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quarta-feira, 6 de abril de 2022

Grandes vultos: Santos Dumont - Parte 14.



GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES

SANTOS DUMONT – Parte 14.

Patriótica, adversa em extremo a Santos Dumont, e invejosa de sua glória, a revista Lirerary Digest, de 24 de novembro de 1906, dedica-lhe, entretanto, uma página inteira, publica a fotografia do “14-bis” e declara, aludindo ao primeiro salto de 8 metros em Bagatelle:

!The first sucessful trials of an aeroplane that were freely open to public observatin took place in Paris on September 15 last”. – As primeiras experiências realizadas com sucesso por um aeroplano, e que o público pôde ver livremente, tiveram lugar em Paris a 15 de setembro último.

A seguir, informa cheia de malícia: “The experiments of the brothers Wright in this country were muche more extensive and successful, but the public was not allowed to note their details”.As experiências dos irmãos Wright neste país foram muito mais extensas (o voo de Santos Dumont tinha sido de 8 metros apenas) e bem sucedidas, mas delas (dessas tais experiências) não pôde o público observar quaisquer detalhes.

Isto equivale mais ou menos a dizer: “aqui nos Estados Unidos os Wright já voaram mais de 8 metros, mas ninguém viu. Creiam, por patriotismo”.

Voar secretamente, invisivelmente, vinte e quatro milhas em circuito fechado, como no ano de 1908 eles juraram ter feito antes de Santos Dumont, é acontecimento que só não espanta nos Estados Unidos.

Continua a Literary Digest: “As primeiras experiências do aeroplano de Santos Dumont apresentam, portanto, interesse especial, maior ainda, que os seus voos subsequentes, embora mais longos”. “The first trials of Santos Dument’s aeroplane therefore possess spedial interest, even more his subsequent flights, which have been much longer”. E adiante: “Since this memorable first trial, Santos Dumont has done much better”. – Desde essa memorável primeira experiência, Santos Dumont fez muito mais”.

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GONDIN DA FONSECA

quarta-feira, 9 de março de 2022

Grandes vultos: Santos Dumont - Parte 12.

Disputa da taça Archdeacon

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES

SANTOS DUMONT – Parte 12.

Mais tarde, em setembro de 1908, apresentam os Wright meia dúzia de fotos à Century Magazine, contam uma história de carochinha qualquer, afirmam que uma chapa é de 1903, outra de 1904, outra de 1905 etc., e todo o mundo logo concorda que os homens são os tais. Atribuem-lhes, imediatamente, a paternidade da aviação. Os sábios dos Estados Unidos acham irrefutáveis as provas exibidas. E pronto.

Quase todos os velhos amigos franceses de Santos Dumont o abandonaram em 1908 e – ou de boa fé, ou comprados pela propaganda ianque – terminaram por admitir a prioridade dos Wright sobre ele. Não lhes queiramos mal por isso. Santos Dumont era, pessoalmente, brusco, fechado e, por vezes, insuportável. Depois, não nascera na França, mas no Brasil. Cumpria aos brasileiros defender a sua glória. Não aos franceses. Nós é que oficialmente o desprezamos, quase o repelimos. O povo festejava-o. O governo, porém, nunca ligou importância aos seus triunfos. Jamais um representante do Itamarati esteve presente á suas experiências, prestigiando-o, animando-o, apoiando-o em caráter oficial

Apesar, porém, de muitos franceses concordarem depois de 1908 com a prioridade dos Wright (embora de Paris, em 1903 e 1904, não lhes fosse possível vê-los subir em Dayton, Ohio) – sempre todos proclamaram que o primeiro homem a erguer-se no ar, em público, no mundo, foi Santos Dumont. Em 1927, após o voo de Lindbergh, Luís Blériot – o herói que em 1909 atravessara em avião o Canal da Mancha – escreveu um livro de parceria com Edouard Ramond intitulado La Glorie des Ailes. E diz isto:

A 23 de outubro de 1906, diante da Comissão de Aviação, às 4 e 4” da tarde o aeroplano (“14-bis”) desgarra e, muito suavemente, perde contato com o solo… A multidão fica muda de espanto. Depois um frenesi a domina e ela precipita-se para o aparelho que, a uns setenta metros de distância, pousa novamente em terra… Carregam Santos Dumont em triunfo. Mas quando interrogam os comissários sobre a distância percorrida – o que era necessário saber para a conquista da taça Archdeacon (mínimo exigido, 25 metros) os comissários sentem-se embaraçados. Sob o império da emoção esqueceram-se totalmente de controlar… Não importa: a taça Archdeacon é concedida ao feliz voador. Um mês depois o recorde é levado a duzentos metros.

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GONDIN DA FONSECA


quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Grandes vultos: Santos Dumont - Parte 06.

     

Wilbur Wriaht

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES

SANTOS DUMONT – Parte 06.

