quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Literatura Ocidental - Parte 16.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 16

LITERATURA FRANCESA

(Continuação do post anterior)

A poesia parnasiana não apresenta maiores interesses que a consideração de Leconte de Lisle (1818-1894), Sully-Prudhomme (1839-1907) e José Maria Heredia (1842-1905).

Leconde Lisle, chefe do Parnasse Contemporain e encarnação das teorias da arte pela arte é o mais autêntico poeta da geração literária do realismo. Publicou “Poèmes Antiques”, “Poèmes Barbares” e Poèmes Tragiques”; nos dois primeiros aparece a nostalgia pelas civilizações gregas e hindu, bem como pelo passado egípcio, judaico, caldaico, escocês e irlandês; no último, o desespero perante a consciência do ilusório, e o pessimismo e angustia diante do destino humano. René François Armand Sully Prudhomme – autor de “Stances et Poèmes”, “Les Epreuves”, “Les Solitudes” e “Les Vaines Tendresses” – é o poeta das inquietudes íntimas e da melancolia e ternura. O cubano José Maria Heredia (1842-1905) é o poeta da paixão pelo longínquo no tempo e no espaço. Escreveu “Les Trophées.

A permanência do lirismo é-nos dada por Charle Baudelaire (1821-1867), autor de “Fleurs du Mal” e de “Petits Poèmes em Prose”. Baudelaire é dotado de excepcional sentimento crítico e dolorido da existência humana e pessoal na sua temporalidade e aproveita com perfeição de todos os efeitos musicais ao expressar com musicalidade as dores físicas e as perversões da alma. Charles Baudelaire anuncia o período simbolista.

Época simbolista (1890-1914)

As novas condições sócio-econômicas da França e do mundo provocam reações idealistas em todos os domínios da atividade humana. 1888 assinala a tradução de Schopenhauer à língua francesa. A produção do filósofo Henri Bergson (1859-1941) exerce profunda influência na reação contra as deficiências do materialismo e do naturalismo da época: “Essai sur les Données immédiates de la Conscience”, “L'Evolution Créatice”, “Matière et Mémoires” e “Les Deux Sources de la Morale et de la Religion” apontam os novos rumos idealistas do pensamento francês. No teatro a reação idealista é iniciada por Maurice Maeterlinck ((1862-1949) e culmina com sua peça psicológica e moral “Pelléas et Mélisande” em 1902. O teatro simbólico de Maeterlinck apresenta as angustias e o secreto do homem e do universo. Charles Péguy (1873-1914) é o autor do drama “Jeanne d'Arc” de inspiração socialista; Péguy refaz esta obra ao consagrar-se ao lirismo cristão místico, intitulando-a “Le Mystère de la Charité de Jeanne d'Arc”.

O simbolismo é essencialmente poético, como prova o aparecimento de Paul Verlaine (1844-1896, Arthur Rimbaud (1854-1891), Sthéphane Mallarmé (1842-1898), Emile Verhacren (1855-1916) e Francis Jammes (1868-1938). Paul Verlaine redescobre a musicalidade e a plena liberdade de expressão ao descrever estados fugitivos da sensibilidade. Verlaine inicia-se como parnasiano para tornar-se, posteriormente, um dos maiores simbolistas, embora seu estilo por vezes adquira características fortemente herméticas. “Poèmes Saturniens”, “Fêtes Galantes”, ”Bonne Chanson”, o original “Romances sans Parole” e também “Sagesse”, que constituem suas obras principais e representam o melhor de sua produção literária. Arthur Rimbaud é o poeta dos jogos da imaginação e da rebeldia contra a sociedade expressados numa linguagem poética flexível e pessoal na qual existe um sistema imagético cromático-sonoro extremamente original. Estas características e o misticismo ingênuo e, simultaneamente, carnal de Rimbaud pode ser agradavelmente comprovado pela leitura de “Rages de César”, “Le Dormeur du Val”, ”Les Effarés”, “Les Pauvres à l'Église”, “Les Premiéres Communions”, “Le Mal” “Bateau Ivre”, “Voyelles”, “Lanne”, “La Revière de Cassis”, “Fêtes de la faim” e Illuminations”; este último e “Une Saison em Enfer” escapam ao quadro simbolista para inaugurar uma nova poesia. Mallarmé, poeta refinado e esteticista,inaugura a separação entre o poeta e o público que caracterizará a atual época literária francesa e influenciará a formulação teórica de movimentos como o dadaísmo e o surrealismo. Mallarmé exprime suas experiências sexuais e sentimentais em busca da noção ideal e da comunicação da beleza através dos sentidos particularmente pessoais de seu universo vocabular. “L'AprèsMidi d'un Faune” e “Le Tombeau d'Edgar Poe” representam o melhor das composições de Mallarmé. Verhaeren, mestre do verso livre, cuja imaginação e sensualidade não transmitidas através de símbolos diretamente inteligíveis e que elaboram seu universo poético de exaltação da alegria vital, é autor de “Les Visages de la Vie”, “Les Forces Tumultueuses”, “La Multiple Splendeur” e “Les Rythmes Souverains”. Francis Jammes cultua também o verso livre, mas, para dar conteúdo poético de autêntico lirismo cristão a assuntos rústicos e familiares, Jammes escreveu “De l'Angélus de Aube à l'Angélus du Soir”, “Le Triomphe de la Vie” e “Les Géorgiques Chréstiennes.

(Continua no próximo post.)

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 53/55

Visite também:

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Literatura Ocidental - Parte 15.




HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 15

LITERATURA FRANCESA


(Continuação do post anterior)

Época naturalista (1850-1890)

O naturalismo inicia-se com o exilo de Victor Hugo e o golpe de estado de Louis Bonaparte; é a época em que a burguesia pretende organizar definitiva e exclusivamente a sociedade de acordo com o espírito e, assim “restaurar” a ordem.

O pensamento crítico e histórico renovador prossegue. Saite-Beuve publica as importantes obras “Causeries du Lundi” e, em 1860, termina “Port Royal”, estudo das origens do movimento e das principais figuras do jansenismo dentro do quadro histórico-literário do século XVII. As obras completas de Joseph Proudhon são publicadas e conhecem prestígio entre 1868 e 1876: “Qu'est-ce que la propriété?”; Contraditions économiques”; “La Philosophie de la Misère”; “La Guerre et la Paix”; “Idées Révolutinnaires” etc. Proudhon, socialista utópico, analisa e ataca a burguesia, o capitalismo e a propriedade, que conceitua como “um roubo”. Claude Bernard (1813-1878) publica, em 1865, “Philosophie Expérimentale”; Claude Bernard introduz o método experimental na Medicina clínica. O positivismo, representado por Taine e por Ernest Renan (respectivamente 1828-1893 e 1823-1892), e o materialismo são as duas grandes linhas do pensamento no século. Hippolyte Adolphe Taine publica, entre 1865 e 1869, sua “Philosophie de l'Art” analisando as criações artísticas a partir da ação mecânica dos 3 fatores essenciais: raça, meio e momento. Ernest Renan publica os oito volumes de sua “Histoire des origines du christianisme”: “Vie de Jésus”, “Les Apôtres”, “Saint Paul”, “L'Antécrist”, “Les Évangiles et la seconde génération chrétienne,”L'Église chrétienne”, “Marc-Aurèle et la fin du monde antique” e “Index général” – ensaios de caráter histórico-religiosos que, proclamando a dignidade da personalidade humana com um fim em si mesma, procuram atribuir perspectivas humanas e estéticas à religião. Em 1890, Renan publica “L'Avenir de la Science”.

A nova corrente literária que se forma na época apenas receberá o nome de naturalismo com Zola (1840-1902). Émile Zola escreve romântica e naturalisticamente combinando uma energia estilística e imaginação artística à Victor Hugo com um realismo épico formado pela abundante acumulação de detalhes e pela análise sociologicamente determinada de seu tema predileto -- a miséria. Zola publicou “L'Assomoir”, sobre os pobres de Paris; e “Germinal”, a respeito dos operários mineiros; bem como,”Nana”, “La Débâcle” e “La Terre”.

Outra figura de transição poderia ser Gustave Flaubert (1821-1880) cujo temperamento romântico é expressado através de técnica naturalista com objetividade e impessoalidade. Como último romântico conhece e retira efeitos artísticos dos valores da musicalidade verbal, explora o pitoresco e emprega o expressivo; como realista inicial auxilia a literatura a reencontrar a vida real através da observação objetiva e minuciosa da realidade. Flaubert escreve diversos romances de formação simbólica, como “La tentation de Saint Antoine”. “Madame Bovary” e “L'Éducation Sentimentale”; dedica-se também ao romance histórico que, pela primeira vez, separa-se da história romantizada, como “Salammbô” o demonstra.

