quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Literatura Ocidental - Parte 18.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 18

LITERATURA FRANCESA

(Continuação do post anterior)

A poesia deixa de ser gênero popular. O único sucesso popular – Paul Géraldy ao publicar “Toi et Moi” – não é, sob o ponto de vista crítico, reconhecido como autêntica. Os grandes poemas raramente atingem o público e retiram-se para as páginas restritas e especializadas de revistas. Os grandes poetas – Guillaume Apollinaire (1880-1918), Saint-John Perse (1887), Jean Cocteau (1892-1963), Paul Éluard (1895-1952) e Louis Aragon (1897) ou aqueles de certa importância – Charles Vildrac (1882), Pierre Mac Orlan (1883), Marie Noël (1883), Jules Supervielle (1884-1960), Blaise Cendrars (1887-1961) e Pierre Reverdy (1889-1960) – são nomes conhecidos, mas, pouco lidos. Os movimentos de revolução nos conceitos poéticos (o “dadaisme” de Tristan Tzara, o surrealismo de André Breton, o musicismo de Jean Royere etc.) apenas reforçaram a impressão popular da poesia como atividade secreta, marginalizada e confidencial atingível apenas por uma elite altamente restrita. Guillaume Apollinaire ao publicar a conferência manifesto – “L'esprit Nouveau” deu as linhas mestras da poesia moderna e com sua obra poética (“Calligrammes”, “Alcools” e “Ombre de mon Amour”) inovou o verso aproximando-o do surrealismo e do cubismo de justaposição caótica. Este modernista de fundo romântico é também o autor da prosa poética “L'Enchanteur Pourrissant” e dos contos “L'Hérésiarque et Cie”. Saint-John Perse, pseudônimo literário de Alexis Léger, é o poeta de “Eloges”, “Anabase”, “Exil”, “Vents” e “Amers” de ressonâncias cósmicas e com emprego do verseto à Claudel. Jean Cocteau dedicou-se a vários movimentos modernistas ao escrever “Le Cap de Bonne-Espérance”, “Vocabulaire”, “Plain-Chant” e “Ópera”. Paul Éluard, cuja poesia é um movimento oscilante entre a realidade e o sonho e que elabora a comunhão e a harmonia na simplicidade de seu estilo, escreveu “Capitale de la Douleur”, “L'Amour à la Poésie”, “La Vie Immédiate”, “La Rose Publique” e “Les Yeux Fertiles”. Louis Aragon inicialmente pertenceu ao grupo Dada, após 1930 aderiu ao surrealismo e, posteriormente, abraçou o comunismo. “Le Mouvement Perpétuel” é composição poética de primeira fase, “Hourra l'Oural” da última e nesta, apresenta domínio do ritmo e da criação imagística.

Ao contrário do que ocorre com a poesia, o teatro readquire prestigio popular. O sucesso de autores teatrais, como Sacha Guitry (1885-1957), Jules Romains (1885), Charles Vildrac (1882), Jean Giraudoux (1882-1944), Jean Anouill (1910), Edmond Rostan (1869-1918) ou Albert Camus (1913-1963) e Jean-Paul Sartre (1905), retiram as peças teatrais do círculo restrito em que se mantinham as anteriores.

Sacha Guitry é autor de comédias ligeiras – como “La Jalousie”, “Faisons d'un Rêve”, “Mon Père avait Raison”, “Désiré” ou “Quadrille” – e de fantasias históricas – como “Jean de la Fontaine”, “Pasteur” e “Mozart”. O notável de Sacha Guitry é o manejo do paradoxo e a habilidade e facilidade de comunicação com o público. Jules Romains obtém sucesso com as comédias satíricas “Knock” e “Donogoo”, construídas em torno de caricaturas e objetivando sutilmente uma moralidade. Charles Vildrac, com sensibilidade e poesia, obtém êxito com “Le Paquebot Tenacity”, “Michel Auclair”, “Madame Béliard” e, sobretudo, com “Le Pélerin” e “La Brouille” – peças de teatro intimistas. Jean Giraudoux ao compor “Intermezzo” e “Electre” revela sua preocupação fundamental com graves problemas e as verdades eternas numa prosa de perfeição excepcional. Jean Anouill, autor de “Le Voyageur sans Bagage” e de “Le Sauvage”, ´e o dramaturgo da rebeldia e da violência de emoção que se dedica à aspiração da pureza. Edmond Rostand é o dramaturgo-poeta de “Cyrano de Bergerac”, comédia-heroica escrita em versos e que, por seu lirismo, filia-se a um teatro neo-romântico.

