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quarta-feira, 13 de junho de 2018

Grandes vultos: José do Patrocínio - Parte 06.


GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
JOSÉ CARLOS DO PATROCÍNIO – PARTE 06.
Antônio Bento entrava, por sua vez, na luta, criando organizações de escravos de caráter ofensivo como os “Caifazes” que promoviam a sedição nas lavouras de café e tramavam as fugas, cada vez maiores, protegidas pelos ferroviários. Segundo relato de um historiador “não havia trem de passageiros no qual um negro fujão não encontrasse onde se esconder, como não havia estação onde diretamente alguém o não recebesse e orientasse”, apesar dos prêmios publicados em editais para quem capturasse escravo fugido”
Vários quilombos domésticos foram instituídos, onde se homiziavam os escravos após as fugas. Distinguiram-se neste mister várias famílias ilustres cariocas e paulistas. De São Paulo os escravos eram remetidos para o Rio, por Antônio Bento, Raul Pompéia, Luís Murat, Gaspar da Silva e a remessa era precedida de um aviso senha: Segue Bagagem. Embarcados na E. F. Central do Brasil, eram instruídos para, na estação do Rio, dirigir-se a um cavalheiro que trouxesse à lapela uma camélia branca, dando-lhe a senha “Raul”, obtendo como resposta “Serpa”, quando então poderiam julgar-se salvos.
A população escrava ultrapassava a casa do milhão num total de 14 milhões de brasileiros entre brancos e pretos.
Em toda parte formavam-se os famosos quilombos, organizações de negros fugidos, aperfeiçoadas dos rudimentares quilombolas, iniciadas nos primeiros lustres do século XVIII como pioneiros na luta pela libertação dos escravos. Dos primeiros destacaram-se por sua organização social perfeita o “Quilombo do Jabaquara”, em Santos e o dos “Palmares”, no Nordeste, dirigido pelo célebre rei Zumbi. O historiador Oiliam José chega a arrolar, em Minas, a formação de 9 quilombos, além de outros mais, de pequena expressão, pululando por todo o território mineiro.
Entrosava-se na campanha o grande Rui Barbosa, amigo íntimo de José do Patrocínio. Em seu célebre discurso no comício do Teatro Politeama, promovido pela Confederação Abolicionista em 28 de agosto de 1887, dizia: “O Partido Liberal belga dispunha-se a derramar sangue, para obstar a inundação ultramontana. Os abolicionistas brasileiros lutam apenas com a força persuasiva da palavra contra a escravidão. E querem sufocá-los! O Império inteiro comove-se; os “meetings” reproduzem-se até nas capitais mais poderosas do escravismo, como Campinas; e o trono parece insensível às ansiedades do País.
Continua…
S. SILVA BARRETO

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Grandes vultos: José do Patrocínio - Parte 05.


  
GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
JOSÉ CARLOS DO PATROCÍNIO – PARTE 05.
Eram como sessões contínuas, regadas pela cerveja, entremeadas pelas pilhérias de Paula Nei e os versos de Bilac, onde a libertação era uma bandeira que todos faziam questão de desfraldar, numa união nunca vista no solo brasileiro. Apenas uma nota discordante se ouvia entre os escritores aristocratas, a do senador José de Alencar, que, infelizmente, levantou sua voz no Senado contra a “Lei do Ventre Livre”, depois de declarar não querer discutir o assunto, afirmando “Levantar um protesto contra esta grande calamidade social que, sob a máscara de lei, ameaçava a Nação Brasileira”.
A campanha abolicionista recrudescia em todos os sentidos; José do Patrocínio comandando as hostes populares; Nabuco no Congresso, com suas palavras candentes, funda em 7 de setembro de 1880 a célebre “Sociedade Brasileira Contra a Escravidão”. Num dos salões, em casa de seus familiares, na Praia do Flamengo, sob o troar de canhões que, segundo descrição de André Rebouças em “A Gazeta da Tarde” da época, Nabuco parecia dizer aos governantes: “Mentis! Não há liberdade, nem independência em uma terra de um milhão e quinhentos mil escravos”! No Rio Grande do Sul funda-se a “Sociedade Abolicionista Nabuco”; no Ceará, a “Sociedade Cearense Libertadora”. Na mesma época, surge, comandado por um grupo de mulheres, tendo à frente D. Virgínia Vila Nova, cunhada de José do Patrocínio, o “Clube Abolicionista José do Patrocínio”. Em 12 de maio de 1883, com o fito de agrupar em um só centro as diversas sociedades surgidas em todos os recantos do País, já, então, em número de 12, José do Patrocínio, seguido por André Rebouças, João Clapp e outros, fundam a “Confederação Abolicionista”, instalada solenemente em uma sala da redação da “Gazeta da Tarde”.
Em São Paulo, concomitantemente, Luís Gama e Antônio Bento comandam a campanha. O primeiro, num discurso pronunciado no Centro Operário Italiano, pulveriza o “direito” escravista e profere sentenças como estas: “O escravo que mata o seu senhor, seja em que circunstancia for, age em legítima defesa” e a seu filho ensinava como primeira lição da cartilha: “Trabalha para que este País não tenha reis nem escravos”.
Continua…
S. SILVA BARRETO

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