quarta-feira, 11 de julho de 2018

Grandes vultos: José do Patrocínio - Parte 08.


GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
JOSÉ CARLOS DO PATROCÍNIO – PARTE 08.
A festa da abolição durou 8 dias. José do Patrocínio foi alvo das mais diversas manifestações. O povo, em delírio, o carregava, tirava-lhe, como “souvenir”, botões de sua casaca, pedacinho de sua camisa, chegando, segundo relato de historiadores, a deixá-lo em frangalhos. No fim da semana de delírios populares, foi ele convidado pela mocidade acadêmica de S. Paulo para receber da mesma a homenagem merecida onde foi recebido em triunfo com a maior festa que a pauliceia tributava a um homem até então. “Foi carregado, abraçado e beijado pelos moços em delírio”. Conduzido ao Grande Hotel, onde todos esperavam ouvir sua palavra. Contudo, o herói do dia estava indisposto e cansado de tanta festa em que ele era a principal figura. Havia pronunciado naqueles dias mais de cem discursos e estava esgotado. Ao começar seu discurso, embora belo, arrastava-se sem um fecho de ouro, tornando-se interminável e monótono quando, então, o conhecido e notável satírico da época, Herculano de Freitas, puxou-lhe a aba da sobrecasaca e lhe sussurrou:
– “Fala em José Bonifácio… e acaba com isto”.
Patrocínio recebeu a sugestão de Herculano como uma tábua de salvação e se saiu muito bem, terminando sua oração por convidar o povo a ir com ele ao cemitério da Consolação e rezar pela liberdade. Este final salvou o resto do discurso, pois o povo, eletrizado, carregou o tribuno até o cemitério. Terminada a fase da abolição, Patrocínio se colocou em posição discreta, pois entendia que o terceiro reinado, com a Princesa Redentora, se tornara um imperativo de gratidão do povo brasileiro a Isabel, que lhe dera a lei Áurea, ainda que advertida por Cotegipe de que a libertação significaria a queda da coroa. Patrocínio colocou-se, então, numa espécie de dualismo político que seus amigos não compreendiam e seus inimigos criticavam. Era um dos primeiros republicanos, mas, ao mesmo tempo, grato a sucessora de D. Pedro II. Viu-se rodeado de inimigos ferozes, que não o perdoavam. João Marques, um de seus maiores amigos, na memorável noite de 13 de maio, em que o povo, alta madrugada, gritava pelas ruas incessantemente, seu nome, “Patrocínio!” “Patrocínio!”. “Viva Patrocínio”, vaticinou enfaticamente:
– “Que belo dia para morreres José! Nunca mais encontrarás outro igual!” e, completando seu pensamento, terminou:
– “Vais viver, meu velho, e vais para a política… e aquilo emporcalha, meu amigo!”.
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S. SILVA BARRETO
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quarta-feira, 27 de junho de 2018

Grandes vultos: José do Patrocínio Parte 07.

