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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Literatura Ocidental - Parte 72.

 

HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 72
LITERATURA ITALIANA – XIV

Malaparte, autor de “Kaputt” e de “La pelle”, é um dos mais corajosos observadores de nossa época com sua visão de testemunha simultaneamente lírica e cética. Sua personalidade caracterizada pelo exercício da pelêmica combativa está totalmente em sua obra literária e na revista crítica “Novecento”.

Alberto Moravia (Alberto Pincherle -1907-1990) escreveu “Gl'indifferenti”, “Le ambizioni sbagliate”, “Agostino”, “La Romana” e “La ciociara”. Moravia é excelente como analista das debilidades humanas e no exercício desta atividade revela imensa sinceridade e simpatia para com os seres.

Cesare Pavese é o autor da obra talvez mais bela da prosa contemporânea: “La luna e i falò”. Pavese destaca-de também com a autoria de “I paesi toui” e de “La Bella state”. Suas composições elevam o regionalismo a nível universal.


Dino Buzzati é o autor expressionista de “II deserto dei Tartari” e de “Paura alla Scala”; enquanto Elio Vittorino dedica-se a uma espécie de neo-verismo com seu romance “Uomini e no”, em que manifesta sua tomada de posição perante os aspectos sociais e políticos da noite fascista. Também a época fascista está revelada nos romances “Fontamara”, “Pane e Vino” e “Una manciata di more”, escritos por Ignacio Silone. Como observador da segunda guerra mundial, aparece o escritor de “Pietà contro Pietà”, Guido Piovene. Piovene, sempre um estilista notável, é importante como realizador de penetrantes análises humanas, como bem o demonstra seu romance “Lettere di una novizia”. Ainda na literatura nascida da oposição ao totalitarismo de direita surge Carlo Levi, autor de “Cristo si é fermato ad Eboli”, romance de realista descrição da região meridional italiana em sua miséria, paisagens, superstições e tipos humanos. Finalmente, Vasco Pratolini, atinge notoriedade com suas pinturas sócio-históricas de Florença submetida à estupidez fascista. Pratolini escreveu os famosos romances: “Cronaca Familiare”, “Cronaca di proveri amanti”, “Quartieri” e da série “Storia italiana”, iniciada com “Metello.

Estes vigorosos escritores italianos tinham, em comum, o pessimismo desesperado de suas cosmovisões, mesmo que diferentemente determinadas, ou diversamente expressas através do lirismo ou da contemplação impassível. 
 
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7.

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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Literatura Ocidental - Parte 71.



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 71
LITERATURA ITALIANA – XIII

Movimentos críticos de orientação diversa são os representados pela revista “Novecento” (1926) e por “Solaria” (1926-1936): à primeira estão ligados os nomes de Bontempelli e de Curzio Malaparte; à outra, os de Pavese, Montale, Saba, B. Tecchi e Titta Rosa. Ambas tiveram caráter cosmopolita e modernista de amplitude mais significativa.

Como escritores anteriores ao término da segunda guerra mundial, são significativos: Eugênio Montale (1896-1981) G. Ungaretti (1888-1970), Luigi Pirandello (1867-1936), Giovanni Papini (1881-1956). A temática da solidão humana caracteriza os dois primeiros, Montale e Ungaretti. Montale é o hermético de “Ossi di seppia”, reunião de poemas da incompreensibilidade essencial do mundo e da vida da contemplação indiferente e melancólica dos acontecimentos entre seres humanos desesperançados de um encontro essencialmente significativo. O outro grande poeta do lirismo hermetista, Giuseppe Ungaretti, é autor de “Sentimento del tiempo”, em cujos versos a solidão e a impossibilidade existencial são transmitidas em concisão poética. Ambos revelam a perda das ingênuas ilusões do século XIX e o encontro entre os homens e o mundo, entre o homem e os homens. Luigi Pirandello é um renovador do teatro não apenas de seu país, mas, de toda Europa; esta magnífica produção teatral está reunida nos quatro volumes de “Maschere nude”. Também a solidão individual e os dolorosos absurdos da existência são encontrados no amargamente irônico Pirandello. Renovador da linguagem teatral e re-introdutor da serenidade temática na dramaturgia, Pirandello compraz-se com a colocação da realidade antitética entre o inconsciente e o consciente, entre a tendência ao comportamento cristalizado e a eterna instabilidade essencial ao humano. 
 