(Continua no próximo post.)

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 56/58.

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Literatura Ocidental - Parte 17.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 17

LITERATURA FRANCESA

(Continuação do post anterior)

O romance adquire progressivamente maior aceitação popular e grandes nomes da literatura satisfazem a essa procura, como Pierre Loti (Julian Viand – 1850-1923) e Anatole France (Anatole Thibault – 1844-1924). Num plano inferior e burguês encontramos o romancista Paul Bourget (1852-1935), que do materialismo é convertido ao tradicionalismo religioso e até ao monarquismo, autor de “Le Disciple” e de “Le Sens de la Mort”; ao lado de Bourget e seguindo-lhe a inspiração burguesa encontramos Abel Hermant, René Bazin, Marcel Prévost e Henri Bourdeaux.

Pierre Loti é o escritor do sentimento profundo da inevitabilidade da morte e o transmite numa prosa plena de melancolia e sensualidade. As principais obras de Loti são: “Aziyadé”, “Mon Frère Yves”, “Pêcheur d'Islande”, “Ramuntcho” e “Les Désenchantées”, romances, geralmente, constituídos por transposições de seu íntimo e, sem exceção, particularizados pelo colorido e pelo nível poético das descrições. Anatole France é o romancista e crítico que, amargurado e pessimista, luta com ironia e sutileza pelo valor máximo da liberdade e da justiça num mundo dominado pelos absurdos trágicos da existência. Anatole escreveu “L'Orme du Mal”, “Le jardin d'Épicure”, “L'Affaire Crainquebille”, “L'Ile des Pingouins”, “La Révolte des Anges” e “Les Dieux ont Soif”.

Época moderna (1914 a nossos dias)

A época moderna pode ser iniciada com um poeta inegavelmente simbolista, Paul Valéry (1871-1945). Este poeta de imensa lucidez é o autor de “La Jeune Parque” e de “Charmes”, coleção de seus poemas da maturidade; é também o importante crítico de “Variété” e de influentes reflexões. Poderia a época ser iniciada por Charles Péguy (1873-1914) ou, ainda, com Barrès (1862-1923). Péguy é um fenômeno solitário e original na época simbolista e expressão de uma tendência humanista, espiritualista e socialista que permanece atuante no modernismo. Maurice Barrès representa um momento da consciência nacional francesa; inicialmente, individualista e esteticista, define com sua trilogia “Le Culte du Moi” o aprofundamento de seu nacionalismo de valores pessoais.

A época moderna da literatura francesa é caracterizada pelos grandes problemas e questões sociais do século e do aparecimento das gigantescas coletividades. A coexistência das três únicas correntes filosóficas atuais – o marxismo, o existencialismo e o neocristianismo – e o conhecimento do freudismo marcam vigorosamente o pensamento atual. As modificações motivadas violentamente por duas guerras mundiais e pelo agravamento das tensões sociais dão o quadro histórico exato das inquietudes experimentadas pela humanidade e refletidas na literatura. A participação política é intensificada, seja nos Maquis que lutam pela libertação da França, seja na aristocracia e direitista Action Française de Charles Maurras (1868-1952), seja no partido comunista francês, seja na unificação socialista de Jean Jaurès (1859-1914), seja ainda no Rassemblement Démocratique Revolutionnaire e em “Temps Modernes” de J. P. Sartre (1905). O próprio público é separado em campos paralelos mais ou menos definíveis pelos movimentos políticos, pelas revistas ou pelas editoras. A crítica em revistas que apresentavam visões de conjunto da vida literária (“Revue des Deux Mondes”, N.R.F. Etc.), são substituídas por publicações que refletem as doutrinas de grupos(“Nouvelle N.R.F.”, “Gazette des Lettres”, “Table Ronde”, “Mercure de France” etc.).

(Continua no próximo post.)

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 55/56.

