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Rui Barbosa |
GRANDES
VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS
ATIVIDADES
CLÓVIS
BEVILÁQUA – PARTE - 12
À tal
chamamento, que muitos esperavam ambiciosamente, responde Clóvis,
com modéstia e patriotismo:
“Sei
que a gravidade da incumbência é para assoberbar competências mais
sólidas do que a minha, porém, esforçar-me-ei por corresponder à
confiança que em mim teve e procurarei encontrar no amor que temos à
nossa pátria e a ciência do Direito, elementos com que substituir
as forças reais que me falecem”. O convite foi de 25 de janeiro de
1899. O escolhido chega ao Rio em 27 de março e logo nos primeiros
dias de abril estava trabalhando no projeto. Seis meses, apenas seis
meses bastaram-lhe para o elaborar. E isto é um feito verazmente
assombroso! A grande luta estava preparada.
Antes de
chegar ao Rio de Janeiro, o colossal Rui Barbosa põe-se em campo. Em
artigos incertos em “Imprensa”, de 14 e 15 de março, criticava
acremente o convite do Governo. Hábil político, sabia Rui que
pontos devia tocar para incompatibilizar o Governo e o jovem Clóvis
com a opinião pública. O Presidente Campos Sales comprimia
despesas, para salvar o país da ruína. Pois bem. Aproveita-se o
senador baiano dessa circunstância, sugerindo que havia no convite
mais uma prova de sovinice governamental. Escreve: “O Ministro não
tinha, no orçamento, verbas que lhe permitissem meter mãos à obra,
remunerando a encomenda, como se remuneraram tentativas anteriores…
Conhecia, porém, os hábitos modestos de um dos seus ilustres
colegas no magistério superior. Palpitava-lhe que não apelaria
debalde para seu desinteresse. Apelou para ele; e, ei-lo que acode,
sem mais contrato que a honra do chamado, sem mais compensação do
que o transporte de sua família”.
Estas
palavras que ao tempo soaram como lambadas do chicote fino da ironia,
soam hoje como bronzes a louvar virtudes. É exato. Clóvis nada
reclamou. Não pediu recompensas. Seu intuito único e puríssimo era
servir à Pátria e às ciências jurídicas; Esse era o Clóvis
incompreendido.
Continua
MANUEL
AUGUSTO VIEIRA NETO
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