quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Literatura Ocidental - Parte 05.



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 05

A ORATÓRIA ROMANA

Embora imensamente importante, a oratória nem sempre, devido ao seu caráter predominantemente oral, consegue chegar aos registros da linguagem artística.

Pode-se apenas apreciar Cícero (Marco Túlio Cícero – 103-43 a.C.) cujas obras essenciais conseguiram sobreviver, atingindo influência excepcional. Suas célebres Catilinárias descrevem como perigosa conspiração que poderia provocar a destruição social de Roma a tentativa progressista de Catilina no sentido de reformular a ultra-conservadora estrutura sócio-econômica do império. Legou-nos vasta obra que pode ser classificada em tratados de retórica (De Inventione, De Oratore, Brutus etc.), 14 discursos e diversas cartas, tratados de política e de divulgação filosófica (De república, De Legibus etc.). Seu epistolário é sumamente agradável e elucidativo da vida romana.

Como estilista exerce influência constante sobre a posteridade que busca reproduzir sua pureza, vigor e riqueza expressiva.


A LITERATURA CRISTÃ INICIAL

A primeira língua que serve para a transmissão e divulgação do cristianismo é a grega. Nela foi elaborada a versão de Alexandria que introduziu a Bíblia ao mundo não-semita. Paulo, apesar de cidadão romano, redigiu suas epístolas em língua grega.

Também em grego foram travados os primeiros debates teológicos, redigidas as primeiras controvérsias entre pensadores cristãos e não-cristãos e compostas as primeiras apologias da religião nova. Paralelamente, iniciava-se uma literatura cristã em latim. Uma refutação ao filósofo não-cristão Celso foi escrita por Orígenes de Alexandria (187-254). No século III, um grego anônimo compôs uma Exortação aos Gregos, que embora curiosa é notável pelo grau de erudição que revela.

Uma Apologética com o objetivo de convencer os magistrados romanos a não mais perseguirem os adeptos da nova religião marca o aparecimento do primeiro apologista que se expressa na literatura latino-cristã: Tertuliano (160-240).

São Jerônimo (331-420), profundo conhecedor do grego e do hebraico, traduziu para o latim a Bíblia conhecida como versão Vulgata. Em sua abundante correspondência transparece sua natureza que embora generosa revela-se também enérgica e agressiva. É autor de numerosas crônicas e homílias. A Igreja considera-o santo patrono dos tradutores e dos escritores.

Santo Agostinho (354-430) é o mais atraente autor da literatura latino-cristã. Esforçou-se em elaborar uma síntese entre o pensamento platônico e a teologia cristã em sua célebre “De-Civitate Dei”. O desenvolvimento do pensamento cristão tem sido no sentido de exaltar crescentemente o êxito do agostinismo. Literariamente sobreleva-se sua obra “Confissões” na qual inaugura uma literatura pessoa de introspecção e de preocupações existenciais.


LITERATURA MEDIEVAL EUROPEIA

Inicia-se a idade média com a cisão oficial do império romano em 395 em Ocidental romano e Oriental bizantino e posterior aniquilamento do primeiro sobre pressão dos bárbaros (476). Seu final é marcado pelo desaparecimento do império do Oriente com a tomada de Constantinopla pelos turcos em 1495.

A partir do século VIII o latim não consegue sobreviver a não ser como veículo de expressão religiosa e erudita. O povo, que não mais compreende o latim de Cícero, elabora nova tradição e constitui as novas línguas que formarão a Europa moderna. Também o mesmo ocorre no império Oriental no qual a separação e isolamento dos intelectuais seria expressa pelo conceito de bizantinismo que acompanharia a classificação deste diletantismo erudito afastado da realidade.

O primeiro texto de importância em latim vulgar, ou propriamente em francês, é a proclamação de Lotário “Juramentos de Estrasburgo” que pronunciou em 842 quando em guerra de disputa com os demais netos de Carlos Magno: Luís, o germânico e Carlos, o calvo.

Um século após, poemas religiosas são traduzidos em língua romana: “Cantilena de Santa Eulália”. Ensaio original é constituído pela breve narração que, embora ingênua, procura alcançar clareza e exatidão estilísticas: os trezentos versos conhecidos como “Vie de Saint Léger”. Em 1080 é elaborada a célebre “Canção de Roland”, primeiro texto literário valioso da literatura neolatina. Observe-se, novamente, a precedência da linguagem poética sobre a prosaica.

(Continua no próximo post.)

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 32/34. 

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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Literatura ocidental - Parte 04.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 04

LITERATURA LATINA

A importância extraordinária que assumiu em Roma a língua grega como meio natural de expressão artístico-cultural fez da literatura latina às vezes pura imitação do clássico grego, outras vezes obscurecem sua importância quando comparada ao esplendor heleno.

Imitação dos gregos foram as populares comédias de enredo cujos autores principais são Plauto e Terêncio (250-184); (194-154). É conhecido o autor grego Menandro através das imitações de Plauto.

Criação autenticamente latina é a sátira moral e social, iniciada por Caio Lucílio (149-103), continuada por Perseu (34-62) e levada à perfeição por Juvenal (60-140).


POESIA LATINA

O século I a.C. anuncia o aparecimento das formas próprias e originais da poesia latina.

Lucrécio (98-55) conseguiu comunicar poeticamente filosofia e didática com vigor e harmonia em “De Rerum Natura”. Sua filosofia pode ser classificada como materialismo afirmativo ao desenvolver o princípio da possibilidade de progressivamente atingir o conhecimento das verdadeiras e exclusivas causas de maneira a reduzir, ou mesmo eliminar, o mistério e a ignorância. Nos seis cantos de sua exposição poemática da filosofia epicurista afirma, ainda, a possibilidade de que o homem que por ela determine sua vida obtenha o equilíbrio dos prazeres e a serenidade da alma.

Virgílio (Publius Virgilius Maro – 71-19), excelente na apresentação das paixões humanas, notabilizou-se com a composição da “Eneida”, na qual une poeticamente a história romana aos grandes arquétipos sacros da Ilíada e da Odisséia. Escreveu, ainda, as Bucólicas e as Geórgicas, caracterizada pela perfeição estilística.

Ovídio (Publius Ovidius Naso – 43 a.C. - 18 a.C.) escreveu as famosas Metamorfoses e a Arte de Amar. As Metamorfoses, manual versificado da mitologia grega completada pelos romanos, pode ser considerado marco da tradição de que os mitos constituem apenas repositória das paixões e da sabedoria humanas, sem conteúdo divino. É perfeita sua espontaneidade e elegância de estilo e excedente seu domínio da poesia elegíaca. Como poetas líricos merecem destaque inicial Catulo e Tíbulo. (87-52 a.C.; 50-19 a.C.) Catulo é o primeiro poeta latino original nesta poesia de expressão pessoal. Pertence ao chamado grupo de poetae novi, caracterizados pela busca da perfeição formal. Seus poemas são consagrados a seu amor por Lésbia.

Tíbulo reelabora num mundo poético elegíaco a realidade da natureza, do amor, do culto da vida e do horror à guerra e à morte.

Horácio (Quintus Horatius Flaccus (65-8 a.C.) é o primeiro escritor que se afirma testemunha de seu tempo e defensor dos valores ocidentais. Escreveu Sátiras e Epístolas, com a famosa Arte Poética.

Prosadores

A parte mais sólida e substancial da literatura latina é constituída por seus prosadores. Que, à semelhança do que ocorria na literatura grega, não eram considerados artistas.

Os historiadores latinos elaboraram o conceito exclusivista de “civilização”, em que se define o homem e a universalidade a partir apenas da experiência ocidental, o que se explica pelas condições do império romano centralizado em uma única cidade. Júlio César (100-44 a.C.), perfeito na concisão de estilo e pela vivacidade de narrativa, é o primeiro historiados latino. Escreveu os relatos de campanhas por ele empreendidas: Commentari de Bello Gallico e Commentari de Belo Civili, que apresentam não apenas anotações tomadas em plena campanha, mas, também suas justificativas pessoais e sua propaganda.