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Literatura Ocidental - Parte 16.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 16

LITERATURA FRANCESA

(Continuação do post anterior)

A poesia parnasiana não apresenta maiores interesses que a consideração de Leconte de Lisle (1818-1894), Sully-Prudhomme (1839-1907) e José Maria Heredia (1842-1905).

Leconde Lisle, chefe do Parnasse Contemporain e encarnação das teorias da arte pela arte é o mais autêntico poeta da geração literária do realismo. Publicou “Poèmes Antiques”, “Poèmes Barbares” e Poèmes Tragiques”; nos dois primeiros aparece a nostalgia pelas civilizações gregas e hindu, bem como pelo passado egípcio, judaico, caldaico, escocês e irlandês; no último, o desespero perante a consciência do ilusório, e o pessimismo e angustia diante do destino humano. René François Armand Sully Prudhomme – autor de “Stances et Poèmes”, “Les Epreuves”, “Les Solitudes” e “Les Vaines Tendresses” – é o poeta das inquietudes íntimas e da melancolia e ternura. O cubano José Maria Heredia (1842-1905) é o poeta da paixão pelo longínquo no tempo e no espaço. Escreveu “Les Trophées.

A permanência do lirismo é-nos dada por Charle Baudelaire (1821-1867), autor de “Fleurs du Mal” e de “Petits Poèmes em Prose”. Baudelaire é dotado de excepcional sentimento crítico e dolorido da existência humana e pessoal na sua temporalidade e aproveita com perfeição de todos os efeitos musicais ao expressar com musicalidade as dores físicas e as perversões da alma. Charles Baudelaire anuncia o período simbolista.

Época simbolista (1890-1914)

As novas condições sócio-econômicas da França e do mundo provocam reações idealistas em todos os domínios da atividade humana. 1888 assinala a tradução de Schopenhauer à língua francesa. A produção do filósofo Henri Bergson (1859-1941) exerce profunda influência na reação contra as deficiências do materialismo e do naturalismo da época: “Essai sur les Données immédiates de la Conscience”, “L'Evolution Créatice”, “Matière et Mémoires” e “Les Deux Sources de la Morale et de la Religion” apontam os novos rumos idealistas do pensamento francês. No teatro a reação idealista é iniciada por Maurice Maeterlinck ((1862-1949) e culmina com sua peça psicológica e moral “Pelléas et Mélisande” em 1902. O teatro simbólico de Maeterlinck apresenta as angustias e o secreto do homem e do universo. Charles Péguy (1873-1914) é o autor do drama “Jeanne d'Arc” de inspiração socialista; Péguy refaz esta obra ao consagrar-se ao lirismo cristão místico, intitulando-a “Le Mystère de la Charité de Jeanne d'Arc”.

O simbolismo é essencialmente poético, como prova o aparecimento de Paul Verlaine (1844-1896, Arthur Rimbaud (1854-1891), Sthéphane Mallarmé (1842-1898), Emile Verhacren (1855-1916) e Francis Jammes (1868-1938). Paul Verlaine redescobre a musicalidade e a plena liberdade de expressão ao descrever estados fugitivos da sensibilidade. Verlaine inicia-se como parnasiano para tornar-se, posteriormente, um dos maiores simbolistas, embora seu estilo por vezes adquira características fortemente herméticas. “Poèmes Saturniens”, “Fêtes Galantes”, ”Bonne Chanson”, o original “Romances sans Parole” e também “Sagesse”, que constituem suas obras principais e representam o melhor de sua produção literária. Arthur Rimbaud é o poeta dos jogos da imaginação e da rebeldia contra a sociedade expressados numa linguagem poética flexível e pessoal na qual existe um sistema imagético cromático-sonoro extremamente original. Estas características e o misticismo ingênuo e, simultaneamente, carnal de Rimbaud pode ser agradavelmente comprovado pela leitura de “Rages de César”, “Le Dormeur du Val”, ”Les Effarés”, “Les Pauvres à l'Église”, “Les Premiéres Communions”, “Le Mal” “Bateau Ivre”, “Voyelles”, “Lanne”, “La Revière de Cassis”, “Fêtes de la faim” e Illuminations”; este último e “Une Saison em Enfer” escapam ao quadro simbolista para inaugurar uma nova poesia. Mallarmé, poeta refinado e esteticista,inaugura a separação entre o poeta e o público que caracterizará a atual época literária francesa e influenciará a formulação teórica de movimentos como o dadaísmo e o surrealismo. Mallarmé exprime suas experiências sexuais e sentimentais em busca da noção ideal e da comunicação da beleza através dos sentidos particularmente pessoais de seu universo vocabular. “L'AprèsMidi d'un Faune” e “Le Tombeau d'Edgar Poe” representam o melhor das composições de Mallarmé. Verhaeren, mestre do verso livre, cuja imaginação e sensualidade não transmitidas através de símbolos diretamente inteligíveis e que elaboram seu universo poético de exaltação da alegria vital, é autor de “Les Visages de la Vie”, “Les Forces Tumultueuses”, “La Multiple Splendeur” e “Les Rythmes Souverains”. Francis Jammes cultua também o verso livre, mas, para dar conteúdo poético de autêntico lirismo cristão a assuntos rústicos e familiares, Jammes escreveu “De l'Angélus de Aube à l'Angélus du Soir”, “Le Triomphe de la Vie” e “Les Géorgiques Chréstiennes.

