quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Literatura portuguesa - Parte 05.

Dona Urraca
 

HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA PORTUGUESA – PARTE 5 

No século XI, a figura central da resistência cristã contra a invasão muçulmana foi, sem dúvida, o Rei Afonso VI de Leão, e, mais tarde, também de Castela, que liderava as forças da península e também aquelas que haviam ocorrido de vários pontos da Europa, numa espécie de cruzada contra os sarracenos.
 
Entre os cavaleiros que ocorreram em defesa da fé cristã, estavam dois primos, ambos príncipes da Casa de Borgonha: Henrique e Raimundo, que se casaram com duas das filhas de Afonso VI, Raimundo com Infanta D. Urraca, primogênita do rei, e Henrique com D. Teresa, filha bastarda do rei com uma dama da côrte. Em virtude desses casamentos, mas especialmente por causa dos serviços prestados à Coroa nas lutas contra os sarracenos, Afonso VI entregou aos mencionados príncipes o governo de duas províncias, ou condados, da parte ocidental-norte da península. A Raimundo coube o Condado da Galícia, mais ou menos correspondente à atual região espanhola de mesmo nome, ao passo que a Henrique foi entregue o Condado Portucalense (da denominação latina Portus Cale, ou Portucale, uma espécie de posto aduaneiro e militar que existira outrora às margens do Douro), que se estendia mais ou menos do Rio Minho ao Rio Vouga.
 
Até então, Afonso VI, de Leão e Castela, só havia tido descendência do sexo feminino, de tal modo que o herdeiro natural do seu trono deveria ser o Conde Raimundo de Galícia, casado, como dissemos, com a primogênita do rei, a Infanta D. Urraca. Todos assim o consideravam, nobres, clero e povo, inclusive o seu primo, o Conde Henrique do Condado Pertucalense. E também o próprio Afonso, que fazia sua filha referendar todos os papeis mais importantes do reino.
 
Foi então que Afonso teve de uma nova mulher – esposa legítima na opinião de alguns historiadores, simples concubina, segundo outros – chamada Zaída, filha de Ibn Abad, Rei de Sevilha, um herdeiro varão: o Infante D. Sancho. Tivesse ou não havido casamento entre Afonso e Zaída – e parece que houve mesmo, mais tarde, depois da conversão dela ao cristianismo – esse fato da ligação entre os dois é interessante porque dá testemunho da existência de relações amistosas entre os dois bandos em luta na Península Ibérica: cristãos e muçulmanos. Parece, até, que eram comuns essas ligações; apesar da Guerra Santa dos maometanos contra os “infiéis” e das cruzadas destes contra aqueles, frequentemente chefes cristãos se associavam aos sarracenos, da mesma forma que estes àqueles, ignorando completamente as suas diferenças religiosas, ao saber dos seus interesses momentâneos. De fato, o próprio Cid, de Vivar, quando caiu em desgraça, não teve pejo de se por a serviço dos mouros e de atacar os domínios do Rei de Aragão; o Conde Carrião serviu ao filho de Almanzor, e o próprio Tancredo, o cruzado, não teve escrúpulos em lutar contra Balduíno, aliando-se ao Emir de Alepo.
 
Obs: Com relação as informações históricas e geográficas contidas neste post, favor considerar a época da edição do livro/fonte. 
 
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7. 

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2 comentários:

Lina-solopoesie disse...

Caro Rosemildo
C'è veramente tanto da imparare da te ! La letteratura postmoderna come al solito è difficile individuare il punto esatto in cui cessa una stagione letteraria e se ne apre un'altra. bisogna riconoscere che il passato, non lo possiamo distruggere perché la sua distruzione porterebbe al silenzio,per non farlo dimenticare dobbiamo visitarlo con un pizzico con ironia in modo non troppo innocente .E tu sei bravissimo in questo .Ciaooo Lina

Maria Teresa Valente disse...

É bom conhecer a história, Furtado, assim percebemos que descendemos de encontros e desencontros, já há muito tempo, nada é tão certinho, como nunca fora antes. Somos humanos, não? a vida é uma eterna inconstância... Agradeço, abraços carinhosos
Maria Teresa

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