Alexandre Dumas Filho (1824-1895) destaca-se pela sua peça teatral “La Dame aux Camélias”. Toda a temática de Alexandre Dumas Filho pode ser resumida na tese de que a desorganização social resulte da desorganização familiar. Alphonse Daudet (1840-1897) é escritor naturalista de raro estilo cristalino, que expressa emoção e humor formados a partir de agudo dom de observação e organizados por uma visão realmente poética e satírica da vida parisiense. Entre as principais obras de Alphonse Daudet há que destacar “Le Petit Chose”, quase autobiográfico; “Lettres de Mon Moulin” e “Contes Choisis; e “Tartarin de Tarascon”.

Guy de Maupassant (1850-1893) é autor de numerosos contos e de um romance significativo, ”Une Vie”. Os contos de Maupassant são: “La Maison Tellier”, “Mademoiselle Fifi”, “Contes de la Bécasse”, “Les Soeurs Rondoli” e, durante a maturidade literária, “Yvette”, “Miss Harriett”, “Monsieur Parent”, “Contes du Jour et de la Nuit”, “La Petite Roque”, “Toine”, “Le Horta” e “Le Rosier de Madame Husson”. Transparece em Maupassant a desesperação alternadamente revelada através do sarcasmo, da piedade ou da angustia; os personagens não são comentados mas revelados pelos próprios atos concretos e estes jamais são julgados pelo escritor de extrema objetividade; o estilo apresenta simplicidade, sobriedade, equilíbrio e condensação.

(Continua no próximo post.)

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 51/53.

Visite também:

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Saudações.

MEUS QUERIDOS AMIGOS!

Hoje, 16 de janeiro de 2012, estamos regressando de um pequeno período de descanso, o suficiente para fazermos uma breve, porém necessária, manutenção na carcaça, assim como, concatenar as ideias a fim de oferecermos aos nossos leitores – pesquisadores, amigos e seguidores – informações mais claras e precisas concernentes à História da Literatura Mundial.

Na próxima quarta-feira, dia 18, continuaremos com a Literatura Francesa, com o post da parte 15, para dar continuidade a Literatura Ocidental, esperando contar com o apoio e a compreensão de todos, que são de fundamental importância para darmos sequência ao nosso trabalho, e mantermos o nosso espaço bem vivo.

Finalizando, desejamos a todos que o ano 2012 seja bem melhor do que o ano 2011 que passou.

“QUE 'DEUS' SEJA LOUVADO”

Literatura & Companhia Ilimitada
Rosemildo Sales Furtado

Visite Também:

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Literatura Ocidental - Parte 14.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 14

LITERATURA FRANCESA

(Continuação do post anterior)

Alfred de Vigny escreveu poemas morais-filisóficos-simbólicos. Transparece em Vigny o espírito épico-dramático envolto pelo misticismo pessimista e estóico de alguém desesperado pela solidão que não se resolve pela rebeldia mas pela resignação e pelo amor.

A geração romana seguinte é bem representada por Honoré de Balzac (1799-1850), Sthendhal (1783-1842) e George Sand (1804-1875) e poetas significativos são Gérard de Nerval (1808-1855), Alfred de Musset (1810-1857) e Théophile Gautier (1811-1872).

Honoré de Balzac é o escritor que observa os costumes, analisa os tipos humanos e os localiza fatalmente num quadro metafísico trágico. Sua primeira obra é publicada em 1829, “Choans”; a partir deste primeiro romance produz uma imensa quantidade de obras, nas quais aprimora suas qualidades de estilo, tornando-o literalmente enérgico até que atinge o ponto máximo de criação com “La Peau de Chagrin”, “Le Medicin de Campagne”, “La Recherce de l'Absolu” e, sobretudo,”Eugénie Grandet” e “Pére Goriot”. Englobados seus romances sob o título ”La Comédie Humaine” e classificados em estudos de costumes, estudos filosóficos e estudos analíticos, Balzac elabora um universo literalmente composto que apresenta uma gigantesca visão da sociedade francesa de sua época.

Henri Marie Beyle, literalmente conhecido como Stendhal, é romântico ao retirar a matéria-prima de seus romances da própria existência pessoal e realista pela análise de caracteres, pelo culto à realidade revelada através do acúmulo de minúcias, e pela apresentação do processo psicológico desde a concepção de um ato até sua concretização, Stendhal tem como romances principais: “Le Rouge et le Noir”, “La Chartreuse de Parme” e “Lucien Lauwen”.

George Sand, pseudônimo literário de Aurore Dupin, tem sua obra classificada sob três fases sucessivas: romances de inspiração romântica, romances humanitários e romances campestres. George Sand é a primeira escritora a apresentar as reivindicações feministas e o tema do amor livremente realizado contra os preconceitos sociais e as convenções da moral tradicional.Seus primeiros romances – “Indiana”, “Valentine”, “Lélia” e “Lettres d'un Voyageur” – representam bem a literatura de confidências românticas. A partir de 1836 dedica-se à atividade política e adota ideais humanitário-socialistas, época em que escreve os romances “Mauprat”, “Compagnon du Tour de France”, “Le Meunier d'Angibault” e “Le Péché de Monsieur Antoine”. Finalmente, Georg Sand atinge a fase de maturidade literária ao escrever os romances de temas campestres, “La Mare au Diable” e “La Petite Fadette”.

Gérad Labrunie, nome real de Gérard de Nerval, é o poeta do sonho e da dramaticidade interior, reveladas seja através de autobiografia “Aurélia”, seja através da rememoração do passado com suas ilusões frustradas, ou ainda, através dos sonetos “Les Chimères” de grande misticismo sentimental.

Louis Charles Alfred de Musset é dramaturgo e poeta do individualismo e da exaltação da inspiração, da imaginação e da sensibilidade. Como dramaturgo, Musset escreveu o drama poético “On ne badine pas avec l'amour”, caracterizado pela complexidade estrutural e na coexistência de elementos cômicos e patéticos resolvida pela supremacia dos últimos sobre os primeiros à medida que o processo dramático é desenvolvido. Como poeta, revela a crença num mal empírico e o expressa através de confidências e da transcrição de estados de alma, sempre fiel a seus versos: “Sachez-le, c'est le coeur qui parle et qui soupire lorsque la main écrit”. Seus célebres poemas são “Les Nuits”. Alfred de Musset escreveu também a quase-autobiografia “Confessions d'un Enfant du Siècle”.

Théophile Gautier, autor de “Émaux et Camées”, é o poeta da apreensão plástica da realidade e do culto da beleza formal. Pertenceu ao Parnasse Contemporain.

Os escritores que se dedicam à história e à crítica durante este final de romantismo preparam as bases teóricas para o advento do naturalismo na literatura. O conceito de história amplia-se abandonando os limites estreitos da politica, diplomacia e genealogia. Há necessidade de destacar Jules Michelet (1789-1874); Hippolyte Taine (1828-1893), que introduz as influências raciais, mesológicas e do momento; na crítica, Saint-Beuve (1804-1869) inaugura o método histórico de julgar a partir do homem e de sua vida e não em função de definições apriorísticas.

(Continua no próximo post.)

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 49/51.

Meus queridos amigos!

Hoje vamos iniciar uma pausa por um breve período, pois a carcaça clama por um pequeno descanso. Aproveitaremos a oportunidade para fazer uma análise sobre os nossos erros e acertos, assim como realizarmos uma arrumação no nosso humilde espaço.

Agradecemos de coração a companhia e o apoio de todos, prometendo, com a graça de “DEUS”, voltarmos em janeiro para dar continuidade ao nosso trabalho, isso, contando com o apoio e a compreensão dos amigos e seguidores, claro.

Desejamos a todos um “Maravilhoso Natal” e um “Ano Novo” repleto de realizações.

“QUE 'DEUS' SEJA LOUVADO”

Literatura e Companhia Ilimitada
Rosemildo Sales Furtado

Visite também:

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 13

LITERATURA FRANCESA

(Continuação do post anterior)

Com Chateaubriand e Mme. De Staël a literatura francesa rompe as perspectivas do mundo clássico descobrindo a Alemanha e sua poesia, a América e sua humanidade diferente; redescobre o passado gótico-medieval e conceitua a beleza independentemente da fixidez formal. Está, portanto, preparado o advento do romantismo literário.