(Continua no próximo post.)

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 53/55

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Literatura Ocidental - Parte 15.




HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 15

LITERATURA FRANCESA


(Continuação do post anterior)

Época naturalista (1850-1890)

O naturalismo inicia-se com o exilo de Victor Hugo e o golpe de estado de Louis Bonaparte; é a época em que a burguesia pretende organizar definitiva e exclusivamente a sociedade de acordo com o espírito e, assim “restaurar” a ordem.

O pensamento crítico e histórico renovador prossegue. Saite-Beuve publica as importantes obras “Causeries du Lundi” e, em 1860, termina “Port Royal”, estudo das origens do movimento e das principais figuras do jansenismo dentro do quadro histórico-literário do século XVII. As obras completas de Joseph Proudhon são publicadas e conhecem prestígio entre 1868 e 1876: “Qu'est-ce que la propriété?”; Contraditions économiques”; “La Philosophie de la Misère”; “La Guerre et la Paix”; “Idées Révolutinnaires” etc. Proudhon, socialista utópico, analisa e ataca a burguesia, o capitalismo e a propriedade, que conceitua como “um roubo”. Claude Bernard (1813-1878) publica, em 1865, “Philosophie Expérimentale”; Claude Bernard introduz o método experimental na Medicina clínica. O positivismo, representado por Taine e por Ernest Renan (respectivamente 1828-1893 e 1823-1892), e o materialismo são as duas grandes linhas do pensamento no século. Hippolyte Adolphe Taine publica, entre 1865 e 1869, sua “Philosophie de l'Art” analisando as criações artísticas a partir da ação mecânica dos 3 fatores essenciais: raça, meio e momento. Ernest Renan publica os oito volumes de sua “Histoire des origines du christianisme”: “Vie de Jésus”, “Les Apôtres”, “Saint Paul”, “L'Antécrist”, “Les Évangiles et la seconde génération chrétienne,”L'Église chrétienne”, “Marc-Aurèle et la fin du monde antique” e “Index général” – ensaios de caráter histórico-religiosos que, proclamando a dignidade da personalidade humana com um fim em si mesma, procuram atribuir perspectivas humanas e estéticas à religião. Em 1890, Renan publica “L'Avenir de la Science”.

A nova corrente literária que se forma na época apenas receberá o nome de naturalismo com Zola (1840-1902). Émile Zola escreve romântica e naturalisticamente combinando uma energia estilística e imaginação artística à Victor Hugo com um realismo épico formado pela abundante acumulação de detalhes e pela análise sociologicamente determinada de seu tema predileto -- a miséria. Zola publicou “L'Assomoir”, sobre os pobres de Paris; e “Germinal”, a respeito dos operários mineiros; bem como,”Nana”, “La Débâcle” e “La Terre”.