Papini é o famoso autor da perfeita sátira aos nossos tempos intitulada “Gog”, mas, sua criatividade estende-se a quase todos os gêneros literários, excetuado o teatro. Caracteriza-o a constante renovação pessoal, muito bem representada em sua obra, como nos textos filosóficos, nas composições poéticas, nos relatos autobiográficos ou nos escritos de inspiração religiosa, após sua conversão ao catolicismo.

O após-guerra apresenta a retomada de contato com a realidade determinadora dos aspectos acentuadores dos absurdos existenciais ao estender-se a visão neo-realista à amplitude social das injustiças, da miséria, dos sofrimentos provocados pela desumana organização social. A visão do realismo renovado eleva-se ao plano de combate orientado por uma esperança, uma energia e uma fé que sentem aproximar-se. Na narrativa realista muitos são os nomes a destacar, mas, citemos os seguintes: Alberto Moravia (1907-1990), Cesare Pavese (1908-1950), Dino Buzzati (1906-1972), Curzio Malaparte (1898-1957), Ignazio Silone (1900-1978), Elio Vittorini (1908-1966), Guido Piovene (1907-1974), Vasco Pratolini (1913-1991), Carlo Levi (1902-1975).

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7.

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Literatura Ocidental - Parte 70.




HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 70

LITERATURA ITALIANA – XII


Atualidade literária italiana


A imprensa periódica de crítica representou importante função na divulgação do pensamento modernista. A primeira revista de renovação literária foi “Leonardo” (1903-1907), orientada por Giovani Papini (1881-1956) e Giuseppe Prezzolini (1882-1982) e que se caracterizou pelo predomínio do pensamento filosófico. ”Leonardo” foi basicamente um órgão de combate ao positivismo, ao verismo literário, ao materialismo e ao “coletivismo” democrático. Os dois representantes máximos de “Leonardo” unem-se, em 1908, a Ardengo Soffici para fundar nova revista, “Voce” 1908-1914. “Voce” trazia as mesmas preocupações políticas e doutrinárias que a anterior, porém, contribuiu mais para a divulgação dos movimentos renovadores da cultura europeia e, sob influência de Robertis, adquiriu caráter mais literário.


A poesia tende a restringir-se aos grupos restritos e “iniciados” em arte; há grande predomínio do hermetismo e da poesia “pura”. Em 1909, aparece no “Figaro” parisiense um manifesto revolucionário assinado por Marinetti (1876-1942) e que apresentava os pontos essenciais do que seria denominado futurismo: idealismo, exagerado e romântico, alogismo revelado por recursos técnicos, sintaxe desintegrada, excesso de onomatopeias, exaltação da violência, culto ao militarismo, desprezo à mulher. Artisticamente relacionado ao dadaísmo, ao cubismo, ao vorticismo e ao surrealismo, o movimento de Marinetti, sob o ponto de vista ideológico, precedeu à suprema forma de desespero direitista que se conhece sob a designação de nazi-fascismo. A grande revista de propaganda do futurismo foi “Lacerba” (1913-1915), órgão máximo do pretenso “lirismo puro”. O modernismo será, posteriormente, defendido e divulgado por ”Ronda”, órgão que procura o equilíbrio entre as novas orientações e a tradição leopardiana, bem como o abandono do provincialismo por um espírito mais cosmopolita. 
 

