quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Literatura Ocidental - Parte 06.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 06

LITERATURA MEDIEVAL EUROPEIA

(Continuação)

A “Canção de Roland”, chanson de geste que chegou a nós, serve mais tarde como obra-prima de Ariosto: Orlando Furioso. É poesia épica com “matéria carlovíngia” por ser romance métrico que desenvolve temas da corte de Carlo Magno, pois a ela pertence o cavaleiro Rolando. Problemas semelhantes aos de Ilíada e Odisséia, são colocados quando consideramos sua composição: obra de um só autor como o estabelece a tradição segundo a qual é atribuída a Turoldus, trovador normando ou transcrição de poemas anteriores referentes a um mesmo ciclo novelesco? Embora não seja possível estabelecer provas definitivas, a última hipótese é bem mais provável.

Ao longo das rotas de peregrinações nascem inúmeras obras que indicam o início do desenvolvimento de uma literatura francesa. Estas notas servem como centro de comunicação coletiva através dos quais se propagarão os grandes mitos populares comuns a diversos povos europeus que os séculos posteriores reuniram em tradições. Nas rotas de peregrinação nascem obras de edificação religiosa, contos burlescos e epopéias. Da tradição flamenga foi composto em francês o Romance da Raposa no século XIII. Que, como Fabliau, não pretende criticar indiretamente a vida dos homens com as fábulas de Esopo ou as de la Fontaine.

A partir do século XII surge em terras da Bretanha uma literatura palaciana. São representantes máximos da tradição palaciana Thomás, autor de Tristão e Isolda – desenvolvimento de ciclo germânico, e Chrétien de Troyes, autor de romances em versos com temas de amor em ambientes épico, dentre os quais, Yvain e Percival. Simultaneamente, ao sul do Loire, no Languedoc, desenvolve-se uma literatura trovadoresca que renova a expressão lírica. Trovadores como Arnault, Daniel, Bretrand de Born, Bernard de Vendadour e Guirault de Borneil criam uma verdadeira mística do amor e da mulher. Os quadros dentro dos quais se desenvolveu a lírica trovadoresca pertenciam a civilização herética albigense, destruída pela brigada comandada por Simão de Montefort que obedecia a decreto do Papa Inocêncio III.

A enciclopédia “O Tesouro”, escrita em provençal, foi escrita no início do século XIII por Latini, mestre de Dante. Aliás, Dante expressou-se também em provençal antes de consagrar-se a sua obra em italiano, que seria o fundamento da língua e da poesia italianas. Rusta de Pise redigiu o “Livro das Maravilhas de Marco Polo” e romance de cavalaria que gozaram de imensa popularidade nos “salões” da Itália. Villehardouin (1150-1212) e Joinville (1224-1317) redigiram, respectivamente, a Conquista de Constantinopla pela IV Cruzada e a Vida de São Luís. Estes cronicões, que anunciam os modernos compêndios de história foram redigidos em língua romana.

O reaparecimento da poesia lírica pode ser marcado pelos poemas de Rutebeuf (Século XIII), antecessor próximo de Villon. O “Romance da Rosa”, cuja primeira parte foi escrita na primeira metade do século XII por Guillaume de Lorris e cuja segunda parte surgiu na segunda metade do mesmo século com redação de Jean Meung, (perpetua a tradição do amor cortês). O “Romance de Rosa” é a principal manifestação da poesia alegórica, forma literária aristocrática resultante da influência escolástica sobre a poesia cortês.

Jehan Froissart (século XIV) apresenta em seus romances e poemas ingênuos quadros da vida de seu tempo, que se destacam, no entanto, pelo detalhismo e pelos pitorescos. Charles d'Orléans (1391-1465) continua o lirismo de Rutebeuf, porém, com mais modernismo no caráter pessoal. François Villon (1431-aproximadamente 1489) continuará esta tradição e inaugurará a moderna literatura francesa.

Na Itália a literatura provençal encontra na situação siciliana, sob notável progresso político-social do reinado de Frederico II, as condições perfeitas para grande florescimento. No fim do século XIII a Toscana serviria de solo para o desenvolvimento do “dolce stil nuovo” representado por Guido Cavalcanti (1250-1300) e Guido Guinicelli. Também Dante Alighieri (1265-1321) inscreve-se com Vita Nuova, reunião de poesia e prosa em língua falada, nesta tradição de platonismo e mística do amor. Dante marcaria o início da literatura italiana ao conferir primazia ao toscano e assim elevá-lo à condição de idioma literário nacional. As novas tradições firmaram-se também na Europa germânica a partir do século X-XI. Nos países nórdicos surge a poesia de côrte e são escritas em prosa as narrações heroicas conhecidas como sagas. Na Islândia são transcritas as velhas lendas locais denominadas os edda que, posteriormente, foram completados pela prosa de Snorri Sturlusson.

A tradição provençal alcança a Inglaterra através de Geoffrey Chaucer (1340-1400) que traduziu o “Romance da Rosa” e que transpôs com originalidade notável a inspiração de Bocacce. Chaucer consegue síntese literária das tradições celtas, germânicas e romanas. Notabilizado por sua obra “Canterbury Tales”, G. Chaucer é considerado simultaneamente iniciador do realismo e da literatura inglesa.

Na Alemanha presenciamos o notável desenvolvimento da temática dos cantores do amor (Minnezangers) que, a partir da tradição, progressivamente reformulam com originalidade o fundo germânico local. Este desenvolvimento abrange também a passagem do caráter popular inicial ao lirismo palaciano de inspiração provençal franco-italiana. Reinmar von Haguenau (aproximadamente 1200) e Walter von dar Vogelweide (aproximadamente 1170-1230) são os autores que elevam o lirismo amoroso germânico a alturas sugestivas. Paralelamente é elaborada a literatura épica germânica de caráter cortês, com o “Persival” de Wolfram von Eschenbach, ou de caráter popular e amplitude nacional como o “Canto dos Nibelungen”. Esta tradição épica popular é acentuadamente trágica.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 34/37.

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3 comentários:

✿ chica disse...

Aprendendo a cada postagem...São coias que nas escolas apenas "passamos por cima" e agora, com calma, podemos ler... abração,chica

Sandra Botelho disse...

Poxa , mas isso aqui é um banho de conhecimento. Muito bom mesmo.
Bjos achocolatados

Maria disse...

Chegar aqui é ter a certeza de uma lição de cultura. Excelente trabalho!
Beijinhos
Maria

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