quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Grandes vultos: Getúlio Vargas - Parte 03.

    

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES

GETÚLIO VARGAS – Parte 3.

Por isso mesmo, nas eleições de março de 1930, foi eleito a “bico de pena”, Júlio Prestes. A Aliança Liberal não concordou com essa eleição acusada de fraudulenta e começou a preparar um levante armado, para derrubar Washington Luís e substituí-lo por um outro presidente. O assassinato de João Pessoa em meados de 1930 por um parente, num incidente que na verdade bada teve de político, foi pretexto que serviu para desencadear o movimento.

A 03 de outubro de 1930, Getúlio Vargas, apoiado por seus conterrâneos e amigos, Osvaldo Aranha, Flores da Cunha e outros, e ainda por vários políticos mineiros, como Antônio Carlos, presidente do Estado, e tendo o apoio do então coronel Góis Monteiro, alagoano, mas servindo no Rio Grande, iniciou-se um movimento militar que, partindo só Sul, começou a caminhar-se para São Paulo, afim de em seguida atingir a Capital Federal, o Rio de Janeiro.

Nesse ínterim, para pacificar o País, um grupo de militares resolve depor o Presidente, entregando o poder ao grupo militar que vinha do Sul, encabeçado por Getúlio Vargas, a 24 de outubro. Terminava assim o movimento revolucionário e Getúlio assumia o poder, com presidente da República a 15 de novembro.

Em 9 de j ulho de 1932, os velhos remanescentes do antigo PRP decidem derrubar Getúlio Vargas e iniciam a “Revolução Constitucionalista” a pretexto de dar ao País uma nova Constituição. Ao fim de três meses de guerra civil, os paulistas são derrotados. Não, obstante, em 1934 um Congresso eleito elabora uma nova Constituição e elege Vargas para Presidente da República.

Um ano depois, a Aliança Nacional Libertadora tenta um golpe militar para derrubar Getúlio. Essa organização era dirigida por Luís Carlos Prestes. Mas o golpe fracassa, sendo abafado em poucos dias, e seus chefes, inclusive Luís Carlos Prestes, presos e condenados a longas penas.

Getúlio decidiu então que devia continuar no governo do País e, aproveitando o pretexto de um documento apócrito, o Plano Cohen, elaborado em princípio por um chefe integralista, dá por sua vez um golpe de Estado, em novembro de 1937, fechando o Congresso e promulgando uma nova Constituição. Começava então o Estado Novo.

Continua

LEÔNCIO BASBAUM

 

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Grandes vultos: Getúlio Vargas - Parte 2.

  

                                                      Washington Luís

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES

GETÚLIO VARGAS – Parte 2.

Reeleito deputado, renunciou ao mandato, para poder dedicar-se â advocacia. Mas sua inclinação natural para política, levou-o a candidatar-se novamente em 1917, para logo a seguir, em 1923, eleger-se deputado federal. Dado o seu claro discernimento político, foi escolhido para líder de sua bancada e, em 1926, foi então convidado pelo então Presidente Washington Luís, a assumir o cargo de Ministro da Fazenda. Tendo posteriormente sido eleito para governador do seu Estado, Rio Grande do Sul, deixou a pasta que ocupava para assumir seu novo posto.

Iniciava-se então, no País, uma grande agitação política em torno da sucessão de Washington Luís. De acordo com a prática em voga desde o Presidente Prudente de Morais, a sucessão presidencial se fazia sempre por uma forma de revesamento, em que um político de São Paulo, era substituído por um de Minas Gerais, os dois estados que, por sua riqueza e por sua população, dominavam a política nacional. Era a chamada política do “café com leite”, da qual, aliás, o povo estava cansado, pois eram apenas os mesmos políticos, com outros nomes, dominantes dos dois Estados, sem que nada se modificasse. O Brasil, tudo indicava, iria ainda continuar por muitos anos um país. agrícola, vivendo da exportação do café, sem que ninguém se importasse com o povo e com o desenvolvimento da nação. As eleições eram puramente formais, e se resolviam nos gabinetes com atas de eleições feitas, literalmente, a “bico de penas”, de acordo com combinações prévias dos grupos dominantes, sendo o voto popular fraudado.

O candidato dessa vez era Júlio Prestes, então governador do Estado de São Paulo. Como Washington Luís também era de São Paulo, esse fato desgostou o Partido Republicano Mineiro, convencido de que “agora era sua vez”.

Surgiu então a ideia de escolher um candidato que não fosse nem mineiro nem paulista e a escolha recaiu sobre Getúlio Vargas. Além de Minas houve um outro Estado cujo governador, João Pessoa, também decidira não aceitar a imposição de um candidato escolhido pelo Presidente da Paraíba. Esse fato deu início a .formação de uma nova organização política, fora dos partidos tradicionais, disposta a mudar os rumos da política econômica e financeira do País e seus costumes políticos, a Aliança Liberal. Seu programa logo empolgou o País. Começou então um agitado período da vida política nacional que vinha modorrando havia muitos anos, com o povo quase afastado das urnas, pois seu voto não era levado em consideração.