Quando, em 1908, Wilbur Wright vem à França e se exibe em Hunaudières e Auvours, acaso o seu aeroplano sobe ao ar por si mesmo? Não. É ainda lançado em arremesso como uma flecha, por uma espécie de catapulta. Nota-se que já Santos Dumont experimentava o “14-bis”, “o n.º 15”, “o nº 19”, e projetava o “Demoiselle”, o primeiro aeroplano de turismo construído no mundo, em que obteve o recorde de velocidade de 96 quilômetros à hora, no dia 13 de setembro de 1909, indo de Saint-Cyr a Buc (8 quilômetros) em 5 minutos. E os Wright ainda não conseguiam erguer-se do chão pelos seus próprios recursos…

Há, porém, um argumento de que ele, doente, não se lembrou, e que ninguém entre nós repetiu depois de Ribas Cadava (Navegação Aérea, Anvers, 1911, págs. 244-245):

Na grande sessão do Aero-Clube de França, de dezembro de 1910, cujas atas existem, ficou indiscutivelmente firmado “ter sido Santos Dumont o primeiro aviador do universo que subiu em aeroplano com motor”.

Isto liquida a questão. E se ainda não liquidasse, liquidá-la-ia definitivamente a inscrição do marco de Bagatelle:

ICI

LE 12 NOVEMBRE 1906 SOUS LE CONTRÔLE DE

L’AÉRO-CLUBE DE FRANCE

SANTOS DUMONT

A ÉTABLI LES PREMIERS RÉCORDS

D’AVIATION GU MONDE

DURÉE 21s 1/5 DISTANCE 220 m.



Esta inscrição foi reproduzida fotograficamente pelo jornal O Estado de São Paulo, em seu número 23 de rotogravura, de 28 de novembro de 1931. E eu li no campo de Bagatelle, em Paris, aonde por várias vezes levei amigos a fim de a lerem também. Vejamos ainda: revelou por ventura o aeroplano de Wilbur Wright formidável superioridade sobre os que então se construíam em França? Não. Os seus primeiros vôos na Europa, realizados em agosto no Hipódromo de Hunaudiéres e controlados pelo Aero-Clube de França, cobriram distâncias variáveis, entre 10 e 30 metros. Apenas isso! O aparelho subia arremessado por uma catapulta através de um trilho… Era acaso melhor do que o dele o do seu irmão Orville, que ficara nos Estados Unidos? Também não. Reparem no que diz a excelente revista Le Nature, de 26 de setembro de 1908, pág. 1.844 (supplément):

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GONDIN DA FONSECA 

 

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Grandes vultos: Santos Dumont - Parte 02.

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES

SANTOS DUMONT – Parte 02.

Disse e repetiu-se que Santos Dumont inventara a dirigibilidade dos aeróstatos. Absurdo. A dirigibilidade é de outrem. Ele se dedicou primeiro aos balões, como esporte, e depois aos dirigíveis. Homem de gênio – e dos maiores homens de gênio do mundo – viu que o motor a explosão era o único certo para voar e aplicou-o, com espanto geral, num dos seus dirigíveis. Até então se utilizavam motores a vapor, pesadíssimos, ineficientes.

Desde a primavera de 1900, um tal Deutsch de la Meurthe, magnata francês de petróleo, estabelecera um prêmio de cem mil francos para a Comissão Científica do Aero-Clube de Paris conferir ao primeiro balão dirigível ou aeronave de qualquer natureza “que entre 1º de outubro de 1900, 1901, 1902, 1903 e 1904 se elevasse do Parque de Aerostação de Saint-Cloud e, sem tocar em terra, por seus próprios meios, após descrever uma circunferência tal que nada se encontrasse inclusive o eixo da Torre Eiffel, retornasse ao ponto de partida no tempo máximo de meia hora”. A esses 100.000 francos adicionaram-se, mais tarde, 25.000.

Depois de várias tentativas sem êxito, conseguiu Santos Dumont a 19 de outubro de 1901, realizar essa proeza. Muito rico, distribuiu o prêmio (enormíssimo para a época) pelos pobres de Paris. Um delírio. Ninguém no mundo alcançou, jamais, a sua popularidade após tão estrondoso feito.

Era a primeira viagem aérea científica, Havia um horário de partida, um horário de chegada e um percurso predeterminado. Santos Dumont efetuou-a e essa glória jamais lhe poderá ser contestada.

Ele numerava todas as suas aeronaves. Aquela com que contornou a Torre Eiffel chamava-se “Santos Dumont nº 6”

Mais tarde surge o problema do avião. Havia planadores; não, porém aviões. Santos Dumont fabricou um, baseando-se no “papagaio celular” de Lourenço Hargrave, e pendurou-o no seu dirigível nº 14 para aprender a manejá-lo. Depois soltou-o do dirigível e crismou-o de “14-bis”. Aplicara-lhe um motor Antoinette, de 24 cavalos, que alterou para outro – também Antoinette, mas por ele modificado – de 50 cavalos.

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GONDIN DA FONSECA

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