quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Literatura Brasileira - Parte 17.



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA BRASILEIRA – PARTE 17

O Realismo, todavia, gerou o romance psicológico, em que Machado de Assis foi o grande mestre, a prosa simbolista, o romance de vida interior que, a partir da década de 30, vai ser uma das feições mais importantes da ficção brasileira. Seus objetivos se voltam para a análise do ser humano, no que este tem de mais identificador: o caráter, a personalidade, a constituição psicológica. Daí a necessidade de o autor realista incursionar nos autores das disciplinas especulativas, como se verificou entre Machado de Assis e Pascal, ou nas disciplinas que fazem do comportamento humano objeto de um total interesse. Com o Naturalismo, entretanto, o conhecimento procede de uma tese que o autor estuda exaustivamente, como se fosse uma verdade científica que desejasse provar. Na França, Emile Zola com o Germinal, romance que trata da vida dos mineiros, evidencia ao leitor um domínio quase completo do sistema das minas, do processo social dos mineiros, de sua vida sacrificada, da linguagem que os particulariza como grupo social. Aqui, no Brasil, Júlio Ribeiro, em A Carne, compôs a figura de Lenita, fundamentando-a nas teses que estudou acerca da histeria feminina.

Como surgiu, aqui, no Brasil, o binômio Realismo-Naturalismo? Simultaneamente, pois basta dizer que, em 1881, aparecem duas entre as obras mais importantes desse binômio: O Mulato, de Aluísio Azevedo e as Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. O que quer dizer: o aparecimento de uma obra naturalista a par de uma realista...

Tanto na Europa quanto no Brasil, o Realismo-Naturalismo arrimou-se num ideário que o viria sobremaneira beneficiar, em três livros: Da Origem das Espécies (1859), de Charles Darwin, em que este amor estudou a seleção natural, a hereditariedade, defendendo, pois, o transformismo; a História da Literatura Inglesa (1864), do positivista Hippolite Taine, em cujo prefácio este historiador francês estabeleceu a tese do determinismo literário com sua teoria do meio-raça-momento; a Introdução da Medicina Experimental (1865), de Claude Bernard, em que este fisiologista explica a atuação da hereditariedade sobre os atos e o caráter do homem. São três obras fundamentadas no cientificismo da época, e que carrearam para a literatura o sentido da experimentação, da pesquisa, do laboratório.

Ob: Com relação as informações históricas e geográficas contidas neste post, favor considerar a época da edição do livro/fonte.


Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7.
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4 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Mais uma vez desconhecia totalmente o que descreve. Quer-se dizer, tudo não, eu li
Da origem das espécies, de Charles Darwin, mas não sabia que esse livro tivesse dado origem a uma corrente literária.
Um abraço

Carmen Lúcia.Prazer de Escrever disse...

Cada vez mais aprendemos com você Rosemildo.
Adorei ler.
Bjs-Carmen Lúcia.

VitorNani disse...

Olá, Furtado!
Quando você citou Aluísio Azevedo, me veio à mente, o Cortiço, também, na minha opinião, uma obra prima da literatura brasileira.
Aprendo muito, lendo suas pesquisas.
Abraços!

CÉU disse...

Olá, Rosemildo!

Já aqui falamos de Realismo e Naturalismo, dando até definições destes conceitos. Todavia, falar de realismo no Brasil é falar, obrigatoriamente, de Machado de Assis, o introdutor deste estilo, desta corrente literária e filosófica nesse país.

Oriundo de família pobre, e pouco dado a frequentar a escola, porque preferia a boémia e os contactos sociais, conseguiu, no entanto, obter um lugar cimeiro na Literatura brasileira. É considerado, ainda hoje, o escritor mais importante a nível nacional.

Se dedicou a todos os géneros literários e só contos escreveu mais de 200. A partir dos 20 anos, se tornou conhecido e mto apreciado.

Ele se casou com uma portuguesa, branca, de nome Carlota Augusta, a quem ele, ternamente, chamava "Carola". A família dela não se opôs ao casamento, embora ele fosse mulato e diz a História e tb as fotos k vi, que ele não era nada bonito, contrariamente a ela que era uma mulher mto atraente e culta.

Lhe escreveu mtas cartas de amor, assinando-as como Machadinho.
Se amaram profundamente. Ela era mais velha k ele uns 5/6 anos, mas esse facto nunca assombrou esta união católica. Não tiveram filhos, mas tiveram uma cadela/cachorra de nome Graziela, que adoraram.

Ficou viúvo por volta dos 65 anos e a partir daí sua vida foi perdendo o interesse e a graça. Começou a ficar senil e morreu aos 69 com esclerose cerebral.

Seu funeral teve honras de estado.

Beijos para todos.

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