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José Carlos de Macedo Soares |
GRANDES
VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS
ATIVIDADES
CLÓVIS
BEVILÁQUA – PARTE – 18
Deviam
magoar-lhe o coração as críticas, como a do nosso ilustre José
Augusto César, que apontavam o projeto como uma peça jurídica
destinada só a proteger os ricos, sem indicar “nenhuma solução
para questões que tanto interessam aos trabalhadores, nenhuma forma
plástica adaptável a matéria social...” (J.A. César, Ensaio
sobre os atos jurídicos, 1013).
A
verdade é que Clóvis sempre teve especial atenção para com os
problemas sociais. Se mais não fez em seu projeto, foi porque não
lhe era dado, na melindrosa missão de codificador, promover de um
jacto, revolucionariamente, todas as reivindicações que ele próprio
já indicava em seus livros. Avançado em anos e enriquecido de
grande experiência, continuava a pregar os mesmos ideais, como se
pode verificar na conferência que fez no Instituto Histórico e
Geográfico Brasileiro, a convite de seu grande amigo, o Embaixador
José Carlos de Macedo Soares. Nessa ocasião, Clóvis sustentou, com
a sinceridade habitual, que “a Rerum Novarum exprime a justa
compreensão do estado social do tempo e apresenta providências
adequadas a adaptar a organização da sociedade ao equilíbrio dos
interesses colidentes, à concórdia, à paz ativa entre as classes
sociais, seguro alicerce, onde se apoia a prosperidade dos povos”.
Clóvis
foi um sábio. Reconhecem os brasileiros e proclamam os estrangeiros:
Lamberty, Meyer, Roul de La Grasserie, Zeballos, Posada, Martinez
Paz, Colmo, Salvat…
Em
poucas palavras, diremos aos moços, porque Clóvis foi também um
santo.
Pelo
saber, pela autoridade, pelo círculo de amizades, podia Clóvis
tornar-se um dos homens mais ricos do país. No entanto, foi sempre
dos mais pobres. Morreu pobre.
Ouvi de
Raimundo de Menezes, que acaba de vencer honroso prêmio, escrevendo
sobre Clóvis, um episódio triste, A modestíssima casa da rua Barão
de Mesquita, da qual era inquilino havia muitos anos, fora vendida. O
novo proprietário fazia exigências e queria a retomada. Que havia
de fazer o pobre Clóvis? Recolher-se com a família, a biblioteca e
os animaizinhos queridos, à sombra de sua estátua na Praça Paris?
Era o que perguntava aos amigos mais próximos, entre os quais o
Embaixador José Carlos de Macedo Soares. Pois este benemérito
paulista promoveu a compra da casa da rua Barão de Mesquita, pela
Caixa Econômica, para que se evitasse o antipático despejo do maior
entre os juristas brasileiros…
Continua
MANUEL
AUGUSTO VIEIRA NETO
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