Com Salústio (87-35 a.C.) a história, até então revelação, aparece como explicação das causas e efeitos. Não enumera fatos, coloca-os num conjunto coerente objetivamente composto. Sobrevivem suas obras sobre a conspiração de Catilina e sobre a guerra de Roma contra Jugurta, rei de Numídia.

O maior historiador da época literária de Augusto foi Tito Lívio (59 a.C.-17 a.D.). Seu estilo eloquente é caracterizado pelo interesse dramático. Suas frases são amplificadas à Cicero. Sua história, que pretendia contasse com 150 livros, compôs-se de 142, dos quais apenas 35 chegaram à posteridade. Sua história é de insatisfação em relação ao presente “decadente”.

Tácito (54-120 a.D.) é mais comentarista político do que historiador propriamente. Restringe a história aos simples relatos e ideologia políticas. Escreveu “Anais” e “Histórias”.

Quinto Cúrcio inaugura romance histórico ao narrar a vida de Alexandre Magno. Tendo vivido no século primeiro de nossa era apresenta o conquistador que levou o helenismo à Ásia e trouxe influências orientais ao mundo grego transformado em autêntico herói lendário.

Suetônio (75-160) inicia a micro história com seu livro “Doze Césares”, repleto de todos os detalhes que pode compilar como bibliotecário imperial.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 30/32.

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Literatura ocidental - Parte 03.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 03

A IDADE DA POESIA LÍRICA

As condições sociopolítico-econômicas que se constituem a partir do século VIII e chegam até o século V a.C. proporcionam maior estabilidade a sociedade grega e desenvolvem a noção dos direitos das comunidades e dos indivíduos. O centro de interesse fundamental não mais é organizado em sínteses mitológicas, mas, concentrado no próprio homem, o que fornece propício terreno para pleno desenvolvimento do lirismo.

Existem dois grandes tipos de poesia lírica: o canto coral e a monódia. Procedendo do canto popular, apresentava a monódia texto e música mais simples que o canto coral e era caracterizada pelo melancólico. Pode ser considerada como ancestral da moderna ópera.

Novo lirismo de profunda expressão pessoal e autenticamente literário nasce com Arquiloque de Paros (século VII) que, numa linguagem simples quase coloquial, fala em termos subjetivos do amor por uma jovem que não desposou e da guerra que mutila sua existência.

As duas mais importantes personalidades do lirismo grego foram Safo, autora de numerosas canções, epitalâmios, hinos e elegias; e Píndaro, criador da Ode e estilista brilhante, imaginoso e de rara vivacidade.



A TRAGÉDIA E A COMÉDIA

São imensamente importantes os nomes de Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, pois determinaram a evolução do teatro e fornecem a constante fonte de mitos e arquétipos que recorrerão em toda a literatura ocidental posterior. Devem ser acrescentados, embora em plano não tão elevado, os nomes de Aristófanes e Meandro. Ésquilo (525-456) baseia suas peças em motivos épicos da Grécia e concebe o drama como fator de unidade nacional. Restam de suas 70 tragédias e 20 dramas as seguintes peças: Agamenon, As Suplicantes, Os Sete contra Tebas, Prometeu Acorrentado, Os Persas, Coéforas. Sua tragédia, lírica por excelência, é caracterizada pela violência de sentimentos e pela presença toda poderosa do Destino. É suprema a importância dos coros.

Sófocles (496-405), autor de Antígona, Ajax, Édipo em Colona, Édipo Rei, Filoctetes e Traquinianas – ultrapassa a realidade humana pela predominância do ideal e apresenta ação mais complexa e desenvolvida de Ésquilo.

Eurípedes (480-406) apresenta a máxima fidelidade possível ao real em suas peças, das quais destacamos: Hipólito, Ifigênia em Táurida, Ifigênia em Áulida, Medéia e, como obra-prima, Baco. Seu tema principal é o amor.

