quarta-feira, 8 de julho de 2015

Literatura Portuguesa - Parte 27.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA PORTUGUESA – PARTE 27
 
Deu-se o contrário com Guera Junqueiro, um poeta muito menos profundo do que Antero, superficial mesmo, mas um poeta verdadeiramente popular.
 
Abílio Guerra Junqueiro nasceu em 1850 e morreu em 1923. Publicou seu primeiro livro de poesias em 1874, A Morte de D. João, seguido depois por Musa em Férias (1879), A Velhice do Padre Eterno (1885), Finis Patriae (1890), Os Simples (1892), Oração ao Pão (1902), Oração à Luz (1903), Prosas Dispersas (1920).
 
Pode-se dizer que existem dois poetas em Guerra Junqueiro: o lírico (Os Simples, por exemplo) e o panfletário satírico (A Velhice do Padre Eterno, por exemplo), e é difícil dizer qual deles é o maior. Como lírico, Guerra Junqueiro é realmente admirável, tanto pela ideia quanto pela forma, mas a poesia lírica é, sem dúvida, uma poesia vazia, sem interesse social. Por outro lado, na sua poesia panfletária satírica, Guerra Junqueiro é rude e até mesmo vulgar. Aliás, essa distinção que fizemos não é absoluta porque num mesmo livro temos exemplos admiráveis de lirismo e de sarcasmo. Veja-se, como prova, dois exemplos retirados da Velhice do Padre Eterno:
 
Primeiro exemplo?

Minha mãe, minha mãe! Ai que saudade imensa
Do tempo em que ajoelhava, orando, ao pé de ti.
Caia mansa a noite, e as andorinhas aos pares
Cruzavam-se voando em torno dos seus lares.
Suspensos do beiral da casa onde eu nasci.
Era a hora em que já sobre o feno das eiras
Dormia quieto e manso o impávido lebréu.
Vinham-nos das montanhas as canções das ceifeiras,
Como a alma de um justo ia em triunfo ao céu!...
E, mãos postas ao pé do altar do teu regaço,
Vendo a Lua subir, muda, alumiando o espaço,
Eu balbuciava a minha infantil oração,
Pedindo a Deus que está no azul do firmamento
Que mandasse um alívio a cada sofrimento,
Que mandasse uma estrela a cada escuridão.

Ob: Com relação as informações históricas e geográficas contidas neste post, favor considerar a época da edição do livro/fonte. 

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7.

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10 comentários:

Carmen Lúcia.Prazer de Escrever disse...

Adorei ler.
Bjs Rosemildo.
Carmen Lúcia.

Maria Teresa Valente disse...

Olá Furtado, muito lindo o lado lírico de Guerra Junqueiro,
que belo poema à mãe que lhe passou os valores essenciais da
vida: a oração.
Amei conhecer mais um tantinho da Literatura Portuguesa,
agradeço, abraços carinhosos
Maria Teresa

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Gosto muito, desse poeta, desse poema!
É sempre tão bom, vir aqui, "saborear" Literatura Portuguesa!
Deixo meu abraço, Furtado, extensivo à sua família...

Lina-solopoesie disse...

Caro Rosemildo
Io trovo davvero molto toccante questa preghiera Portoghese di questo grande poeta. In fondo la filosofia è come la religione: conforta sempre anche quando è disperata, perché nasce dal bisogno di superare ogni tormento . Ciao Lina

CÉU disse...

Olá, Rosemildo!

Como vai?

Fiquei rindo sem parar a propósito de suas palavras em meu blog, acerca dos meus olhos, k considera "devoradores". "Pobrezinhos", tão sossegadinhos!

Já li esse post, e não estou de acordo com algumas das afirmações, aqui referidas, mas depois explico porquê, qdo comentar.

Boa sexta-feira.

Beijos para você e família.

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Gostei deste artigo sobre o Guerra Junqueiro.
Um abraço e bom fim de semana.

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Gostei deste artigo sobre o Guerra Junqueiro.
Um abraço e bom fim de semana.

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Gostei deste artigo sobre o Guerra Junqueiro.
Um abraço e bom fim de semana.

Reflexos Espelhando Espalhando Amig disse...

Bom dia!
Adorei a postagem.
Aguardo você la no
Espelhando para a nossa comemoração
de 5 anos de vida do blog.
Bjins
CatiahoAlc.

CÉU disse...

Olá, Rosemildo!

No anterior post, você falou de Antero de Quental. Devido a diversos fatores, acrescento eu, nomeadamente sua morte precoce, não teve tempo para mostrar seu valor literário, k foi enorme.

Qto a Guerra Junqueiro, que foi um monte de coisas, desde escritor a diplomata, morreu aos 72 anos, teve uma infância feliz, normal, e passou sua vida dizendo mal da igreja e do clero, em geral.
Como você escreveu e mto bem, Guerra Junqueiro foi rude e até mesmo vulgar. Não teve brilho literário, em minha opinião.

Dias felizes.
Beijos pra você e família.

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