A reação ao futurismo é, inicialmente, desenvolvida por uma revista também de inspiração fascista, “II Selvaggio” (1924) que se propunha a substituir o “stracità” pelo “strapaese”, ou seja, os decadentismos hiperurbanos pelo retorno ao verdadeiro gênio italiano de raízes greco-latinas e centralizado no trinômio clássico do belo, do bom e do verdadeiro...


Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7. 

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Arte & Emoções

Meus queridos amigos.

Depois de um breve descanso, estamos voltando para esse maravilhoso convívio que o mundo virtual nos propicia para dar continuidade ao trabalho que iniciamos há cinco anos atrás, e que, com a graça de DEUS, a compreensão e, principalmente, a colaboração de todos vocês, mantemos até hoje.

Agradeço de coração a atenção e a consideração de todos, prometendo continuar ofertando o melhor possível, não só das baboseiras que escrevo, mas também das obras de terceiros que costumo publicar, assim como retribuir as honrosas visitas e os amáveis comentários de todos que por aqui passaram.

Beijos para todos.

QUE DEUS SEJA LOUVADO!

Rosemildo Sales Furtado

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Literatura Ocidental - Parte 69.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 69
LITERATURA ITALIANA – XI

O verismo

O naturalismo europeu assume na Itália a forma do verismo, (anunciada por Carducci, Pascoli, d'Annunzio) estabelecida no final do século XIX sob a orientação predominante de Giovanni Verga (1840-1922) e influência do escritor francês E. Zola. Esta tendência literária interessa-se, de preferência, pela focalização do proletariado tal como o permitem os novos conhecimentos das ciências naturais, do progresso dos estudos sociais e do ideal do nascente socialismo.

Giovanni Verga, inicialmente romancista de inspiração romântica, teve sua cosmovisão e, portanto, sua expressão literária amadurecida ao estabelecer contato com a miséria campesina e proletária de sua terra natal, a Sicília. Nos romances que então escreve,”I Malavoglia” e “Mastro don Gesualdo”, apresenta magistralmente a miséria e o desespero que surgem da injustiça social e explodem nas lutas de classes. 
Luigi Capuana
 
Preocupação realista mais profunda e melhor determinada é encontrada nos romances “Giacinta” e “Marchese di Roccaverdina” do verista Luigi Capuana (1839-1911), verdadeiros documentos cientificamente elaborados da realidade humana como estrutura pela estruturação social. É notável a análise psicológica de Capuana.

O realismo psicológico é também o sentido que assumem as obras de Antonio Fogazzaro (1842-1911), autor de “Piccolo Mondo Antico” e “Leila”. Hábil é Fogazzaro no manejo da ironia e no emprego do dialeto; deficiente o é na estruturação de suas composições que frequentemente não chegam a encontrar síntese artística. Em seus romances observa-se a configuração dos dramas íntimos a partir das especiais circunstâncias externas, ou seja, da situação composta pelos elementos políticos, históricos, sociais e espirituais.
 
Literatura italiana contemporânea

O verismo é encerrado e a idade contemporânea iniciada sob a visão crítica de Benedetto Croce (1866-1952), filósofo, historiador e teórico da estética. Sua teoria e aplicações em análises estão contidas no tratado “L'Estetica” nos seis volumes da “Letteratura della nuova Italia”, em ensaios e artigos como o que desenvolve o tema “Poesia e non Poesia”, e também na revista “La Crítica” e nos “Quaderni della Critica”. Colocando o problema estético como inseparável dos demais problemas filosóficos, Croce assinala a necessidade de que a arte seja simultaneamente individual e cósmica, bem como defende a sua absoluta autonomia. Consequência de sua conceituação da estética são, entre outras, o abandono do normativo, do estetizante e do erudito como categorias de crítica, a condenação das categorias tradicionais, o intuicionismo puro, a exposição da obra de arte e a atribuição de um julgamento crítico que apenas poderá ser um juizo de existência. 
 
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7.

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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Literatura Ocidental -- Parte 68.

 

HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 68
LITERATURA ITALIANA – X

Seu autêntico sistema está centralizado no irremediável da infelicidade existencial humana e no antitético fato de que a verdade é essencial ao homem e, ao mesmo tempo, fator que aprofunda-lhe a realidade dolorosa da vida. Para G. Leopardi o poeta é espectador marginalizado em sua atividade artística e a vida um angustiante suceder de acontecimentos absurdos pela dor que a eles é inerente. Nas meditações poéticas deste combatente fatigado e desiludido apenas a juventude retorna como breve momento feliz da existência, mas, a reflexão revela que, afinal, este rápido avistar de realização pessoal é extremamente ilusório de modo que as ilusões descobertas vêm ampliar as dimensões da constatação, alcançada na idade posterior, do aspecto lúdico e mecânico da vida.
 Giacomo Leopardi
Observa-se, nos poemas e nos textos em prosa deste magnífico cantor, que este pessimismo não se restringe ao caráter pessoal, mas é transposto a outros níveis e explode à solenidade e amplitude de um fenômeno caracterizador da realidade cósmica.

Em sua produção múltipla e variada pode ser indicado como dignos de consideração.

a) os escritos satíricos: “I nuovi credenti”, “Plinodia al marchese Gino Capponi” e, especialmente no gênero, “Paralipomeni della Batracomiomachia”;
b) as tragédias: “II Pompeo in Egitto” e “La virtù indiana”;
c) textos filosófico-doutrinários: “Bruto minore”;
d) críticas e meditações: “Zilbadone” e os “Pensieri”;
e) no gênero de exposição-manifesto: a parte introdutória denominada “Historia del genero humano”;
f) como realização máxima de seu lirismo: “A Silvia”; “Le ricordanze”; “II passero solitario”; mas, como significativos por excelência de seu pensamento, “Canti” e “Operette morali”. 
 
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, página 118. 

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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Literatura Ocidental - Parte 67.



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 67

LITERATURA ITALIANA -- IX


Giovanni Pascoli é também precursor do Verismo, como o será d'Annunzio. Pascoli escreveu seus melhores versos em “Poemetti”, “Myricae”, “Nuovi Poemetti” e “Canti di Castelvecchio”. Seus temas são rústicos: a terra, a vida campesina, os seres humildes, a fraternidade e a solidariedade universal. Sua religiosidade é serena sem manchar-se de conformismo e suas ressonâncias cósmicas aproximam-se de São Francisco de Assis. Gabriele d'Annunzio apresenta em sua temática inicial a trilogia natureza-mulher-amor, como em “PrimoVere” e em “L'Isotteo e la Chimera”, e, gradativamente enriquece-a num sentido renascentista que introduz em seus poemas o vigor e o panteísmo do passado greco-latino anterior ao cristianismo. Em sua obra-prima, inacabada, “Laudi del cielo, del mare, della terra e deglieroi...”, é um vasto quadro poético e idealizado do homem greco-latino-renascentista predominantemente de origem italiana. Os “laudi” merecem atenção também em seu sentido de mito-revivido e no impressionismo de seus conjuntos imagísticos. Gabriele d'Annunzio é romancista importante graças a “II fuoco”, “II Piacere” e “II Trionfo della morte” e dramaturgo renovador com “La figlia di Jorio”, tragédia pastoril integrante do verismo provincial de notável observação das paixões e superstições dos Abruzzos, e com “Francesca da Rimini”, de interesse linguístico e paisagístico pela reconstituição do medieval.

