quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Literatura Brasileira - Parte 14.



Foto: A Iracema de José de Alencar, em pintura de José Maria Medeiros

  
HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA BRASILEIRA – PARTE 14
  
Quais os Romantismos que podem mostrar-nos um poeta como o fluminense Nicolau Fagundes Varela, em quem a consciência religiosa era uma forma de ser? Podemos esquecer José de Alencar, o mais visual dos nossos românticos, de capacidade descritiva tão intensa quanto a de Chateaubriand para a Literatura francesa! Nossa natureza, tão irregular nos seus aspectos: de serena à exótica, de paradisíaca à revulsiva – encontrou nele o artista épico, aquele que soube ver melhor do que os outros, porque era grande seu horizonte visual e não menor sua imaginação. Iracema, misto de poema em prosa e romance, tanto quanto um documento histórico: mostra um aspecto da formação de nossa raça, quando o conquistador branco, Martim Soares Moreno, se une, perdido de amores, a Iracema. O filho de ambos – Moacir – é o brasileirinho que desponta para a grande aventura da raça... O Guarani, na pessoa de D. Antonio de Mariz, em Ceci e em Peri, retrata o início de nossa civilização, quando a História, na sua dialética e no seu determinismo, procurava harmonizar a raça conquistadora (Ceci) com a conquistada (Peri).

A prosa romântica teve em Alencar o seu aspecto mais reativo: anticlássica e antilusitana, porque rompeu com certos giros e matizes da sintaxe tradicional portuguesa – (colocação auditiva e rítmica dos pronomes átonos, emprego do gerúndio, nas conjugações perifrásticas, em substituição ao infinitivo proposicionado) – criando não uma língua brasileira, mas uma nova fase do idioma mais liberta do predomínio das correntes eruditas e dos convencionalismos linguísticos gerados pelo tempo e pelas escolas literárias.

O outro aspecto dessa mesma prosa representam-no os demais romancistas, como Bernardo Guimarães, Taunay, Joaquim Manuel de Macedo, Franklin Távora, Manuel Antônio de Almeida, Machado de Assis (em sua fase de transição); os teatrólogos, como Martins Pena; os historiadores como Francisco Adolfo de Varnhagen; os críticos como Pereira da Silva e Joaquim Norberto de Sousa e Silva; os jornalistas como João Francisco Lisboa e Tavares Bastos; os oradores, principalmente os sacros, como Frei Francisco de Mont'Alverne. De cada um deles poderíamos dizer algo: se Alencar representa o romance indianista – Bernardo Guimarães, com A Escrava Isaura, Franklin Távora, com O Cabeleira, Taunay, com Inocência – distinguem-se no romance de características regionais, enquanto Joaquim Manuel de Macedo, com A Moreninha, e Manuel Antônio de Almeida, com Memórias de um Sargento de Melícias, ilustram o romance de tendências urbanas. Dentre esses romancistas, convém salientar Manuel Antônio de Almeida: precursor do realismo brasileiro pelo seu espírito de análise e de observação, a época que retratou (o Rio de 1810) está integral em seu livro, no qual o romancista movimenta tipos sociais e figuras históricas, com os quais soube reconstituir a humanidade do 1º reinado brasileiro.

Ob: Com relação as informações históricas e geográficas contidas neste post, favor considerar a época da edição do livro/fonte.


Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7.
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5 comentários:

Lau Milesi disse...

Post mais lindo, Furtado. Bom dia!!
Estou aqui te lendo há um tempão.:)
Uma aula de literatura.Show!!
Lembro tanto do Guarani,me impressionou aquela cena descrita no final quando o solar é destruído. Quando Peri e Ceci tentam escapar do dilúvio sobre a palmeira e desaparecem no horizonte. Lindo d + !!!
Beijos, amigo
Parabéns!!

Elvira Carvalho disse...

Um texto que nos dá a conhecer um pouco mais de literatura brasileira do romantismo. Conheço muito pouco dessa época, aliás se exceptuar
A Escrava Isaura, penso que não conheço nada, pelo menos não me lembro de ter lido nenhum dos citados, embora o nome de A Moreninha não me ser estranho, penso que já li qualquer coisa sobre esse livro, mas não sei.
Um abraço

Carmen Lúcia.Prazer de Escrever disse...

Lindo como sempre Rosemildo!
Aqui aprendemos muito.
bjs e obrigada pela visita e comentário.
Carmen Lúcia.

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Bom dia
Uma aula de actualidade literária e artística.
Novas correntes que se impõem em novas criações.
Obrigado pela tua presença em lidacoelho e pelas partilhas.

CÉU disse...

Olá, Rosemildo!

Continuamos falando do Romantismo brasileiro, mas esse post está mto completo, portanto, pouca coisa poderei acrescentar.

Nicolau Fagundes Varela nasceu no século XVIII no Brasil, foi poeta e teve vida curta.
Se casou bem jovem e desse casamento nasceu um filho, k faleceu, prematuramente. Cursou Direito, mas não chegou a terminar o curso, pke disse num dos seus poemas. "eu não sirvo pra doutor".
Depois foi para Paris, continuando sua vida errante e boémia, casando-se de novo. Dessa união, nasceram duas meninas e um menino, que veio, tb a falecer, prematuramente. Fagundes Varela morreu com 30 e poucos anos, vítima de tuberculose.

José de Alencar considerado como um dos maiores escritores brasileiros, tb nasceu no século XVIII em Messejana (Fortaleza - Ceará) e veio a falecer antes dos 50 anos, no Rio de janeiro.
De família bem abastada e nobre ocupou vários cargos, escreveu vários romances e teve uma importância primordial nesse tempo, e ainda hoje, se diga.
Morreu vítima tb de tuberculose e a família Alencar, à data de sua morte estava pobre, quase na miséria.

Boa semana.
Beijos para todos vocês.

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