explosões, entrando pelos eixos e escapando-se por um dos lados das pás fariam girar as hélices. Seria exatamente o mesmo princípio dos torniquetes hidráulicos. Apenas, em vez de água, gases.

Como alguém me tivesse encorajado, decidi-me a pedir patente para a minha ideia. Foi a patente francesa nº 427.217 de 13 de março de 1911. Com a minha absoluta inabilidade para explorar coisas industriais, nunca procurei tirar proveito disso. Sete anos depois, Nova Iorque, meditando sempre sobre o caso, vi que se podia ir mais adiante. Em 1911, eu perguntara:”Para que motor?” Em 1918, eu perguntei: “E para que hélice?” Os gases, em vez de passar pelas pás das hélices, para obriga-las a se moverem, podiam ser projetados diretamente na atmosfera.

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GONDIN DA FONSECA

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Grandes vultos: Santos Dumont - Parte 18.

 

Capitão Feber

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES

SANTOS DUMONT – Parte 18.

E a Smithsonian Instituition, de Washington? Esse museu de ciências, dos maiores do mundo, jamais admitiu os Wright como pioneiros da aviação antes de outubro de 1942. Repugnando-lhe confessar a prioridade de Santos – pois é incoercível o desprezo que todo o ianque nutre (de modo claro ou subreptício) pelos “decadentes” povos latinos, atribuiu a Langley a paternidade do voo a motor, embora o seu “Aerodrome” virasse submarino todas as vezes que ele se arriscava a experimentá-lo perto do Rio Potomac. Nunca voou. A teoria da Smithsonian Instituition era de que, se lhe pusessem rodas e um motor mais leve, se ergueria no ar. Claro! Mas com rodas e um motor mais leve já o aparelho não seria o de Langley… escreve a revista Times de 02-11-42:

Orville Wright got só mad about i that in 1928 he sent the original Kitty Hawk machine to a London Museum. Kindly Dr. Abbot, naturally perturbed at the loss of a possible exhibit, began to turn the matter over in his mind. After 14 years of gentle revolving, he made his decision jast week: the Wright brothers were indeed the first to make a sustained flight in a hea vier-than-air-machine”.

Se em 1942, só após a segunda edição do meu livro e sua repercussão dentro e fora do Brasil é que a Smithsonian Instituition , de Washington, vendo aluídas as pretensões ianques a primazia do voo mecânico, aderiu aos Wright. Pasmem!

Mal Santos Dumont realiza o primeiro voo a motor no mundo, em outubro de 1906, Wilbur Wright escreve dos Estados Unidos ao Capitão Ferber, pedindo-lhe que o elucide sobre a forma e a estrutura do “14-bis”. Ele tem rodas, estranha o pândego! Que excentricidade! Rodas! “Para partir, Santos Dumont há de rodar sobre um campo extenso e bem uniforme. Graças a um pilone de lançamento, Orville e eu iniciamos o voo com velocidade, de modo muito mais prático.” Não voavam. Planavam. Mesmo em 1908, quando em Paris o aeroplano a motor já não constituía segredo para ninguém, a geringonça dos Wright só descia pelos seus próprios meios. Subir? Não! Não subia por si.

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GONDIN DA FONSECA

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Grandes vultos: Samtos Dumont - Parte 17.


William Howard Taft

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES

SANTOS DUMONT – Parte 17

Isto mesmo repete em 1911 o Sr Richard Ferris, em seu livro How to fly, edição de Thomas Nelson & Sons, Nova Iorque, pág. 395: “Estes (os voos de Santos Dumont em 1906) foram, na Europa, os primeiros realizados por aparelhos mais pesados que o ar e, bem assim, os primeiros voos públicos do mundo”. --These were first flights of heavierthan-air machines in Europe, and the first flights anywhere”.

Ainda em 1953, numa biografia do grande brasileiro dedicada à juventude ianque e bastante inspirada nos meus escritos (Bicyclesin the sky, Edtôres Ch. Scribner’s Sons, New Tork) proclama a Senhora Rosa Brown: “Santos Dumont made the first public showing of an airplane in flight, for the Wrights did not make a public flight until 1908”. “Santos Dumont realizou a primeira demonstração pública de um aeroplano em voo, pois os Wright não voaram publicamente antes de 1908”.

Não ignora que, em 1903, alguns jornais dos Estados Unidos noticiaram voos a motor dos Wright. Fizeram-no por sugestão de um inteligentíssimo pirata americano por eles mancomunado: Octavio Chanute, sujeito bastante instruído e de ampla goela – ávido de dinheiro. Foram esses jornais o World de Nova Iorque, de 19 de dezembro, o New York Daily Tribune, da mesma data, o New York American e o Virginian Pilot, de Norfolk. Nenhum desses papéis públicos, entretanto, autêntica as fantasias que imprime – Não direi já com fotografias, mas com gravuras ou simples desenhos imaginosos. E nenhum declara (isto é essencialíssimo) que viu o que divulga. Nenhum! Todas as notícias são de orelhada, de palpite – não de vista. E os Wright, temendo que alguém se dispusesse a averiguar a autenticidade de tais balelas (pois tratava-se de voos planados e não a motor) declararam imediatamente que elas, na realidade, carecia de consistência. Que eram exageradas! Desmentiram-nas preto no branco, por intermédio de Octavio Chanute. Redondissimamente.

Claro que eram exageradas, falsas! Tão exageradas, tão falsas, que, em fins de 1905, o Ministro da Guerra de Washington, dirigido por William H. Taft, ainda não acreditava terem eles a sua passarola em estado de alçar voo – “brought to the stage of pracitical operation” (John R. Mc. Mahon, The Wright Brothers). Os Estados Unidos mostravam-se então vitalmente interessados em solucionar o problema do voo mecânico. Em Washington, o Congresso votara 100.000 dólares (cem mil dólares!) para tal fim e, com uma parte desses fundos o governo financiaria as experiências de Langley. Gastaria um milhão, dois, dez! Pois nessa época, respondendo a uma carta em que os Wright propunham a venda ao Estado de sua engenhoca, William Howard Taft, de Ohio, da terra de Orville, deu o contra! Ignorava as proezas dele e do mano em Dayton, Ohio. Ele, Taft, nascido, criado e educado em Cincinnat – vizinho de Dayton! Ele que tinha em Dayton centenas de amigos e que sempre passava por lá. Ele, homem culto, super informado, futuro presidente dos Estados Unidos. É de arrasar! Escachante!

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GONDIN DA FONSECA

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