quarta-feira, 16 de maio de 2012

Literatura Ocidental - Parte 28.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 28

LITERATURA INGLESA

Época neoclássica e romantismo (1660-1800)

O reinício da expressão literariamente válida é marcado pela reabertura dos teatros em 1660. Historicamente, observamos o aumento da potência marítima inglesa, o avanço da colonização do Império e, a partir da segunda metade do século XVII, o início da revolução industrial de grandes consequências sócio-econômicas e culturais.

O renascimento da dramaturgia pode ser atestado pela existência de autores como: John Dryden (1631-1700), Nathaniel Lee (1645-1692), William D'Avenant (1606-1698), George Etheredge (1634-1693). Dryden é, incontestavelmente, a grande figura literária do período. Dryden inaugura o classicismo da restauração com sua excelência na crítica realizada lucidamente, maestria na sátira e perfeição de estilo. Em sus imensa produção devem ser destacadas as seguintes obras: All for Love, The Medall, A Satyr against Sedition, Song for St. Cecillia's Day e Alexander's Feast.

Sir Willian D'Avenant, autor de The Siege of Rhodes, muito contribuiu para a modernização do teatro ao introduzir a mobilidade de cenários e permitir a representação a mulheres. Etheredge destaca-se pela apresentação de personagens que são reais e não os tradicionais tipos de humor; domina com técnica o emprego do “heroic couplet” e pode ser considerado um dos inventores da comédia de intriga: em sua comédia “Love in a Tub” escreve com realismo e desenvolve o tema da guerra entre os sexos. N. Lee escreve The tragedy of Nero, Emperor of Rome – um dos melhores exemplos do gênero teatral da época, denominado tragédia heroica – e The Duke of Guise, em colaboração com Dryden.

Oliver Goldsmith pertence já ao declínio do neoclassicismo e destaca-se mais como romancista do que como autor de peças teatrais, entre as quais, no entanto, deve-se considerar The Gold: Natur'd Man devido a sua irresistível comicidade.

Paralelamente ao renascimento teatral há o renascimento da crítica e da sátira, ao qual já nos referimos ao considerarmos a figura de Dryden. Acrescentemos agora os nomes de Samuel Butler e de John Oldham (1612-1680; 1653-1680): o primeiro é o autor de violentíssima sátira antipuritana de Hudibras, notável pelo humor e irreverência; o segundo, autor de Careless Good Fellow, bem inferior a Butler.

A restauração da liberdade de opinião com a abolição da censura em 1695 favorece o aparecimento de periódicos nos quais se destacam os famosos panfletários Daniel Defoe e Jonathan Swift. O primeiro periódico literário surgiu na Inglaterra em 1680, portanto, quinze anos após o primeiro periódico europeu, o “Journal des savants” publicado na França.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 71/72.

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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Literatura Ocidental - Parte 27.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 27

LITERATURA INGLESA

Outras manifestações isabelinas, além da imensa realidade teatral, são o lirismo, o ensaísmo, o eufuísmo e toda uma literatura de exaltação patriótica poético-histórica resultante da tomada de consciência política do povo inglês. A alegoria é representada por Edmund Spencer (1552-1599), autor da famosa obra The Faerie Queene. Esta novela alegórica é também obra de exaltação patriótica, pois é dedicada inteiramente a Gloriana, na realidade a Rainha Isabel. O enfuísmo é bem representado por John Lyly (1554-1606), precursor de Shakespeare. Lyly deu início à escola com seu primeiro livro: Euphuism – caracterizado pela artificialidade de estilo e pelo emprego de antíteses enfatizadas pela aliteração constante. Francis Bacon (1560-1626) escreve, em inglês, ensaios sobre a crítica, uma história de Henrique VII e uma narração utópica intitulada New Atlantis; no entanto, é certo que sua obra de caráter filosófico em latim, entre as quais o Novum Organum, é a grande razão de sua glória e que fundamenta, junto ao Discurso sobre o método de Descartes, uma nova maneira de aprender e analisar o real que caracterizaria a Europa moderna.

A literatura de enfuísmo pode ser representada por Warner (1558-1609), autor de Albion's England, história versificada da Inglaterra; Samuel Daniel (1562-1619), versificador de “Guerra de Yorque e Lancaster”; Michael Drayton (1563-1631), autor de Polyalbion, versos nacionalistas em trinta “chants”.

