quarta-feira, 23 de julho de 2014

Literatura hispano-americana - Parte 01.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA HISPANO-AMERICANA – PARTE 1
ARGENTINA – I
 
A autonomia literária acompanha o processo de intensificação dos sentimentos nativistas. É uma constante a dependência dos estilos literários coloniais aos padrões fornecidos pela vida cultural metropolitana. Quando um escritor se destaca dentro do contexto realmente colonial e atinge com sua produção literária uma posição privilegiada além fronteiras, sempre o faz como expressão literária de mãe-pátria. Apenas o despertar do nativismo nos vários planos da atividade humana consegue informar o movimento literário de seu próprio país. Na Argentina o movimento nativista manifesta-se literariamente com certo adiantamento no século XVII com o poeta Luís de Tejeda y Gusmán (1604-1680).

A grande ampliação da literatura argentina ocorre com o real desenvolvimento da expressão nativista a partir da segunda metade do século XVIII, coincidindo com o movimento romântico. Representam-no, na poesia, Esteban Echeverría (1805-1851) e José Mármol (1817-1871). Echeverría, de fato, alcançou prestígio imenso nas terras do novo mundo hispânico com os versos de “La cautiva”, embora seu grande significado literário seja mantido pela prosa de seus contos, como “El matadero”, e de seus ensaios, dos quais merece destaque “Forma y fundo em las obras de imaginación”. Também o poeta Mármol teve sua grande realização na prosa e seu romance “Amalia” inaugura a novelística argentina. O grande poema argentino “Martín Fierro” surge com José Hernández (1834-1886) e constitui notável análise psicológica e social do gaúcho. Na prosa é necessário ressaltar a biografia romanceada escrita por Domingo Faustino Sarmiento (1811-1888) e intitulada “Fecundo”. Na prosa de Sarmiento está literariamente transcrita a Argentina da época de Rosa.
 
O fim do século XIX afirma a maturidade literária argentina tanto com a expressão poética de Leopoldo Lugones (1874-1938, Enrique Banchs (1888-1968), Baldomero Fernández Moreno (1886-1950) e Alfonsina Storni (1892-1938), como com a expressão em prosa de Horácio Quiroga (1879-1937), Ricardo Güiraldes (1886-1927), Eduardo Mallea (1903-1982) e Florêncio Sánchez (1875-1910).
 
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7.
 
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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Literatura Ocidental - Parte 95.

 

HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 95
LITERATURA ESPANHOLA – XII

Garcia Lorca é um dos maiores poéticos da Espanha e sua perfeição artística insere-se como produto superior na global tradição literária do que existe de mais sugestivo em seu país. Seu “Romancero Gitano” é justamente considerado pelo crítico Pedro Salinas como “el libro de poesía más sonado, más triunfal, del siglo XX” (in “Ensayos de Literatura Hispánica”). Além desta sua obra-prima da poesia mundial, o poeta assassinado pelas falanges nazi-fascistas espanholas escreveu “Canciones”,
“Poema del Cante Jondo” e “Poeta em Nueva York” e seus poemas sempre lhe revelam o admirável e surpreendente dom poético, expresso com originalidade e vigor lírico de profunda intensidade emocional. Seu estilo expressionista é centralizado na audaciosa ampliação metafórica que inscreve a realidade imediata num conjunto elemental e primitivo e com expressividade lírica extrema eleva-se à uma amplitude total de dimensões cósmicas. A ambientação romanesca de seus poemas combina-se vigorosamente à melodia verbal desesperada num autêntico sentido trágico. Sua poesia traz os aspectos líricos e dinâmicos que desenvolveria em sua notável dramaturgia, representada principalmente pelas obras-primas “Bodas de Sangre” e “Yerma”. O caráter artisticamente sugestivo e a expressão completamente nova de seu teatro poético provém das interações dos meios de exposição artística altamente diferenciados que elabora a partir das forças contraditórias da natureza e do sentido trágico que a morte traz à existência humana e que são reveladas pelo dramaturgo-poeta numa mágica realidade em movimentação eruptiva. Este artista completo e excepcional também ilustrava pessoalmente seus livros e compunha as músicas de seu teatro e, existencialmente, elevou-se ao heroísmo pelo martírio que como testemunha lucidamente ofereceu a libertação da humanidade.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7. 