Princesa Isabell




GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
JOSÉ CARLOS DO PATROCÍNIO – PARTE 07.
Patrocínio, ignorando em sua extensão a campanha abolicionista em São Paulo, dizia, injustamente na “Gazeta da Tarde” de 1883, obediente a seu radicalismo sem tréguas: Ceará é o herói da abolição. São Paulo é o castelo forte do hediondo escravagismo”. Ressaltam seus biógrafos que a admiração de Patrocínio pelo Ceará nasceu da coragem dos jangadeiros, que se opunham a servir-se de instrumento aos núcleos escravocratas do sul, quando São Paulo e Minas faziam o comércio ostensivo desta mercadoria humana, pleiteando o alargamento do cativeiro em benefício de suas fazendas. Contudo, os paulistas José Bonifácio, com seu projeto de lei para extinguir o comércio escravo, Paulo Eiró, com seu drama “Sangue Limpo” contra a escravidão, Luís Gama, Antônio Bento, Raul Pompéia, André Rebouças e outros formavam grupos ativos na luta pela libertação, que não se pode ignorar. Há que sobressair, também, a libertação dos escravos do Largo de São Francisco.
Patrocínio tinha certa razão de mágoa contra o Sul porque o apelidaram de “preto cínico” e puseram sua cabeça a prêmio. Este aspecto da conduta radical de Patrocínio levou-o, na época, à prática de muitas injustiças, inclusive com amigos. Seu passionalismo não admitia ideias contrárias á abolição, assim como sua gratidão aos que “aquinhoaram” a Pátria com a chamada ”dádiva” da libertação, chegava às raias do dramático como aconteceu com à Princesa Isabel, por ele alcunhada de “Redentora”. No dia 13 de maio de 1888, José do Patrocínio, chegava aos pés de Isabel, carregado pelo povo, e, quando subiu as escadeiras do Paço, onde a mesma se encontrava após ter assinada a Lei Áurea, num de seus arroubos felizes, disse-lhe: “Minha alma, de joelhos, sobe as escadarias deste paço para beijar vossos pés”. Às palavras seguiu-se o gesto, tendo sido, então, obstado pelo Conde D’Eu, que lhe pôs as mãos aos ombros e disse: “Não exagere, Sr. Patrocínio, não exagere...”
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S. SILVA BARRETO
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quarta-feira, 13 de junho de 2018

Grandes vultos: José do Patrocínio - Parte 06.


GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
JOSÉ CARLOS DO PATROCÍNIO – PARTE 06.
Antônio Bento entrava, por sua vez, na luta, criando organizações de escravos de caráter ofensivo como os “Caifazes” que promoviam a sedição nas lavouras de café e tramavam as fugas, cada vez maiores, protegidas pelos ferroviários. Segundo relato de um historiador “não havia trem de passageiros no qual um negro fujão não encontrasse onde se esconder, como não havia estação onde diretamente alguém o não recebesse e orientasse”, apesar dos prêmios publicados em editais para quem capturasse escravo fugido”
Vários quilombos domésticos foram instituídos, onde se homiziavam os escravos após as fugas. Distinguiram-se neste mister várias famílias ilustres cariocas e paulistas. De São Paulo os escravos eram remetidos para o Rio, por Antônio Bento, Raul Pompéia, Luís Murat, Gaspar da Silva e a remessa era precedida de um aviso senha: Segue Bagagem. Embarcados na E. F. Central do Brasil, eram instruídos para, na estação do Rio, dirigir-se a um cavalheiro que trouxesse à lapela uma camélia branca, dando-lhe a senha “Raul”, obtendo como resposta “Serpa”, quando então poderiam julgar-se salvos.
A população escrava ultrapassava a casa do milhão num total de 14 milhões de brasileiros entre brancos e pretos.
Em toda parte formavam-se os famosos quilombos, organizações de negros fugidos, aperfeiçoadas dos rudimentares quilombolas, iniciadas nos primeiros lustres do século XVIII como pioneiros na luta pela libertação dos escravos. Dos primeiros destacaram-se por sua organização social perfeita o “Quilombo do Jabaquara”, em Santos e o dos “Palmares”, no Nordeste, dirigido pelo célebre rei Zumbi. O historiador Oiliam José chega a arrolar, em Minas, a formação de 9 quilombos, além de outros mais, de pequena expressão, pululando por todo o território mineiro.
Entrosava-se na campanha o grande Rui Barbosa, amigo íntimo de José do Patrocínio. Em seu célebre discurso no comício do Teatro Politeama, promovido pela Confederação Abolicionista em 28 de agosto de 1887, dizia: “O Partido Liberal belga dispunha-se a derramar sangue, para obstar a inundação ultramontana. Os abolicionistas brasileiros lutam apenas com a força persuasiva da palavra contra a escravidão. E querem sufocá-los! O Império inteiro comove-se; os “meetings” reproduzem-se até nas capitais mais poderosas do escravismo, como Campinas; e o trono parece insensível às ansiedades do País.
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S. SILVA BARRETO
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quarta-feira, 30 de maio de 2018

Grandes vultos: José do Patrocínio - Parte 05.


