HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 27
LITERATURA INGLESA
Outras manifestações isabelinas, além da imensa realidade teatral, são o lirismo, o ensaísmo, o eufuísmo e toda uma literatura de exaltação patriótica poético-histórica resultante da tomada de consciência política do povo inglês. A alegoria é representada por Edmund Spencer (1552-1599), autor da famosa obra The Faerie Queene. Esta novela alegórica é também obra de exaltação patriótica, pois é dedicada inteiramente a Gloriana, na realidade a Rainha Isabel. O enfuísmo é bem representado por John Lyly (1554-1606), precursor de Shakespeare. Lyly deu início à escola com seu primeiro livro: Euphuism – caracterizado pela artificialidade de estilo e pelo emprego de antíteses enfatizadas pela aliteração constante. Francis Bacon (1560-1626) escreve, em inglês, ensaios sobre a crítica, uma história de Henrique VII e uma narração utópica intitulada New Atlantis; no entanto, é certo que sua obra de caráter filosófico em latim, entre as quais o Novum Organum, é a grande razão de sua glória e que fundamenta, junto ao Discurso sobre o método de Descartes, uma nova maneira de aprender e analisar o real que caracterizaria a Europa moderna.
A literatura de enfuísmo pode ser representada por Warner (1558-1609), autor de Albion's England, história versificada da Inglaterra; Samuel Daniel (1562-1619), versificador de “Guerra de Yorque e Lancaster”; Michael Drayton (1563-1631), autor de Polyalbion, versos nacionalistas em trinta “chants”.
Época puritana (1620-1660)
A época puritana é decadente em manifestações culturais e literárias. Foi neste período, dominado pela figura poderosa de Oliver Cromwell, que a vitoriosa revolução puritana fechou os teatros e contribuiu para a morte do drama posterior a Shakespeare e expulsou a poesia para os círculos universitários. O público que frequentava os teatros em 1640 era um povo frustrado que apenas aceitava farsas grosseiras. O puritanismo absolutista matou a dramaturgia com o pretexto de defender a “região” e a “moral” e decapitou o rei Charles em nome da “justiça”. Os únicos gêneros literários que conseguem sobreviver a este obscurantismo cultural são as controvérsias políticas e religiosas, os sermões e as exortações moralistas. Os únicos nomes de relativa importância são os de Thomas Fuller (1608-1661), autor de The Worthies of England; Jeremy Taylor (1613-1661), autor de sermões; Robert Burton (1577-1640), autor de vasta compilação de comentários e citações em língua latina intitulada Anatomy of Melancholy.
Embora a época puritana seja de imensa pobreza literária, foi neste período que surgiu o grande poeta John Milton (1608-1674). É, portanto, Milton, a máxima expressão clássica atingida pelo puritanismo inglês e tem sido modernamente aproximado aos poetas metafísicos numa linha de desenvolvimento burguês do barroco. Milton alcançou notoriedade com a excelente epopeia cristã que descreve a queda do homem e suas consequências: Paraíso Perdido. Outras obras de J. Milton são: L'Allegro, II Penseroso, Samson Agonist, Paradise Regained e Areopagítica. Os poemas menores de Milton conservam a perfeição da forma métrica, a riqueza de imagens poéticas e a grandeza de música verbal.
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 69/71.
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