Na comédia, destacam-se Aristófanes (445-338), excelente na sátira político-social, e Menandro, que se dedica à crítica ao homem em geral. São obras de Aristófanes: As Rãs, As Nuvens e Os Pássaros; de Menandro restam-nos apenas fragmentos de obras da Comédia Nova, como A Arbitragem.


Prosadores

Obras em prosa – tais como, narrativas históricas, discursos, romances e diálogos – não empregavam a língua literária e sim a língua comum de propósitos utilitários, motivo pelo qual não eram consideradas pertencentes à expressão propriamente artística.

Desde o século VI a.C. surgem historiadores que, por não diferenciarem dos fatos que observavam em suas cidades o natural do maravilhoso, devem, preferencialmente, ser classificados como logógrafos. Dois nomes conservados são os de Cadmos e Acusilaos. O primeiro escreveu “Fundação de Mileto”, “Acusilaos”, “Genealogias”. A primeira tentativa de separar o histórico do lendário foi empreendida por Hecateu de Mileto em seu livro “Genealogias” O mesmo prosador tem também o mérito de ser um dos fundadores da Geografia com seu livro “Volta ao Mundo”. Esta tradição de primeiros historiadores é encerrada com o aparecimento do primeiro historiador no sentido moderno de uma ciência que abrange não apenas o povo, mas, pretende uma visão quase universal e que procura a objetividade da pura pesquisa. Sua grande obra é “Investigações”. Em seus esforços para apresentar países e seus habitantes, Heródoto viaja a vários países e seus relatos inauguram o moderno jornalismo. Sua obra é escrita em dialeto jônio com imensa simplicidade de estilo e clareza.

Novo progresso aos estudos históricos, no sentido em que os concebem o classicismo latino e o humanismo ocidental, surge com Tucidides (460-395). É excelente na crítica de fatos, na interpretação de documentos e na análise do caráter dos povos. Escreveu “Guerra do Peloponeso”. Se Heródoto apresentou aspectos de jornalismo de viagens e descrições de costumes, Tucídides conseguiu artisticamente compor reportagens de guerra. Simplicidade, clareza, vivacidade e precisão de estilo caracterizam a obra do historiador seguinte: Xenofonte (430-355). Em “Memorabilia” apresenta Sócrates em descrições plenas de humanidade e em “Anábase”, o vivo relato da retirada dos dez mil gregos com a autoridade de quem a comandou como general. É necessário citar ainda o historiador Plutarco(50-125) cujos temas não são exclusivamente gregos pois em “Vidas Paralelas” compara sempre um herói grego a um romano. O mérito de Plutarco alcança níveis culturais que o destacam em nossa época tanto em suas narrações de real talento como na compreensão do caráter humano.

Literatos podem ser considerados também os filósofos Platão (429-347), Aristóteles (384-322), Zenão (336-264), Epicuro (324-270), Epiteto (40-121) e o imperador romano de expressão literária grega Marco Aurélio (122-180).

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 27/30. 

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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Literatura Ocidental - Parte 02.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 02

A ANTIGUIDADE CLÁSSICA

O tronco comum de que derivam nossas culturas ocidentais encontra-se na Antiguidade Clássica greco-romana. Embora durante alguns séculos tenha existido a concepção romântico simplista de um milagre grego que marcasse o início da magnífica e quase insuplantável riqueza literária helênica no século VI a.C., as modernas disciplinas auxiliares da história revelam que este florescimento artístico foi o resultado de longa evolução da tradição principalmente oral dos séculos anteriores. A civilização cretense, que floresceu entre 3000 e 1400 a.C., era já portadora de literatura em língua não indo-europeia. Do amálgama posteriormente ocorrido entre cretenses e povos indo-europeus invasores e outros autóctones resultará o povo grego a cujos dialetos será superposta uma língua escrita e com expressão literária. Este fato ocorre nas proximidades de 1400 a.C. quando devido a frequentes contatos sociais é elaborado um fundo de cultura comum, incluindo uma concepção do mundo e do homem e das relações seja entre os homens, seja entre o homem e o mundo, ou ainda, entre o homem e os deuses. E 1200 a.C. surgem os gigantescos e prestigiosos monumentos literários que marcam o começo histórico da literatura ocidental: a Ilíada e a Odisseia atribuídas a Homero.


