quarta-feira, 11 de março de 2015

Literatura Portuguesa - Parte 10.

 


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA PORTUGUESA – PARTE 10
             
Vejamos dois exemplos dessa poesia lírica do medievo português, o primeiro de uma cantiga de amor atribuída a D. Dinis. (Seria o rei português de mesmo nome, conhecido como o Rei Trovador? É possível, se bem que não absolutamente certo.), e o segundo de uma cantiga de amigo de João Zorro.




Cantiga de amor 2
Quer eu em maneira Proençal
fazer agora hun cantar d'amor,
e querrei muyt'i loar mha senhor
a que prez nem fremusura non fal,
nen bondade; e nem vos direiy en;
tanto a fez Deos comprida de ben,
que mays que todas las do mundo val.
Etc.

Cantiga de amigo 3
Bailemos agora, por Deus, ai velidas,
so aquestas avelaneiras frolidas
e quem for velida como nos, velidas,
se amigo amar,
so aquestas avelaneiras frolidas
verrá bailar.
Bailemos agora, por Deus, ai loadas,
so aquestas avelaneiras granadas
e quem for loada como nos, loadas,
se amigo amar,
so aquestas avelaneiras granadas
verrá bailar.

2 Quero, à maneira Provençal,
Fazer, agora, um cantar de amor,
Eu quererei muito aí louvar minha amada,
A quem mérito e formosura não faltam,
Nem bondade; e mais coisas direi a seu respeito,
Tanto a fez Deus cheia de virtudes,
Que mais em todas no mundo vale.
Etc.

3 Bailemos, agora, por Deus ai belas,
Sob estas avelaneiras floridas
E quem for bela como nós, belas,
Se amar o seu namorado,
Sob estas avelaneiras floridas
Virá bailar.
Bailemos, agora, por Deus, ai louvadas,
Sob estas avelaneiras carregadas,
E quem for louvada como nós, louvadas,
Se amar o seu namorado,
Sob estas avelaneiras carregadas,
Virá bailar.

A primeira coisa que talvez chame a atenção do leitor ao considerar os exemplos apresentados é o fato de ele ser capaz de entender – com algum esforço, é claro, e especialmente se conhecer um pouco de espanhol e de francês – relativamente bem essas poesia apesar de elas datarem de quase oitocentos anos. Essa é uma das características do português arcaico: a sua relativa semelhança (especialmente na gramática) com o português moderno, coisa que não acontece com outras línguas neolatinas (francês, por exemplo). Outra é a maior simplicidade de composição da cantiga do amigo, a sua ritmicidade e a presença de um refrão, que, provavelmente, deveria ser cantado em coro pelos que assistam o espetáculo. 
 
Obs: Com relação as informações históricas e geográficas contidas neste post, favor considerar a época da edição do livro/fonte. 
 
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7.
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9 comentários:

marga disse...

me gusta conocer sobre la literatura portuguesa, otro gran blog tuyo
buen día para ti
miles de abrazos

marga disse...

y por favor, ¡no abandones el blog!
es muy interesante :)

CÉU disse...

Olá, Rosemildo!

Tudo bem?
Continuamos com a Poesia Trovadoresca, que tem muito que contar.
Naturalmente, que a linguagem não pode ser a mesma dos dias de hoje. Vivia-se a Idade Média, e portanto o conhecimento era muito escasso, todavia interessante.

Quanto à autoria das cantigas, é difícil assegurar quem foi seus autores, porque, já nesse tempo havia rivalidades.

A Língua francesa, ainda não alterou nem uma palavrinha. Sinceramente, espanto-me, porque o mundo é composto de mudança, e a França é um país altamente desenvolvido, a todos os níveis.
Enfim, arcaísmos.

Eu sou mega adepta e defensora do Novo Acordo Ortográfico. Evidente que para nós, portugueses, "terno" significa carinhoso e para vocês é roupa de homem, calça e casaco, e com gravata, de preferência. Todavia, isso são particularidades de cada Língua. Nós entendemo-nos, perfeitamente.

Voltando à Poesia trovadoresca, convido os leitores do seu blogue a imaginarem o ambiente vivido na corte com jograis e trovadores.

Abraço e dias felizes.

CÉU disse...

Retificando: quem FORAM os seus autores.

Marina-Emer disse...

Gracias amigo y me alegro haber podido hoy entrar que no podia y hoy entre muy bien y enseguida ....
desde el pueblo de montaña en que paso el fin de ...te agradezco tu visita y amistad
un abrazo
Marina

Lina-solopoesie disse...

Come sai anch'io amo molto la letteratura . Mi piacerebbe leggere tutto il post che hai illustrato , ma non ho trovato il traduttore e con conosco la lingua Portoghese . Quando ripasso spero di trovarlo . Perchè leggerti e divinamente piacevole . Ti mando un saluto dall'Italia . A presto Lina

olharbiju disse...

Boa noite.
Muito obrigada por partilhar a nossa cultura.
Abraço
Alice

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Nos livros de meu pai, neto de português pela linhagem materna e paterna, lia essa maravilhosa literatura. A coleção "Os Forjadores do Mundo Moderno" tínhamos lá em casa. Há tempos adquiri "Os Brasões da Sala de Sintra",onde me delicio com a história de Portugal. Quando menina, cantava com meu pai a "Nau Catarineta"...Vir aqui, é me reportar ao meu antigamente...Obrigada, Furtado, pela maravilhosa partilha.
Meu abraço, amigo!

Lina-solopoesie disse...

Olà Rosemildo.
Sai illustrare molto bene la letteratura .Non è la buona letteratura né il vasto tuo sapere sapere che fa di te un uomo colto, ma la tua buona educazione alla vita reale. Che importanza avrebbe che tutti noi fossimo arche di scienza, se poi noi non sapessimo vivere in fraternità con il il mondo e nostro prossimo.E come scrive un vecchio saggio:La letteratura non ci permette di camminare, ma ci permette di respirare. Ti lascio sempre i miei più vivi complimenti per la tua bravura . Ciao Lina

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