  
GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
JOSÉ CARLOS DO PATROCÍNIO – PARTE 05.
Eram como sessões contínuas, regadas pela cerveja, entremeadas pelas pilhérias de Paula Nei e os versos de Bilac, onde a libertação era uma bandeira que todos faziam questão de desfraldar, numa união nunca vista no solo brasileiro. Apenas uma nota discordante se ouvia entre os escritores aristocratas, a do senador José de Alencar, que, infelizmente, levantou sua voz no Senado contra a “Lei do Ventre Livre”, depois de declarar não querer discutir o assunto, afirmando “Levantar um protesto contra esta grande calamidade social que, sob a máscara de lei, ameaçava a Nação Brasileira”.
A campanha abolicionista recrudescia em todos os sentidos; José do Patrocínio comandando as hostes populares; Nabuco no Congresso, com suas palavras candentes, funda em 7 de setembro de 1880 a célebre “Sociedade Brasileira Contra a Escravidão”. Num dos salões, em casa de seus familiares, na Praia do Flamengo, sob o troar de canhões que, segundo descrição de André Rebouças em “A Gazeta da Tarde” da época, Nabuco parecia dizer aos governantes: “Mentis! Não há liberdade, nem independência em uma terra de um milhão e quinhentos mil escravos”! No Rio Grande do Sul funda-se a “Sociedade Abolicionista Nabuco”; no Ceará, a “Sociedade Cearense Libertadora”. Na mesma época, surge, comandado por um grupo de mulheres, tendo à frente D. Virgínia Vila Nova, cunhada de José do Patrocínio, o “Clube Abolicionista José do Patrocínio”. Em 12 de maio de 1883, com o fito de agrupar em um só centro as diversas sociedades surgidas em todos os recantos do País, já, então, em número de 12, José do Patrocínio, seguido por André Rebouças, João Clapp e outros, fundam a “Confederação Abolicionista”, instalada solenemente em uma sala da redação da “Gazeta da Tarde”.
Em São Paulo, concomitantemente, Luís Gama e Antônio Bento comandam a campanha. O primeiro, num discurso pronunciado no Centro Operário Italiano, pulveriza o “direito” escravista e profere sentenças como estas: “O escravo que mata o seu senhor, seja em que circunstancia for, age em legítima defesa” e a seu filho ensinava como primeira lição da cartilha: “Trabalha para que este País não tenha reis nem escravos”.
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S. SILVA BARRETO
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quarta-feira, 16 de maio de 2018

Grandes vultos: José do Patrocínio - Parte - 04.

