quarta-feira, 1 de abril de 2015

Literatura Portuguesa - Parte 13.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA PORTUGUESA – PARTE 13 


Ao lado dessas obras todas, que podemos chamar de profanas, desenvolveu-se também nos tempos da consolidação da nacionalidade portuguesa uma literatura sacra, religiosa ou mística: comentários dos Santos Padres, tratados de Teologia, vidas de santos, sermões, poesias religiosas etc. Essa literatura – originais e traduções – têm pouco valor artístico e influenciou também pouco a vida cultural do país. E isso por uma razão principal: quase não era difundida fora dos muros dos conventos da época, a não ser no caso dos  sermoes. Além disso, muitas obras religiosas foram escritas em latim que, apesar de ser a língua oficial da Igreja Católica Romana e de já ter sido falado na península, não mais era compreendida pelos leigos, a não ser por certas culturas muito privilegiadas, que não eram muito numerosas naqueles tempos.


Finalmente, chegamos ao século XV, que tem uma particular importância, tanto para a história da nação portuguesa em geral, quanto para a literatura do país. Para a nação em geral, mercê das transformações socioeconômicas que se deram em Portugal nessa ocasião. Para a literatura portuguesa, porque foi nesse século que apareceu o primeiro real grande nome das letras lusitanas: Fernão Lopes, o verdadeiro fundador da historiografia em Portugal.  


O século XV marca em Portugal, da mesma forma que em outras partes da Europa, o começo da luta entre o feudalismo e a burguesia, classe social que começara a crescer em força e em número cerca de um século e meio antes, especialmente depois da expulsão do invasor muçulmano e da consolidação das fronteiras do país. Nos primeiros tempos, essa classe, artesanal e comerciante, viveu sob o mais férreo jugo feudal, crescendo à espera do momento oportuno para iniciar a luta de libertação. Em Portugal, esse movimento chegou nos fins do século XIV e teve como pretexto a sucessão de Fernando I, o último descendente masculino legítimo da Casa de Borgonha, fundada por Afonso Henriques. Fernando havia se casado com uma nobre portuguesa, Leonor de Teles, e tivera desse casamento uma filha apenas, Beatriz, que se casara com João I, de Castela. Quando Fernando morreu (1383), surgiu a luta entre partidários de castela, a nobreza feudal, e os que pretendiam manter a independência do reino, a burguesia artesanal e comerciante das grandes cidades, liderada por João, Grande Mestre de Avis, filho ilegítimo de Pedro I, o Cruel. João foi eleito pelas cortes reunidas em Coimbra, e João I, de Castela, invadiu Portugal. A luta entre as forças dos dois rivais foi rápida. Os espanhóis foram completamente desbaratados na Batalha de Aljubarrota (1385), e, a partir desse momento, a burguesia portuguesa caminhou a passos largos para a emancipação econômica e política. Começa a expansão marítima de Portugal – primeira conquista: Ceuta (1415), nas costas da Africa – e intensifica-se o comércio com algumas regiões do norte da Europa: Flandre e Inglaterra.
 

Obs: Com relação as informações históricas e geográficas contidas neste post, favor considerar a época da edição do livro/fonte
                   

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7.
                  
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7 comentários:

CÉU disse...

Rosemildo,

Li, num ápice. Passarei para comentar depois.

Tudo de bom e boa Páscoa!

Lina-solopoesie disse...

Rosemildo
Sono di nuovo da te per rinnovarti di nuovo gli auguri per una serena Pasqua a te e famiglia . Ti lascio un saluto dall'Italia . Ciaoooo Lina

Maria Teresa Valente disse...

A nossa história é baseada em brigas e disputas, muitas vezes desleais.
Não sei dizer se regredimos ou evoluímos, como seres humanos. Estamos sempre em disputa.
Feliz e Abençoada Páscoa para você e sua família, abraços carinhosos
Maria Teresa

CÉU disse...

Olá, Rosemildo!

Afinal, sempre consegui um espacinho, no tempo, pra vir até aqui, hoje.

Bem, fazendo uma breve revisão do que foi escrito no anterior post, podemos dizer que se falou de Literatura Portuguesa e Europeia, sobretudo espanhola e francesa. Se tratava de Literatura, que versava diversos assuntos, sobretudo sociais e políticos, portanto, coisas mundanas, profanas.

Nesse post, fala-se de outra forma de Literatura: a religiosa.
Só os membros do clero, frades, monges, etc. sabiam ler e escrever, e nem mesmo o rei, figura mais importante da época, o sabia fazer, portanto os livros escritos à mão focavam assuntos de cariz religioso.

Estamos no século XIV, aqui, nesse post, e aí começam os problemas, devido sobretudo, à Crise de 1383-85, que começou por ser dinástica, mas tinha já, por base, causas sociais e políticas, bem profundas.

Povo com péssimas condições de vida, (a "história" do povo é sempre igual), nobres interessados em mais riqueza, conseguida com descobertas e conquistas, clero, divulgar a fé cristã e burguesia, enriquecer com o comércio.

Em 1415, e como é aqui referido, se inicia a EXPANSÃO PORTUGUESA em África com a tomada da praça marroquina, de nome, Ceuta.
Como disse o historiador, Fernão Lopes: "Ceuta foi um sonho breve", e foi, porque os Árabes desviaram as rotas do comércio para locais que os Portugueses ainda não conheciam.
De qualquer modo, os Portugueses não tiveram uma atuação louvável, porque num dia, tomaram, cercaram a cidade e se apoderaram de todas as riquezas. Obviamente que os Árabes lhes deram uma resposta total, mais tarde, com o desvio que atrás já referi.

Contudo, os Portugueses não pararam, e continuaram ao longo do litoral africano, descobrindo e conquistando terras, de que, mais adiante, se falará.

SANTA E REDENTORA PÁSCOA PARA TODOS!

Um abraço, Rosemildo!

CÉU disse...

Olá, Rosemildo!

Relendo o meu comentário, acima, vejo que cometi um lapso geográfico e que é, qdo digo: "Literatura Portuguesa e Europeia...." Bem, ate parece que Portugal não esta situado, geograficamente, na Europa. Que distração!
Para ficar correto, então, direi que se falou da Literatura em Portugal e também em Espanha e França.

Feliz domingo de Páscoa!

Aquele abraço!

Daniel Costa disse...

Caro Furtado, estamos a entrar, porventura no período monumental da história de Portugal e consequentemente, na da criação dum mundo moderno, de que os portugueses tiveram o mais importante papel.
Abraços

Daniel Costa disse...

Caro Furtado, estamos a entrar, porventura no período monumental da história de Portugal e consequentemente, na da criação dum mundo moderno, de que os portugueses tiveram o mais importante papel.
Abraços

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