HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 69
LITERATURA ITALIANA – XI
O verismo
O naturalismo europeu assume na Itália a forma do
verismo, (anunciada por Carducci, Pascoli, d'Annunzio) estabelecida
no final do século XIX sob a orientação predominante de Giovanni
Verga (1840-1922) e influência do escritor francês E. Zola. Esta
tendência literária interessa-se, de preferência, pela focalização
do proletariado tal como o permitem os novos conhecimentos das
ciências naturais, do progresso dos estudos sociais e do ideal do
nascente socialismo.
Giovanni Verga, inicialmente romancista de inspiração
romântica, teve sua cosmovisão e, portanto, sua expressão
literária amadurecida ao estabelecer contato com a miséria
campesina e proletária de sua terra natal, a Sicília. Nos romances
que então escreve,”I Malavoglia” e “Mastro don Gesualdo”,
apresenta magistralmente a miséria e o desespero que surgem da
injustiça social e explodem nas lutas de classes.
Luigi Capuana
Preocupação realista mais profunda e melhor
determinada é encontrada nos romances “Giacinta” e “Marchese
di Roccaverdina” do verista Luigi Capuana (1839-1911), verdadeiros
documentos cientificamente elaborados da realidade humana como
estrutura pela estruturação social. É notável a análise
psicológica de Capuana.
O realismo psicológico é também o sentido que assumem
as obras de Antonio Fogazzaro (1842-1911), autor de “Piccolo Mondo
Antico” e “Leila”. Hábil é Fogazzaro no manejo da ironia e no
emprego do dialeto; deficiente o é na estruturação de suas
composições que frequentemente não chegam a encontrar síntese
artística. Em seus romances observa-se a configuração dos dramas
íntimos a partir das especiais circunstâncias externas, ou seja, da
situação composta pelos elementos políticos, históricos, sociais
e espirituais.
Literatura italiana contemporânea
O verismo é encerrado e a idade contemporânea iniciada
sob a visão crítica de Benedetto Croce (1866-1952), filósofo,
historiador e teórico da estética. Sua teoria e aplicações em
análises estão contidas no tratado “L'Estetica” nos seis
volumes da “Letteratura della nuova Italia”, em ensaios e artigos
como o que desenvolve o tema “Poesia e non Poesia”, e também na
revista “La Crítica” e nos “Quaderni della Critica”.
Colocando o problema estético como inseparável dos demais problemas
filosóficos, Croce assinala a necessidade de que a arte seja
simultaneamente individual e cósmica, bem como defende a sua
absoluta autonomia. Consequência de sua conceituação da estética
são, entre outras, o abandono do normativo, do estetizante e do
erudito como categorias de crítica, a condenação das categorias
tradicionais, o intuicionismo puro, a exposição da obra de arte e a
atribuição de um julgamento crítico que apenas poderá ser um
juizo de existência.
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora
Fulgor, edição 1968, volume 7.
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