O primeiro decênio do romantismo (de 1820 a 1830) é de intensa atividade literária, seja no campo das traduções, seja no da criação original. Entre os autores estrangeiros que são vertidos ao idioma francês, podem ser destacados: Shakespeare traduzido por Guizot, Byron por Pichot, Schiller por Barante, Manzoni por Fauriel, Wieland por Loeve-Veimars, Goethe por Nodier e também por Nerval, Dante por Deschamps. Quanto às obras românticas do primeiro decênio assinala-se: as primeiras “Méditations” de Lamartine (1790-1869), “Poèmes” por Alfred de Vigny (1797-1863), “Odes” de Victor Hugo (1802-1885), “Théâtre de Clara Gazul” de Mérimée, “Cinq Mars” de Vigny, “La Tableau de la Poésie Française au XVI Siècle” de Saint-Beuve, “Henri III et sa Cour” e “Antony” – todos de Dumas e os primeiros a conhecer a rápida e significativa aclamação popular.

Victor Hugo foi a máxima figura do romantismo francês pelo renome e prestígio alcançado; por sua atividade de romancista, poeta e autor teatral e por ter exercido a atividade literária durante todo o período da tendência que expressava o individualismo e o lirismo com consequente exaltação da sensibilidade e do “eu” num amplo anseio de comunhão com a natureza e a humanidade total. Como o poeta lírico de “Odes” denuncia forte influência de Lamartine e Chateaubriand, como o poeta satírico de “Les Châtiments” destaca-se pela expressão poética enérgica e violenta da crítica de Napoleão III. Como romancista dedica-se ao gênero histórico à Walter Scott e publica “Les Misérables” e “Notre Dame de Paris, nos quais se observa o gosto pronunciado pelo contraste. Em “La legende des Siècles” mescla o moralismo com o pitoresco; em “Notre Dame de Paris” apresenta excelente visão histórica de conjunto. A grande contribuição inicial de Hugo ao romantismo consiste no prefácio que anexa a “Cromwell”: neste prefácio-formulação teórica, afirma que, sendo o grotesco inseparável do sublime na vida real, não deveriam os gêneros trágico e cômico aparecer isoladamente; como consequências decorrem a eliminação das unidades de tempo e de lugar (e, portanto, a conservação da unidade de ação), a substituição da narrativa pela própria ação e a reconstituição fiel da época apresentada. Já no final do primeiro decênio romântico, V Hugo levava aos palcos com sucesso a peça “Hernani”, mas, sua obra-prima viria posteriormente com “Ruy Blas”, drama versificado.

Prosper Mérimée dedicou-se ao romance artístico-histórico. Além de “Théatre de Clara Gazul” – pseudo comediante espanhola que apresenta apenas criação da imaginação do autor –, escreveu “Chronique du temps de Charles IX”, “Colomba” e “Carmen”, nos quais está evidente seu esmero pela construção e a impessoalidade de relato que o aproximam do realismo clássico.

Alexandre Dumas pai, romancista de “Les Trois Mousquetaires” e de “Monte-Cristo”, foi, no entanto, sobretudo, autor teatral. Atesta-o sua peça “Antony” que pode ser considerada obra mais característica do teatro romântico. É notável o sentido que Dumas pai revela da ação e do autenticamente teatral. Foi Dumas o primeiro a introduzir à cena a cor local.

Alphonse de Lamartine é acima de tudo o poeta da ternura e do intimismo. Este idealizador do real, escreve com espontaneidade e sinceridade admiráveis seus poemas centralizados nos temas prediletos da busca do infinito, de amor à natureza, de anseio pela fé, de exaltação ao amor puro, como o demonstram seus poemas: “Le Lac”, “Le Soir”, “Isolement”, “L'Automne” e “Le Vallon”, ou “Ischia” e “Le Crucifix”. Lamartine tentou também o romance histórico com “Histoire des Girondins”.

(Continua no próximo post.)

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 47/49.

