quarta-feira, 24 de maio de 2017

Grandes vultos: Castro Alves - Parte 04.




GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
CASTRO ALVES – PARTE 04.
E Joaquim Nabuco tinha razão. Como acentua Pedro Calmon, o verbo “libertar” é o que maior consumo teria na lira de Castro Alves; o poeta revela-se contrário a qualquer tipo de opressão. Para ele, o Brasil era digno de grandioso futuro, e o caminho para isso seria a conquista de todas as liberdades e a incorporação do progresso sobre todas as suas formas. As fontes de progresso, do progresso que só viria pela instrução, ele as magnificava a ponto de as transformar, como a imprensa, em soberba “deusa incruenta”:
Quando Ela se alteou das brumas da Alemanha,
Alva, grande, ideal, levada em luz estranha,
Na destra suspendendo a estrela da manhã;
O espasmo de um fuzil correu nos horizontes…
Clareou o perfil dos alvacentos montes
Dos cimos – do Peru… às grimpas do Indostã!
Tinha na mão brilhante a trompa bronzeada!
Daí, igualmente, a sua exaltação do livro, do jesuíta em sua heroica propagação da fé – pois propagando a fé civilizou e instruiu. Sim, só com a instrução, como o livro, poderia vir o progresso para a América:
………………....na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto –
As almas buscam beber…
Oh! Bendito o que semeia
Livros… livros à mão cheia…
E manda o povo pensar!
O livro caindo n’alma
É gérmen – que faz a palma,
É chuva que faz o mar.
Vós que o templo das ideias
Largo – abris às multidões,
Pra o batismo luminoso
Das grandes revoluções,
Agora que o trem-de-ferro
Acorda o tigre no cerro
E espanta os caboclos nus,
fazei desse “rei dos ventos”
– Ginete dos pensamentos,
– Arauto da grande luz!…
Continua
PÉRICLES EUGÊNIO DA SILVA RAMOS
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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Grandes vultos: Castro Alves - Parte 03.




GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
CASTRO ALVES – PARTE 03.
Quem era, porém, o poeta? Onde nascera, de que país, onde aprendera a escrever assim, que vinha acordar? Filho de um médico ilustre, que viria a ser Professor da Faculdade de Medicina da Bahia, viajado, culto e humanitário, capaz de desenhar e fazer versos, apreciador da pintura – nasceu Antônio de Castro Alves na fazenda de Cabeceiras, em Curralinho, na Bahia, em 14 de março de 1847. Eram seus pais o Dr. Antônio José Alves – que receberia mais tarde a Ordem da Rosa e o hábito de Cristo – e dona Clélia Brasília de Silva Castro, de ascendência parcialmente espanhola.
No Ginásio Baiano, de Abílio César Borges – o futuro Barão de Macaúbas que Raul Pompéia haveria de imortalizar na figura do “Dr. Aristarco”, do Ateneu – o menino revela-se para as letras. Morre-lhe a mãe durante esse período, em 1859, o mesmo ano em que Seceo traduz da antologia todos os poemas de Victor Hugo. Lê depois Byron.
Em 1864, matricula-se na Faculdade de Direito do Recife. No ano seguinte, perde o irmão mais velho, José Antônio, e o pai em 1866, de beribéri.
Nesse período recifense escreve O Século, poema do qual afirmaria Joaquim Nabuco: “O Século é a síntese das aspirações liberais de Castro Alves… Nada me lembra tanto o poeta como esta décima querida dele entre todas:
Quebre-se o cetro do Papa,
Faça-se dele uma Cruz!
A púrpura sirva ao povo
Pra cobrir os ombros nus.
– Sem escravos – sem Guanabara
Que aos gritos do Niágara
Se eleve ao fulgor dos sóis!
Banhem-se em luz os prostíbulos,
E das lascas dos patíbulos
Erga-se a estátua aos heróis!
Altiva estrofe, na verdade, em que o poder temporal da Igreja, a miséria das classes inferiores, a escravidão, a prostituição e o cadafalso político eram condenados ao mesmo tempo, e que o poeta lançava à mocidade com a formula de sua missão na América!”
Continua
PÉRICLES EUGÊNIO DA SILVA RAMOS
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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Grandes vultos: Castro Alves - Parte 02.




GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
CASTRO ALVES – PARTE 02.
Castro Alves desde cedo se empolgou com a causa da libertação e dele fez uma das vozes mais convincentes no Brasil, ao lado de Joaquim Nabuco, Rui Barbosa e tantas outras figuras ilustres. Ainda estava no Ginásio Baiano, de Abílio César Borges, quando em 1861, aos treze anos, declamava em Outeiro:
Se o índio, o negro africano…
……………………………….
Ah, não pode ser escravo
Quem nasceu no solo bravo
Da brasileira região.
Pedro Calmon, que recorda esse fato, assinala que o menino resolveria fazer-se “poeta dos escravos”. E prossegue: “Em 65 retornou o fio a esse pensamento, que se lhe tornará, até a hora da morte, o propósito essencial.
Sem escravos, Guanabara…
Ao grito do Niágara,
No Século desfraldara a bandeira. Não a enrolou mais.
E a escravidão – nojento crocodilo
Da onda turva expulso la do Nilo
Vir aqui se abrigar!
A gente moderada estranhou-lhe a censura tremenda:
Senhor, não deixeis que se manche a tela
Onde traçaste a criação mais bela
De tua inspiração.
O sol de tua glória foi toldado…
Teu poema da América manchado,
Manchou-o a escravidão.
Arte, apostolado, campanha, o que fosse, a “ideia fixa” rasgara-lhe, entre os contemporâneos, uma estrada real. Abriram-lhe respeitosas alas, para que parasse com os seus furiosas epítetos contra a “mancha”. A ironia, os motejos do começo, iam-se transformando em surpresa grave, assombro, adesão comovida. Lugar ao sol, para os desgraçados. Redenção para os “Jobs” eternos! A lira de Castro Alves havia de fazer o prodígio – já se profetizava.” Depois em Recife, na Bahia, no Rio de Janeiro, em São Paulo, Castro Alves fala ao povo, declama, escreve poemas e peças teatrais – e com isso se torna uma espécie de esperança e remorso, transfeita em verbo, das classes progressistas e cultas do país.
Continua
PÉRICLES EUGÊNIO DA SILVA RAMOS
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quarta-feira, 3 de maio de 2017

Grandes vultos: Castro Alves - Parte 01.




GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
CASTRO ALVES – PARTE 01.
“E das lascas dos patíbulos
Erga-se a estátua do heróis!”
Quando se fala em libertação dos escravos, no Brasil, desde logo se evoca o nome de Castro Alves, o poeta. Não que tenha sido ele, o primeiro, em nossa terra, a pregar a abolição da escravatura. A história das ideias favoráveis à completa manumissão dos africanos já era velha de mais de cem anos, nas glebas de Vera Cruz, quando o vate baiano começou a produzir e a declamar suas estrofes que galvanizaram a consciência nacional. “De todos os países civilizados – escreve José Maria dos Santos – foi mesmo o Brasil aquele que cujo seio partiu o primeiro grito da redenção dos escravos africanos. Os felizes e belos esforços dos abolicionistas ingleses só começaram realmente no primeiro quartel do século XIX. Entretanto, ainda estava em meio o século XVIII, quando o Padre Manuel Ribeiro Rocha, advogado e bacharel formado pela Universidade de Coimbra, enviava da Bahia para Lisboa os originais do seu generoso e esplêndido trabalho O Etíope Resgatado. Era uma longa e bem estudada memória que, partindo das mais nobres considerações humanas e cristãs, concluía por um sistema completo de emancipação gradual e progressiva, baseado inicialmente na suspensão do tráfico transoceânico e na libertação do ventre escravo.” Depois, lembra-o ainda José Maria dos Santos, seguiram-se sugestões como a de Francisco Moniz Barreto, que em 1818 se pronunciou favoravelmente à suspensão do tráfico marítimo e a libertação dos escravos no interior do país – ideia que, alguns anos depois, chegou a ser redigida para apresentação como projeto de Lei por José Bonifácio, na Constituinte de 1823. Sucedeu-se a efetiva apresentação de quatro projetos que visavam a abolição completa, por parte dos deputados Ferreira França, pai e filho (1830-1833). Essas iniciativas, e muitas outras, foram isoladas. Em 1850, Eusébio de Queiroz extingue definitivamente, e sob penas severas, o tráfico negreiro. Com a guerra da secessão e a vitória de Lincoln, só o Brasil, na América, mantinha o cativeiro. A Junta de Emancipação Francesa dirigiu um apelo ao Imperador D. Pedro II, e este, na Fala do Trono de 3 de maio de 1867, refere-se à emancipação do elemento servil. Data de 28 de setembro de 1871 a Lei do Ventre Livre e, em 13 de maio de 1888, finalmente, a Princesa Isabel assina a Lei Áurea.
Continua
PÉRICLES EUGÊNIO DA SILVA RAMOS
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