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quarta-feira, 9 de julho de 2014

Literatura Ocidental - Parte 94.



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 94
LITERATURA ESPANHOLA – XI


Ramón del Valle Inclán destaca-se pela autoria de suas Sonatas: “Sonata del invierno”, “Sonata del otoño”, “Sonata de estio” e “Sonata de primavera”. O grande objetivo artístico de Valle Inclán é a criação de um conjunto literário capaz de despertar e intensificar o maior número possível de sensações; sua prosa é artisticamente trabalhada e o resultado é sua caracterização extremamente rítmica e sonora.

Gabriel Miró caracteriza-se também pelo estrato sonoro de sua prosa e pelos valores de imensa plasticidade que logra alcançar com seu estilo impressionista. Suas obras principais podem ser consideradas: “Anos y leguas”, “La novela de mi amigo”, “Las certezas del cementerio”, “Las figuras de la Pasión” e “El obispo leproso”.

Antonio Machado é o poeta modernista das interioridades, da poesia pura sem a eliminação do humano, das constantes impressões e reflexões retomadas. Sua obra reduz-se a “Soledades, galerías y outros poemas”, Campos de Castilla e “Nuevas Canciones”. Pertencente ao chamado “grupo de 98”, Machado é o mais significativo de seus poetas pela suavidade e intimismo que tão bem domina.

iciando-se também com o modernismo temos o grande poeta Juan Ramón Jiménez em seus livros”Arias tristes”, “Jardines lejanos” e “Elegías puras”. A seguir Jiménez domina novos ritmos e estiliza a poesia em seus aspectos sonoros e cromáticos a uma suavidade e intimismo notáveis, obtendo a posição de chefe espontâneo dos poetas de vanguarda. Seus ideais republicanos levaram-no a expatriar-se da Espanha que se inicia em 1936 com o explodir da guerra civil. A poesia da maturidade artística de Juan Ramón Jiménez pode ser representada por “Baladas de primavera”, “Poemas mágicos y dolientes”, “Diario de um poeta recién casado”, “Piedra y cielo”, “Poesia y Belleza”, “Sanción”, “La estación total con las canciones de la nueva luz” e “Animal de fondo”. Como prosador é notável em seu livro “Platero y yo”, uma das obras superiores da literatura dos nossos dias. 
 
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7. 

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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Literatura Ocidental - Parte 93.

 

HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 93
LITERATURA ESPANHOLA – X

Como autores contemporâneos e participantes do modernismo destacam-se os escritores Pio Baroja (1872-1956), Vicente Blasco Ibáñez (1867-1929), Ramón del Valle Inclán (1869-1936) e Gabriel Miró (1879-1930) e, como poetas modernistas, Antonio Machado (1875-1939) e os excelentes Juan Ramón Jiménez (1881-1957) e Federico Garcia Lorca (1898-1936). Esta é uma época socialmente trágica, não só por um continente abalado por duas guerras mundiais e por um entre-guerra angustiante, como diretamente dramático e limitado com a infelicidade do povo da Espanha em sua luta de dimensões heroicas na tentativa de implantar a liberdade, a justiça social e a dignidade humana. O seu desfecho trágico provocou na literatura realmente válida o reforço da busca e da interrogação, o pessimismo e o nihilismo desta geração aflita e da que se seguiu, caracterizada pelo silêncio imposto por um infamante terrorismo nazi-fascista que sobreviveu à luta mundial realizada em nome dos valores humanos fundamentais. 
   

Pio Baroja

Pio Baroja é um escritor caracterizado por liberalismo cético e mordaz, extremamente hábil na construção de situações paradoxais. Em sua produção em romances, destacam-se “La casa de Aizgorri”; “El mayorazgo de Labraz”; “Zalacaín el aventurero”; “Camino de perfección”; “Aventuras, inventos y mistificaciones de Silvestre Paradox”; "Paradox rey”; “La busca, Mala yerba e Aurora roja”; “Los últimos románticos”; “Las tragedias grotescas”; “La ciudad de la niebla”; “El aprendiz de conspirador” etc. Como contista, Pio Baroja escreveu “Vidas Sombrias” e “Idilios vascos”.

Blasco Ibánez é escritor realista dotado de grande capacidade artística ao descrever a realidade, seja em seus romances regionais, psicológicos ou de guerra. Romances regionalistas são “Arroz y Tartana”, “Flor de mayo”, “Cañas y barro” e, como obra maior neste gênero, “La Barraca. Dos romances psicológicos, o melhor é “Sangre y arena”; dos romances de guerra, são significativos “Mare nostrum” e “Los cuatro jinetes del Apocalipsis”, universalmente conhecido.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7. 

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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Literatura Ocidental - Parte 92.

 


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 92
LITERATURA ESPANHOLA – IX

Ortega y Gasset tem os notáveis estudos ”Meditaciones del Quijote”, “Espana invertebrada”, “El tema de nuestro tiempo”, “La deshumanización del arte” e “La rebelión de las masas”. Pode-se atribuir a Ortega y Gasset a influência predominante nos estudos hispânicos posteriores, ao lado de Azorín que permanece vivo na orientação geral das visões histórico-culturais. É necessário citar também os estudos de Ramón Menéndez Pidal (1869), no campo da História e da Filologia. 
  

Lucidez de crítica apresenta também o ensaísta, romancista e filósofo Miguel de Unamuno (1864-1936). Em sua variada produção literária podem ser apresentados: “Paz em la guerra” e “Tres novelas ejemplares y un prólogo” como romances; “El Cristo de Velásquez” e “Rosario de sonetos líricos” como representativos de sua poesia; e, em nível muitíssimo superior, seus ensaios como “En torno al casticismo”, “De la enseñanza superior em Espanha”, “Tres ensayos”, “Paisajens”, “Vida de Don Quijote y Sancho Panza”, Mi religión y otros ensayos”, “Soliloquios y conversaciones”, “Contra esto y aquello”, “El porvenir de España”, “Ensayos”, “La agonia del cristianismo” e sua obra-prima “Del sentimento trágico de la vida” etc. Unamuno simboliza modernamente o caráter da Espanha em crise pelos conflitos que vivencia entre a fé e a razão, pela ruptura entre pensamento e ação, pelas contradições entre cultura e civilização. A base fundamental de sua filosofia está inteiramente sustentada na defesa de cada pessoa humana como um fim em si mesma e por quem a civilização deve exercer uma responsabilidade concretamente individualizada. Unamuno insere-se na longa tradição que considera o homem como “un principio de unidad y un principio de continuidad” e que foi mantida viva por S. Paulo, S. Agostinho, Pascal e Kierkergaard. Como declarado acima, a defesa que compreende pelos fundamentais desejos de supervivência e afã de imortalidade dos seres concretamente reais e atuais caracterizados ainda pela essencial contradição, colocam-no como opositor do racionalismo e do cientificismo, bem como aproximam do existencialismo.
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7. 

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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Literatura Ocidental - Parte 91.



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 91
LITERATURA ESPANHOLA – VIII

A segunda metade do século XIX é também caracterizada, além do pós-romantismo de Béquer e outros, por uma orientação aproximada ao realismo, na qual devem ser apreciados: Fernán Caballero (1796-1877), Benito Pérez Galdós (1845-1920), Armando Palacio Valdés (1853-1938) e Marcelino Menéndez y Pelayo (1856-1912).