HOMERO

A existência de Homero, incontestada até o século XIX, foi pela primeira vez colocada em dúvida graças aos trabalhos do filólogo alemão Wolf. No século atual é recolocada por Victor Bérard. Embora a questão homérica não possa ser definitivamente resolvida, alguns fatos são incontestáveis: os textos não são contemporâneos às façanhas descritas; a Ilíada foi composta no final do século IX a.C. e a Odisseia, no início do VIII; finalmente, o estado de civilização apresentado data de épocas bem mais recuadas do que tradicionalmente se julgava. Análises linguísticas e literárias colocam dúvidas quanto a um único autor para as duas obras.

Ciclos de mitos, que serviram de repositório para os valores culturais do período compreendido entre os séculos XIV e IX a.C., comporiam toda uma literatura épica a partir de cujos episódios teriam sido compostas as duas obras referentes à Guerra de Troia. A Ilíada é a narrativa das catástrofes provocadas pelos deuses contra os homens e que acende a cólera de Aquiles, que se retira dos combates após altercação com o chefe da armada grega, Agamenom. Esta obra fornece-nos ampla visão da civilização pré-helênica. A Odisseia narra o retorno de Ulisses e as aventuras que encontra por intervenções prejudiciais dos deuses. Aspectos ainda importantes na Odisseia são a extrema fidelidade de sua esposa Penélope, o zelo de seu filho Telêmaco e a emoção de seu pai, Laerte.

A técnica empregada é altamente artística e a língua, a métrica e a própria composição elaborada indicam estágio cultural muitíssimo desenvolvido.

As duas epopeias homéricas encerram a síntese clássica dos valores religiosos, morais, intelectuais, que informam a civilização grega clássica e para a atualidade, uma das mais importantes fontes de sua sensibilidade e consciência moral e histórica.

Outra importante obra, inicialmente também atribuída a Homero, a Batracomiomaquia (Guerra das rãs e dos ratos) imita com grande perfeição as formas gerais da epopeia heroica, mas, com intenção eminentemente burlesca. Epopeia inferior e com caráter de imitação é “Os Argonautas”, composto pelo poeta Apolônios no século III antes de nossa era. Apresenta como tema a procura do velocino de ouro pelos príncipes chefiados por Jasão.


HESÍODO

Hesíodo (século VIII a.C.) é o seguinte autor que surge. Dominando habilmente a língua literária, compõe os poemas “Teogonia” e “os Trabalhos e os Dias”, ambos com dupla intenção didática: transmitir conhecimento sobre a técnica agrícola e apresentar um conjunto de normas morais retiradas da vida campestre. Observa-se nos poemas de Hesíodo o início de uma estruturação jurídica substituindo gradualmente o poder da força e da astúcia.

Costuma-se atribuir também a Hesíodo a obra “O Escudo de Aquiles” que estabelece uma primeira genealogia aos deuses do Olimpo grego.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 25/27.

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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Literatura Ocidental - Parte 01.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 01

ORIGENS

O conjunto cultural Ocidental resulta do grande amálgama ocorrido aproximadamente no século VII com a inclusão de elementos germânicos e eslavos dentro da civilização greco-latina já cristianizada. Apresenta uma igualdade de concepção de vida, com parentescos linguísticos áricos e um complexo de mitos e de ideias-forças. A ideia central do domínio cultural do ocidente é o aprofundamento pelo cristianismo da noção greco-romana do homem livre e do cidadão. Valores religiosos que a enriqueceram são: a ideia de um único DEUS Universal, o messianismo e a atribuição de um sentido ao desenvolvimento histórico com a inserção do devenir humano ao devenir cosmológico.