Outra figura de transição poderia ser Gustave Flaubert (1821-1880) cujo temperamento romântico é expressado através de técnica naturalista com objetividade e impessoalidade. Como último romântico conhece e retira efeitos artísticos dos valores da musicalidade verbal, explora o pitoresco e emprega o expressivo; como realista inicial auxilia a literatura a reencontrar a vida real através da observação objetiva e minuciosa da realidade. Flaubert escreve diversos romances de formação simbólica, como “La tentation de Saint Antoine”. “Madame Bovary” e “L'Éducation Sentimentale”; dedica-se também ao romance histórico que, pela primeira vez, separa-se da história romantizada, como “Salammbô” o demonstra.

Alexandre Dumas Filho (1824-1895) destaca-se pela sua peça teatral “La Dame aux Camélias”. Toda a temática de Alexandre Dumas Filho pode ser resumida na tese de que a desorganização social resulte da desorganização familiar. Alphonse Daudet (1840-1897) é escritor naturalista de raro estilo cristalino, que expressa emoção e humor formados a partir de agudo dom de observação e organizados por uma visão realmente poética e satírica da vida parisiense. Entre as principais obras de Alphonse Daudet há que destacar “Le Petit Chose”, quase autobiográfico; “Lettres de Mon Moulin” e “Contes Choisis; e “Tartarin de Tarascon”.

Guy de Maupassant (1850-1893) é autor de numerosos contos e de um romance significativo, ”Une Vie”. Os contos de Maupassant são: “La Maison Tellier”, “Mademoiselle Fifi”, “Contes de la Bécasse”, “Les Soeurs Rondoli” e, durante a maturidade literária, “Yvette”, “Miss Harriett”, “Monsieur Parent”, “Contes du Jour et de la Nuit”, “La Petite Roque”, “Toine”, “Le Horta” e “Le Rosier de Madame Husson”. Transparece em Maupassant a desesperação alternadamente revelada através do sarcasmo, da piedade ou da angustia; os personagens não são comentados mas revelados pelos próprios atos concretos e estes jamais são julgados pelo escritor de extrema objetividade; o estilo apresenta simplicidade, sobriedade, equilíbrio e condensação.

(Continua no próximo post.)

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 51/53.

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Saudações.

MEUS QUERIDOS AMIGOS!

Hoje, 16 de janeiro de 2012, estamos regressando de um pequeno período de descanso, o suficiente para fazermos uma breve, porém necessária, manutenção na carcaça, assim como, concatenar as ideias a fim de oferecermos aos nossos leitores – pesquisadores, amigos e seguidores – informações mais claras e precisas concernentes à História da Literatura Mundial.

Na próxima quarta-feira, dia 18, continuaremos com a Literatura Francesa, com o post da parte 15, para dar continuidade a Literatura Ocidental, esperando contar com o apoio e a compreensão de todos, que são de fundamental importância para darmos sequência ao nosso trabalho, e mantermos o nosso espaço bem vivo.

Finalizando, desejamos a todos que o ano 2012 seja bem melhor do que o ano 2011 que passou.

“QUE 'DEUS' SEJA LOUVADO”

Literatura & Companhia Ilimitada
Rosemildo Sales Furtado

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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Literatura Ocidental - Parte 14.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 14

LITERATURA FRANCESA

(Continuação do post anterior)

Alfred de Vigny escreveu poemas morais-filisóficos-simbólicos. Transparece em Vigny o espírito épico-dramático envolto pelo misticismo pessimista e estóico de alguém desesperado pela solidão que não se resolve pela rebeldia mas pela resignação e pelo amor.

A geração romana seguinte é bem representada por Honoré de Balzac (1799-1850), Sthendhal (1783-1842) e George Sand (1804-1875) e poetas significativos são Gérard de Nerval (1808-1855), Alfred de Musset (1810-1857) e Théophile Gautier (1811-1872).

Honoré de Balzac é o escritor que observa os costumes, analisa os tipos humanos e os localiza fatalmente num quadro metafísico trágico. Sua primeira obra é publicada em 1829, “Choans”; a partir deste primeiro romance produz uma imensa quantidade de obras, nas quais aprimora suas qualidades de estilo, tornando-o literalmente enérgico até que atinge o ponto máximo de criação com “La Peau de Chagrin”, “Le Medicin de Campagne”, “La Recherce de l'Absolu” e, sobretudo,”Eugénie Grandet” e “Pére Goriot”. Englobados seus romances sob o título ”La Comédie Humaine” e classificados em estudos de costumes, estudos filosóficos e estudos analíticos, Balzac elabora um universo literalmente composto que apresenta uma gigantesca visão da sociedade francesa de sua época.

