segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Saudações.

MEUS QUERIDOS AMIGOS!

Hoje, 16 de janeiro de 2012, estamos regressando de um pequeno período de descanso, o suficiente para fazermos uma breve, porém necessária, manutenção na carcaça, assim como, concatenar as ideias a fim de oferecermos aos nossos leitores – pesquisadores, amigos e seguidores – informações mais claras e precisas concernentes à História da Literatura Mundial.

Na próxima quarta-feira, dia 18, continuaremos com a Literatura Francesa, com o post da parte 15, para dar continuidade a Literatura Ocidental, esperando contar com o apoio e a compreensão de todos, que são de fundamental importância para darmos sequência ao nosso trabalho, e mantermos o nosso espaço bem vivo.

Finalizando, desejamos a todos que o ano 2012 seja bem melhor do que o ano 2011 que passou.

“QUE 'DEUS' SEJA LOUVADO”

Literatura & Companhia Ilimitada
Rosemildo Sales Furtado

Visite Também:

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Literatura Ocidental - Parte 14.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 14

LITERATURA FRANCESA

(Continuação do post anterior)

Alfred de Vigny escreveu poemas morais-filisóficos-simbólicos. Transparece em Vigny o espírito épico-dramático envolto pelo misticismo pessimista e estóico de alguém desesperado pela solidão que não se resolve pela rebeldia mas pela resignação e pelo amor.

A geração romana seguinte é bem representada por Honoré de Balzac (1799-1850), Sthendhal (1783-1842) e George Sand (1804-1875) e poetas significativos são Gérard de Nerval (1808-1855), Alfred de Musset (1810-1857) e Théophile Gautier (1811-1872).

Honoré de Balzac é o escritor que observa os costumes, analisa os tipos humanos e os localiza fatalmente num quadro metafísico trágico. Sua primeira obra é publicada em 1829, “Choans”; a partir deste primeiro romance produz uma imensa quantidade de obras, nas quais aprimora suas qualidades de estilo, tornando-o literalmente enérgico até que atinge o ponto máximo de criação com “La Peau de Chagrin”, “Le Medicin de Campagne”, “La Recherce de l'Absolu” e, sobretudo,”Eugénie Grandet” e “Pére Goriot”. Englobados seus romances sob o título ”La Comédie Humaine” e classificados em estudos de costumes, estudos filosóficos e estudos analíticos, Balzac elabora um universo literalmente composto que apresenta uma gigantesca visão da sociedade francesa de sua época.

Henri Marie Beyle, literalmente conhecido como Stendhal, é romântico ao retirar a matéria-prima de seus romances da própria existência pessoal e realista pela análise de caracteres, pelo culto à realidade revelada através do acúmulo de minúcias, e pela apresentação do processo psicológico desde a concepção de um ato até sua concretização, Stendhal tem como romances principais: “Le Rouge et le Noir”, “La Chartreuse de Parme” e “Lucien Lauwen”.

George Sand, pseudônimo literário de Aurore Dupin, tem sua obra classificada sob três fases sucessivas: romances de inspiração romântica, romances humanitários e romances campestres. George Sand é a primeira escritora a apresentar as reivindicações feministas e o tema do amor livremente realizado contra os preconceitos sociais e as convenções da moral tradicional.Seus primeiros romances – “Indiana”, “Valentine”, “Lélia” e “Lettres d'un Voyageur” – representam bem a literatura de confidências românticas. A partir de 1836 dedica-se à atividade política e adota ideais humanitário-socialistas, época em que escreve os romances “Mauprat”, “Compagnon du Tour de France”, “Le Meunier d'Angibault” e “Le Péché de Monsieur Antoine”. Finalmente, Georg Sand atinge a fase de maturidade literária ao escrever os romances de temas campestres, “La Mare au Diable” e “La Petite Fadette”.

Gérad Labrunie, nome real de Gérard de Nerval, é o poeta do sonho e da dramaticidade interior, reveladas seja através de autobiografia “Aurélia”, seja através da rememoração do passado com suas ilusões frustradas, ou ainda, através dos sonetos “Les Chimères” de grande misticismo sentimental.