A extraordinária expansão do Ocidente supera os demais conjuntos culturais e realiza, com certo sucesso, a transmissão ou imposição de sua cultura e de suas formas de expressão. Os heróis típicos desta civilização em incessante movimento de expansão orientam-se em direção ao devenir humano, no sentido da imposição do humano sobre todas as coisas do mundo e do cosmo. Prometeu, Hércules, Ulisses, Aquiles, Fausto, Hamlet, Rolando, Don Quixote são, essencialmente, homens de ação que desejam esclarecer os mistérios, ainda que sob risco de vida; que querem substituir o destino cego e implacável pela humanização do mundo: que lutam para substituir as forças cegas pelo conhecimento de sua realidade e posterior aplicação benéfica.


A BÍBLIA

Uma das fontes desta cultura é a Bíblia, obra que fundamenta o cristianismo e informa todo o pensamento do Ocidente, direta ou indiretamente. Esta famosa e permanente influência central dentro do complexo cultural do Ocidente marca a elevação de línguas modernas à dignidade literária: fornece temas a sua literatura e engloba todos os valores nascidos no Oriente clássico e integrados pelos pensadores judeus.

A Bíblia cristã compreende duas partes: o Antigo e o Novo Testamento , especificamente cristão. O Antigo Testamento está escrito em hebreu, o Novo em grego.

Até o século X a.C. Apenas tradições orais existem. No século X a.C. São consignadas por escrito as Crônicas Reais e no século seguinte, as Leis e Tradições. No século VIII a.C. surgem os livros de Amós, Oséias, Miquéias e o primeiro Isaías; no século seguinte, o Deuteronômio, Jeremias; no outro século, Juízes, Samuel, Reis, Ezequiel, o segundo Isaías e Zacarias; mais um século – o V a.C. – e aparecem graficamente Leis, Pentateuco e Malaquias e, no século seguinte, inspirado numa tradição de origem árabe, é redigido o Livro de Jó. Crônicas e Eclesiastes datam do século III a.C.; os Salmos e Daniel, no século seguinte; e, finalmente, no século I, aparece o Livro da Sabedoria. As datas têm valor aproximativo, alguns livros foram compostos em partes com diferente localização cronológica.

Divulgados inicialmente a todos lugares de prece na Palestina são recolhidos no século III a.C. por doutos judeus que procedem com os critérios científicos possíveis. Obedecendo a ordens de Ptolomeu Filadelfo, reuniram grande número de manuscritos, estabeleceram um texto definitivo e o traduziram para o grego. Esta versão conhecida como alexandrina ou, pitorescamente, como Versão dos 70 (quando na realidade eram 72 os sábios do empreendimento religioso-cultural...) compreende os textos que hoje conhecemos como os Deuterocanônicos e que os doutos da Palestina recusaram como apócrifos, julgamento que, modernamente, foi referendados pelos Reformadores. A Igreja considera os Deuterocanônicos como textos inspirados.

O Novo Testamento compreende os evangelhos canônicos de Mateus, Marcos, Lucas e João, bem como os Atos dos Apóstolos, as Epístolas e o Apocalipse. Acredita-se que estes textos datem do século primeiro da nossa era.

No século I foi constituída uma tradução latina da Versão Alexandrina e acrescentados textos posteriormente compostos. São jerônimo fez a revisão no século IV, adotando o procedimento comparativo com textos hebreus e caldeus. Com exceção dos Salmos, que são os da primeira Vulgata, o restante da Bíblia admitida pela Igreja provém da Vulgata de São Jerônimo.

A primeira tradução da Bíblia em língua moderna foi a de John Wycliff em inglês (1320-1395). Seguiram-na as versões alemã, por Martinho Lutero e a francesa por Jacques Lefebvre d'Etaples. A mais famosa versão em língua inglesa foi realizada em 1611 pelo rei Jaime.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, volume 7, páginas 23/25.  

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quarta-feira, 7 de setembro de 2011



HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

LITERATURA MUÇULMANA

Se os domínios culturais até aqui apresentados definem-se quanto ao isolamento cultural por condições naturais, inerentes a definidas condições geográficas, o Islã encontrou barreiras sociais advindas de seu complexo moral religioso.

Sua literatura nasce, praticamente, com o Alcorão, síntese em prosa rimada da ciência, direito, sabedoria, história e teologia muçulmanos. Esta obra religiosa, que compreende 114 capítulos ou surates, transcreve, através do profeta Maomé, a palavra eterna de Alá. Por ocasião da morte de Maomé apenas alguns fragmentos estavam configurados por escrito e o primeiro sucessor, Abu-Bakr, temendo perdas ou deformações, realizou sua transcrição da tradição oral e sua composição por ordem decrescente de surates. Sua influência é exercida como fonte de inspiração oculta dos povos convertidos ao Islã, pois, a influência diretamente determinável seria sacrílego porque o Alcorão é “inimitável”.

POESIA ÁRABE

O florescimento máximo da poesia árabe coincide com a expansão e domínio muçulmano (do século VIII ao XIII) e sua decadência com a invasão de Bagdá pelos otomanos em 1258. Esta poesia é eminentemente uma poesia de rudes e nostálgicos condutores de camelos pelos desertos, sendo temas constantes as doçuras da vida, simbolizadas pela água e pelos verdejantes oásis, o amor e a morte solitária.

Poetas e prosadores muçulmanos são, em sua maioria, inacessíveis ao mundo não-árabe. No entanto, duas obras alcançaram o mundo ocidental: o Romance de Antar e As Mil e Uma Noites.

O Romance de Antar foi, provavelmente, compilado pelo filósofo Açma'i (740-828). Este primeiro texto tinha certa organização lógica, mas, a atual forma de novela de cavalaria foi-se constituindo através de acréscimos e revisões posteriores. Trata-se de um ciclo de lendas ao redor da vida de um poeta, Antar, pré islamita.

As Mil e Uma Noites são uma súmula mais importante de temas encadeados em torno de Chahrazâd, heroína cuja história remonta a uma origem hindu. Três contribuições podem ser distinguidas: um primeiro texto iraniano (século IX), outro composto em Bagdá (século X), e um final no Cairo (século XII).

Uma revisão e redação definitiva datam do século XIV e sua vulgarização no Ocidente data do século XVIII por intermédio da versão reduzida por Antoine Galland.

Modernamente, devem ser citados Nasif Al-Yasidji (1800-1871), Ahmed Chawqui Bey (1868-1932) e Aboulquasin Al-Chabbi (1909-1934). Não há no mundo muçulmano um pensamento cultural que não esteja interiormente circunscrito e incapaz de atingir nível internacional e a influência ocidental é exercida diretamente até na adoção de línguas estrangeiras para expressão literária.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 21/22.

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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A Literatura Indiana.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

A LITERATURA INDIANA

Confinada entre a Himalaia e o Oceano Índico, a Índia desenvolveu-se culturalmente isolada. Seus primeiros temas de contos alcançam, no entanto, o Ocidente já em Heródoto e Ctésias, embora seja difícil reconhecer a realidade imersa que se apresenta num conjunto de fantasias. Outros temas e contos indianos são conhecidos e os Upanichades pelos neoplatônicos de Bizâncio, mas, apenas no século XIX ocorre a descoberta real da imensa e importante literatura sânscrita.

Para sua apreensão pelo Ocidente duas dificuldades apresentam-se: a deformação dos textos por tratamentos com total ausência de senso estético ou pelas incríveis fantasias de meios espiritualistas heterodoxos e até por missões de certos gurus... Pouco é o conhecimento direto que temos do domínio indiano e raros também os trabalhos históricos e sociológicos (embora seja de destacar Max Weber) ou os empreendidos pelos racionalistas, como Keyserling, Romain Rolland, René Guénon e Spengler.

A literatura no longínquo passado é por excelência religiosa e sem delimitações entre as disciplinas. Esta literatura sagrada compreende o Rig-Veda, escrito em sânscrito arcaico e que data aproximadamente do século XX a.C., os Vedas, os Brâmanes e os Upanichades. Apenas no século XIX da atual era são os textos fixados em escrita. No entanto, os brâmanes ortodoxos julgam a escrita indigna para fixar a santidade dos textos e, ainda hoje, é a transmissão oral que predomina na maioria dos centros de ensino superior indianos.

A unificação relativa do pensamento védico é produto da confluência de dois tipos diversos de pensamento religioso: o budismo e o jainismo, respectivamente derivador dos ensinamentos de dois poetas do século VI a.C., Buda e Mahavira. Nesta mesma época de imensas transformações culturais temas védicos servem para a elaboração das duas grandes epopeias indianas: o Maabarata e o Ramaiana. Exprimem mitos e valores retirados da vida dos povos e elevados à dignidade sacra. O Maabarata apresenta um tema central de narração épica a respeito das lutas ocorridas entre duas famílias nobres e um notável enriquecimento com a apresentação de subtemas que, às vezes, quase atingem autonomia e hinos de caráter metafísico moral. O Ramaiana, compilado por Valmique, narra as aventuras de um herói, Rama, que alcança o nível de divindade implacável quanto aos homens lançados em constantes hostilidades. Reelaborações menos grandiosas, mas ainda importantes são os Puranas e os Tantras.

Embora uma literatura exclusivamente laica não tenha existido na Índia, podemos observar uma realidade lírica na qual o religioso não assume primeiros planos. Calidasa (século IV) escreveu numerosas peças de teatro, o Ritusamara – descrição das seis antigas estações do ano – e o Raguvança, no qual figura um resumo do Ramaiana.

Importante ciclo de contos e fábulas com versões induístas, budistas e janistas numerosos é redigido em sânscrito sob o título de Pancatantra e fornece imensa fonte de inspiração temática às literaturas ocidentais, sendo autores que a ela recorreram, entre outros, Renart, La Fontaine, Anderson, Grimm e Goethe.

Outra importante tradição indu é constituída pelos ciclos de contos cujo procedimento de construção é a inclusão encadeada de episódios, tal como ocorre em “As Mil e Uma Noites”. São exemplos o Brihat-Cathá e o Daçakumâracarita, atribuído a Dandin. Este último romance clássico apresenta dez diferentes agrupamentos de aventuras e, embora com predominância do sentido moral, acumula o picaresco, o erótico e o burlesco.

Observemos agora que esta literatura, apresentada apenas em suas linhas mais gerais, não ultrapassa o domínio sânscrito, védico e clássico: é imensa a variedade de línguas faladas na Índia e muitas apresentam rico patrimônio literário. Os dravídicos autóctones destacam-se pela literatura de quatro línguas diferentes dentre as catorze existentes. Apresentam também literatura de algumas das atuais vinte e sete faladas em solo indiano, tais como a bengali, o marata, o penjabi e o assamês. A própria língua inglesa, que assumiu a posição de língua de relações gerais, apresenta autores da importância de um Tagore ou de Kamala Markandaya. As literaturas dravídicas apresentavam vários séculos de expressão literária de inestimável importância e valor, mas, inacessíveis pela deficiência de traduções.

A mais importante língua moderna da Índia é o hindi, falado com numerosas variantes dialetais por 125 milhões de indus. Sua literatura, com tradição de treze séculos, apresenta como autores importantes Kabir (1440-1518), hinduísta extremamente influenciado pelo islamismo, e Nanak (1469-1538).

Falado por 55 milhões de hindus, o bengali apresenta riqueza literária superior a qualquer outro grupo linguístico indiano. O texto bengali de primeira importância é Cariapadas, que data do século X e reúne contos místicos. O século XIX presencia a elevação do bengali ao nível literário nacional e como expressão do amálgama de influências tradicionais e ocidentais em grandes apresentações sincretistas. Rammohan Rây (1772-1833) exerceu imensa influência nesta fundação de literatura nacional e, logo, inúmeras eram as traduções de autores estrangeiros. Michael Madhusudan Datta (1824-1873) adaptou o Ramaiana a uma visão cristã ao escrever Meganada Vada. Rabindranath Tagore (Rabindranâth Thâkur – 1861-1941), autor de “A Religião do Homem”, “A Carta do Rei”, “Gora”, e “A Máquina”, alcançou repercussão mundial e foi detentor de um prêmio Nobel.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 19/21.

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