Continua

LEÔNCIO BASBAUM .


sábado, 6 de agosto de 2022

Grandes vultos: Getúlio Vargas -- Parte 1.



GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES

(1883 - 1954)

GETÚLIO VARGAS – Parte 1.

“Este povo de quem fui escravo, não mais será escravo de ninguém”

Getúlio Vargas, um dos mais eminentes estadistas brasileiros, encheu as páginas de nossa História por quase um quarto de século. Mesmo tantos anos após sua morte, é ainda hoje uma bandeira das reivindicações populares. Su, Alzira, Lutero e Jandira. a permanência não está apenas nas páginas da História, mas na memoria do povo. Tornando-se conhecido como o pai dos pobres, seu papel na vida política brasileira se destaca por vários motivos. O primeiro deles está na “legislação trabalhista” que atendeu algumas das reivindicações mais sentidas dos trabalhadores: criou a estabilidade no emprego, o salário mínimo, indenização por dispensa sem justa causa e outras, pois antes dele, os assalariados não tinham direito algum. Foi ainda ele quem tentou pela primeira vez romper a estrutura colonial do Brasil, não somente por arrear do poder as antigas classes dominantes, os fazendeiros de café, simbolizadas pelo Partido Republicano Paulista, Partido Republicano Mineiro e outros semelhantes dos vários Estados do País, como dar início a uma tentativa de industrialização e independência econômica nacional ao criar o monopólio da extração do petróleo, criando a Petrobras e ao fundar a Companhia Siderúrgica Nacional, de Volta Redonda. Subindo na crista de um movimento militar revolucionário, sua vida foi toda pontilhada de acidentes e obstáculos levantados por todos aqueles que tiveram seus interesses contrariados, terminando por fim de uma forma trágica, coerente aliás, com a vida que levou e os atos que praticou.

Getúlio Vargas, ou simplesmente Getúlio, como o povo o tratava, nasceu em São Borja, no Rio Grande do Sul, a 19 de abril de 1883, terceiro filho do general Manuel do Nascimento Vargas e de sua mulher Cândida Dorneles. , Alzira, Lutero e Jandira.

Aprendeu as primeiras letras com a professora D. Carolina Ferreira e foi mandado para Ouro Preto, onde já se encontravam seus irmãos mais velhos, Viriato e Protásio. Tinha então 14 anos. Depois de pouco tempo regressou ao Rio Grande do Sul para se alistar no 6.º batalhão de Infantaria, em S. Borja, pois pretendia ser militar. Concluído o estágio, ingressou em 1899, como cadete, na Escola Preparatória e de Tática, do Rio Pardo.

Em virtude de um acidente entre alunos,em que se envolveu, juntamente com seus irmãos, voltou para Porto Alegre, a fim de terminar seu tempo de serviço militar. Na capital, matriculou-se, como ouvinte, na Faculdade de Direito. Mas ao iniciar-se a luta pela integração do Acre ao território brasileiro, levada a feito pelo seu conterrâneo Plácido de Castro, que então empolgava o País, apresentou-se como voluntário. O Tratado de Petrópolis deu fim à luta que então se iniciava, voltando por isso a Rio Grande, onde reiniciou seus estudos na Faculdade de Direito.

Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais a 23 de dezembro de 1907, tendo sido o orador da turma. Posteriormente, foi nomeado promotor público na Comarca de Porto Alegre e, em 1909, decidiu regressar à sua cidade natal para exercer a profissão de advogado. Foi então que começou a se interessar mais diretamente pela política, elegendo-se deputado estadual na legislatura de 1909 a 1912.

Em 1911 casou-se com a jovem Darcy Sarmanho, que tinha então apenas 15 anos, resultando do matrimônio cinco filhos: Manuel Antônio, Getúlio, Alzira, Lutero e Jandira.

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LEÔNCIO BASBAUM

quarta-feira, 27 de julho de 2022

Grandes vultos: Santos Dumont -- Parte 22.



GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES

SANTOS DUMONT – Parte 22.

Subo no alto do Pão de Açúcar e engulo este livro folha por folha, se dois aviões, um de 300 e outro de 600 quilos de peso, se ergueram alguns metros do chão em pista plana e em dia sem vento, acionados, respectivamente, por motores do primeiro ano do século, de 16 e 24 cavalos, queimando gasolinas de 1903 ou 1905, pouco superiores aos querosenes de hoje – e voarem, o primeiro durante três minutos e meio e o segundo durante meia hora, conforme os Wright afirmam ter voado. Disseram eles que, ao subir em 1903, o vento soprava com uma velocidade de 22 milhas (cerca de 35 quilômetros). Comenta espirituosamente Gago Coutinho que, com semelhante vendaval, não seria só o biplano dos patuscos “inventores” a voar. Voaria telhados de zinco, andaimes, guarda-chuvas abertos, chapéus, paletós, saias de mulheres e roupa na corda ou em coradouros. Iria tudo pelos ares.