Louis Charles Alfred de Musset é dramaturgo e poeta do individualismo e da exaltação da inspiração, da imaginação e da sensibilidade. Como dramaturgo, Musset escreveu o drama poético “On ne badine pas avec l'amour”, caracterizado pela complexidade estrutural e na coexistência de elementos cômicos e patéticos resolvida pela supremacia dos últimos sobre os primeiros à medida que o processo dramático é desenvolvido. Como poeta, revela a crença num mal empírico e o expressa através de confidências e da transcrição de estados de alma, sempre fiel a seus versos: “Sachez-le, c'est le coeur qui parle et qui soupire lorsque la main écrit”. Seus célebres poemas são “Les Nuits”. Alfred de Musset escreveu também a quase-autobiografia “Confessions d'un Enfant du Siècle”.

Théophile Gautier, autor de “Émaux et Camées”, é o poeta da apreensão plástica da realidade e do culto da beleza formal. Pertenceu ao Parnasse Contemporain.

Os escritores que se dedicam à história e à crítica durante este final de romantismo preparam as bases teóricas para o advento do naturalismo na literatura. O conceito de história amplia-se abandonando os limites estreitos da politica, diplomacia e genealogia. Há necessidade de destacar Jules Michelet (1789-1874); Hippolyte Taine (1828-1893), que introduz as influências raciais, mesológicas e do momento; na crítica, Saint-Beuve (1804-1869) inaugura o método histórico de julgar a partir do homem e de sua vida e não em função de definições apriorísticas.

(Continua no próximo post.)

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 49/51.

Meus queridos amigos!

Hoje vamos iniciar uma pausa por um breve período, pois a carcaça clama por um pequeno descanso. Aproveitaremos a oportunidade para fazer uma análise sobre os nossos erros e acertos, assim como realizarmos uma arrumação no nosso humilde espaço.

Agradecemos de coração a companhia e o apoio de todos, prometendo, com a graça de “DEUS”, voltarmos em janeiro para dar continuidade ao nosso trabalho, isso, contando com o apoio e a compreensão dos amigos e seguidores, claro.

Desejamos a todos um “Maravilhoso Natal” e um “Ano Novo” repleto de realizações.

“QUE 'DEUS' SEJA LOUVADO”

Literatura e Companhia Ilimitada
Rosemildo Sales Furtado

Visite também:

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 13

LITERATURA FRANCESA

(Continuação do post anterior)

Com Chateaubriand e Mme. De Staël a literatura francesa rompe as perspectivas do mundo clássico descobrindo a Alemanha e sua poesia, a América e sua humanidade diferente; redescobre o passado gótico-medieval e conceitua a beleza independentemente da fixidez formal. Está, portanto, preparado o advento do romantismo literário.

O primeiro decênio do romantismo (de 1820 a 1830) é de intensa atividade literária, seja no campo das traduções, seja no da criação original. Entre os autores estrangeiros que são vertidos ao idioma francês, podem ser destacados: Shakespeare traduzido por Guizot, Byron por Pichot, Schiller por Barante, Manzoni por Fauriel, Wieland por Loeve-Veimars, Goethe por Nodier e também por Nerval, Dante por Deschamps. Quanto às obras românticas do primeiro decênio assinala-se: as primeiras “Méditations” de Lamartine (1790-1869), “Poèmes” por Alfred de Vigny (1797-1863), “Odes” de Victor Hugo (1802-1885), “Théâtre de Clara Gazul” de Mérimée, “Cinq Mars” de Vigny, “La Tableau de la Poésie Française au XVI Siècle” de Saint-Beuve, “Henri III et sa Cour” e “Antony” – todos de Dumas e os primeiros a conhecer a rápida e significativa aclamação popular.