Visite também:

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Literatura Ocidental - Parte 12.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 12

LITERATURA FRANCESA

(Continuação do post anterior)

Dentre os romancistas obscurecidos pelo desabrochar do romance no século XIX – Mme. De Tencin (1681-1749). Mle. De Lussan (1682-1758), Mme. De Graffigny (1696-1758, por exemplo – é necessário destacar Bernardin de Saint-Pierre (Jacques Henri-Bernardin de Saint-Pierre – 1737-1814) escreveu “Paul et Virginie” (um dos episódios de “Études de la Nature”) no qual descreve o amor inocente de dois jovens em ambiente idílico. Ampliando os elementos pitorescos de Rousseau romancista, Bernardin de Saint-Pierre anuncia a aproximação do romantismo. Apenas um poeta lírico surge no século XVIII: André Chénier (1762-1794), que reformando a versificação tradicional através de recursos métricos, como a ampliação do enjambement, domina com maestria o ritmo e a melodia. Os poemas de Chénier reintroduzem a sinceridade de emoções na poesia e revelam imensa plasticidade de expressão.


Época revolucionária (1789-1815)

Os grandes pensadores do século XVIII foram expressões de um pensamento progressista que será convertido em atos em 1789, inaugurando um período de reformulação social e política literariamente expressada em lirismo e eloquência. O lirismo da revolução é sobretudo heroico e patético e atinge as grandes massas populacionais. Entronizada a Razão como única deusa eleva-se o anseio de liberdade nas praças públicas ao som da “Marseillaise”, de “Ça ira” ou do “Chant du Départ” e a palavra eloquente é de novo oferecida ao povo em ambientes abertos, como o ilustra Danton.

O movimento de expressão literária dos grandes pensadores do século anterior prossegue apenas reforçado em sua formulação revolucionária. Os estudos históricos e filosóficos encontram transcrição literária com Mirabeau (1749-1791), Robespierre (1759-1794), Danton (1759-1794), Condorcet (1743-1794) e Camille Desmoulins (1760-1794).

A queda de um mundo pelo poder da estabilidade violentamente ocorrida nas estruturas sociais, políticas e morais e o reconhecimento de que não traziam em si qualquer valor absoluto produz escritores cuja temática está centralizada na angustiante solidão do homem, como Chateaubriand (1768-1848), Benjamin Constant (1767-1830) e Mme. De Staël (1766-1817). Benjamin Constant escreveu “De l'Esprit de Conquête” e “De la Religion”, romances que refletem uma ação política positiva, e “Adolphe”, romance psicológico que apresenta os personagens na plenitude de sua complexidade. Mme. de Staël, como é conhecida Anne Louise Germaine Necker, escreveu numerosos panfletos políticos, tem imensa correspondência e livros como “Eloges”; “Réflexions sur la Paix”; “Essais sur les factions”; “Dix Années d'Exil”; “De l'influence des passions sur le bonheur des individus et des nations”; o ótimo ensaio “La Littérature considerée dans ses rapports avec les institutions sociales”; e, como obra-prima, o romance “Corinne” no qual surgem as primeiras reivindicações feministas. Mme de Staël, no entanto, é menos escritora que uma heroína romântica e divulgadora da doutrina romântica da primazia do gênio e da inspiração sobre a tradição e a imitação, bem como na atmosfera de inquietude, melancolia e exaltação lírica. François René, visconde de Chateaubriand, é o grande escritor pré-romântico que, através de suas obras (“Le Génie du Christianisme”; “René”; “Les Martyrs”; “Atala” e, principalmente, “Memoires d'Outre Tombe”, romance autobiográfico de imenso valor), caracteriza-se pela perfeição descritiva, imaginação poética, musicalidade de perfeito equilíbrio como é adequado a prosa, beleza de comunicação literária da realidade plástica, sentimento religioso – todos esse aspectos encontrando expressão graças à harmonia e vivacidade de um estilo profundamente lírico. A obra de Chateaubriand está estruturada em função de valores estritamente pessoais e não coletivos, o que indica o aparecimento do “eu” poético-romântico.

(Continua no próximo post.)

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 46/47.

Visite também:

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Literatura Ocidental - Parte 11.



