quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Literatura Ocidental - Parte 70.




HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 70

LITERATURA ITALIANA – XII


Atualidade literária italiana


A imprensa periódica de crítica representou importante função na divulgação do pensamento modernista. A primeira revista de renovação literária foi “Leonardo” (1903-1907), orientada por Giovani Papini (1881-1956) e Giuseppe Prezzolini (1882-1982) e que se caracterizou pelo predomínio do pensamento filosófico. ”Leonardo” foi basicamente um órgão de combate ao positivismo, ao verismo literário, ao materialismo e ao “coletivismo” democrático. Os dois representantes máximos de “Leonardo” unem-se, em 1908, a Ardengo Soffici para fundar nova revista, “Voce” 1908-1914. “Voce” trazia as mesmas preocupações políticas e doutrinárias que a anterior, porém, contribuiu mais para a divulgação dos movimentos renovadores da cultura europeia e, sob influência de Robertis, adquiriu caráter mais literário.


A poesia tende a restringir-se aos grupos restritos e “iniciados” em arte; há grande predomínio do hermetismo e da poesia “pura”. Em 1909, aparece no “Figaro” parisiense um manifesto revolucionário assinado por Marinetti (1876-1942) e que apresentava os pontos essenciais do que seria denominado futurismo: idealismo, exagerado e romântico, alogismo revelado por recursos técnicos, sintaxe desintegrada, excesso de onomatopeias, exaltação da violência, culto ao militarismo, desprezo à mulher. Artisticamente relacionado ao dadaísmo, ao cubismo, ao vorticismo e ao surrealismo, o movimento de Marinetti, sob o ponto de vista ideológico, precedeu à suprema forma de desespero direitista que se conhece sob a designação de nazi-fascismo. A grande revista de propaganda do futurismo foi “Lacerba” (1913-1915), órgão máximo do pretenso “lirismo puro”. O modernismo será, posteriormente, defendido e divulgado por ”Ronda”, órgão que procura o equilíbrio entre as novas orientações e a tradição leopardiana, bem como o abandono do provincialismo por um espírito mais cosmopolita. 
 

A reação ao futurismo é, inicialmente, desenvolvida por uma revista também de inspiração fascista, “II Selvaggio” (1924) que se propunha a substituir o “stracità” pelo “strapaese”, ou seja, os decadentismos hiperurbanos pelo retorno ao verdadeiro gênio italiano de raízes greco-latinas e centralizado no trinômio clássico do belo, do bom e do verdadeiro...


Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7. 

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Arte & Emoções

Meus queridos amigos.

Depois de um breve descanso, estamos voltando para esse maravilhoso convívio que o mundo virtual nos propicia para dar continuidade ao trabalho que iniciamos há cinco anos atrás, e que, com a graça de DEUS, a compreensão e, principalmente, a colaboração de todos vocês, mantemos até hoje.

Agradeço de coração a atenção e a consideração de todos, prometendo continuar ofertando o melhor possível, não só das baboseiras que escrevo, mas também das obras de terceiros que costumo publicar, assim como retribuir as honrosas visitas e os amáveis comentários de todos que por aqui passaram.

Beijos para todos.

QUE DEUS SEJA LOUVADO!

Rosemildo Sales Furtado

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Boas Festas.

 

BOAS FESTAS

Bondade excessiva em nossos corações,
Ordenados somente ao bem querer,
Amarmos sempre ao nosso próximo,
Sentimentos que todos devemos ter.

Feliz Natal é o que desejo para todos
E um Ano Novo melhor que os demais,
São os meus dedicados e humildes votos.
Torcendo para que além de muita paz,
Alegria e amor, tenham alimentos fartos,
Saúde e felicidade, que a todos apraz.

Meus queridos amigos!

Mais um Natal chegando e mais um ano se findando, e como sempre, mantenho a esperança do dever cumprido neste 2013. tentei de todas as formas agradar, tanto com o que postei de terceiros, quanto com as baboseiras que escrevi.

Hoje darei início a uma pausa para descansar um pouco, concatenar as ideias, analisar os erros e os acertos e dar uma arrumadinha no nosso humilde espaço, prometendo, com a graça de “DEUS”, retornar em janeiro para dar continuidade às atividades, inclusive, retribuindo às honrosas visitas, pois quem visita, quer ser visitado.

Aproveito a oportunidade para apresentar as minhas desculpas àqueles que, de alguma forma, não agradei com o meu trabalho, e agradecer a todos indistintamente, amigos(as) e seguidores(as), pelo carinho, compreensão e, principalmente, pelo grande apoio que é importantíssimo neste mundo virtual, com a esperança de no próximo 2014, continuar sendo merecedor dessas ímpares e valiosas companhias. Muito obrigado de coração.

“QUE 'DEUS' SEJA LOUVADO”

Rosemildo Sales Furtado
Literatura & Companhia Ilimitada

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Literatura Ocidental - Parte 69.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 69
LITERATURA ITALIANA – XI

O verismo

O naturalismo europeu assume na Itália a forma do verismo, (anunciada por Carducci, Pascoli, d'Annunzio) estabelecida no final do século XIX sob a orientação predominante de Giovanni Verga (1840-1922) e influência do escritor francês E. Zola. Esta tendência literária interessa-se, de preferência, pela focalização do proletariado tal como o permitem os novos conhecimentos das ciências naturais, do progresso dos estudos sociais e do ideal do nascente socialismo.

Giovanni Verga, inicialmente romancista de inspiração romântica, teve sua cosmovisão e, portanto, sua expressão literária amadurecida ao estabelecer contato com a miséria campesina e proletária de sua terra natal, a Sicília. Nos romances que então escreve,”I Malavoglia” e “Mastro don Gesualdo”, apresenta magistralmente a miséria e o desespero que surgem da injustiça social e explodem nas lutas de classes. 
Luigi Capuana
 
Preocupação realista mais profunda e melhor determinada é encontrada nos romances “Giacinta” e “Marchese di Roccaverdina” do verista Luigi Capuana (1839-1911), verdadeiros documentos cientificamente elaborados da realidade humana como estrutura pela estruturação social. É notável a análise psicológica de Capuana.

O realismo psicológico é também o sentido que assumem as obras de Antonio Fogazzaro (1842-1911), autor de “Piccolo Mondo Antico” e “Leila”. Hábil é Fogazzaro no manejo da ironia e no emprego do dialeto; deficiente o é na estruturação de suas composições que frequentemente não chegam a encontrar síntese artística. Em seus romances observa-se a configuração dos dramas íntimos a partir das especiais circunstâncias externas, ou seja, da situação composta pelos elementos políticos, históricos, sociais e espirituais.
 
Literatura italiana contemporânea

O verismo é encerrado e a idade contemporânea iniciada sob a visão crítica de Benedetto Croce (1866-1952), filósofo, historiador e teórico da estética. Sua teoria e aplicações em análises estão contidas no tratado “L'Estetica” nos seis volumes da “Letteratura della nuova Italia”, em ensaios e artigos como o que desenvolve o tema “Poesia e non Poesia”, e também na revista “La Crítica” e nos “Quaderni della Critica”. Colocando o problema estético como inseparável dos demais problemas filosóficos, Croce assinala a necessidade de que a arte seja simultaneamente individual e cósmica, bem como defende a sua absoluta autonomia. Consequência de sua conceituação da estética são, entre outras, o abandono do normativo, do estetizante e do erudito como categorias de crítica, a condenação das categorias tradicionais, o intuicionismo puro, a exposição da obra de arte e a atribuição de um julgamento crítico que apenas poderá ser um juizo de existência. 
 
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7.

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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Literatura Ocidental -- Parte 68.

 

HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 68
LITERATURA ITALIANA – X

Seu autêntico sistema está centralizado no irremediável da infelicidade existencial humana e no antitético fato de que a verdade é essencial ao homem e, ao mesmo tempo, fator que aprofunda-lhe a realidade dolorosa da vida. Para G. Leopardi o poeta é espectador marginalizado em sua atividade artística e a vida um angustiante suceder de acontecimentos absurdos pela dor que a eles é inerente. Nas meditações poéticas deste combatente fatigado e desiludido apenas a juventude retorna como breve momento feliz da existência, mas, a reflexão revela que, afinal, este rápido avistar de realização pessoal é extremamente ilusório de modo que as ilusões descobertas vêm ampliar as dimensões da constatação, alcançada na idade posterior, do aspecto lúdico e mecânico da vida.
 Giacomo Leopardi
Observa-se, nos poemas e nos textos em prosa deste magnífico cantor, que este pessimismo não se restringe ao caráter pessoal, mas é transposto a outros níveis e explode à solenidade e amplitude de um fenômeno caracterizador da realidade cósmica.

