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quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Grandes vultos: Martins Júnior - Parte 18.

Conde D'Eu
 

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES

MARTINS JÚNIOR – PARTE – 18.

Entre a oratória de Silva Jardim e Martins Júnior, havia diferença na forma. Enquanto o primeiro era agitado, flamejante, nervoso, explosivo, o segundo era mais ponderado, mais argumentador, procurava explicar mais do que exaltar.

Quando o Conde D’Eu, em 1889, nos derradeiros meses do Império, foi para o norte a fim de ver se salvava o prestígio da coroa que ia, dia a dia, enfraquecendo, Silva Jardim embarcou no mesmo navio e ia pronunciando discursos de propaganda republicana por onde passava o esposo de Isabel. Em Pernambuco, porém, os monarquistas organizaram-se contra Silva Jardim e quem o salvou foi Martins Júnior, defendendo-o pelas colunas do jornal O Norte.

Proclamada a República, sofreu, como Silva Jardim, duras decepções.

Logo após 15 de Novembro – escreve Rangel Moreira – reconheceu que a simples adoção da nova forma de governo não trazia ao País todos os benefícios de que este necessitava. Era preciso continuar a peleja, em prol da realização completa dos seus sonhos, guiando e polindo o espirito dos seu concidadãos, ensinando-lhes que a República deve ser o regime da vida às claras, da respeitabilidade dos dirigentes perante os dirigidos, dos sacrifícios individuais à grandeza da coletividade. Voltou-se com bravura a este trabalho de evangelização, esquecido dos seus próprios interesses, que aos seus olhos valeram menos que os da pátria. Não foi compreendido. Além de se lhe negar aptidão para a carreira política, de se tê-lo como um visionário, como um utopista incapaz de conduzir com fortaleza e tato os negócios do seu partido, atiraram-lhe calúnias, pôs-se em dúvida a pureza dos seus intuitos, viu-se afastado da orientação administrativa da terra que tanto amava.

Continua

BRASIL BANDECCHI

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Grandes vultos: Martins Júnior - Parte 07.


GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A    HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
          MARTINS JÚNIOR – PARTE – 07.
 

A arte de hoje, se quiser ser digna do seu tempo, digna do século que deu ao mundo a última das seis ciências fundamentais da classificação positivista, deve ir procurar as suas fontes de inspiração na Ciência, isto é, na generalização filosófica estabelecida por Augusto Comte sobre aqueles seis troncos principais de todo o conhecimento humano”. 
 
É necessário que se observe que, nesta época, Martins Júnior contava apenas 26 anos de idade.
Como atrás ficou dito, seus primeiros livros são de poesia. Moço ardoroso, cheio de sonhos grandiloquentes, deveria traduzir, como traduziu, nos seus versos, as mais belas aspirações do seu tempo: A República e a Abolição. Suas produções assumem, não raro, a eloquência própria dos assuntos versados.
 
Em Visões de Hoje é a chamada poesia científica que o preocupa. Guerra Junqueiro, depois de se referir à poesia científica, no prefácio à edição da Morte de D. João, esclarece que nem todas as verdades científicas são poéticas, ”mas sim unicamente aquelas donde se pode deduzir, por meio das faculdades imaginativas, as concepções mais belas e grandiosas”. E, no seu modo de ver, “sendo a verdade a base da poesia, segue-se que esta será tanto mais elevada quanto maior for o andamento das ciências”.
 
E exemplifica:
 
“Pode é certo, no século XIII, aparecer um poeta cujo talento seja maior que o de todos os poetas do século XIX. Mas, no entanto, o nosso século fornece às imaginações assuntos artísticos muitíssimo superiores aos de qualquer século precedente. Que haja quem os execute é ponto secundário. A questão é que eles existem”.
 
Continua
 
BRASIL BANDECCHI

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Grandes vultos: Júlio de Castilhos - Parte 03.