Henri Marie Beyle, literalmente conhecido como Stendhal, é romântico ao retirar a matéria-prima de seus romances da própria existência pessoal e realista pela análise de caracteres, pelo culto à realidade revelada através do acúmulo de minúcias, e pela apresentação do processo psicológico desde a concepção de um ato até sua concretização, Stendhal tem como romances principais: “Le Rouge et le Noir”, “La Chartreuse de Parme” e “Lucien Lauwen”.

George Sand, pseudônimo literário de Aurore Dupin, tem sua obra classificada sob três fases sucessivas: romances de inspiração romântica, romances humanitários e romances campestres. George Sand é a primeira escritora a apresentar as reivindicações feministas e o tema do amor livremente realizado contra os preconceitos sociais e as convenções da moral tradicional.Seus primeiros romances – “Indiana”, “Valentine”, “Lélia” e “Lettres d'un Voyageur” – representam bem a literatura de confidências românticas. A partir de 1836 dedica-se à atividade política e adota ideais humanitário-socialistas, época em que escreve os romances “Mauprat”, “Compagnon du Tour de France”, “Le Meunier d'Angibault” e “Le Péché de Monsieur Antoine”. Finalmente, Georg Sand atinge a fase de maturidade literária ao escrever os romances de temas campestres, “La Mare au Diable” e “La Petite Fadette”.

Gérad Labrunie, nome real de Gérard de Nerval, é o poeta do sonho e da dramaticidade interior, reveladas seja através de autobiografia “Aurélia”, seja através da rememoração do passado com suas ilusões frustradas, ou ainda, através dos sonetos “Les Chimères” de grande misticismo sentimental.

Louis Charles Alfred de Musset é dramaturgo e poeta do individualismo e da exaltação da inspiração, da imaginação e da sensibilidade. Como dramaturgo, Musset escreveu o drama poético “On ne badine pas avec l'amour”, caracterizado pela complexidade estrutural e na coexistência de elementos cômicos e patéticos resolvida pela supremacia dos últimos sobre os primeiros à medida que o processo dramático é desenvolvido. Como poeta, revela a crença num mal empírico e o expressa através de confidências e da transcrição de estados de alma, sempre fiel a seus versos: “Sachez-le, c'est le coeur qui parle et qui soupire lorsque la main écrit”. Seus célebres poemas são “Les Nuits”. Alfred de Musset escreveu também a quase-autobiografia “Confessions d'un Enfant du Siècle”.

Théophile Gautier, autor de “Émaux et Camées”, é o poeta da apreensão plástica da realidade e do culto da beleza formal. Pertenceu ao Parnasse Contemporain.

Os escritores que se dedicam à história e à crítica durante este final de romantismo preparam as bases teóricas para o advento do naturalismo na literatura. O conceito de história amplia-se abandonando os limites estreitos da politica, diplomacia e genealogia. Há necessidade de destacar Jules Michelet (1789-1874); Hippolyte Taine (1828-1893), que introduz as influências raciais, mesológicas e do momento; na crítica, Saint-Beuve (1804-1869) inaugura o método histórico de julgar a partir do homem e de sua vida e não em função de definições apriorísticas.

(Continua no próximo post.)

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 49/51.

Meus queridos amigos!

Hoje vamos iniciar uma pausa por um breve período, pois a carcaça clama por um pequeno descanso. Aproveitaremos a oportunidade para fazer uma análise sobre os nossos erros e acertos, assim como realizarmos uma arrumação no nosso humilde espaço.

Agradecemos de coração a companhia e o apoio de todos, prometendo, com a graça de “DEUS”, voltarmos em janeiro para dar continuidade ao nosso trabalho, isso, contando com o apoio e a compreensão dos amigos e seguidores, claro.

Desejamos a todos um “Maravilhoso Natal” e um “Ano Novo” repleto de realizações.

