quarta-feira, 7 de setembro de 2011



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA MUÇULMANA

Se os domínios culturais até aqui apresentados definem-se quanto ao isolamento cultural por condições naturais, inerentes a definidas condições geográficas, o Islã encontrou barreiras sociais advindas de seu complexo moral religioso.

Sua literatura nasce, praticamente, com o Alcorão, síntese em prosa rimada da ciência, direito, sabedoria, história e teologia muçulmanos. Esta obra religiosa, que compreende 114 capítulos ou surates, transcreve, através do profeta Maomé, a palavra eterna de Alá. Por ocasião da morte de Maomé apenas alguns fragmentos estavam configurados por escrito e o primeiro sucessor, Abu-Bakr, temendo perdas ou deformações, realizou sua transcrição da tradição oral e sua composição por ordem decrescente de surates. Sua influência é exercida como fonte de inspiração oculta dos povos convertidos ao Islã, pois, a influência diretamente determinável seria sacrílego porque o Alcorão é “inimitável”.

POESIA ÁRABE

O florescimento máximo da poesia árabe coincide com a expansão e domínio muçulmano (do século VIII ao XIII) e sua decadência com a invasão de Bagdá pelos otomanos em 1258. Esta poesia é eminentemente uma poesia de rudes e nostálgicos condutores de camelos pelos desertos, sendo temas constantes as doçuras da vida, simbolizadas pela água e pelos verdejantes oásis, o amor e a morte solitária.

Poetas e prosadores muçulmanos são, em sua maioria, inacessíveis ao mundo não-árabe. No entanto, duas obras alcançaram o mundo ocidental: o Romance de Antar e As Mil e Uma Noites.

O Romance de Antar foi, provavelmente, compilado pelo filósofo Açma'i (740-828). Este primeiro texto tinha certa organização lógica, mas, a atual forma de novela de cavalaria foi-se constituindo através de acréscimos e revisões posteriores. Trata-se de um ciclo de lendas ao redor da vida de um poeta, Antar, pré islamita.

As Mil e Uma Noites são uma súmula mais importante de temas encadeados em torno de Chahrazâd, heroína cuja história remonta a uma origem hindu. Três contribuições podem ser distinguidas: um primeiro texto iraniano (século IX), outro composto em Bagdá (século X), e um final no Cairo (século XII).

Uma revisão e redação definitiva datam do século XIV e sua vulgarização no Ocidente data do século XVIII por intermédio da versão reduzida por Antoine Galland.

Modernamente, devem ser citados Nasif Al-Yasidji (1800-1871), Ahmed Chawqui Bey (1868-1932) e Aboulquasin Al-Chabbi (1909-1934). Não há no mundo muçulmano um pensamento cultural que não esteja interiormente circunscrito e incapaz de atingir nível internacional e a influência ocidental é exercida diretamente até na adoção de línguas estrangeiras para expressão literária.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 21/22.

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3 comentários:

✿ chica disse...

Desses apenas lembro da Mil e Uma Noites. Aprendendo sempre aqui! abraços, lindo feriadinho,chica

Graça disse...

Olá, meu querido Furtado!

andei sumida...rs...
na blogagem anterior, eu desejaria muito comentar um pouco mais, porém nem sempre tudo sai como queremos, não é mesmo? Tive que realizar uns exames, a saúde não estava boa, e as visitas a amigos queridos ficaram a desejar.
Hoje, lembrei que às quartas-feiras tem novidade por aqui, e vim conferir.
É realmente "fantástica" a Literatura Muçulmana! que maravilha!
Fiquei a imaginar com meus Botões...já pensou quanta riqueza escondida deve existir nas outras produções (excetuando as duas que conhecemos, claro)? Mas por que será que não há traduções para essa quantidade de obras???
Bom, enfim, talvez nem haja respostas mesmo!
Meu querido, eu amei de amar! Foi muito bom ter vindo!
E se acaso eu me demorar para aparecer, por favor me avise ou lembre, pois não quero perder absolutamente nenhuma das suas postagens. Vou inclusive deixar um lembrete na geladeira, nos espelhos, no PC...que tal?rs
Um forte abraço para ti,nobre colega. Esteja com Deus, sempre!

Pablo & Florbela disse...

O tempo é algo que não volta atrás.
Por isso plante seu jardim e decore sua alma,
Ao invés de esperar que alguém lhe traga flores ...
William Shakespeare

Uma semana de paz e alegrias....M@ria

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