Época puritana (1620-1660)

A época puritana é decadente em manifestações culturais e literárias. Foi neste período, dominado pela figura poderosa de Oliver Cromwell, que a vitoriosa revolução puritana fechou os teatros e contribuiu para a morte do drama posterior a Shakespeare e expulsou a poesia para os círculos universitários. O público que frequentava os teatros em 1640 era um povo frustrado que apenas aceitava farsas grosseiras. O puritanismo absolutista matou a dramaturgia com o pretexto de defender a “região” e a “moral” e decapitou o rei Charles em nome da “justiça”. Os únicos gêneros literários que conseguem sobreviver a este obscurantismo cultural são as controvérsias políticas e religiosas, os sermões e as exortações moralistas. Os únicos nomes de relativa importância são os de Thomas Fuller (1608-1661), autor de The Worthies of England; Jeremy Taylor (1613-1661), autor de sermões; Robert Burton (1577-1640), autor de vasta compilação de comentários e citações em língua latina intitulada Anatomy of Melancholy.

Embora a época puritana seja de imensa pobreza literária, foi neste período que surgiu o grande poeta John Milton (1608-1674). É, portanto, Milton, a máxima expressão clássica atingida pelo puritanismo inglês e tem sido modernamente aproximado aos poetas metafísicos numa linha de desenvolvimento burguês do barroco. Milton alcançou notoriedade com a excelente epopeia cristã que descreve a queda do homem e suas consequências: Paraíso Perdido. Outras obras de J. Milton são: L'Allegro, II Penseroso, Samson Agonist, Paradise Regained e Areopagítica. Os poemas menores de Milton conservam a perfeição da forma métrica, a riqueza de imagens poéticas e a grandeza de música verbal.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 69/71.

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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Literatura Ocidental - Parte 26.



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 26

LITERATURA INGLESA

Fato paralelo notável é a popularidade que adquire o gênero teatral. Nicolas Udall (1505-1556), primeiro dramaturgo inglês, apresenta uma adaptação de peça escrita por Plauto. Udall dá forma literária e apresenta em palco sua adaptação no ano de 1553. Nove anos mais tarde surge uma adaptação mais perfeita: trata-se da primeira tragédia em moldes clássicos apresentada em palco inglês e seus autores são Gorboduc de Thomas Sackville e Thomas Northon (1536-1608; 1532-1584). Sackville e Northon modificaram o tema de uma tragédia de Sêneca, inserindo sua temática na crônica dos reais anglo-saxônicos. A multiplicidade de adaptações para o teatro é tão rica como a observada em relação aos poemas clássicos e renascentistas vertidos na mesma época para a língua inglesa. Os autores de Itália fornecem o material primeiro para as obras de Whetstone (1544-1587); Terêncio, Eurípedes e Ariosto servem para a inspiração de George Gascoigne (1525-1577). Durante vinte anos, muitos autores realizarão experiências semelhantes.

O público adepto de teatro aumenta e, progressivamente, torna-se mais exigente. Companhias teatrais permanentes, itinerantes e sedentárias, encontram as necessárias condições para constituição a partir da primeira, em 1580. Este imenso e rápido desenvolvimento teatral encontra apoio concreto com a construção de salas diretamente organizadas para enfrentar a demanda popular. A adaptação de peças estrangeiras alcança cada vez mais a forma de inspiração e retomada de temas com progressiva originalidade. Entre os mais notáveis de tais autores teatrais deve ser destacado Christopher Marlowe (1564-1593), precursor de Shakespeare, autor de imensa obra dramática que pode ser bem representada pela citação de “Fausto” e de “O Judeu de Malta”.

William Shakespeare (1564-1616)

William Shakespeare “o poeta da humanidade”, segundo Anatole France – inaugura a grande época da literatura inglesa. Possuidor de imenso vocabulário que emprega expressivamente e com propriedade notável, Shakespeare conhece e reproduz esta lúcida consciência que tem da natureza humana. Apresenta em sua obra os três séculos da evolução histórico-social da Inglaterra: Hamlet, Othelo, Macbeth, King Lear; King Henry VIII, Romeo and Juliet; The Merchant of Venice (inspirado no já citado “The Jew of Malta” de Christopher Marlowe); The Merry Wives of Windsor , The Tempest e A Midsummer Night's Dream – entre as principais de suas 17 comédias, 10 tragédias e 10 dramas.

Além de poeta em sua obra de dramaturgo, Shakespeare eleva-se como poeta em poemas autônomos de excelente conteúdo lírico. Sua riqueza imagística e densidade num conjunto impecavelmente organizado, bem como a nobreza e musicalidade intimamente unidas à apresentação do pensamento já o colocariam na posição que, inegavelmente, ocupa como um dos maiores escritores da humanidade.