Fernán Caballero, pseudônimo de Cecilia Boehl de Fáber, inicia a novela realista e regionalista na Espanha com a publicação de “La Gaivota” em 1849. Há em Fernán Caballero os tons melodramáticos do romantismo e a cuidadosa observação da vida espanhola que justifica sua inclusão final no realismo literário. O maior romancista do século passado nas letras espanholas é Benito Péres Galdós, autor de “La fontana de oro”, “Gloria”, “Marianela”, “El amigo manso”, “Fortunata y Jacinta” e “Misericordia”. Galdós compôs dois ciclos de “episodios nacionales”, um centralizado no personagem imaginário Gabriel Araceli e outro no também imaginário Salvador Monsalud. Ainda na obra de Galdós é necessário citar sua produção teatral com as peças principais: “Realidad” e “Alma y vida”.

Palacio Valdés é o autor de “La hermana san Sulpicio” e também de alguns contos e artigos de crítica literária. Há em Valdés a influência de Dickens e Flaubert, mas, sua grande realização é a técnica de dialogação e a sutileza do humor. Menéndez y Pelayo é o grande crítico literário que inclui, além dos critérios propriamente literários, concepções estéticas e relacionamentos ao necessário desenvolvimento do povo. Em sua obra renovadora da crítica em seu país, destacam-se: “Historia de los heterodoxos españoles”, “Historia de las ideas estéticas em España”, “Orígenes de la novela”, “Estudios de crítica histórica y literaria”, “Poesia hispanoamericana”, “Antologia de poetas liricos españoles”.

A atualidade literária espanhola apresenta, inicialmente, José Martinez Ruíz Azorín (1874) e José Ortega y Gasset (1883-1956, ambos dedicados aos ensaios de interpretação da cultura hispânica. Azorín é o ensaísta de “Los pueblos” e de “Castilla”, o crítico litarário de “Clásicos y modernos”, “Al margem de los clásicos”, “Rivas y Larra” e “Los valores literarios”, e, ainda, o romancista de prosa poética em “Don Juan”, “Doña Inés” e “La voluntad”.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7. 

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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Literatura Ocidental - Parte 90.

 
 

HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 90
LITERATURA ESPANHOLA – VII

O século XVIII é, com exceção da agradável técnica do prosador Fr. Benito Jerónimo de Feijóo, (1676-1764), um período decadentista dominado pelo academicismo e pela nostalgia das passadas grandezas. Feijóo é excelente ensaísta por seu estilo claro e simples que flui com vivacidade e exatidão sejam referentes à Estética, à Filologia ou à Literatura.

O século XIX anuncia o revigoramento literário com a introdução do romantismo na Espanha e o aparecimento de seus melhores representantes: José de Espronceda (1808-1842), Gustavo Adolfo Béquer (1836-1870) e Mariano José de Larra (1809-1837).


Espronceda é o maior dos românticos espanhóis pela rebeldia e ousadias revolucionárias, seja na política, seja na literatura: apresenta pela primeira vez em seu país a sátira realmente violenta e o faz em defesa da liberdade. Seus poemas incluem os aspectos contraditórios da rebeldia romântica, como pessimismo, satanismo, desespero e amargura, exaltações e celebrações báquicas. A obra poética de Espronceda inclui dois longos poemas:”El diablo mundo” e, de maneira muito especial, “El estudiante de Salamanca”.

Como prosador a grande figura do primeiro momento romântico espanhol é Mariano José de Larra, excelente na sátira política e também na dimensão trágica do pessimismo de “El dia de difuntos de 1836”. A prosa de Larra é suficientemente expressiva para justificar-lhe o prestígio de grande articulista de costumes e de apreciações literárias.

Béquer pertence a geração romântica em seu segundo momento hispânico e nela assume a posição central entre os poetas, ao mesmo tempo em que assinala o definitivo reforço de uma direção que será frequente na literatura moderna de seu país: a predominância da inquietude, do desespero e da revolta como constantes na criação literária de maior fecundidade. Béquer destaca-se pela autoria de “Leyendas y fantasias”, de extraordinária plasticidade estilística e que reformulam em prosa autenticamente poética as antigas tradições populares, mas a glória de Gustavo Adolfo Béquer reside em “Las rimas”, coleção de poemas informados pelas temáticas tanto da essência da poesia e natureza do poeta, como das frustrações amorosas, das dores causadas pelas desilusões e da invocação da morte.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7.

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