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 11

LITERATURA FRANCESA

(Continuação do post anterior)

Denis Diderot foi escritor de grande vivacidade de estilo, capaz de expressar-se em agradável estilo, autêntica conversa graciosa e acalorada. Como romancista é sobretudo o autor de “Le Neveau de Rameau”, romance dialogado no qual mescla realismo e lirismo de maneira a poder receber a classificação de escritor moderno, de “La Religieuse”, romance anticlerical. Para o teatro escreveu “Le Fils Naturel” e “Le Père de Famille” – dramas realistas burgueses do teatro de tese. Por suas ideias subversivas à religião e ao sistema aristocrático num ateísmo consequente e elevado uniu-se ao movimento político-literário do qual resultaria a Revolução Francesa a qual contribuiu com a idealização e colaboração na Enciclopédia. De fato, a Enciclopédia foi a autêntica súmula do racionalismo que fundamentou filosoficamente a vitoriosa ascensão da burguesia. Compreendida em 28 volumes publicados de 1751 a 1772, a Enciclopédia muito contribuiu para a divulgação dos conhecimentos científicos da época, e das ideias-força do progresso e da razão. Os maiores escritores e filósofos da França no século XVIII colaboraram na elaboração da Enciclopédia: Diderot dirigindo-a e colaborando; d'Alembert (1717-1783) redigindo o Discurso Preliminar que apresenta a orientação geral e as doutrinas filosóficas da empresa cultural; Jaucourt (1704-1779) encarregando-se de partes científicas, políticas e religiosas; Holbach (1723-1789) escrevendo as partes de química e mineralogia; Marmontel (1723-1799) responsabilizando-se pelas partes de literatura; Morellet (1727-1819) autor das partes de Teologia e de Metafísica; e muitos outros, como Condillac (1715-1780) e Helvétius (1715-1771). A Enciclopédia alcançou inteiramente seus objetivos ao ter estimulado o desenvolvimento da pesquisa científica e da atitude de livre-exame. Etienne Bonnot de Condillac é também autor de obras, das quais devem ser destacadas: “Traité des sensations” e “Essais sur l'origine des connaissances humaines”; Claude Adrien Helvétius autor de “De l'Eprit”, “Le Bonheur”; “De l'homme, de ses facultés intellectuelles et de son éducation” é o filósofo sensualista que lutou pelo reconhecimento da relatividade moral e pela igualdade de espíritos. Helvétius por sua crítica social e por suas preocupações econômicas é um precursor do socialismo e do materialismo científico de Marx.

Jean-Jacques Rousseau, também um dos enciclopedistas, é o autor de “Émile”, que introduz o princípio da bondade da natureza humana; “Contrat Social”, no qual apresenta a natureza de convenção contratual humana do direito e da moral; Nouvelle Héloise”, em que desenvolve a apologia da vida doméstica e campestre ao mesmo tempo em que prega a reforma dos costumes pelo estabelecimento de uma moral natural; “Conféssions” e sua continuação “Rêveries du promeneur solitaire”, ambos autobiográficos, porém, o segundo com maior potência emotiva; finalmente, a obra “Discours sur l'origine et les fondements de l'inégalité parmi les hommes”.

Romancistas importantes exclusivamente como literatos e pertencentes ao século são: Marivaux (1688-1783), Prévost (1697-1763), Choderlos de Laclos (1741-1803). Pierre carlet de Chamblain de Marivaux tem dois romances principais: “Marianne” e “Le Paysan parvenu”, nos quais apresenta análises psicológicas convencionais, mas, ótima observação dos costumes; a glória de Marivaux procede de suas comédias “Le Jeu de l'Amour et du Hasard”, “Les Legs” e “Les Fausses Confidences” – que pertencem a um teatro de fantasia, de amor terno e profundo e de ação interior. O abade Prévost d'Exiles escreveu uma obra-prima intitulada “Manon Lescault”, que é o tomo VII das Mémoires d'un Homme de qualité”. “Manon Lescault” revela a influência que Prévost recebeu do inglês Richardson; nela observa-se a intensidade de sentimento expresso pateticamente mas sem exageros declamatórios devido a seu estilo simples e direto. Prévost inicia o exotismo literário e em suas personagens já está prefigurado o herói romântico. Pierre Choderlos de Laclos é o autor de “Liaisons dangereuses”, inicialmente intitulado Lettres recueillies dans une societé et publiées pour l'instruction de quelques autres”, notável por seus estudos psicológicos.

(Continua no próximo post.)

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 44/45. 

Visite também:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...