Em sua produção múltipla e variada pode ser indicado como dignos de consideração.

a) os escritos satíricos: “I nuovi credenti”, “Plinodia al marchese Gino Capponi” e, especialmente no gênero, “Paralipomeni della Batracomiomachia”;
b) as tragédias: “II Pompeo in Egitto” e “La virtù indiana”;
c) textos filosófico-doutrinários: “Bruto minore”;
d) críticas e meditações: “Zilbadone” e os “Pensieri”;
e) no gênero de exposição-manifesto: a parte introdutória denominada “Historia del genero humano”;
f) como realização máxima de seu lirismo: “A Silvia”; “Le ricordanze”; “II passero solitario”; mas, como significativos por excelência de seu pensamento, “Canti” e “Operette morali”. 
 
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, página 118. 

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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Literatura Ocidental - Parte 67.



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 67

LITERATURA ITALIANA -- IX


Giovanni Pascoli é também precursor do Verismo, como o será d'Annunzio. Pascoli escreveu seus melhores versos em “Poemetti”, “Myricae”, “Nuovi Poemetti” e “Canti di Castelvecchio”. Seus temas são rústicos: a terra, a vida campesina, os seres humildes, a fraternidade e a solidariedade universal. Sua religiosidade é serena sem manchar-se de conformismo e suas ressonâncias cósmicas aproximam-se de São Francisco de Assis. Gabriele d'Annunzio apresenta em sua temática inicial a trilogia natureza-mulher-amor, como em “PrimoVere” e em “L'Isotteo e la Chimera”, e, gradativamente enriquece-a num sentido renascentista que introduz em seus poemas o vigor e o panteísmo do passado greco-latino anterior ao cristianismo. Em sua obra-prima, inacabada, “Laudi del cielo, del mare, della terra e deglieroi...”, é um vasto quadro poético e idealizado do homem greco-latino-renascentista predominantemente de origem italiana. Os “laudi” merecem atenção também em seu sentido de mito-revivido e no impressionismo de seus conjuntos imagísticos. Gabriele d'Annunzio é romancista importante graças a “II fuoco”, “II Piacere” e “II Trionfo della morte” e dramaturgo renovador com “La figlia di Jorio”, tragédia pastoril integrante do verismo provincial de notável observação das paixões e superstições dos Abruzzos, e com “Francesca da Rimini”, de interesse linguístico e paisagístico pela reconstituição do medieval.

Gabriele d'Annunzio


Encerremos o romantismo italiano com a apresentação do poeta Giacomo Leopardi (1798-1837), reconhecido pela posteridade como a mais típica e completa expressão deste movimento literário em terras da Itália. Paradoxalmente, a vida de Leopardi foi um combate declarado ao romantismo, enquanto sua obra justifica o merecido título de maior gênio romântico em seu país. Na realidade, Giacomo Leopardi é simultaneamente classicista pela seriedade com que estudou e interiorizou os textos da cultura greco-latina e que revela na extrema perfeição formal com que são construídos seus poemas. Há em Leopardi, ainda, o fato extraordinário de sua visão ser determinada por fatores existenciais organizados coerente e sistematicamente num conjunto que se destaca pela presença do orgânico e do concreto. Leopardi inaugura a característica que marcará a Itália do século XX: o ceticismo pessimista e desesperado. 

Fonte:"Os Forjadores do Mundo Moderno", Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, página 117. 




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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Literatura Ocidental - Parte 66.



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 66

LITERATURA ITALIANA -- VIII


Autor plenamente romântico é Alexandro Manzoni (1789-1873), autor de “I Promessi Sposi” com o qual alcança o momento máximo de criação poética, obtendo uma serena síntese entre o real e o ideal. “I Promessi Sposi” é uma apresentação histórica da Lombardia no século XVII. Notável é em Manzoni o refinamento com que maneja a ironia e a comicidade e essencial é a sinceridade de seu cristianismo católico em que a Providência é concebida como suprema manifestação da justiça. Seus princípios religiosos aparecem poematicamente em “Inni Sacri” e sob forma de tratado em prosa no “Morale cattolica”. Como dramaturgo revela a atração pelos temas nacionais em reconstruções históricas, como demonstram as peças “II Conte di Carmagnola” e “Adelchi”, além de sua obra-prima já citada, ”I Promessi Sposi”. Como teórico do romantismo escreveu duas cartas, uma a C. d'Azeglio e outra a M. Chauvet, bem como o prefácio a “II Conte di Carmagnola” e o discurso “Del romanzo storico”.
Silvio Pellico