Gabriele d'Annunzio


Encerremos o romantismo italiano com a apresentação do poeta Giacomo Leopardi (1798-1837), reconhecido pela posteridade como a mais típica e completa expressão deste movimento literário em terras da Itália. Paradoxalmente, a vida de Leopardi foi um combate declarado ao romantismo, enquanto sua obra justifica o merecido título de maior gênio romântico em seu país. Na realidade, Giacomo Leopardi é simultaneamente classicista pela seriedade com que estudou e interiorizou os textos da cultura greco-latina e que revela na extrema perfeição formal com que são construídos seus poemas. Há em Leopardi, ainda, o fato extraordinário de sua visão ser determinada por fatores existenciais organizados coerente e sistematicamente num conjunto que se destaca pela presença do orgânico e do concreto. Leopardi inaugura a característica que marcará a Itália do século XX: o ceticismo pessimista e desesperado. 

Fonte:"Os Forjadores do Mundo Moderno", Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, página 117. 




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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Literatura Ocidental - Parte 66.



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 66

LITERATURA ITALIANA -- VIII


Autor plenamente romântico é Alexandro Manzoni (1789-1873), autor de “I Promessi Sposi” com o qual alcança o momento máximo de criação poética, obtendo uma serena síntese entre o real e o ideal. “I Promessi Sposi” é uma apresentação histórica da Lombardia no século XVII. Notável é em Manzoni o refinamento com que maneja a ironia e a comicidade e essencial é a sinceridade de seu cristianismo católico em que a Providência é concebida como suprema manifestação da justiça. Seus princípios religiosos aparecem poematicamente em “Inni Sacri” e sob forma de tratado em prosa no “Morale cattolica”. Como dramaturgo revela a atração pelos temas nacionais em reconstruções históricas, como demonstram as peças “II Conte di Carmagnola” e “Adelchi”, além de sua obra-prima já citada, ”I Promessi Sposi”. Como teórico do romantismo escreveu duas cartas, uma a C. d'Azeglio e outra a M. Chauvet, bem como o prefácio a “II Conte di Carmagnola” e o discurso “Del romanzo storico”.
Silvio Pellico


Romântico marcado pelo desespero profundo é Silvio Pellico (1789-1854), autor de “Le mie prigioni” de aceitação ampla na atualidade. Pellico representa a orientação religiosa do romantismo na Itália. Outro discípulo de Manzoni, Giovanni Preti (1815-1884) já não pode ser considerado mais que versificador de algum talento pelo excesso de verbalismo e redundância de seus poemas. Seus melhores momentos de realização artística podem ser localizados em suas “Ballate” e em “Edmenegarda”. Autores da segunda fase do romantismo são Giosuè Carducci (1835-1907), Giovanni Pascoli (1855-1912) e Gabriele d'Annunzio (1863-1938).


Carducci tem seus poemas reunidos em “Rime”, “Rime Nuove” e “Odi barbare”. Tecnicamente distingue-se pelo esforço realizado para uma hábil distribuição dos acentos de intensidade e a tentativa de recuperação da perfeição clássica, em oposição à sentimentalidade excessiva e à violência verbal que começam a marcar o decadentismo romântico em sua época. Carducci, pelo mesmo motivo, evita o exotismo e a exploração do colorido para apresentar a natureza em sua beleza e força naturais. Aparentemente de sua maneira contraditória, reúne a rebelião pessoal perante os conformismos à aceitação do sofrer como forma existencial. Carducci pode ser também definido como o poeta nostálgico da esperança indestrutível. Giosuè Carducci anuncia e quase realiza o verismo.


Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 116/117. 

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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Literatura Ocidental - Parte 65.



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 65
LITERATURA ITALIANA -- VII

Outro poeta do oitocentismo iluminista é Giuseppe Parini (1729-1799, que foi também jornalista. Parini é autor de “Mezzogiorno” e de “Mattino” e hábil harmonizador do iluminismo e da tradição humanística. Seus poemas, reunidos em “Odi” e no magnífico poema satírico “Giorno”, revelam o culto da beleza feminina e o sentimento da fugacidade da vida transcritos com habilidade rítmica. Poeta iluminista que merece menção é Ludovico Savioli (1729-1804), autor de excelentes poemas eróticos.

