quarta-feira, 6 de julho de 2016

Crandes vultos: Visconde de Mauá - Parte 04.



GRANDES VULTOS BRASILEIROS QUE MARCARAM A HISTÓRIA NAS SUAS MAIS DIVERSAS ATIVIDADES
IRINEU EVANGELISTA DE SOUZA (MAUÁ) - PARTE 04.
Dois fatos ocorridos a curto espaço de tempo um do outro determinaram a concretização da aspiração de há muito acalentada: a nova tarifa aduaneira da reforma Alves Branco, de 1844 e a extinção do tráfico africano em 1850. Com a tarifa Alves Branco, os direitos sobre a maioria das mercadorias passaram a 30% (antes eram de 15%) e para outras essa majoração variava de 40% a 60%. Embora ainda fossem moderadas em relação a certas nações europeias, já permitia a instalação de manufaturas, a fim de utilizar a abundante matéria-prima existente entre nós, lembrado pelo próprio ministro, o que denota que seu intuito não era apenas fiscal, como por vezes se alega. Isso leva-o a adquirir imediatamente o estaleiro da Ponta da Areia e a inverter nele quatro vezes o capital no primeiro ano, transformando-o no primeiro estabelecimento do gênero no país. Com a suspensão do tráfico africano, calcula-se que 16.000 contos, quantia avultada para a época, refluiu sobre a economia interna, propiciando o desenvolvimento de nossa atividade comercial e industrial, sofrendo o mercado uma pletora de capitais. Mauá, com sua argucia proverbial, aproveitou-se logo da ocasião, fundando o seu primeiro banco em 1851, com capital de 10.000 contos.
Ponta de Areia, com as inversões feitas, transformou-se completamente. O número de operários passou de 300 para 1.000, contando as seguinte seções: fundição de ferro, de bronze, seção de mecânica, ferraria, serralheria, caldeiraria de ferro, construção naval, modeladores, aparelho, velame e galvanismo. Lá se construíram tubos para encanamento de água, caldeiras para máquinas a vapor, engenhos de açúcar, guindastes, prensas, galgas para fábricas de pólvoras, molinetes e outras obras mais, além de 72 navios, dos quais 15 para a marinha nacional, que prestaram relevantes serviços na Guerra do Paraguai. De tal modo se destaca esse estabelecimento industrial, que o ministro do Império, em seu relatório de 1850, lhe faz elogio, considerando-o “o mais importante estabelecimento fabril do Império”. Em 1857 um incêndio destruiu quase que completamente o estabelecimento, inutilizando valiosos moldes e modelos, que o levou a contrair um empréstimo para salvá-lo. Um biógrafo de Mauá afirma que uma testemunha lhe dissera poder “garantir que os modelos e moldes de construção naval da Ponta da Areia foram criminosamente inutilizados por mãos estrangeiras”. Já em 1849 começa a pressão para reforma da tarifa Alves Branco, o que se deu em 1857, baixando-se as tarifas sobre os produtos de importação, entre eles os artigos de ferros, chegando ao cúmulo, como disse Mauá, de permitir a entrada de navios a vapor e a vela, livre de direitos, o que tornou naturalmente impossível a concorrência do similar nacional. As encomendas do governo também começaram a escassear, o que acarretou a ruína do estabelecimento, com prejuízo superior a 1 mil contos, quantia que antes representava o seu lucro. Terminava desse modo a primeira tentativa séria da implantação da indústria naval no Brasil.
Iniciativa importante de Mauá foi também a aquisição, por 500 contos, da Cia. Luz Esteárica, fundada pelo francês Lajou, sendo consideravelmente ampliada, que mais tarde passou para as mãos de industriais brasileiros do qual faz parte o Moinho Luz. Fundou Mauá uma Companhia de Curtumes, uma Companhia de Diques Flutuantes, a Companhia Pastoril Agrícola e Industrial, bem como outras empresas, de que nos ocuparemos posteriormente.
Mas estas, que acabamos de mencionar, sobretudo o estaleiro da Ponta da Areia, atestam inegavelmente a vocação industrial de Mauá e bastam para colocá-lo como verdadeiro pioneiro nesse campo, em nosso país.
No domínio dos melhoramentos urbanos, a atuação de Mauá é das mais relevantes. Assim, na noite de 25 de março de 1854, graças aos seus esforços, várias ruas e praças do Rio de Janeiro apareceram feericamente iluminadas, conforme os jornais do tempo, porque os velhos lampiões de azeite dos tempos coloniais eram substituídos por iluminação a gás, a grande novidade da época. Era uma realização sua exclusivamente, pois, como escreve em Exposição aos Credores, “foi só depois de 25 de março de 1854, em que a luz do gás mostrou o seu brilho em algumas ruas e praças da capital, que pude conseguir a organização da companhia, sendo apenas subscrita cerca de metade das ações; e ainda assim, em condições onerosas para mim”. Do capital primitivo de 1.200 contos, passou para 2.000 contos em 1858. mais tarde, ao organizar-se a Rio de Janeiro Gaz Company Ltd., com capital de 600.000 libras, recebeu Mauá o triplo do valor primitivo e mais 120 libras pela concessão, proporcionando-lhe um lucro de 25.000 libras, sendo um dos poucos negócios felizes de Mauá – assinala Alberto de Faria.
Continua...
Heitor Ferreira de Lima
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Um comentário:

CÉU disse...

Será k os políticos brasileiros, os atuais e quem os precedeu não sabem quem foi Mauá e tudo aquilo k ele fez para o desenvolvimento desse país?

Aqui, em Portugal, tb, já esqueceram, p exemplo, o Marquês de Pombal e Fontes Pereira de Melo. O Homem tem memória curta, ou isso lhe convém.

Beijos.

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