Romântico marcado pelo desespero profundo é Silvio Pellico (1789-1854), autor de “Le mie prigioni” de aceitação ampla na atualidade. Pellico representa a orientação religiosa do romantismo na Itália. Outro discípulo de Manzoni, Giovanni Preti (1815-1884) já não pode ser considerado mais que versificador de algum talento pelo excesso de verbalismo e redundância de seus poemas. Seus melhores momentos de realização artística podem ser localizados em suas “Ballate” e em “Edmenegarda”. Autores da segunda fase do romantismo são Giosuè Carducci (1835-1907), Giovanni Pascoli (1855-1912) e Gabriele d'Annunzio (1863-1938).


Carducci tem seus poemas reunidos em “Rime”, “Rime Nuove” e “Odi barbare”. Tecnicamente distingue-se pelo esforço realizado para uma hábil distribuição dos acentos de intensidade e a tentativa de recuperação da perfeição clássica, em oposição à sentimentalidade excessiva e à violência verbal que começam a marcar o decadentismo romântico em sua época. Carducci, pelo mesmo motivo, evita o exotismo e a exploração do colorido para apresentar a natureza em sua beleza e força naturais. Aparentemente de sua maneira contraditória, reúne a rebelião pessoal perante os conformismos à aceitação do sofrer como forma existencial. Carducci pode ser também definido como o poeta nostálgico da esperança indestrutível. Giosuè Carducci anuncia e quase realiza o verismo.


Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 116/117. 

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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Literatura Ocidental - Parte 65.



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 65
LITERATURA ITALIANA -- VII

Outro poeta do oitocentismo iluminista é Giuseppe Parini (1729-1799, que foi também jornalista. Parini é autor de “Mezzogiorno” e de “Mattino” e hábil harmonizador do iluminismo e da tradição humanística. Seus poemas, reunidos em “Odi” e no magnífico poema satírico “Giorno”, revelam o culto da beleza feminina e o sentimento da fugacidade da vida transcritos com habilidade rítmica. Poeta iluminista que merece menção é Ludovico Savioli (1729-1804), autor de excelentes poemas eróticos.

Romantismo italiano

A Itália do inícios do século XIX é um país que sofre a invasão francesa dos revolucionários que realizaram a ascensão da burguesia. O romantismo que então se instala trará constantemente unidos os princípios literários e os patrióticos, ao mesmo tempo em que se estabelecerá a cosmovisão amarga, pessimista, cética e algo cínica que alcançará nosso século.

                                                                                         Ugo Foscolo

O credo romântico é introduzido através do manifesto que Giovanni Brechet (1783-1851) lança em 1816 sob o título de “Lettera semiseria” e atribui a Crisóstomo. Sua divulgação é realizada pela revista “II Conciliatore” e sua completa exposição aparece no prefácio à peça “II conte di Carmagnola” do dramaturgo Manzoni.

O poeta principal do romantismo pela duração de seu predomínio no movimento foi Vicenzo Monti (1754-1828), dotado de imaginação férvida e imediata, mas de pouca ressonância humana. É justo repetir de Monti a classificação usual de seu estilo como romantismo de forma clássica pelo traço dominante que apresenta, mas, em sua obra impressiona a multiplicidade de tendências seguidas: arcadismo, inspiração mitológica, iluminismo, oposição a Revolução Francesa e também seu endeusamento através da exaltação da estabilização do poderio burguês no período bonapartista, classicismo, ossianismo, wertherismo, etc. Em seus melhores momentos, raros aliás, observa-se certo lirismo e melancolia poeticamente expressos.

O lirismo do desespero está bem representado pelo romântico Ugo Foscolo (1778-1827), autêntico criador de mitos e criador do perfeito “Grazie”, no qual atinge equilíbrio e serenidade de realização clássica. O estilo de Foscolo é dotado de extrema musicalidade. Ugo Foscolo escreveu também o pequeno romance intitulado “Ultime Lettere di Jacopo Ortis”, na qual é patente a influência de Goethe de Werther e que inicia uma fase “sturm und drang” do romantismo italiano. 
 
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 114/115. 

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