Romantismo italiano

A Itália do inícios do século XIX é um país que sofre a invasão francesa dos revolucionários que realizaram a ascensão da burguesia. O romantismo que então se instala trará constantemente unidos os princípios literários e os patrióticos, ao mesmo tempo em que se estabelecerá a cosmovisão amarga, pessimista, cética e algo cínica que alcançará nosso século.

                                                                                         Ugo Foscolo

O credo romântico é introduzido através do manifesto que Giovanni Brechet (1783-1851) lança em 1816 sob o título de “Lettera semiseria” e atribui a Crisóstomo. Sua divulgação é realizada pela revista “II Conciliatore” e sua completa exposição aparece no prefácio à peça “II conte di Carmagnola” do dramaturgo Manzoni.

O poeta principal do romantismo pela duração de seu predomínio no movimento foi Vicenzo Monti (1754-1828), dotado de imaginação férvida e imediata, mas de pouca ressonância humana. É justo repetir de Monti a classificação usual de seu estilo como romantismo de forma clássica pelo traço dominante que apresenta, mas, em sua obra impressiona a multiplicidade de tendências seguidas: arcadismo, inspiração mitológica, iluminismo, oposição a Revolução Francesa e também seu endeusamento através da exaltação da estabilização do poderio burguês no período bonapartista, classicismo, ossianismo, wertherismo, etc. Em seus melhores momentos, raros aliás, observa-se certo lirismo e melancolia poeticamente expressos.

O lirismo do desespero está bem representado pelo romântico Ugo Foscolo (1778-1827), autêntico criador de mitos e criador do perfeito “Grazie”, no qual atinge equilíbrio e serenidade de realização clássica. O estilo de Foscolo é dotado de extrema musicalidade. Ugo Foscolo escreveu também o pequeno romance intitulado “Ultime Lettere di Jacopo Ortis”, na qual é patente a influência de Goethe de Werther e que inicia uma fase “sturm und drang” do romantismo italiano. 
 
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 114/115. 

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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Literatura Ocidental - Parte 64.




HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 64
LITERATURA ITALIANA -- VI

O cosmopolitismo do século XVIII

Observa-se no século XVIII a renovação literária italiana, estimulada em grande parte pelas traduções para o italiano dos autores característicos do século das luzes, como Jean-Jacques Rousseau, Condillac, Goethe e a Enciclopédia, criando uma ampla mentalidade na qual coexistem elementos racionalistas, cartesianos, empiristas e sensualistas. A renovação científica italiana caracteriza também o século cosmopolita e apresenta a tradição de Galileo continuada por Torricelli, Spalanzani, Magalotti e Volta. O desenvolvimento da imprensa periódica amplia o público literário e divulga princípios das novas teorias, acelerando a decadência do academicismo. Devem ser destacados os seguintes periódicos: “Osservatore veneto” (1761-1762) de Gaspare Gozzi (1713-1786) e a revista “Frusta letteraria” (1763-1765) do crítico Giuseppe Baretti (1719-1789). O grande crítico da renovação foi incontestavelmente L. A. Muratori (1672-1750) pré-teórico do romantismo em seu livro “Antiquitates italicae medii aevi”, mas é necessário citar ainda G. B. Vico (1668-1744) renovador crítico-filosófico da literatura italiana com seus estudos de teoria literária, bem exemplificados como aquele que traça as diferenças entre a poesia como espontaneidade e como arte. 
 
Carlo Goldoni

O grande gênero em que se processa a renovação oitocentista italiana é o teatral com os dramaturgos Carlo Goldoni (1707-1703) Carlo Gozzi (1722-1806) e Vittorio Alfieri (1749-1803). Carlo Goldoni introduz no teatro, que conhecia a comédia clássica e a “commedia all'improvviso o a soggetto” ou “commedia dell'arte”, a comédia de costumes e observação da vida contemporânea. A fixidez de tipos e de temas da comédia de arte cede lugar a veracidade de observação com este dramaturgo renovador que escreveu “Locandiera” e, em francês, “Le Bourru bienfaissant”. A fraqueza do teatro de Goldoni reside na superficialidade de sua análise psicológica e a suprema qualidade na observação dos costumes e realização da sátira social.