Provem, hoje, os Estados Unidos, mas honestamente, a superioridade aviatória dos dois melros sobre Santos Dumont: num terreno plano e em dia calmo – sem trilho de lançamento, pilão ou catapulta – levantem do chão o primeiro aparelho deles, com o seu motor-1903 de 16 cavalos e 4 cilindros alimentado a gasolina da época, aplicando-lhes três rodas para facilidade de decolagem. Repitam depois a prova, nas mesmas condições, com o suposto aparelho de 1905, de peso maior (cerca de 600 quilos) e motor de 24 h.p. Eu assistirei. Se as experiências forem bem sucedidas, correrei logo para o alto do Pão de Açúcar e cumprirei o prometido. Engolirei este livro folha por folha confessando, em público e raso, que os Wright e não Santos Dumont iniciaram, no mundo, o voo mecânico.

Escrevendo em Paris no jornal Le Fígaro Littéraire a 03 de julho de 1956, o velho Gabriel Voisin, que assistiu aos voos de 10, 12, 20 e 30 metros de Wilbur Wright em agosto de 1908 no Hipódromo de Hunaudières (antes de ele modificar o seu aeroplano e voar em Auvours aproveitando-se das experiências de Santos Dumont, Ferber, Delagrange e do próprio Voisin) espanta-se por teimarem ainda hoje os Estados Unidos em “descobrir qualquer valor nessa máquina inutilizável dos Wright, pois nada do que eles inventaram subsistiu no que veio depois”.

Em 1903 os Wright planavam: não voavam. Experimentariam, quando muito, motores elétricos. Isto no máximo. Voar invisivelmente com o motor a petróleo, que ronca de modo extraordinário, e de mais a mais a baixa altura (pois o recorde vertical de 100 metros só foi obtido em 18-12-1908) é absurdo.

Demonstrei, exaustivamente, que em 1906 não houve jornal da Europa que atribuísse aos Wright a paternidade do voo a motor. E ao jornais dos Estados Unidos, mesmo os que procuravam torcer a verdade para servir esses cavalheiros, classificavam-no como simples “experimenters” – “experimentadores” – sem os sobrepor a quaisquer outros. Não creio que, depois do que deixo escrito, haja alguém de boa fé, ou mesmo de má fé, que duvide da prioridade de Santos Dumont.

GONDIN DA FONSECA


quarta-feira, 13 de julho de 2022

Grandes vultos: Santos Dumont - Parte 21.



GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES

SANTOS DUMONT – Parte 21.

Existe a carta que, em 1904, escreveram a L’Aérophile, de Paris, sobre os voos confidenciais de 17-12-1903. Apresentada, todavia, em 1944, por um dos seus hidrófobos partidários, s engenheiros de São Paulo, técnicos de aviação, F. A. Brotero e Romeu Corsini – ambos honestamente declararam que, por ela, ninguém afirmaria terem-se os dois parceiros erguido do chão um milímetro. “Pela descrição sumária e tecnicamente incorreta que fazem do aparelho – assevera Corsini – nada se poderia afirmar. De fato, nem porque se chame aeroplano a um aparelho qualquer será obrifado a voar. No caso em apreço, a escassez de dados -e quase absoluta, forçando a um único pronunciamento seguro: sem a admissão, por nós, de determinadas condições imprescindíveis, não podemos julgar da possibilidade de voar uma tal máquina.” E adiante: “nada escreveram sobre o assunto que possa pesar decididamente a seu favor”. Salienta Brotero: “os dados fornecidos são omissos e incompletos. Sobre a questão dos conhecimentos aeronáuticos dos autores dessa máquina, se me cingir exclusivamente ao que está na carta, é impossível fornecer qualquer resposta.

Pesava o “14-bis”, a princípio, cerca de 200 quilos; e depois, segundo leio em revistas europeias e americanas de 1906, mais ou menos 300, o que equivale a umas 600 libras. Precisou de um motor de 50 h.p. para se erguer do chão. Ora, o fabuloso, o mitológico biplano dos Wright – elucida a revista The Scientific American de 3 de novembro de 1906 – pesava o dobro. Dispunha, no início, quando o seu peso ascendia apenas a 335 quilos, de um motor de 16 cavalos e 4 cilindros (segundo confissão dos mesmos Wright) substituído depois por um de 24 cavalos. Transcrevo, exatamente traduzidas, as palavras da citada revista Ianque:

“O jovem brasileiro, embora com um aparelho do mesmo tipo usado pelos experimentadores americanos, mas de metade do seu peso (of about one-half its weight), achou que um motor 50 cavalos era necessário para se erguer ao ar e a prosseguir a uma velocidade de 25 milhas horárias – enquanto os Wright, com um aparelho que pesava o dobro e tinha a metade da força (of twice the weight and half the power), alegam ter desenvolvido quase o dobro da velocidade (38 milhas por hora)”.

Continua

GONDIN DA FONSECA

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