A conversão de S. Paulo. Miguel Ângelo
HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA PORTUGUESA – PARTE 20
LITERATURA PORTUGUESA – PARTE 20
D – O setecentismo
Se o século XVII foi em grande parte da Europa, um período em que se tem uma espécie de marasmo nas atividades literárias, o século XVIII, ao contrário, é o século do Iluminismo, o século das “luzes”, isto é, um período em que se testemunha uma febril atividade em todos os campos da cultura, especialmente no terreno das ciências. Essa agitação também se reflete no campo sociopolítico-econômico, e presenciamos aí, o início da chamada “revolução industrial” – da mesma forma que no século XV já havíamos presenciado a “revolução comercial” – e a ascensão definitiva da burguesia como classe dominante, ascensão essa que iria culminar na revolução Francesa.
Esse desenvolvimento geral da ciência e da técnica, bem como o aumento da riqueza e do bem-estar social que ocorreram no século XVIII tiveram influências marcadas nas atividades literárias, como não poderia deixar de ser: aperfeiçoamento das impressoras, que permitiu o barateamento (e a consequente maior difusão) do livro e o aparecimento dos jornais diários, e o aumento do público ledor, que começou a permitir, aos escritores, a fuga ao mecenato. De fato, até mais ou menos o século XVIII, praticamente nenhum escritor – e por que não dizer artista? – conseguia viver da sua pena, a não ser quando conseguia ser “protegido” por algum mecena, fosse ele o rei, algum nobre, ou simplesmente um burguês endinheirado. Foi o que aconteceu com Miguel Ângelo, por exemplo, ou com Luís de Camões. Esse estado de coisas começou a mudar a partir do século XVIII, e isso permitiu um notável aumento no número de escritores e uma maior independência para cada um deles.
Em Portugal, o século XVIII caracteriza-se por um particular incremento nas atividades culturais – fundação de escolas e de academias científicas – e, no campo da literatura, pelo aparecimento das “escolas literárias”, não só no sentido de estilo e características literárias, mas também no sentido de grupos de escritores que se filiam conscientemente a determinadas correntes literárias. Se quiséssemos usar uma terminologia marxista, diríamos que até o século XVIII as escolas literárias existiram como “escolas em si”, ao passo que dessa época em diante começaram a existir como “escolas para si”, isto é, tomaram consciência de que existiam como escolas literárias. A primeira escola ou corrente literária que surgiu, nesse sentido, em Portugal, foi a Arcádia.
Obs: Com relação as informações históricas e geográficas contidas neste post, favor considerar a época da edição do livro/fonte.
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7.
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