Carlo Gozzi é o criador das “fiabe”, ou comédias de magia. Como seu irmão, o polígrafo Gaspare Gozzi, Carlo dedica-se à sátira com maestria, mas, enquanto o primeiro é renovador iluminista, o outro é sobretudo um tradicionalista.

Vitorio Alfieri colabora na renovação do cosmopolitismo oitocentista ao criar a tragédia italiana. A inspiração de sua temática encontra origem na antiguidade greco-latina, nas tradições bíblicas e na vida moderna. Há em seus dramas uma certa esquematização de ação sem que se omita o essencial e que se possa atingir sua finalidade básica: estimular a reflexão. Alfieri é também autor de numerosos poemas que reuniu em “Rime” e que se classificam quanto à temática como amorosos-petrarquianos e satírico-sociais: os primeiros anunciam o romantismo, os demais estão nas comédias versificadas e combatem o despotismo, a oligarquia e a demagogia a bem do ideal da época: a instauração de um estado constitucional.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 113/114. 

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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Literatura Ocidental - Parte 63.



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 63
LITERATURA ITALIANA -- V

Decadência seiscentista: o marinismo e a Arcádia

O século XVI é caracterizado sócio-economicamente pelo processo de decadência experimentado pelas cidades italianas, com exceção de Veneza, e seu reflexo sobre a vida literária manifesta-se pelo esquecimento da época, do povo e dos próprios sentimentos pelos literatos que se dedicam aos exercícios marinistas e arcádicos. O formalismo e a abundância de imitações e plágios estender-se-ão ao século seguinte.

Um último escritor classicista aparece no século XVI: Torquato Tasso (1544-1595), autor de “Gerusalemme liberata”, poema épico que já introduz elementos do moderno romanesco ao realizar a síntese das inspirações cavalheirescas, clássica e cristã. Seu lirismo expressa-se não apenas no espírito épico, mas, também em sua original criação do drama pastoril ou, ainda, em seus sonetos. Em sua obra literária podemos destacar: “Rinaldo”, Lagrime di Gesu Cristo”, “II monte Oliveto”, “Aminta” e “Le sette giornate del mondo creato”.

O barroco em sua forma “marinista”, bem como no gongorismo, pode ser localizado em sua origem como um desenvolvimento do petrarquismo poético. É um estilo de culto à forma pela forma e predomínio das figuras sobre o pensamento a fim de se obter artisticamente a “argutezza” e, segundo G.B. Marini, alcançar o assombro admirativo, finalidade essencial da poesia.


Giambatista Marinni
Giambatista Marinni (1569-1625), principal representante deste preciosismo seiscentista, é autor da famosa “Adone”, excelente demonstração de sua técnica na construção de ritmo e de imagens. Além do citado poema mitológico-alegórico, Marini merece interesse na atualidade pela excelência de seus poemas eróticos. Seus imitadores foram numerosos, mas, bem menos talentosos: Achillini (1574-1640), Artale (1628-1679), Giordano Bruno (1550-1639), Stigliani (1573-1651) e Campanella (1568-1639).

Ao barroco marinista opôs-se o excelente satirista salvador Rosa (1615-1673), autor de “La Poesia”. Sendo poeta e pintor Salvador Rosa abraçou em seu estilo satírico a crítica ao mau gosto manifestado na música, na poesia e na pintura.