Victor Hugo foi a máxima figura do romantismo francês pelo renome e prestígio alcançado; por sua atividade de romancista, poeta e autor teatral e por ter exercido a atividade literária durante todo o período da tendência que expressava o individualismo e o lirismo com consequente exaltação da sensibilidade e do “eu” num amplo anseio de comunhão com a natureza e a humanidade total. Como o poeta lírico de “Odes” denuncia forte influência de Lamartine e Chateaubriand, como o poeta satírico de “Les Châtiments” destaca-se pela expressão poética enérgica e violenta da crítica de Napoleão III. Como romancista dedica-se ao gênero histórico à Walter Scott e publica “Les Misérables” e “Notre Dame de Paris, nos quais se observa o gosto pronunciado pelo contraste. Em “La legende des Siècles” mescla o moralismo com o pitoresco; em “Notre Dame de Paris” apresenta excelente visão histórica de conjunto. A grande contribuição inicial de Hugo ao romantismo consiste no prefácio que anexa a “Cromwell”: neste prefácio-formulação teórica, afirma que, sendo o grotesco inseparável do sublime na vida real, não deveriam os gêneros trágico e cômico aparecer isoladamente; como consequências decorrem a eliminação das unidades de tempo e de lugar (e, portanto, a conservação da unidade de ação), a substituição da narrativa pela própria ação e a reconstituição fiel da época apresentada. Já no final do primeiro decênio romântico, V Hugo levava aos palcos com sucesso a peça “Hernani”, mas, sua obra-prima viria posteriormente com “Ruy Blas”, drama versificado.

Prosper Mérimée dedicou-se ao romance artístico-histórico. Além de “Théatre de Clara Gazul” – pseudo comediante espanhola que apresenta apenas criação da imaginação do autor –, escreveu “Chronique du temps de Charles IX”, “Colomba” e “Carmen”, nos quais está evidente seu esmero pela construção e a impessoalidade de relato que o aproximam do realismo clássico.

Alexandre Dumas pai, romancista de “Les Trois Mousquetaires” e de “Monte-Cristo”, foi, no entanto, sobretudo, autor teatral. Atesta-o sua peça “Antony” que pode ser considerada obra mais característica do teatro romântico. É notável o sentido que Dumas pai revela da ação e do autenticamente teatral. Foi Dumas o primeiro a introduzir à cena a cor local.

Alphonse de Lamartine é acima de tudo o poeta da ternura e do intimismo. Este idealizador do real, escreve com espontaneidade e sinceridade admiráveis seus poemas centralizados nos temas prediletos da busca do infinito, de amor à natureza, de anseio pela fé, de exaltação ao amor puro, como o demonstram seus poemas: “Le Lac”, “Le Soir”, “Isolement”, “L'Automne” e “Le Vallon”, ou “Ischia” e “Le Crucifix”. Lamartine tentou também o romance histórico com “Histoire des Girondins”.

(Continua no próximo post.)

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 47/49.

Visite também:

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Literatura Ocidental - Parte 12.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 12

LITERATURA FRANCESA

(Continuação do post anterior)

Dentre os romancistas obscurecidos pelo desabrochar do romance no século XIX – Mme. De Tencin (1681-1749). Mle. De Lussan (1682-1758), Mme. De Graffigny (1696-1758, por exemplo – é necessário destacar Bernardin de Saint-Pierre (Jacques Henri-Bernardin de Saint-Pierre – 1737-1814) escreveu “Paul et Virginie” (um dos episódios de “Études de la Nature”) no qual descreve o amor inocente de dois jovens em ambiente idílico. Ampliando os elementos pitorescos de Rousseau romancista, Bernardin de Saint-Pierre anuncia a aproximação do romantismo. Apenas um poeta lírico surge no século XVIII: André Chénier (1762-1794), que reformando a versificação tradicional através de recursos métricos, como a ampliação do enjambement, domina com maestria o ritmo e a melodia. Os poemas de Chénier reintroduzem a sinceridade de emoções na poesia e revelam imensa plasticidade de expressão.