Outros criadores da época isabelina são Ben Johson (1574-1637), autor de Volpone e Epicoene; Thomas Dekker (1570-1641); George Chapman (1559-1634), tradutor de Homero, dramaturgo que retoma temas históricos franceses e autor de The Widdowes Teares onde se assinala a presença simultânea do trágico e do cômico; Francis Beaumont (1584-1616) e John Fletcher (1579-1625).

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 68/69.

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quarta-feira, 28 de março de 2012

Literatura Ocidental - Parte 25.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 25

LITERATURA INGLESA

Fim da idade média

As novelas medievais inglesas estão unidas no mais popular ciclo anglo-francês: as lendas do Rei Artur e dos cavaleiros da Távola Redonda. A ele pertence a novela do século catorze escrita por autor anônimo em dialeto West Midland “Sir Gawain e o Cavaleiro Verde”. Sir Gawain é composto também em versos aliterativos e apresenta grande perfeição de narrativa e de estrutura. A esta literatura épica pertencem igualmente os grandes temas comuns a toda a Europa, colocando ao lado do ciclo arturiano o ciclo de Carlos Magno. No fim do século XIV surgiram baladas de inspiração idêntica e que celebravam as aventuras de Robin Hood. No início do século seguinte um poeta ambulante desconhecido reúne diferentes episódios deste mito que lentamente se desenvolvera e forma um todo coerente – “Façanhas de Robin Hood” – sintetizador dos ideais, da fé, da cólera e da esperança de todo um povo. Autêntica criação coletiva, será durante um século retomada e enriquecida em aspectos fundamentais como o da inclusão de uma companheira de Robin para desenvolvimento de tema amoroso. Todos os mitos populares em que se projetam a crença no bem, no belo e no nobre estão resumidos nesta obra.

A grande figura inicial da literatura inglesa é, inegavelmente, Geoffrey Chaucer (1340-1400). Tradicionalmente qualificado de “Pai da literatura inglesa”, destaca-se por suas obras famosas “Troilus e Cressida” e “Contos de Canterbury”. Chaucer foi artista exímio no domínio das formas poéticas francesas e arguto observador do mundo em que vivia, bem como conhecedor profundo dos seres humanos aos quais contemplava com amigável e compreensivo sentimento. Esteve em proveitoso contato com Dante e com líricos franceses e italianos. Tendo traduzido obras para o inglês – como o Romance da Rosa, por exemplo – exerceu profunda influência sobre a língua ainda em processo de fixação.

Também John Wycliff (1320-1395) exerceu influência sobre a posterior fixação da língua inglesa ao traduzir a Bíblia. A versão de Wycliff foi terminada e completada por Hereford e Purcey. Este trabalho literário e religioso serviu de base para a versão definitiva da Bíblia inglesa.

Pouco antes da era elizabeteana, surgem dois importantes poetas líricos: Thomas Wyatt e Henry Howard, o Conde de Surrey (1503-1542: 1517-1547). Ambos sofreram influência imensa do lirismo petrarquiano e ambos utilizam afetadamente uma técnica muitíssimo desenvolvida.

Época elizabeteana (1560-1610)

O imenso desenvolvimento literário inglês que acompanha, com ligeiro atraso, a aceleração súbita do desenvolvimento interno e a extraordinária afirmação do poderio da época elizabeteana, demonstra a elevação cultural como resultante de lento processo natural de acumulação. Elizabeth, ao proporcionar a ampliação do ritmo de vida em todos os domínios e a consequente tomada de consciência do povo, coloca as bases sócio-econômicas para a riqueza literária subsequente.

A primeira antologia inglesa – Miscellany, escrita por Tottel em 1557 – é publicada um ano antes da ascensão de Elizabeth. As grandes obras clássicas e renascentistas são traduzidas ou adaptadas à linguagem poética e, desta multiplicidade, saem as formas inglesas que introduzirão autores do mundo literário extra-britânico como reais influências na literatura de alto nível e significação.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 66/68.

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quarta-feira, 21 de março de 2012

Literatura Ocidental - Parte 24.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 24

LITERATURA INGLESA


Período inicial anglo-saxônico

O solo da Gran-Bretanha presenciou a fusão de inúmeros povos que, sucessivamente, a invadiam. Quando a ilha de Bretanha foi invadida pelas legiões romanas no primeiro século anterior à era cristã, essas legiões conseguiram submeter à força os celtas, mas não os povos do norte – os scots e os pictos – que se concentraram em suas montanhas. As incursões desses invictos ancestrais dos escoceses forçaram a construção da muralha de Adriano ao redor da colônia romana. Como consequência da diminuição do poderio romano, os bretões tiveram que recorrer ao auxílio dos piratas anglos e saxões da Dinamarca para poder conter seus vizinhos scots. Os anglo-saxões vieram auxiliar os bretões, fizeram-no e, logo, os dominaram apossando-se do país. O primeiro rei anglo-saxônico mal terminava a formação de um só Estado quando retornaram com violência os dinamarqueses. Em 1066, finalmente, ocorre a invasão e o domínio normando comandado por Guilherme, o conquistador.