Borges de Medeiros

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
JÚLIO DE CASTILHOS – PARTE 03.
Não obstante três anos de guerra civil em seus cinco anos de governo, Castilhos realizou uma grande obra administrativa, nesse período de reorganização da vida política do Rio Grande e do Brasil, quando se passava da Monarquia para a República. Castilhos foi sobretudo um organizador e sua principal tarefa foi a de adaptar o Estado à nova vida republicana.
Além dessa indispensável reorganização administrativa e judiciária, reformou o sistema de tributação, instituiu o imposto de transmissão de propriedade e outros, conseguindo recursos para a realização de uma série de obras de grande importância econômica: algumas linhas telegráficas, a desobstrução de canais de navegação, de modo a assegurar o livre trânsito entre os portos de Guaíba, Lagoa dos Patos, S. Gonçalo e Lagoa Mirim. Garantiu ainda a colonização de pequenas propriedades, o que foi de algum modo o ponto de partida para o progresso do Estado garantindo-as contra as investidas de grileiros, que tanto êxito tiveram em outros Estados, e estimulando a imigração, sobretudo de italianos, que deram grande impulso à agricultura e em particular à indústria do vinho.
Em 1898, terminando seu período de governo, indicou como candidato do Partido Republicano à sua sucessão, a Borges de Medeiros, seu discípulo, como tantos outros jovens políticos da época. Borges de Medeiros tinha apenas 37 anos de idade e governou o Estado, através de sucessivas eleições, por cerca de 25 anos.
Desde que deixara o cargo, Castilhos não mais participava ativamente da política, pois se achava esgotado e adoentado, retirando-se para a sua estância. A 24 de outubro de 1903, com 44 anos apenas, falece em consequência de uma operação.
Seus funerais foram uma verdadeira apoteose àquele que dedicara sua vida à causa republicana e à reorganização de seu Estado natal. Até mesmo seus inimigos reconheceram o valor de sua obra que se transformou em símbolo de austeridade e de honestidade.
Castilhos era positivista embora não aceitasse certos dogmas positivistas, tais como a Religião da Humanidade, a não participação nas atividades políticas e a proibição de ocupar cargos políticos. Levou sobretudo em conta esse outro princípio positivista e que foi o fundamento de sua vida pública: Viver às Claras!
LEONCIO BASBAUM


quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Grandes vultos: Júlio de Castilhos - Parte 01.

Júlio de Castilhos

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
JÚLIO DE CASTILHOS – PARTE 01.
(1859 – 1903)
“Adversários não se poupam nem se dá quartel”
Júlio Prates de Castilhos, o 1º presidente eleito do Rio Grande do Sul, embora tivesse ocupado um cargo executivo por pouco tempo, exerceu grande influência ideológica sobre pelo menos duas gerações de políticos.
Nasceu, sendo o mais novo de seis filhos, na propriedade de seus pais, abastados estancieiros, na fazenda da Reserva, na região da Serra, a cerca de 70 quilômetros de Santa Maria da Boca do Monte, no Rio Grande do Sul.
Aprendeu as primeiras letras, juntamente com seus irmãos e com professora particular. Apesar das facilidades e do conforto que lhe proporcionava a boa situação econômica de sua família, teve a sua infância e adolescência atormentadas por dois fatos singulares que talvez tivessem influído no seu caráter: era ligeiramente gago, o que lhe dava uma certa timidez ao falar e no trato com seus amigos. E aos 14 anos foi acometido de varíola. Mas, dotado de inteligência incomum, sempre procurou superar esses males, e nesse esforço moldou o seu caráter firme e austero e, segundo alguns biógrafos, rigoroso e impiedoso, para com os seus inimigos.
Aos 17 anos seguiu para S. Paulo onde se matriculou na Faculdade de Direito do Largo de S. Francisco, onde se formaram tantos nomes eminentes da política e das letras no Brasil. Era uma época de grandes e profundas agitações ideológicas. Dissipando a atmosfera modorrenta da província, começavam a penetrar as ideias avançadas que já proliferavam na Europa, e nas quais predominavam o agnosticismos e Spencer e Littrré, o materialismo e sobretudo o positivismo, de Augusto Conte, que iria ter grande influência na formação das ideias republicanas. Ainda estudante, com outros colegas funda um periódico A Evolução, cujo nome bem marca as tendências ideológicas que começavam a predominar na época. E então começam suas relações com as ideias republicanas e abolicionistas.
De volta a sua terra natal, participa da 1ª convenção regional do partido Republicano. Uma das suas resoluções era a de editar um periódico “A Federação”, da qual foi escolhido em 1º de janeiro de 1884 para ser o principal redator. Esse jornal, que ele dirigiu por vários anos – de 1884 a 1889 – era não apenas republicano mas abolicionista, e exerceu grande influência na época para a difusão das novas ideias republicanas e positivistas.
Proclamada a República, foi nomeado a 9 de fevereiro de 1890, por telegrama do Marechal Deodoro, Presidente do Estado, mas recusa em favor de Júlio Frota. Pouco depois, é eleito para deputado à Constituinte que se reúne na Capital Federal, a fim de elaborar a primeira Constituição republicana.
Continua
LEONCIO BASBUM
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