HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 19
LITERATURA FRANCESA
(Continuação do post anterior)
Com os dois últimos dramaturgos citados – Albert Camus e Sartre – iniciamos o estudo também dos romances franceses modernos. O romance subitamente hipertrofia-se abandonando a relativa fixidez que apresentava até o simbolismo para seguir deliberadamente o campo do ensaio, do diário, da poesia, da filosofia e do pensamento político. Os grandes romancistas podem ser representados pelo excelentes André Gide (1869)1951), François Mauriac (1885), Georges Bernanos (1888-1948), Julien Green (1900), além de Camus e Jean-Paul Sartre.
André Gide é o autor da prosa lírica de “Nourritures Terrestres”, da quase autobiografia “L'Immoraliste” e de “La Porte Étroite” e “Le Faux-Monnayeurs”. Gide é o escritor completamente dedicado à sinceridade cotidianamente exercida e posta à reformulação constante. Anuncia a atual geração de romancistas à procura dos valores autênticos através da liberdade e da lucidez do ser humano autossuficiente que assume a atitude de disponibilidade e de encontro do mundo através de perplexidades. Gide é bem aquele que colocou questões sem se convencer com quaisquer respostas, ou em suas palavras: “Je suis un être de dialogue et non point d'afirmation”.
François Mauriac escreve “Le Désert de l'Amour”, “Genitrix” e “Thérèse Desqueyroix”, nas quais, com plasticidade de expressão e num modernismo clássico e cristão, apresenta o ser humano alterados por forças oriundas do inconsciente e que, na sua essencial procura de Deus, experimenta os conflitos entre a natureza e a Graça, entre o pecado e a fé.
As forças irracionais estão também presentes na temática de Julien Green, autor das obras “Les Visionnaires”, “Minuit” e “L'Année” – nas quais procura equilíbrio espiritual, e de “Journal” – quando retorna ao catolicismo. A obsessão da morte, o real no qual se insere o sonho e a alucinação, a irremediável solidão dos seres – temas constantes de Julien Green e que atestam a persistência da sua inquietude perante o destino – retornam em sua última obra “Moïra”.
Georges Bernanos é o autor de “Sous le Soleil de Satan”, “L'Imposture”, “La Joie”, “Le Journal d'un Curé de Campagne” e de “Les Grands Cimetières sous la Lune”. Nas obras de Bernanos aparece o moderno ser humano entregue ao combate e à aventura e que o autor estimula ao heroísmo cristão de virtudes e de plenitude vital. Com vigor dramático luta contra o farisaísmo da falsa segurança religiosa e une a graça não à submissão, mas ao “escândalo” transmitindo todo o trágico, a angustia e o absurdo que surgem à criatura irremediavelmente colocada ao meio da tensão entre a solidão e a responsabilidade. Albert Camus é o autor de “L'Étranger” e “La Peste”, de “Le Mythe de Sisyphe”, da peça teatral “Caligula” e também de “L'État de Siège” e “Justes”. As obras que antecedem “La Peste” são estruturadas com lirismo romântico (como a inicial “Noces”) e melhor transmitem as experiências do homem solitário. Na temática literária de Camus podem ser destacadas as seguintes constantes: o horror a toda ideologia que substitua as realidades vivas pelas ideias mortas; a mística da felicidade sensível; a persistente colocação de todas as realidades em termos humanos; o ateísmo espontâneo; o romantismo de atos; o moral da quantidade; a condenação do “suicídio do corpo” bem como do “suicídio da alma”; a procura da santidade no ateísmo; a felicidade a partir e dentro do absurdo da vida; e a solidariedade e ternuras humanas.
Continua no próximo post.)
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 58/59.
Visite também:





