quarta-feira, 21 de maio de 2014

Literatura Ocidental - Parte 87.

 


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL
LITERATURA OCIDENTAL – PARTE 87
LITERATURA ESPANHOLA - IV

O início do século XVII marca o apogeu da literatura espanhola, com a produção de Miguel de Cervantes Saavedra (1547-1616), Lope de Vega (1562-1635) e Francisco de Quevedo y Villegas (1580-1645).
Cervantes é a grande expressão universal da literatura espanhola pela extraordinária apresentação de “El Ingeniosa hidalgo Don Quijote de la Mancha”, vasta síntese artística dos elementos da cavalaria agonizante, contra os quais é vigorosa sátira, e do realismo popular. Don Quijote tem sua força artístico-expressiva afirmada na maestria e perfeição com que fornece dois mitos, resumidos e simbolizados no “ingenioso hidalgo” e em seu companheiro Sancho Panza, e a inspiração do artista consegue neles revelar o autêntico reflexo da alma espanhola. Admirável é também a habilidade e o conhecimento no retratar as mulheres, o que é definitivamente atestado na apresentação de Dulcinéia, reunião extraordinária da beleza, do bem e da verdade. A presença universalmente significativa de “Don Quijote” e sua verdade nacional insuperável convertem a literatura espanhola a ele posterior em autêntico processo de diálogo e retorno. Cervantes não se esgota em sua realização máxima, porém, alcançaria excepcional posição literária com a prosa de suas “Novelas exemplares”.


Até o aparecimento de Lope de Vega a arte teatral espanhola podia ser resumida na inspiração religiosa ou no máximo na original existência dos aspectos de comédia de costume que apresenta as partes dialogadas do romance picaresco da “Celestina”, composto durante o século XV e cuja autoria, embora às vezes atribuída a Fernándo de Rojas, é desconhecida. Lope de Vega vem enriquecer a arte teatral com a criação da comédia espanhola e com a transcrição harmoniosa e globalizante dos tipos humanos e dos sentimentos em seus numerosos enredos, em seus personagens e em qualquer dos gêneros que poeticamente serviram-lhe de expressão: o épico, o lírico e o dramático. Em sua inacreditável produção duas obras podem superiormente revelar-lhe a grandeza artística: “Peribáñez y el comendador de Ocaña” e “Fuente Ovejuna”, ambas no gênero de comédia heróica. Lope Félix de Vega Carpio é o criador do teatro espanhol, seja pela temática, seja pela própria estruturação de suas criações. Lope de Vega foi, ainda, significativo como prosador e como poeta, respectivamente agradável em “La Dorotea”, de narração elegante e que inclui traços picarescos, e em “Canción a la muerte de Carlos Félix”, poema-elegia que transmite vigorosamente o sentimento doloroso do poeta. 
 
Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7
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Um comentário:

Efigênia Coutinho disse...

Como sempre um espaço onde a boa cultura lidera em suas postagem, é gratificante poder estar aqui e absorver o que tem de melhor na arte da palavra! BRAVO!!!

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EFIGENIA

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