Os romanos haviam fracassados ao tentar a latinização dos celtas, os bretões não foram absorvidos pelos saxões e os dinamarqueses formaram uma camada marginalizada. Séculos foram necessários para que pudesse ser realizada uma síntese original das diferentes camadas de estratificação, seja no aspecto social, político ou linguístico. Evidentemente, não é de se estranhar que também a literatura apresente dois estratos bem afastados; um latino-cristão de inspiração religiosa e um popular que engloba tradições cristãs e não cristãs.

A primeira obra produzida na Inglaterra pertence à tradição saxônica anterior à invasão da Bretanha e ao grande fundo comum da tradição germânica. Trata-se da epopeia brutal de Beowulf, herói bárbaro escandinavo. Sua provável data de composição é do século VI a.C., mas, apenas como literatura oral. O único manuscrito que nos alcançou data de 1000 a.D. E apresenta estrutura não-cristã com inserção de aspectos cristãos. Este poema épico apresenta uma notável visão da vida dos saxões; é de agradável leitura, embora com dificuldades do dialeto em que está escrito; está fundado poeticamente no verso aliterativo; e, indubitavelmente, prova a existência de um grande poeta da civilização anglo-saxônica. Notável deve ter sido também outro poema épico semelhante a Beowulf e que comemora a batalha de Brunanburh ocorrida em 937. Infelizmente, de “A Batalha de Brunanburh” somente possuímos uma versão em prosa. Neste poema da literatura heroica não-cristã em processo inicial de cristianização exalta-se a força, a guerra e os massacres, sem que transpareça a ternura humana que intervém nas novelas francesas de cavalaria.

“A Batalha de Brunanburh” em sua versão prosaica está incluída na “Crônica Anglo-Saxônica” redigida pelo rei Alfredo no século IX. Cronicões semelhantes surgiram nos séculos posteriores. Inicialmente apareceram inúmeras vidas de santos escritas por clérigos e posteriormente tornaram-se frequentes os manuais práticos escritos em prosa e que, normalmente, consistiam de traduções do latim. Esta tradição histórica parece anunciar a predileção dos escritores ingleses pelo gênero biográfico. A estratificação da literatura em solo inglês é completada no período normando pela existência de uma escola literária de expressão latina e de uma escola literária palaciana de expressão francesa. A esta última pertencem obras conhecidas como “Façanha dos Bretões”, “Os Rebentos de Maria da França” e “A Procura do Santo Graal”.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 64/66.

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quarta-feira, 14 de março de 2012

Literatura Ocidental - Parte 23.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 23

LITERATURA FRANCESA

(Continuação do post anterior)

A nova poesia francesa demonstra o prolongamento das experiências sofridas durante a ocupação da França pelas hordas do nazi-fascismo e a predominância dos ideais marxistas. Exemplificam os primeiros aspectos os conjuntos poéticos de “L'Incendie”, de Romain Weingarten, e “Seul et le Corps”, de Jean Laude; é bem representativo do clima poético de inspiração marxista o poema épico de Édouard Glissant intitulado “Les Indes”, panorama artístico da evolução social através da dialética do senhor e do escravo que se processa dolorosa e dramaticamente pelos séculos até mostrar o rumo do futuro da fraternidade humana concretamente alcançada. Em “Épiphanies” ou em “Nucléa”, ambos de Henri Pichette, observa-se a dramaticidade histórica como refletida pela angustia interior de um poeta em compromisso total. A dialética interioriza-se e identifica-se à poesia sob forma épica na criação de Yves Bonnefoy: “Du mouvement et de I'immobilité de Douve”.

Resta apontar a renovação teatral francesa em seu desenvolvimento e alcance do antiteatro, o que atinge significação artística em Eugène Ionesco e em Samuel Beckett.

Samuel Beckett (1906) reúne-se com sua produção às maiores expressões do século literário: Kafka, James Joyce e Sartre em “La Nausée”. Beckett dedicou-se ao romance com “Malone Meurt”, “Molloy”, “L'Innommable” e “Nouvelles et Textes por rien”, mas atinge o clímax de sua criatividade com as peças teatrais: “En attendant Godot” e “Fin de Partie”. Em Beckett o patético reúne-se ao desespero e o humor ao trágico e as duas realidades confluem na criação de intensa náusea perante a inexistência assim reduzida.