Época revolucionária (1789-1815)

Os grandes pensadores do século XVIII foram expressões de um pensamento progressista que será convertido em atos em 1789, inaugurando um período de reformulação social e política literariamente expressada em lirismo e eloquência. O lirismo da revolução é sobretudo heroico e patético e atinge as grandes massas populacionais. Entronizada a Razão como única deusa eleva-se o anseio de liberdade nas praças públicas ao som da “Marseillaise”, de “Ça ira” ou do “Chant du Départ” e a palavra eloquente é de novo oferecida ao povo em ambientes abertos, como o ilustra Danton.

O movimento de expressão literária dos grandes pensadores do século anterior prossegue apenas reforçado em sua formulação revolucionária. Os estudos históricos e filosóficos encontram transcrição literária com Mirabeau (1749-1791), Robespierre (1759-1794), Danton (1759-1794), Condorcet (1743-1794) e Camille Desmoulins (1760-1794).

A queda de um mundo pelo poder da estabilidade violentamente ocorrida nas estruturas sociais, políticas e morais e o reconhecimento de que não traziam em si qualquer valor absoluto produz escritores cuja temática está centralizada na angustiante solidão do homem, como Chateaubriand (1768-1848), Benjamin Constant (1767-1830) e Mme. De Staël (1766-1817). Benjamin Constant escreveu “De l'Esprit de Conquête” e “De la Religion”, romances que refletem uma ação política positiva, e “Adolphe”, romance psicológico que apresenta os personagens na plenitude de sua complexidade. Mme. de Staël, como é conhecida Anne Louise Germaine Necker, escreveu numerosos panfletos políticos, tem imensa correspondência e livros como “Eloges”; “Réflexions sur la Paix”; “Essais sur les factions”; “Dix Années d'Exil”; “De l'influence des passions sur le bonheur des individus et des nations”; o ótimo ensaio “La Littérature considerée dans ses rapports avec les institutions sociales”; e, como obra-prima, o romance “Corinne” no qual surgem as primeiras reivindicações feministas. Mme de Staël, no entanto, é menos escritora que uma heroína romântica e divulgadora da doutrina romântica da primazia do gênio e da inspiração sobre a tradição e a imitação, bem como na atmosfera de inquietude, melancolia e exaltação lírica. François René, visconde de Chateaubriand, é o grande escritor pré-romântico que, através de suas obras (“Le Génie du Christianisme”; “René”; “Les Martyrs”; “Atala” e, principalmente, “Memoires d'Outre Tombe”, romance autobiográfico de imenso valor), caracteriza-se pela perfeição descritiva, imaginação poética, musicalidade de perfeito equilíbrio como é adequado a prosa, beleza de comunicação literária da realidade plástica, sentimento religioso – todos esse aspectos encontrando expressão graças à harmonia e vivacidade de um estilo profundamente lírico. A obra de Chateaubriand está estruturada em função de valores estritamente pessoais e não coletivos, o que indica o aparecimento do “eu” poético-romântico.

(Continua no próximo post.)

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 46/47.

Visite também:

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Literatura Ocidental - Parte 11.



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 11

LITERATURA FRANCESA

(Continuação do post anterior)

