HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 20
LITERATURA FRANCESA
(Continuação do post anterior)
Jean-Paul Sartre é simultaneamente o rigoroso filósofo da atualidade, o dramaturgo vigoroso, o ensaísta corajoso e original e aquele que procura unir o pensamento e a ação no mundo moderno. Como autor do sistema filosófico do século – o “marxistencialismo” – Sartre publicou “L'Étre et le Néant” (“Essai d'Antologie Phénoménologique”, “L'Imaginaire” (“Psychologie Phénoménologique de I'Imagination”) e “Critique de la Raison Dialectique” (por enquanto, o tomo I “Théorie des Ensembles Pratique”. Como ensaísta de literatura e de política, escreveu “L'Existencialisme est un humanisme”, vulgarização de sua filosofia aparecida em “L'Étre et le Néant” e reconhecida pelo autor como super-simplificada; “Descartes”; “Qu'est-ce que la Literature”; Situations I, II, III; “Entretiens sur la Politique” em colaboração com David Rousset e Gérard Rosenthal. Como autor teatral compôs as peças “Les Mouches”, “Les Mains Sales”, “Huis Clos”, “Le Diable et le Bon Dieu”, “La Putaine Respecteuse”, “Kean”, “Nekrassov”, “Morts sans Sépulture” e “Les Sequestrés d'Altona” e, ainda, os cenários “Les Jeux sont Faits” e “L'Engrenage”.
Como homem de ação diante dos problemas do mundo real exacerbados pelas realidades históricas em processo, Sartre funda um partido político e uma revista. O partido “Rassemblement Démocratique Revolutionnaire” de efêmera existência foi fundado em 1945 por Sartre e por David Rousset e Gérard Rosenthal. A revista fundada por Sartre é “Temps Modernes” e tem o objetivo de registrar o protesto dos intelectuais e documentar a atualidade mundial.
Em prosa, Jean-Paul Sartre escreveu “La Nausée”; os cinco contos de “Le Mur”, dos quais o mais significativo é “L'Infance d'un Chef”, “Les Chemins de la Liberté” (“L'Age de Raison”, “Le Sursis”, “La Mort dans I'âme” e os fragmentos intitulados “Drôle d'Amitié” que estarão no tomo IV “La Dernière Chance”); e “Les Mots”.
A coerente temática de Sartre na literatura pode ser entrevista nas seguintes constantes: vontade de encerrar o homem no homem; sinceridade e lucidez; solidão, liberdade e responsabilidade humanas; as ambiguidades; a sistemática recusa de álibis e de guias na orientação existencial; a justificação ou não dos atos; o caráter trágico da vida; a inevitável união entre os homens e os fenômenos coletivos; a angustia de existir, de “estar-aí-no-mundo”; a facticidade e a necessidade de constante opção pessoal; a liberdade comprometida em projeto; o projeto sempre renovado e assumido; o caráter interiorizado da autêntica justificação; o caráter original dos destinos pessoais; a solidariedade humana como fato e não como valor; o homem não como incondicionado pelo passado e sim pela totalidade do que ainda não é, pois não é uma realidade em si e sim definido pelo futuro como o revela o projeto; e outras consequências do sistema filosófico lúcido e renovador de Sartre.
Continua no próximo post.)
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 60/61.
Visite também:





