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Prof. Ernesto Carneiro Ribeiro |
GRANDES
VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS
ATIVIDADES
CLÓVIS
BEVILÁQUA – PARTE - 14
Não
ficou a luta na superficialidade da forma. Os gigantes enfurecidos
haviam, certamente, de procurar penetrações mais profundas. E lá
sai a campo o insigne Inglês de Sousa, a sustentar nada menos do que
a desnecessidade do próprio Código Civil, para o que repisa velhos
argumentos de Savigny, na célebre polêmica com Thibaut. E para
evitar um mal de um Código Civil, propõe, nada menos do que a
ditadura!
Os
golpes não param. No “Jornal do Brasil”, de 22 de junho de 1900,
aparece um violento artigo, assinado por C. M. no qual se acusa o Dr.
Campos Sales como “um dos principais responsáveis por essa
calamidade”. O enfurecido zoilo vai ao cúmulo de fazer estas
levianas afirmações: “… (quer o Governo) impingir ao país uma
obra de carregação, aparelhada às carreiras e imposto ao presente
Congresso, de afogadilho, sem que o elétrico produto do novo
prestidigitador jurídico se instaure uma discussão larga”.
Pois
essa larga discussão desejada foi aberta.
Durante
longos catorze anos, foi o projeto esmiuçado, esquadrinhado,
examinado com a lente de aumento da antipatia gratuita, e também
analisado metodicamente por homens de ciência. As críticas, quase
sempre superficiais. As contribuições verdadeiras, raras. Surgiram
pareceres de juristas, de congregações de Faculdades, de Tribunais
de Justiça. Foi nesse período de difícil gestação do Código que
sucedeu esse fenômeno espantoso: o parecer do senador Rui Barbosa,
que provocou as observações do Prof. Carneiro Ribeiro, seguidas da
monumental Réplica.
Parecia
estar tudo perdido. Já ninguém podia pensar num Código Civil. Todo
o pensamento da nação era para as questões de vernáculo...
Clóvis
não recuou. Cearense duro na luta, não se entibiou uma só vez. Mas
– e sirva isto de exemplo – jamais em suas respostas, feriu o
antagonista com um dito mordaz. Jamais retrucou com azedume. Quando a
crítica não lhe parecia digna de resposta, registrava-a apenas…
Agradecia, com sinceridade, o apoio que lhe davam os homens da
envergadura de um Campos Sales, um Epitácio, um Sílvio Romero, Em
livro que honra a cultura jurídica e reflete a grandeza da alma de
seu autor: “Em Defesa do Projeto do Código Civil Brasileiro”
(Liv. F. Alves, 1906), reúne Clóvis algumas das muitas respostas
que apresentou aos seus opositores.
Continua
MANUEL
AUGUSTO VIEIRA NETO
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