Denis Diderot foi escritor de grande vivacidade de estilo, capaz de expressar-se em agradável estilo, autêntica conversa graciosa e acalorada. Como romancista é sobretudo o autor de “Le Neveau de Rameau”, romance dialogado no qual mescla realismo e lirismo de maneira a poder receber a classificação de escritor moderno, de “La Religieuse”, romance anticlerical. Para o teatro escreveu “Le Fils Naturel” e “Le Père de Famille” – dramas realistas burgueses do teatro de tese. Por suas ideias subversivas à religião e ao sistema aristocrático num ateísmo consequente e elevado uniu-se ao movimento político-literário do qual resultaria a Revolução Francesa a qual contribuiu com a idealização e colaboração na Enciclopédia. De fato, a Enciclopédia foi a autêntica súmula do racionalismo que fundamentou filosoficamente a vitoriosa ascensão da burguesia. Compreendida em 28 volumes publicados de 1751 a 1772, a Enciclopédia muito contribuiu para a divulgação dos conhecimentos científicos da época, e das ideias-força do progresso e da razão. Os maiores escritores e filósofos da França no século XVIII colaboraram na elaboração da Enciclopédia: Diderot dirigindo-a e colaborando; d'Alembert (1717-1783) redigindo o Discurso Preliminar que apresenta a orientação geral e as doutrinas filosóficas da empresa cultural; Jaucourt (1704-1779) encarregando-se de partes científicas, políticas e religiosas; Holbach (1723-1789) escrevendo as partes de química e mineralogia; Marmontel (1723-1799) responsabilizando-se pelas partes de literatura; Morellet (1727-1819) autor das partes de Teologia e de Metafísica; e muitos outros, como Condillac (1715-1780) e Helvétius (1715-1771). A Enciclopédia alcançou inteiramente seus objetivos ao ter estimulado o desenvolvimento da pesquisa científica e da atitude de livre-exame. Etienne Bonnot de Condillac é também autor de obras, das quais devem ser destacadas: “Traité des sensations” e “Essais sur l'origine des connaissances humaines”; Claude Adrien Helvétius autor de “De l'Eprit”, “Le Bonheur”; “De l'homme, de ses facultés intellectuelles et de son éducation” é o filósofo sensualista que lutou pelo reconhecimento da relatividade moral e pela igualdade de espíritos. Helvétius por sua crítica social e por suas preocupações econômicas é um precursor do socialismo e do materialismo científico de Marx.

Jean-Jacques Rousseau, também um dos enciclopedistas, é o autor de “Émile”, que introduz o princípio da bondade da natureza humana; “Contrat Social”, no qual apresenta a natureza de convenção contratual humana do direito e da moral; Nouvelle Héloise”, em que desenvolve a apologia da vida doméstica e campestre ao mesmo tempo em que prega a reforma dos costumes pelo estabelecimento de uma moral natural; “Conféssions” e sua continuação “Rêveries du promeneur solitaire”, ambos autobiográficos, porém, o segundo com maior potência emotiva; finalmente, a obra “Discours sur l'origine et les fondements de l'inégalité parmi les hommes”.

Romancistas importantes exclusivamente como literatos e pertencentes ao século são: Marivaux (1688-1783), Prévost (1697-1763), Choderlos de Laclos (1741-1803). Pierre carlet de Chamblain de Marivaux tem dois romances principais: “Marianne” e “Le Paysan parvenu”, nos quais apresenta análises psicológicas convencionais, mas, ótima observação dos costumes; a glória de Marivaux procede de suas comédias “Le Jeu de l'Amour et du Hasard”, “Les Legs” e “Les Fausses Confidences” – que pertencem a um teatro de fantasia, de amor terno e profundo e de ação interior. O abade Prévost d'Exiles escreveu uma obra-prima intitulada “Manon Lescault”, que é o tomo VII das Mémoires d'un Homme de qualité”. “Manon Lescault” revela a influência que Prévost recebeu do inglês Richardson; nela observa-se a intensidade de sentimento expresso pateticamente mas sem exageros declamatórios devido a seu estilo simples e direto. Prévost inicia o exotismo literário e em suas personagens já está prefigurado o herói romântico. Pierre Choderlos de Laclos é o autor de “Liaisons dangereuses”, inicialmente intitulado Lettres recueillies dans une societé et publiées pour l'instruction de quelques autres”, notável por seus estudos psicológicos.

(Continua no próximo post.)

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 44/45. 

Visite também:

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Literatura Ocidental - Parte 10.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 10

LITERATURA FRANCESA

(Continuação do post anterior)

Século XVIII

Literalmente considerado, o século do absolutismo francês pode ser definido como o período de lenta transformação do classicismo em neoclassicismo e na quase imperceptível preparação do romantismo. A primeira metade do século assinala o artificialismo aristocrático enquanto a segunda metade presencia a exploração ideológica do sentido inesperado e revolucionário representada por Rousseau.