Luís Murat
GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
JOSÉ CARLOS DO PATROCÍNIO – PARTE 04.
Como redator da “Gazeta de Notícias” suas atividades chegaram a seu fim quando o mesmo se indispôs com a orientação limitada do jornal. Necessitava de um campo maior onde pudesse lançar, com a força de seu ímpeto, suas ideias abolicionistas, que não se submetiam a medidas. Patrocínio deixou-se envolver por imensa tristeza quando, então, seu sogro se dispôs a arranjar-lhe a quantia de quinhentos contos de reis para a compra da “Gazeta da Tarde”, jornal que acabava de perder um de seus donos, Ferreira de Menezes, também integrado na campanha. Novo ânimo se apossa do incontrolável e rutilante mulato e a “Gazeta da Tarde” desfralda, nas ruas do Rio de Janeiro, sua nova bandeira de guerra à escravidão, acompanhada pelos aguerridos soldados da pena. Luís de Andrade, Júlio Lemos, Gonzaga Duque, Campos Pôrto, Leite Ribeiro, Dias da Cruz e, na gerência, João Ferreira Serpa Júnior.
Dois grupos unidos pelo mesmo ideal, formaram-se durante a campanha abolicionista: o de Nabuco, chamado intelectual-filosófico, que procurava conquistar as elite, e o de Patrocínio, que comanda o povo, fá-lo vibrar pela causa redentora. Nabuco perante o Congresso, Patrocínio perante a massa popular.
Os escravagistas começaram a se insurgir contra sua campanha e o apelidaram de “preto cínico”. Sua cabeça era posta a prêmio pelos fazendeiros do sul. O terror não o abalava. Sua pena e sua voz sucediam-se em catadupas, cada vez mais arrasadoras, convincentes.
As atividades abolicionistas de José Carlos do Patrocínio dividiam-se, então, em quatro facetas distintas e convergentes: a do jornalista, destemido e radical; a do tribuno popular, fervoroso e dramático, nas ruas do Rio e, como caixeiro viajante, de São Paulo ao Ceará; a do escritor, poeta e romancista de parcos recursos, salvo algum soneto ou o poema intitulado “A Revista”, descrevendo uma cena de cativeiro e os romances “Mota Coqueiro, ou a pena de morte”, Os Retirantes” e “Pedro Hespanhol” ; finalmente, a do boêmio, nas mesas do Bar “Castelões”, da “Confeitaria Paschoal”, do “Recreio”, do “Ginásio”, da “Adega Maison”, onde se metamorfoseava no popular “Zé do Pato” entre seus diletos e fiéis amigos, Paula Nei, Luís Murat, Olavo Bilac, Coelho Neto, Guimarães Passos, Raul Pompéia, Aluísio Azevedo, Emílio Rouède, Artur Azevedo, Pardal Malet, Emílio de Menezes e outros escritores da época. A Paschoal era a preferida e ali entre a boemia, discutiam-se os destinos da Pátria e partia a voz de comando da campanha abolicionista, comandada pelo grande libertador de escravos.
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S. SILVA BARRETO
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quarta-feira, 2 de maio de 2018

Grandes vultos: José do Patrocínio - Parte 03.

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
JOSÉ CARLOS DO PATROCÍNIO – PARTE 03.
Quebradas as resistências, num belo dia, o padrinho Ferreira de Araújo dirigiu-se à Chácara de S. Cristóvão com a missão de oficializar o namoro, oculto até então. O casamento não tardou e a data ficou marcada por um incidente ocasionado pelo incorrigível Paula Nei que, incumbido de levar as chaves de um sobradinho novo, onde os nubentes iriam passar a lua de mel, esqueceu-as, causando enorme transtorno aos recém casados, à vista dos convivas. O jovem par foi obrigado a voltar para a chácara, onde um quarto improvisado, nos fundos, lhe serviu para aquela primeira noite de núpcias. O fato não deixou de ser observado pelo Capitão:
– Eu não dizia! Este meu genro começa mal...”
De seu casamento com Bibi, nasceram duas meninas, Marieta e Maina e três rapazes, Tinon, Maceu e Zeca. Os primeiros mortos ainda na infância. Apenas o Zeca – José do Patrocínio Filho – sobressaiu como homem de talento, porém, estrina e dispersivo, não logrou perpetuar sua memória a não ser por uma fantasia megalomaníaca com a espiã Mata-Hari que, se não fosse a diplomacia brasileira, tê-lo-ia conduzido ao cadafalso em Londres.
A campanha abolicionista, a maior glória de José do Patrocínio, começou, realmente, quando o mesmo, a 3 de agosto de 1880, pela vez primeira, no recinto do Teatro S. Luís empolgou a multidão que o lotava com sua oratória emotiva e dramática, arrancando aplausos e lágrimas da plateia comovida. Repete-a a 15 e 22 do mesmo mês com idênticas características que, mais tarde, a tornaram distinta das demais pelo seu cunho de agitação de massas, capaz de demover montanhas e arrastar consigo os corações de pedra que se deixavam convencer pelos falsos argumentos escravagistas de que a escravidão era uma necessidade econômica insubstituível e sua extinção traria, como consequência, a ruína social completa e imediato enfraquecimento da Pátria. Para Patrocínio “a escrevidão era um roubo”, frase que se tornou, mais tarde, o slogan do “Clube Abolicionista”.
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S. SILVA BARRETO
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quarta-feira, 18 de abril de 2018

Grandes vultos: José do Patrocínio - Parte 02.