“QUE 'DEUS' SEJA LOUVADO”

Literatura e Companhia Ilimitada
Rosemildo Sales Furtado

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 13

LITERATURA FRANCESA

(Continuação do post anterior)

Com Chateaubriand e Mme. De Staël a literatura francesa rompe as perspectivas do mundo clássico descobrindo a Alemanha e sua poesia, a América e sua humanidade diferente; redescobre o passado gótico-medieval e conceitua a beleza independentemente da fixidez formal. Está, portanto, preparado o advento do romantismo literário.

O primeiro decênio do romantismo (de 1820 a 1830) é de intensa atividade literária, seja no campo das traduções, seja no da criação original. Entre os autores estrangeiros que são vertidos ao idioma francês, podem ser destacados: Shakespeare traduzido por Guizot, Byron por Pichot, Schiller por Barante, Manzoni por Fauriel, Wieland por Loeve-Veimars, Goethe por Nodier e também por Nerval, Dante por Deschamps. Quanto às obras românticas do primeiro decênio assinala-se: as primeiras “Méditations” de Lamartine (1790-1869), “Poèmes” por Alfred de Vigny (1797-1863), “Odes” de Victor Hugo (1802-1885), “Théâtre de Clara Gazul” de Mérimée, “Cinq Mars” de Vigny, “La Tableau de la Poésie Française au XVI Siècle” de Saint-Beuve, “Henri III et sa Cour” e “Antony” – todos de Dumas e os primeiros a conhecer a rápida e significativa aclamação popular.

Victor Hugo foi a máxima figura do romantismo francês pelo renome e prestígio alcançado; por sua atividade de romancista, poeta e autor teatral e por ter exercido a atividade literária durante todo o período da tendência que expressava o individualismo e o lirismo com consequente exaltação da sensibilidade e do “eu” num amplo anseio de comunhão com a natureza e a humanidade total. Como o poeta lírico de “Odes” denuncia forte influência de Lamartine e Chateaubriand, como o poeta satírico de “Les Châtiments” destaca-se pela expressão poética enérgica e violenta da crítica de Napoleão III. Como romancista dedica-se ao gênero histórico à Walter Scott e publica “Les Misérables” e “Notre Dame de Paris, nos quais se observa o gosto pronunciado pelo contraste. Em “La legende des Siècles” mescla o moralismo com o pitoresco; em “Notre Dame de Paris” apresenta excelente visão histórica de conjunto. A grande contribuição inicial de Hugo ao romantismo consiste no prefácio que anexa a “Cromwell”: neste prefácio-formulação teórica, afirma que, sendo o grotesco inseparável do sublime na vida real, não deveriam os gêneros trágico e cômico aparecer isoladamente; como consequências decorrem a eliminação das unidades de tempo e de lugar (e, portanto, a conservação da unidade de ação), a substituição da narrativa pela própria ação e a reconstituição fiel da época apresentada. Já no final do primeiro decênio romântico, V Hugo levava aos palcos com sucesso a peça “Hernani”, mas, sua obra-prima viria posteriormente com “Ruy Blas”, drama versificado.

Prosper Mérimée dedicou-se ao romance artístico-histórico. Além de “Théatre de Clara Gazul” – pseudo comediante espanhola que apresenta apenas criação da imaginação do autor –, escreveu “Chronique du temps de Charles IX”, “Colomba” e “Carmen”, nos quais está evidente seu esmero pela construção e a impessoalidade de relato que o aproximam do realismo clássico.

Alexandre Dumas pai, romancista de “Les Trois Mousquetaires” e de “Monte-Cristo”, foi, no entanto, sobretudo, autor teatral. Atesta-o sua peça “Antony” que pode ser considerada obra mais característica do teatro romântico. É notável o sentido que Dumas pai revela da ação e do autenticamente teatral. Foi Dumas o primeiro a introduzir à cena a cor local.

Alphonse de Lamartine é acima de tudo o poeta da ternura e do intimismo. Este idealizador do real, escreve com espontaneidade e sinceridade admiráveis seus poemas centralizados nos temas prediletos da busca do infinito, de amor à natureza, de anseio pela fé, de exaltação ao amor puro, como o demonstram seus poemas: “Le Lac”, “Le Soir”, “Isolement”, “L'Automne” e “Le Vallon”, ou “Ischia” e “Le Crucifix”. Lamartine tentou também o romance histórico com “Histoire des Girondins”.

(Continua no próximo post.)

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 47/49.

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