quarta-feira, 10 de junho de 2015

Literatura Portuguesa - Parte 23.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA PORTUGUESA – PARTE 23
 
Outro grande romântico da primeira geração do romantismo português foi Alexandre Herculano, romancista de importância extraordinária e historiador de excepcionais méritos. Aliás, não erraríamos muito se caracterizássemos Alexandre Herculano apenas como historiador, porque ele o foi acima de tudo; sua poesia foi apenas um episódio da sua mocidade, e os romances são todos romances históricos em que o herói central é sempre algum vulto, imaginado ou real, do medievo português.
 
Alexandre Herculano de Carvalho Araújo nasceu em 1810 de uma família burguesa de poucas posses, o que o impediu de cursar a Universidade de Coimbra, como o fizeram quase todos os intelectuais do seu tempo. Começou a trabalhar aos 23 anos, primeiramente como bibliotecário do Porto e, depois, na biblioteca do Palácio da Ajuda. Ingressou no jornalismo e na política, como deputado e como vereador, e foi responsável pela adoção do casamento civil em Portugal, o que reavivou a sua inimizade com o clero, iniciada quando, como historiador, negara o “milagre de Ourique”. Morreu em 1877.
 
Sua iniciação na carreira literária deu-se com um panfleto – A Voz do Profeta – em que criticava violentamente o governo setembrista do Porto, isto em 1836. Aliás, essa qualidade de panfletário e polemista, Alexandre Herculano nunca a perdeu porque continuou escrevendo opúsculos quase até o fim da sua vida. É impressionante a sua produção neste campo, pelo número e, em muitos casos, pela qualidade.
 
Dois anos depois do aparecimento da Voz do Profeta, Alexandre Herculano publica um livro de poesias, o único da sua vida – Harpa do Crente – dividido em duas partes, em que transparece, na primeira, a sua tendencia romântica, o seu espírito religioso (apesar do seu anticlericalismo), e em que aborda grandes temas impessoais: Deus, liberdade, natureza, justiça, piedade etc. Na segunda parte, os temas já passam a ser mais pessoais: sofrimento, amor, saudades, etc.
 
Mas Alexandre logo abandona a poesia e envereda pelo caminho do romance histórico, publicando sucessivamente Eurico, o Presbítero, O Bobo, Lendas e Narrativas e O Monge de Cister, que formam uma como que sequência mais ou menos romanceada da história de Portugal, desde a invasão da península pelos muçulmanos (Eurico), até a época de D. Joao I (O Monge). Esses escritos todos são notáveis pelo valor da reconstrução histórica, pela boa urdidura do enredo, pela descrição das cenas e dos episódios e pela correção da linguagem, um tanto pesada, aliás, o que distingue Herculano dos outros românticos.
 
Todavia, a grande glória de Alexandre Herculano, na nossa opinião, são a monumental História de Portugal, que consultamos abundantemente para escrever a introdução histórica deste trabalho, publicada de 1846 a 1849 (alguns autores trazem 1853), e a menos importante mas também notável História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, sua última obra.
 
Mercê da austeridade da sua vida pessoal e da sua estrutura intelectual de grande historiador e não de um simples escritor de romances ou poeta, Alexandre Herculano foi um dos principais responsáveis pela implantação do romantismo em Portugal.
 
Obs: Com relação as informações históricas e geográficas contidas neste post, favor considerar a época da edição do livro/fonte.
 
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7.
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11 comentários:

Carmen Lúcia.Prazer de Escrever disse...

Rosemildo,você nos ensina muito sobre a Literatura Portuguesa.
Adorei ler.
Bjs e obrigada pela visita.
Carmen Lúcia.

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Um excelente trabalho amigo Rosemildo.
Um abraço e boa semana.

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Um excelente trabalho amigo Rosemildo.
Um abraço e boa semana.

CÉU disse...

Bom dia, Rosemildo!

Agradeço vista e bem humorado comentário.
Com essa sua postagem, aprendi muito, só que já "esqueci". E pronto, por hoje, é tudo. Gostou de meu comentário tão "completo"?
Estou brincando. Claro k voltarei, um dia desses, se Deus quiser. Em Lisboa está chovendo agora e não há sol, por enquanto. Aí, um pouco de frio, como é natural.

Beijos para todos vocês, com carinho.

PS: Alexandre Herculano, um romântico, ah, ah, isso é o k vamos ver! Sua amada se chamava "HISTÓRIA DE PORTUGAL". Essa sim, ele adorou.

Lina-solopoesie disse...

Rosemildo
Aspettavo che postassi la parte 23 . Come ben tu sai, ci impiego un po di tempo perchè devo usare il traduttore Portoghese, anche se a volte devo leggere il post due volte, ma alla fine e chiaro il racconto che fai, e che ai suoi tempi fu pubblicato da Alguns autores trazem . Un grande della storia . Ciao e buona giornata . Lina

Poções de Arte disse...

Bom dia, Rosemildo!
Pra quem gosta de ler, é sempre interessante saber um pouco mais de seus autores e da história.
Boa postagem.
Um abraço, Márcia.

Pérola disse...

Uma excelente partilha.

Boa informação.

Beijo

CÉU disse...

Olá, Rosemildo!

Tudo bem? Ora, cá estou bem, tal como lhe prometi.

Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo, de seu nome completo, nasceu em Lisboa em 1810, na célebre Rua de São Bento, no Pátio do Gil. Filho de pais da classe média, e k serviam o poder político, cedo se revelou contra o regime vigente.
Qdo ele tinha 17 anos, seu pai ficou cego, passando ele a ser o chefe da família, em todos os aspetos, e sobretudo no monetário/económico. Evidente, que nessa época as mulheres não trabalhavam e tinham como única função tratar da casa, do marido e dos filhos (ainda há casos, assim, infelizmente).

Alexandre Herculano foi escritor, poeta, romancista, político sem êxito e Historiador dos "sete costados", como se diz por cá.
Após a cegueira e morte de seu pai, qdo ele (Alexandre Herculano) tinha 27 anos, começou a se "virar" na vida e desempenhou vários cargos públicos, aliando-se até com o sistema/regime em vigor. Estudou Latim, Francês, Inglês e Alemão, para que mais facilmente pudesse contactar com figuras importantes da época. Se deslocou ao estrangeiro várias vezes para se inteirar e adquirir mais conhecimentos.

Era um homem franzino, de estatura baixa e de aspeto frágil, e chegou mesmo a confessar numa carta a seu grande amigo, Almeida Garrett, que o k mais lhe apetecia era calçar umas botas grosseiras, deixar a cidade e ir para uma zona sossegada, longe de tudo e todos, e escrever, apenas, para prazer próprio.

Era totalmente contra o clero, negando o milagre ocorrido na batalha de Ourique, como você refere no seu post, qdo D. Afonso Henriques viu nos céus uma cruz, segundo reza a História, significando isso k ele seria vencedor da mesma. Todavia, e apesar de ser contra o clero, por vezes, a ele se aliou, isso é, qdo lhe convinha.

Casou com 57 anos, leu bem, sim, 57 anos, não teve descendência e esteve casado 10 anos, após os quais faleceu em Santarém, numa zona calma, onde foi agricultor e produtor do famoso "vinho Herculano".

Sua maior glória, seu maior feito, foi ter escrito a HISTÓRIA DE PORTUGAL, mas com uma visão científica da mesma o k não agradou nada aos intelectuais da época. Verdade se diga, k qdo eu a tive de estudar, me foi difícil, desagradável e desinteressante mesmo, pke nesta obra não havia e não há nada de apelativo e k prenda o leitor.

Alexandre Herculano nasceu no século XIX, século, por excelência do Romantismo em Portugal, mas NÃO foi um romântico, aliás, mto longe disso.

Tenha uma linda semana.

Beijos para todos vocês, com amizade.

PS: não tenho novidades em meu blog.

Cia. De Teatro Atemporal disse...

Olá, Rosemildo!

Estamos maravilhados com esta SAGA fantastica!

Cada parte está excelente!

Parabens!

Receba muitos abraços da Cia. De Teatro Atemporal!

Clemente.
Blog: ciaatemporal.blogspot.com.br
Facebook: Facebook.com/CiaAtemporal

Maria Teresa Valente disse...

Agradeço muito Furtado, por nos oferecer
esse conhecimento, assim vamos entendendo
alguma coisa da história de nosso país.
Abraços carinhosos
Maria Teresa

fus disse...

Genial publicaciòn y muy interesante.
un saludo
fus

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