quarta-feira, 18 de março de 2015

Literatura Portuguesa - Parte 11.

 



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA PORTUGUESA – PARTE 11 
      

Ao lado destas trovas líricas, aparece ainda no medievo português, uma terceira espécie de poesia: a cantiga do escárnio ou de maldizer. O próprio nome já define bem do que se trata: nelas, o poeta satiriza os seus inimigos, ou o seu rival.


Essas poesias todas foram reunidas, mais ou menos na época, em que manuscritos chamados cancioneiros, que apresentam mais de 2 mil exemplos de cantigas dos primeiros séculos da nação portuguesa. São vários os cancioneiros conhecidos, mas dois deles costumam ser citados como os principais: o Cancioneiro da Ajuda, do mosteiro e palácio do mesmo nome, e o Cancioneiro da Vaticana, da Biblioteca da Santa Sé. Também se menciona muitas vezes o Cancioneiro Colocci-Brancuti, do nome do humanista italiano – Ângelo Colocci – que o mandou copiar e do nome do seu último dono particular (atualmente está na Biblioteca Nacional de Lisboa): Conde Brancuti. Todavia, a importância deste cancioneiro já é menor porque ele repete, em boa parte, cantigas pertencentes aos outros dois. Isso também sugere que tenha sido copiado em data posterior.


Toda Essa poesia lírica sarcástica do medievo português, que figura nos cancioneiros, pode ser considerada como poesia palaciana, tanto cabelo autores, quanto cabelo seu público. E é fácil de se compreender porque, embora Hoje, Portugal é nação que se caracteriza pelo alto grau de analfabetismo do seu povo, em comparação com outros países europeus. Imagine, então, o leitor, o que não teria acontecido em plena Idade Média, época em que os próprios nobres, príncipes e reis distinguiam-se descasca sua incultura, e em que a baixa produtividade do trabalho, especialmente do trabalho agrícola, não deixava o povo, na verdadeira acepção da Palavra, qualquer tempo livre e disposição - o célebre ócio ( dia gogos ) das classes governantes da Grécia e da Roma antigas - para se dedicar às Coisas do espírito. Nessa Condições, compreende-se perfeitamente que a vida cultural da época só poderia centralizar-se em torno de Dois núcleos principais: os palácios da nobreza e da Igreja. As próprias universidades medievais - e a primeira de Portugal foi a de Lisboa, fundada por D. Dinís e mais tarde transferida para Coimbra, onde está até Hoje - Não passavam de prolongamentos das catedrais: o Chanceler da Universidade de Paris, por exemplo, era o arcebispo da cidade.

 
Obs: Com relação as informações históricas e geográficas contidas neste post, favor considerar a época da edição do livro/fonte.
 

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7. 

Visite também:
Com a História da Literatura Portuguesa

5 comentários:

olharbiju disse...

Boa noite Rosemildo.
Muito obrigada pela visita ao meu cantinho. Obrigada também e mais uma vez pelo partilhar da nossa historia.
As visitas serão para continuar.
Um grande abraço
Alice

CÉU disse...

Olá, Rosemildo!

Bem, continuamos na Literatura Medieval Trovadoresca.
Creio que já expliquei em anteriores posts, a diferença entre cantiga de escárnio e cantiga de maldizer. Todavia, é sempre bom relembrar. Na de escárnio, se diz mal, mas subtilmente, na de maldizer, se diz mal, às claras e grotescamente.

Quanto aos Cancioneiros, houve alguns, e você nessa postagem, faz referência a eles.
O espólio da Vaticana é enorme, porque é formado por um conjunto de grandes e boas bibliotecas, que vêm recolhendo obras importantíssimas, desde a Antiguidade até à Idade Contemporânea.
O Cancioneiro de Garcia de Resende, também, é muito importante, porque nos dá a conhecer as diversas temáticas da Poesia Trovadoresca, e não só.

Não entendi muito bem, quando você transcreve a parte referente à Nação Portuguesa.

Em relação à fundação da Universidade em Portugal, do Estudo Geral, seu primeiro nome, foi um facto mais que importante. O nosso rei D. Dinis, não foi só Lavrador (seu cognome, na História), não também se interessou muito pela cultura (ele próprio compôs canções).
Com essa fundação, começava assim, a Laicização do Ensino, assunto que, se calhar, também será falado aqui, e por isso, não me quero adiantar.

Tenha dias felizes e de pesquisa.

Beijos.

PS: esse sábado, comemora-se o Dia Mundial da Poesia. Vou postar, obviamente. Te aguardo, tá? Agradeço, desde já!

Valdete Cantu disse...

Boa noite amigo!
Obrigada pelo carinho de sua visita e amizade em meu blog.
Uma quinta feira cheia de saúde e sucesso para você.
Abraço.
Valdete.

cris braghetto disse...

Olá, Rosemildo.
Muito interessante o tema abordado aqui. Sempre bom conhecer mais sobre Literatura.
Tenha um ótimo domingo.
Abraços.

Maria Rodrigues disse...

Meu amigo mais um excelente e enriquecedor post.
Beijinhos
Maria

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