Ocorre, a seguir, o hipertrofiado crescimento das instituições acadêmicas, sob inspiração do neoplatonismo, cujo modelo mais famoso é a Academia da Arcádia, fundada em 1690 na cidade de Roma. Iniciada com os poetas de inspiração estilística marinistas Francesco di Lemene (1634-1704) e Giambattista Zappi, a Arcádia apresenta dois triunfos literários a seguir: o poeta Paole Rolli (1687-1765), cujos poemas atingem um grau agradável de espontaneidade, e Metastásio, poeta de grande sonoridade. Metastásio (1698-1782), cujo nome verdadeiro foi Pietro Trapassi, dedicou-se ao melodrama, ou seja, ao drama poético que era acompanhado por música. Além de numerosas cantatas, epitalâmios e serenatas, Metastásio é o autor de outros melodramas, mas, sobretudo, de “Clemenza di Tito”, na qual melhor se manifestou seu temperamento lírico e idílico.
 
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 112/113.

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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Literatura Ocidental - Parte 62.



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 62
LITERATURA ITALIANA -- IV

O renascimento

No século XV é necessário destacar Angelo Poliziano (1454-1494), Girolamo Savonarola (1452-1498), Leonardo da Vinci (1452-1498), Matteo Maria Boiardo (1434-1493), Francesco Guicciardini (1483-1540) e, sobretudo, Ludovico Ariosto e Niccolo Machiavelli (1474-1533; 1469-1527).

Angelo Poliziano, como ficou conhecido Angelo Ambrogini, é autor dos poemas de “Stanze” e do drama idílico-elegíaco denominado “Favola d'Orfeo”, decadentisticamente inspirado nos ”mistérios” medievais. O poeta Poliziano tenta a harmonização existencial entre seu humanismo epicurista e a tendência à melancolia que traz em si.

Girolamo Savonarola é o grande representante da eloquência renascentista italiana. Em sua juventude, Savonarola compôs uma série de poemas com temática amorosa e desenvolvimento petrarquiano. Este monge dominicano por seu reformismo religioso e político terminou sua vida enforcado e queimado por ordem do papa Alexandre VI, contra o qual havia dirigido sua vibrante eloquência.


Leonardo da Vinci, exemplar como novo homem consoante dos ideais renascentistas, exerceu também significativa atividade literária e muito contribuiu para a fixação da língua italiana. O tema essencial de suas composições literárias pode ser colocado como centralizado nas demonstrações e meditações sobre a misteriosa grandeza do mundo.

Francesco Guicciardini tem seu espírito de escritor renascentista determinado pelas preocupações básicas de amoralismo e objetividade nas análises que empreende das realidades históricas e políticas. Na obra deste político e historiador é destacada a posição que assume seu estudo intitulado “Storia d'Italia dal 1492 al 1534”. Pode-se caracterizar seu método de estudos históricos como maquiavelismo que se aproxima do relativismo empírico. Seu estilo é constituído pela amplificação de frases à Cícero com encandeamento e claridade.

Niccolo Machiavelli foi o grande mestre de Guicciardini e seu livro “II principe” é um autêntico tratado de Sociologia Política. Machiavelli, senhor de uma prosa caracterizada pela sobriedade e concisão alcançadas, é o autor das comédias “Clizia” e “Mandragora”. O maquiavelismo é a teoria retirada de “II principe” e se refere exatamente ao predomínio que o Estado assume sobre o indivíduo para a realização do bem comum e à autonomia dos domínios político e moral.

Contrário a Machiavelli, que realisticamente observou a realidade de seu século, surge o escritor Lodovico Ariosto, o qual viu a época de uma maneira idealizada e fantasista. Retomando o tema da epopeia romântica, “Orlando Enamorado”, romance de cavalaria composto por Matteo Maria Boiardo, Ariosto elaborou o famoso poema “Orlando Furioso”. Ariosto apresenta em sua visão da vida a juventude e espontaneidade dos sentimentos humanos, bem como a adesão imediata aos impulsos e paixões, mas, observa-se a constante inserção do elemento maravilhoso durante a narrativa versificada.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 110/112.

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