HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
A LITERATURA CHINESA – PARTE: 01
Naturalmente isolada pelo Pacífico e pelos desertos da Ásia Central, a China reforçou seu isolamento cultural com a construção das históricas muralhas. Até o século passado poucos contatos diretos existiram entre o imenso domínio cultural chinês e os outros três importantes conjuntos: a Índia, o Islã, o Ocidente. Nenhuma outra literatura pode vangloriar-se da continuidade que apresenta a chinesa em seus quatro milênios de desenvolvimento. Característica essencial ao espírito chinês é a preocupação com o permanente em sua expressão literária consistindo os comentários de texto, não como no Ocidente, em localização no tempo ou em aproximação aos novos tempos, mas na preocupação fundamental de explicitar e aprofundar a verdade e a sabedoria que creem eterna e imutável.
A transmissão literária chinesa é exclusivamente realizada através da escrita que, ao contrário da infinidade de linguagens faladas, é compreendida por todos os eruditos e se espraia por países vizinhos. Não abrangendo a expressão oral, não compreende também as formas populares do romance, do conto e do teatro. A importância fundamental representada pela expressão gráfica chega a unir em poesia a própria grafia aos sentidos das palavras.
Este imobilismo cultural recebeu a partir do início do atual século uma “injeção de historicidade” por influência da cultura ocidental, principalmente em sua expressão marxista. Ocorre em tal conjunto cultural rápida revolução marcada pela introdução dos conceitos de visão histórica, da ideia evolucionista, da crítica sócio-histórico e também pela inclusão das formas de expressão popular como autênticas manifestações literárias.
Os livros canônicos
A partir do final do século III, as dinastias T'sim e Han empreenderam a unificação e a centralização do que era uma verdadeira confederação com reinos autorizados a relativa independência. Em 213, o poder central decide ordenar a destruição de todos os livros e assim diminuir fatores de emancipação regional. Teriam sido as obras exaltadoras de originalidades regionais completamente destruídas, enquanto as demais recolhidas teriam sido enviadas a uma universidade central. Teria o esforço unificador determinado a reescrita do patrimônio literário para possibilitar o reforço do complexo político, moral e filosófico do central império? É um segredo a mais conservado pela história.
A dinastia Han ordena no século I a.C. a organização de um catálogo geral para os grandes livros. É este catálogo (Ts'ien Han Chou) constituído por seis partes gerais: King ou livros canônicos, obras filosóficas, poemas, obras estratégicas, obras técnicas e tratados de Medicina.
Os King compreendem: o Livro das Mutações (Yi-King) que apresenta técnicas divinatórias, o Livro das Odes (Che-King) com a compilação dos antigos poemas, o Livro da Origens (Chou-King) que consiste na transcrição de documentos históricos, o Livro da Primavera e do Outono (Chun-Kiou) e o Livro dos Ritos (Li-King) que apresenta os necessários procedimentos para cerimônias religiosas e civis. Os King teriam sido escritos ou compilados por Confúcio.
O famoso e importante Tao Tö King apresenta a Filosofia de Lao-tseu e foi escrito pelo discípulo Lao Tan.
Nos livros não é possível distinguir e isolar cada campo de conhecimento, pois o catálogo apresenta textos que são, conjuntamente, filosóficos, morais, científicos, religiosos e literários. Embora abundante produção anônima tenha existido, apenas sobrevive o nome do poeta Ch'ou Yuan que teria vivido entre 322 e 295 a.C.
A dinastia Han que, imediatamente, sucede a dinastia T'sin estimula o esplendor de uma época e reforça o caráter imobilista da Filosofia alicerçada no princípio ultraconservador de que apenas os antigos seriam portadores da sabedoria e de que aos eruditos posteriores restaria apenas o comentário e a paráfrase. Ressalte-se o esplendor da época Han o erudito Lieou Hiang (século I a.C.) e o prosador Sseuma Ts'ien: o primeiro estabelece o texto definitivo para os Kins, o segundo realiza a crônica histórico lendária das primeiras quatro dinastias em seu livro Memórias Históricas.
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 14/16.


