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quarta-feira, 4 de maio de 2022

Grandes vultos: Santos Dumont - Parte 16.



GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES

SANTOS DUMONT – Parte 16.

Muito mais decente a atitude do Herald e de outros grandes jornais e revistas de Nova Iorque, Chicago, e até de São Francisco admitindo lisamente a vitória do nosso patrício como autor do primeiro voo mecânico do homem. Não é aqui meu intuito, porém, registrar a opinião dos que lisamente admitiram essa vitória, e que foram todos, por assim dizer, em 1906 – mas reproduzir as dos raríssimos que a negaram e mostrar-lhes a improcedência. Do contrário – fosse outro o meu critério – este livro transformar-se-ia numa poliantéia infinita, fatigante.

A revista Scientific American, não desejando que a paternidade do primeiro voo em aeroplano, a luz do dia, pertença a um south american, apela para Sir Hiram Maxim. Ele, Maxim, teria sido o primeiro a voar!

Mas a Illustrated London New na entrevista com Santos Dumont a que referimos, assevera categoricamente que o sucesso do brasileiro nada tem de semelhante com o pretendido voo de Sir Hiram Maxim, cujo aeroplano rolava sobre trilhos de ferro e não se erguia do chão. Também o dos Wright não se erguia, nem em 1908!

Aliás a Enciclopédia Britânica informa sobre o aeroplano de Maxim: “on each of the two occasions in 1903 on which it was tried something went wrong with the launchig arrangements and the machine was wrecked.” – “Das duas vezes em que o experimentaram, em 1903, alguma coisa não funcionou no arranjo para o arremesso ao ar, e a máquina espatifou-se”.

Não esquecer que Sir Hiram Maxim era inglês adotivo, e inglesa a Illestrated London News.

Estabelecemos, portanto, nas páginas anteriores, o fato indestrutível de que parte da imprensa americana reconhece em Santos Dumont – Santos Dumont: o primeiro homem que voou em aeroplano com motor. Outra parte, desejando extorquir para os Estados Unidos a glória do brasileiro, tem de afirmar, entretanto, que ninguém viu voar os Wright; que “the first sucessful trials of an aeroplane that were freely open topublic obsevation, took ĺace in Paris ob September 15”. “As primeiras experiências realizadas com sucesso por um aeroplano, e que o público pôde ver livremente tiveram lugar em Paris a 15 de setembro”.

Continua

GONDIN DA FONSECA

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Grandes vultos: Santos Dumont - Parte 08.


GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES

SANTOS DUMONT – Parte 08.

Darei a palma aos irmãos Wright (respondo eu) no dia em que se descobrir que antes de 23 de outubro de 1906, um jornal qualquer do mundo, mesmo de Dayton, Ohio, notificou vagamente, entre os “faits-divers”, um pequenino voo mecânico desses figurões, autenticando-o com fotografia.

Exibam os Estados Unidos uma gravura apenas, uma única – mesmo falsa, tapeativa, mistificadora – impressa antes dessa data acerca de voos de Orville e Wilbur Wright em aeroplano com motor, e este meu livro será, definitivamente, afastado da circulação.

A melhor revista ilustrada da Inglaterra era, em 1906, como ainda hoje, a Illustrated London News. Quando Santos Dumont voa em França pela segunda vez, cobrindo 60 metros de percurso, ela estampa uma fotografia do “14-bis” (3 de novembro de 1906, pag. 629) sob o seguinte título: “One step nearer flyng: new machines to conquer the air. The first flight of a machine heavier than air. Santos Dumont winning the Archdeacon prize”. Notem: the first flight of a machine heavier than air – o primeiro voo de um aparelho mais pesado que o ar.

Sob a fotografia lê-se: “the only fotograf of a memorable event, showing the height attained” – “fotografia única de um acontecimento memorável, mostrando a altura atingida”.

Mais tarde, a 24 de novembro de 1906, divulga a Illustrated London News uma longa entrevista com Santos Dumont, proclamando: ”ha hoje um homem que se distanciou muito dos outros na conquista do ar. O seu nome está em todas as bocas”. Nem uma palavra acerca dos Wright.

Interrogado sobre os dirigíveis, Santos Dumont responde:

– Podem satisfazer para fins bélicos mas, para esporte, são volumosos demais. Precisamos do aeroplano a fim de alcançarmos velocidades maiores. Atingiremos com ele, no futuro, 60 milhas por hora! Além de outras vantagens sobre os dirigíveis, tem o aeroplano a de ser bastante mais barato: o meu custou-me pouco, e o construí em breves meses.

Continua

GONDIN DA FONSECA

 

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