Quintino Bocaiuva

GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
JOSÉ CARLOS DO PATROCÍNIO – PARTE 02.
Na mesma ocasião ocorriam os preparativos, na casa do Capitão Emiliano Rosa Sena, que seria, também, seu futuro sogro, ficava no Rio de Janeiro, em São Cristóvão, na antiga rua Imperial Quinta, 17. Patrocínio era recém formado em farmácia e tinha sido colega no Externato Aquino, de João Rodrigues Vila Nova, enteado do Capitão Sena. Foi recebido, certo dia, como hóspede da casa, levado pelo colega Vila Nova. Tal acontecimento teve significado decisivo na vida do “Tigre da Abolição”, pois, ali se tornou professor dos meninos: Bibi, Nenê, Sinhá, Tengo e Cévola, filhos do Capitão. Bibi, ou Dona Maria Henriqueta de Sena Figueira do Patrocínio, foi, mais tarde, a esposa de José do Patrocínio e Tengo, o conhecido Ernesto Sena, um dos baluartes do abolicionismo e republicano fervoroso. Entre os convivas da chácara do Capitão Sena, figuravam Quintino Bocaiuva, Sousa Caldas, Lopes Trovão, Silva Jardim, Joaquim Nabuco, Ferreira de Araújo e muitos outros nomes de nossa história que, juntamente com a família Sena, deixavam entrever o embrião do afamado “Clube Republicano”, em cujas reuniões Patrocínio conseguiu introduzir-se, apesar da oposição do capitão Sena, que não o tolerava porque o mesmo já demonstrava secretas pretensões de amor com a branca Bibi. O Capitão tinha seus “zelos de sangue azul” e não podia admitir qualquer idílio entre sua filha e o ousado cafuzo. Patrocínio não era negro. Nem um mulato. Sua pela oscilava entre os dois, segundo o descreve Félix Pacheco. “Tinha a cor do charuto colorado maduro, de Havana”. “Etíope, com o escuro um pouquinho atenuado na primeira degradação do matiz originário, erigiu-se, entretanto, num ariano do melhor quilate pelo espírito”.
Os preconceitos raciais do Capitão Sena foram, contudo, contornados pela figura singular e carinhosa de D. Henriqueta Sena, mãe de Bibi, conseguindo realçar os méritos excepcionais do moço bronzeado e, talvez, com seu sexto sentido feminino, prever o futuro grandioso daquele que, mais tarde, seria erigido ao altar da glória na mais memorável campanha cívica brasileira: a da abolição.
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S. SILVA BARRETO
Meus queridos amigos!
Primeiro que tudo, quero apresentar minhas desculpas por estar ausente do valioso convívio de vocês neste maravilhoso mundo da blogosfera durante esses dias que passou. É que meu grande amigo e parceiro (PC) foi acometido de um probleminha e tive que levá-lo ao hospital (oficina), onde, depois de alguns exames, o médico (técnico) constatou que bastaria algumas intervenções no cérebro (placa mãe) e tudo voltaria ao normal.
Agradeço pela compreensão de todos pelos amáveis comentários deixados no nosso humilde espaço, prometendo retribui-los na medida do possível, pois quem visita quer ser visitado.
Beijos no coração de todos.
"QUE DEUS SEJA LOUVADO!"
Rosemildo Sales Furtado

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