O classicismo decadentista pode ser representado por Jean B. Rousseau (1670-1741), Le Franc de Pompignam (1709-1784) e, sobretudo, por Ponce-Denis Ecouchard Lebrun (Lebrun-Pindare – 1729-1807) literato desprovido de valor durável e mero versificador prosaico.

Corrente mais literalmente válida encontramos na continuação de Saint-Simon e Voltaire por escritores como Montesquieu (1689-1755), Alain-René Lesage (1668-1747) e Voltaire (1694-1778).

O barão de Montesquieu, cujo nome é Charles Viscondal, distingue-se pela gravidade, eloquência e concisão da linguagem. Em sua primeira obra, o barão de la Brède et Montesquieu sutilmente satiriza o cartesianismo e o Estado absolutista, a Igreja e a literatura da época; este importante livro de estreia chama-se “Lettres Persanes” e foi publicado em 1721. Em seguida, inicia a moderna ciência histórica com “Considérations sur les causes de la grandeur des Romains et leur décadence”. Veio depois sua obra-prima, “Esprit de lois”, na qual procura relações sociologicamente necessárias e com a qual, praticamente, inicia a sociologia moderna. Sua última obra é “Défense de l'esprit des lois” com a qual inscreve-se como precursor do enciclopedismo ao defender e divulgar o sistema constitucional proposto por Locke.

Alain-René Lesage, dramaturgo e romancista, acompanha a empresa de Montesquieu ao escrever “Lettres Persanes” como se estrangeiros satirizassem a sociedade clássica: Lesage escreve “Le Diable Boiteaux” (1707) que é também uma sátira a sociedade clássica vista por um espião ajudado pelo diabo. Satiriza ainda, os romances de análise abstrata que conquistavam a popularidade entre o grande público. Escreveu, além de “Le Diable Boiteaux”, os seguintes romances: “Guzman d'Alfarache”, “Le Bacholier de Salamanque”, “Vie et Aventures de M. de Beauchêne” e sua obra-prima “Gil Blas”. “Gil Blas” é um romance picaresco profundamente humano e que gozou de amplo prestígio em toda Europa chegando a influenciar o grande escritor inglês Fielding.

François Marie Arouet, Voltaire, representam o apogeu do Iluminismo na França, segundo o qual a razão e a experiência concreta são os necessários e únicos instrumentos de que dispõe o homem para o conhecimento e reformulação do mundo e este é regido exclusivamente por leis naturais. Tendo se dedicado a todos os gêneros literários, apresenta como obras principais: no teatro, as tragédias “Mérope” e “Zaire”; na ficção satírica, “L Ingénu” e “Candide”; na história, “Le Siècle de Louis XIV” e “Remarques sur les Moeurs”; na épica, “Henriade”; na crítica, “Remarques sur Les Pensées de M. Pascal”; finalmente, na correspondência familiar, cerca de doze mil e setenta cartas. O racionalista Voltaire combateu, corajosamente com imenso humor, a tirania e a intolerância no campo intelectual, politico e eclesiástico. Suas ideias revolucionárias causaram-lhe uma série de perseguições, tendo inclusive motivado sua prisão na Bastilha e sua fuga para a Inglaterra, mas, sua causa seria vitoriosa na Revolução Francesa. Em sua obra-prima, “Candide”, critica o otimismo de Leibnitz e amplia esta análise satírica à humanidade total através do dr Pangloss. Excelente na concisão de suas frases rápidas e na limpidez e vivacidade de estilo, foi poeta supremo principalmente nas sátiras, nos madrigais e nos epigramas.

Esta corrente de crítica moral, dirigida sobretudo aos costumes e às instituições, alcança seu ponto supremo com Diderot (1713-1784), Rousseau (1712-1778) e Helvétius (1715-1771).

(Continua no próximo post.)

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 42/44. 

Hoje é dia do aniversário do Arte & Emoções!
Dá uma passadinha por lá!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Literatura Ocidental - Parte 09.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 09

LITERATURA FRANCESA

(Continuação do post anterior)

Reunidos ao redor do abade de Saint-Cyran, diretor espiritual da abadia de Port-Royal, encontramos alguns do melhores escritores do século, como Racine e Blaise Pascal. A adesão do grupo de Port-Royal ao jansenismo ocorre e influencia os solitários port-royalistas. Jean Racine (1639-1699) adota como doutrina moral a doutrina jansenista segundo a qual as paixões dominam inevitavelmente ao homem por ser este essencialmente fraco. Na análise das situações cotidianas, Racine demonstra o poder superior da paixão amorosa, caracterizada por extrema dramaticidade revelada em múltiplas manifestações. Entre as produções de Racine que melhor apresentam o trágico humano devem ser destacadas: “Andromaque”, Athalie” e “Phèdre”, considerada sua obra-prima. Blaise Pascal (1623-1662), modernamente considerado precursor do existencialismo kierkegardiano, escreveu a coleção de cartas reunidas sob o moderno título de “Provinciales” e a apologia do cristianismo “Penseés”: a primeira pode ser considerada um dos clímax da prosa clássica francesa, a segunda é um dos monumentos literários de toda a literatura de seu país.

Pierre Corneira (1606-1684) é o dramaturgo do homem idealizado pela grandeza e pelo heroísmo expressos em estilo enérgico, embora, às vezes, retórico. Nas situações extraordinárias de suas peças há sempre o combate entre a virtude e uma paixão dominante, normalmente a ambição ou a vingança. Conexione escreveu a comédia “La Menteur” e as tragédias excelentes “Horace”, “Cinna” e “Polyeucte”, que exaltam, respectivamente, o patriotismo, a clemência e o sacrifício a um ideal divino.

O teatro clássico francês apresenta-nos, além de Racine e Corneille, outro excelente autor: Molière. Jean Baptista Poquelin (nome real de Molière) produziu uma série de comédias de todos os tipos, mas sobretudo, as suas quase-criações: comédias de costumes e de caracteres. Seu estilo combina o vigor à naturalidade e seus enredos distinguem-se pelas brilhantes análises do caráter humano. Suas comédias principais são: “Précieuses Ridicules”, “Le Misanthrope”, “Tartuffe”, “L'Avare” e Les Femmes Savantes” (a primeira e a última são comédias de costumes; as demais são comédias de caráter).

Entre os escritores da segunda metade do século XVII citaremos, agora, os seguintes: La Rochefoucauld é o autor de “Reflexions ou Sentences et Maximes”, caracterizadas pela concisão de estilo e pela precisão descritiva; Mme. De La Fayette escreveu o maior romance francês do século XVII, “La Princesse de Clèves”; Jean la Fontaine é o autor das afamadas “Fables”, nas quais analisa os seres humanos com perfeição poética; Mme. De Sérvigné transcreve em suas fúteis “Lethres” os costumes do século; Nicolas Boileau-Despréaux codificou a doutrina poética clássica em sua famosa “Art Poétique”.

François de Salignac de la Mothe-Fénelon (1651-1715) escreveu com agradável fluidez de estilo sua obra-prima “Telémaque” e Jean de la Bruyére (1645-1691) retratou com maestria a sociedade em que viveu em seu livro “Les Caracteres”. O duque de Saint-Simon (1675-1742), Bernard Le Bovier de Fontenelle (1657-1757) e Pierre Bayle (1647-1706) encerram o século XVII e anunciam nova era para a literatura. Saint-Simon, uma das influências iniciais do movimento socialista, escreveu “Memoires” e “Systéme Industriel”, no qual defende a reorganização da sociedade pela aplicação de conhecimento científico e prega a união entre a burguesia e a realeza; Fontenelle também exalta o progresso da ciência e o divulga para as grandes camadas da população através de suas obras “Entretiens sur la Pluralité des Mondes” e “Éloges des Académiciens”; Pierre Bayle notabilizou-se pela defesa da liberdade de pensamento e pela divulgação das ideias do Iluminismo, bem como pela autoria do “Dictionnaire Historique et Critique”, de profunda influência para a afirmação das novas ideias.

(Continua no próximo post.)

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 40/42. 

Visite também: 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...