quarta-feira, 3 de junho de 2015

Literatura Portuguesa - Parte 22.

 

HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA PORTUGUESA – PARTE 22
 
E – O século XIX
 
Se o século XVIII caracterizou-se pelo aparecimento das escolas literárias, podemos dizer que o XIX se caracteriza pelo florescimento delas: Romantismo, Realismo Naturalismo, Parnasianismo.
 
Romantismo: A escola romântica surge na literatura como uma reação contra a escola clássica, ao excessivo formalismo, ao apego às regras que tolhiam completamente o escritor, encerrando-o numa verdadeira prisão quanto ao tema e quanto à forma. A revolução romântica foi total. Para começar, os temas clássicos foram abandonados e os escritores românticos passaram a buscar inspiração nos fatos locais, na história do país, no folclore, na vida de todo dia. Além disso, puseram de lado a linguagem hermética dos grandes clássicos e os floreios literários, para passarem a expressar-se numa linguagem comum, acessível ao grande público, a que, agora, a maior parte dos leitores pertenciam.
 
O introdutor oficial do romantismo em Portugal, que já era entrevisto nas obras dos últimos árcades e, especialmente, nos trabalhos de Bocage, foi Garrett, que se deixou influenciar pelas ideias que grassavam, na época, na Inglaterra e na França, países em que ele viveu durante algum tempo como exilado político.
 
Sua primeira obra – o primeiro escrito romântico da literatura portuguesa – foi um poema em versos brancos: Camões (1825), onde o autor faz uma biografia um tanto romanceada do grande poeta português . Sua segunda obra foi outro poema – D. Branca – onde o jovem Garrett narra os amores de uma cristã (D. Branca com um chefe muçulmano. Todavia, não foram esses poemas que revelaram o grande valor poético do moço Garrett, mas um livro escrito bastante mais tarde, uma obra já da maturidade: Folhas Caídas, onde o poeta canta o seu amor por D. Rosa de Montofar, uma grande dama da época.
 
Mas Garrett não foi apenas poeta porque também se dedicou ao teatro e ao romance. No campo do teatro, Garrett não foi simples autor, mas também o organizador do moderno teatro português, incumbência que lhe foi entregue pelo governo liberal da época. Escreveu, entre outas, as peças Um Auto de Gil Vicente, em que relata a magnificência da corte de D. Manuel, o Venturoso, e Frei Luís de Sousa, uma das maiores peças românticas portuguesas, em que Garrett dá rédeas à sua imaginação, abandona o verso pela prosa, e faz análises psicológicas. Repare, o leitor, na escolha de temas nacionalistas, no abandono do verso, que tolhe e deturpa o pensamento, e no intimismo das análises psicológicas, características do romantismo.
 
No campo do romance, Garrett escreveu O Arco de Santana e Viagens na Minha Terra, romance este último em que existe uma notável crítica social e política (na época, Garrett já estava às turras com o novo governo) e onde se pode reconhecer intenções simbólicas.
 
João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett nasceu no Porto, em 1799, e morreu em 1854.
 
Obs: Com relação as informações históricas e geográficas contidas neste post, favor considerar a época da edição do livro/fonte.
 
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7. 

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6 comentários:

Carmen Lúcia.Prazer de Escrever disse...

Ensinamentos sempre compartilhados com perfeição.
Bjs Rosemildo.
Carmen Lúcia.

CÉU disse...

Olá, Rosemildo!

Uma passada por aqui, apenas para que você "não" me marque "falta de presença" (risossssssssss).

Voltarei, depois, se Deus quiser!

Beijos para todos vocês.

Elvira Carvalho disse...

Reli este ano o "Frei Luís de Sousa". Mas o meu favorito é mesmo "As viagens na minha terra"
Um abraço e bom fim de semana

Lina-solopoesie disse...

Si vede che la cultura non ti manca perchè sei bravissimo . Scritta bene come la scrivi tu rende piacevole la lettura .
Ti auguro una felice domenica Lina

CÉU disse...

Olá, Rosemildo!

Pronto, pronto, já estou chegando!

Se o século XVIII foi marcado pelo racionalismo, objetividade e pelo iluminismo, o século seguinte, portanto XIX, foi precisamente o contrário. Se passou a ver a sociedade por um prisma de subjetividade e de mto idealismo, aparecendo assim, e em força, o Romantismo.

O Romantismo foi um movimento, uma atitude política, artística e filosófica, em que o EU tinha lugar primordial.
Os escritores começaram a falar de seus sentimentos amorosos, de suas amadas, de seus desgostos de amor e da saudade k delas sentiam, qdo estavam longe das mesmas.

O ROMANTISMO É A ARTE DO SONHO E DA FANTASIA.

O Romantismo em Portugal teve como alicerce a publicação de um poema de nome "Camões" escrito por Almeida Garrett, k se encontrava exilado em Inglaterra, por motivos políticos.
Neste século, XIX, ocorreram as Revoluções Liberais por toda a Europa. Em Portugal, ela teve lugar em 1820, que acelerou a Independência do Brasil, em 07 de setembro de 1822, com o célebre "Grito do Ipiranga", tendo como Imperador o rei D. Pedro IV de Portugal, Pedro I no Brasil. Bem, e já estou saindo do tema.

Voltando a Garrett, ele foi, de facto, o percursor do Romantismo em Portugal. Escreveu várias obras, prosa, teatro e poesia, mas talvez a mais célebre foi "Viagens na Minha Terra", onde se narra uma história de amor lindíssima.

Não vou acrescentar mais nada, porque você já escreveu em seu post, e muito bem, a obra deste escritor, e repetir pra encher comentário, não faz nada meu género.

Tenha um bom domingo e uma melhor semana.

Beijos para todos vocês.

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Um excelente trabalho amigo Rosemildo, sobre esse escritor esquecido que Almeida Garrett.
Um abraço.

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