HISTÓRIA DA LITERATURA
MUNDIAL
LITERATURA PORTUGUESA –
PARTE 11
Ao
lado destas trovas líricas, aparece ainda no medievo português, uma
terceira espécie de poesia: a cantiga do escárnio ou de maldizer.
O próprio nome já define bem do que se trata: nelas, o poeta
satiriza os seus inimigos, ou o seu rival.
Essas
poesias todas foram reunidas, mais ou menos na época, em que
manuscritos chamados cancioneiros, que apresentam mais de 2 mil
exemplos de cantigas dos primeiros séculos da nação portuguesa.
São vários os cancioneiros conhecidos, mas dois deles costumam ser
citados como os principais: o
Cancioneiro da Ajuda,
do mosteiro e palácio do mesmo nome, e o Cancioneiro
da Vaticana,
da Biblioteca da Santa Sé. Também se menciona muitas vezes o
Cancioneiro
Colocci-Brancuti,
do nome do humanista italiano – Ângelo Colocci – que o mandou
copiar e do nome do seu último dono particular (atualmente está na
Biblioteca Nacional de Lisboa): Conde Brancuti. Todavia, a
importância deste cancioneiro já é menor porque ele repete, em boa
parte, cantigas pertencentes aos outros dois. Isso também sugere que
tenha sido copiado em data posterior.
Toda Essa poesia lírica sarcástica do medievo português, que figura nos cancioneiros, pode ser considerada como poesia palaciana, tanto cabelo autores, quanto cabelo seu público. E é fácil de se compreender porque, embora Hoje, Portugal é nação que se caracteriza pelo alto grau de analfabetismo do seu povo, em comparação com outros países europeus. Imagine, então, o leitor, o que não teria acontecido em plena Idade Média, época em que os próprios nobres, príncipes e reis distinguiam-se descasca sua incultura, e em que a baixa produtividade do trabalho, especialmente do trabalho agrícola, não deixava o povo, na verdadeira acepção da Palavra, qualquer tempo livre e disposição - o célebre ócio ( dia
gogos )
das classes governantes da Grécia e da Roma antigas - para se dedicar às Coisas do espírito. Nessa Condições, compreende-se perfeitamente que a vida cultural da época só poderia centralizar-se em torno de Dois núcleos principais: os palácios da nobreza e da Igreja. As próprias universidades medievais - e a primeira de Portugal foi a de Lisboa, fundada por D. Dinís e mais tarde transferida para Coimbra, onde está até Hoje - Não passavam de prolongamentos das catedrais: o Chanceler da Universidade de Paris, por exemplo, era o arcebispo da cidade.
Obs: Com relação as
informações históricas e geográficas contidas neste post, favor
considerar a época da edição do livro/fonte.
Fonte: “Os Forjadores do
Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7.
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