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Martins Júnior |
GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
CLÓVIS
BEVILÁQUA – PARTE - 02
Na
juventude, Clóvis não sentiu a vocação jurídica. Era apenas
literato, ledor apaixonado, que mistura Macedo, Castro Alves, Alencar
com Lamartine, Taine, Chénier.
Muda-se
para Recife, em 1878, para matricular-se na Faculdade de Direito, que
tanto honrou e da qual seria o ilustre historiador.
O
Recife, a princípio, não agrada. Clóvis tem apenas dezoito anos,
mas é um moço triste. A um jornal de Macaé, escreve suas
impressões sobre a capital pernambucana: – “… é insípida
como um copo d’água para quem não tem sede; e na insipidez é
monótona como em noite de insônia o eterno tiquetaque dum relógio
de parede. Sufoca-se, morre-se de calor e de tédio. Procura-se ar,
procura-se distração; não se encontra nem uma, nem outra coisa”
(apud. Macário de Lemos Picanço, Clóvis Beviláqua, in Rev.
Direito, vol. 20).
Os
biógrafos interpretam essa passagem como lamuria de saudade. Admito
a saudade. Inclino-me, porém, a crer que o jovem Beviláqua sentisse
algo mais profundo: – havia reminiscências tristes do distante
Ceará, de sua infância, de seus conterrâneos flagelados, e,
talvez, a procura dele mesmo, pois nas letras Clóvis não encontrava
a realização de sua fortíssima personalidade.
Esse tom
de tristeza perdurou durante todo o tempo acadêmico, embora
estivesse Clóvis cercado de excelentes colegas de turma: Martins
Júnior, amigo íntimo e companheiro de tertúlias, Afonso Cláudio,
Tito Lemos, o grande J. X. Carvalho de Mendonça, Urbano Santos, que
seria vice-presidente da República. Em outras classes estavam:
Farias Brito, Alberto Torres, Artur Orlando, Sousa Bandeira, Borges
de Medeiros. No meio desses amigos e prestigiado por essa plêiade,
Clóvis era retraído, sem a jovialidade e a exuberância dos
estudantes de Direito. Descreve-o Afonso Cláudio nesses termos: –
“… certo é que Clóvis já possuía na juventude a gravidade, as
tendências e os hábitos de hoje… Jamais vi-o nos teatros, menos
ainda fazer concessões ao janotismo ou ao galanteio das damas; nas
livrarias, sim, tinha assiduidade, pois era a atmosfera onde parecia
gozar de todos os deleites e recreações perlustrando obras” (Af
Cláudio, Bosquejo Biográfico do Dr. Clóvis beviláqua, in Rev. Do
Instituto do Ceará, 1916).
Continua
MANUEL
AUGUSTO VIEIRA NETO
2 comentários:
Bacana!
Te confesso que não conhecia. Mas vou acompanhar a biografia aqui.
Um abraço!
Amigo grata, só sabia por cima, vou esperar a próxima parte. abraços
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