Eugène Ionesco é o dramaturgo de “Victimes du devoir”, “La Cantatrice chauve”, “La Leçon” “Les chaises” e “Amédée ou Comment s'endébarrasser”. Em sua temática são constantes: o caráter gratuito da linguagem, a consequente incomunicabilidade, a irremediavelmente indissolúvel união do trágico ao cômico, o caráter incompreensível da realidade.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, página 64.

AGUARDEM!

No próximo post teremos a Literatura Inglesa.

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quarta-feira, 7 de março de 2012

Literatura Ocidental - Parte 22.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 22

LITERATURA FRANCESA

(Continuação do post anterior)

O romance personalista aproxima-se do romance existencialista pela lucidez de denúncia e pela recusa de álibis extra-humanos; no entanto a consciência de uma ausência dramaticamente sentida implica, no romance personalista, uma presença de significação plenamente religiosa. Romancistas personalistas de significação podem ser considerados: P. A. Lesort, Jean Cayrol, Paul Gadenne, Louis Pauwels, Maurice Fourré, Marcel Schneider, André Pieyre de Mandiargues, Luc Estang.

P. A. Lesort destaca-se com seu romance “Les Reins et les Coeurs”; Luc Estang, com “Les Stigmas”. A esperança metafísica informa os romances de Jean Cayrol, sobretudo os de mais intensa força lírico-poética: “Je vivrai I'Amour des autres” e “Le Déménagement”. Tons simbólicos são atingidos nos romances “Sloé” e “Vent Noir” de Paul Gadenne, autor notável pela intensidade dramática, pela sinceridade e pela nobre gravidade de sua expressão literária e que elevou o simbólico a nível excepcional em seus romances seguintes: “La Rue Profonde”, “L'Avenue” e “L'Invitation chez les Stirl”. O mítico une-se ao romanesco da religiosidade herético-satãnica de Marcel Schneider, autor de “La Primière Ile” e de “Les Deux Miroirs”. A mitologia centralizada em temática de amor e morte caracteriza a extrema fluência estilística de Maurice Fourré em seus livros “La nuit du Rose Hêtel” e “La Marraine du Sel”. O misticismo satânico harmoniza-se com o surrealismo em “Saint Quelqu'un”, “Les voies de petite communication” e “L'amour monstre” escritos por Louis Pauwels. André Pieyre de Mandiargues é o excepcional narrador que recusa o desenvolvimento linear frásico ao ampliar o estilo com sinuosidades e retornos em “Musée Noir”, “Soleil des Loups” e “Les lis de Mer”, romances em que intenso erotismo estende-se a dimensões cósmicas.

A grande renovação no estilo do romance é a total ruptura com as formas tradicionais nos próprios aspectos que eram considerados essenciais durante o desenvolvimento de sua técnica, seja na etapa do romance heroico e romântico, seja na do realista ou, ainda, do metafisico. A este movimento denominado “nouveau roman” dois de seus representantes fornecem linhas teóricas divergentes: Nathalie Sarraute em “L'Ére du Soupçon” e Allain-Robbe Grillet em “Une voie pour le roman futur”. De acordo com Allain-Robbe Grillet a orientação do novo romance deve ser objetivista, o que será alcançado pelo abandono do visceral, analógico ou encantatório que caracterizavam o romance tradicional e significativo e pela transcrição desantropomorfizada do novo estilo ótico-descritivo. O objetivismo já pode ser encontrado em momentos de “L'Étranger” de Camus ou de “Chemins de la Liberté” de Sartre. Na orientação teórica de Nathalie Sarraute abandona-se a análise psicológica através de monólogos interiores e adota-se a revelação da realidade psíquica através do próprio comportamento dos personagens e da reformulação realizada pelo leitor: a lucidez será mais intensa quanto melhor for a apreensão trazida pelo leitor ao retirar o que está oculto nos movimentos sob a conversação. Tal subjetivismo também pode ser encontrado em “La Nausée” de Sartre. Filosoficamente as orientações objetivista e subjetivista corresponde respectivamente à afirmação fenomenológica do objeto e da posição existencialista quanto à consciência. Os principais romances objetivistas são “Les Gommes”, “Le Voyeur” e “La Jalousie” de Robbe-Grillet e “L'Emploi du Temps” e “La Modification” de Michel Butor (1926). Na orientação subjetivista destacam-se “Portrait d'un inconnu” e “Tropismes” de Nathalie Sarraute e “Le Square” e Moderato Cantabile” de Marguerite Duras.

Continua no próximo post.)

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 62/64.

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