HISTÓRIA DA LITERATURA
MUNDIAL
LITERATURA BRASILEIRA –
PARTE 22
Anteriormente a 1891, data em
que Mallarmé colocou em termos inteligíveis a compreensão de
símbolo, em 1886 – René Ghil, no seu Traité du Verbe, exaltando
o instrumentismo, impõe ao poema a feição musical que também
Verlaine defendeu em sua Art Poétique com o célebre verso: “De la
musique avant toute chose”.
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Cruz e Sousa |
No simbolismo francês,
todavia, o símbolo, que se pode identificar no mistério e à
essência da própria poesia, toma caráter hermético e denso em
Rimabaud, uma das mais importantes fontes da poesia moderna. Podemos
esquematizar neste quadro os propósitos e os princípios do
Simbolismo: 1) gosto do vago ou do nebuloso; 2) visão pessimista da
existência; 3) sugestão de estado de alma; 4) passividade aos
apelos do inconsciente; 5) transmutação dos quadros da natureza,
das ações humanas e de todos os fenômenos concretos em aparências
sensíveis; 6) o emprego de sinestesias (sobreposição de
sensações); 7) formação de misteriosas correspondências (como as
desejava Baudelaire); 8) valorização das analogias entre os seres e
as coisas; 9) criação de inovações expressivas ou formais
tendentes à libertação dos ritmos e à fluência musical do poema:
10) valorização do cromatismo (Rimbaud chegou a criar cores para os
vogais); 11) contraposição à inteligibilidade parnasiana e ao
sentimento romântico, de natureza biográfica ou confessional, pela
sucessão de estados de alma apenas sugeridos; 12) contraposição a
toda descrição objetiva, à maneira parnasiana; 13) todo poeta deve
ter a consciência artesanal do seu estilo. Nosso Simbolismo obedece
a este plano histórico: a) filiação ao Simbolismo francês e ao
português (em 1890, com Oaristos, Eugênio de Castro introduz o
Simbolismo em Portugal); b) início: década de 80. Nas Cancões da
Decadência (1877), de Medeiros e Albuquerque, encontram-se nítidos
indícios da nova estética; c) está em Broquéis (poesia) e em
Missal (poemas em prosa), ambos os livros de 1893 e de autoria de
Cruz e Sousa, a introdução definitiva do Simbolismo no Brasil.
O negro catarinense Cruz e
Sousa, o mineiro Alphonsus de Guimaraens, o paranaense Emiliano
Perneta e o guanabarino Mário Pederneiras se distinguiram entre os
demais componentes da Escola; Eduardo Guimaraens, Virgílio Várzea,
Severiano de Resende, Auta de Sousa, Alceu Wamosy.
A consciência artística foi,
neles, a própria profissão de fé: em Cruz e Sousa, a angústia do
homem e a música dos versos estão admiravelmente fundidos e
harmonizados. O tédio de vida, a revolta do homem que não
desconhece o próprio valor, mas vê-se preterido na hierarquia
social, porque é humilde e porque é negro, converteram-se em
poesia, transferiram-se para o verso musical,
cromático,espiritualizado em toda a sua extensão e em toda a sua
compreensão.
Ob: Com relação as
informações históricas e geográficas contidas neste post, favor
considerar a época da edição do livro/fonte.
Fonte: “Os Forjadores do
Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7.
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3 comentários:
Sempre nos ensinando um pouco mais Rosemildo!
Adorei ler.
Bjs e obrigada pela visita.
Carmen Lúcia.
É sempre uma lição de história cada post seu.
Leio sempre com muita atenção.
Obrigada, pela partilha.
Desejo que se encontre bem.
Bjs.
Irene Alves
Olá, Rosemildo!
Continuamos a falar do simbolismo, dando destaque inicial ao francês, mas o teu post está tão completo e elucidativo, que, e apesar das leituras que fiz sobre esse assunto, nada mais tenho a acrescentar.
Perfeito! nota 10!
Dias felizes.
Beijos e um sincero abraço.
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