quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A Literatura Indiana.


HISTÓRIA DA LITERATURA MUNDIAL

A LITERATURA INDIANA

Confinada entre a Himalaia e o Oceano Índico, a Índia desenvolveu-se culturalmente isolada. Seus primeiros temas de contos alcançam, no entanto, o Ocidente já em Heródoto e Ctésias, embora seja difícil reconhecer a realidade imersa que se apresenta num conjunto de fantasias. Outros temas e contos indianos são conhecidos e os Upanichades pelos neoplatônicos de Bizâncio, mas, apenas no século XIX ocorre a descoberta real da imensa e importante literatura sânscrita.

Para sua apreensão pelo Ocidente duas dificuldades apresentam-se: a deformação dos textos por tratamentos com total ausência de senso estético ou pelas incríveis fantasias de meios espiritualistas heterodoxos e até por missões de certos gurus... Pouco é o conhecimento direto que temos do domínio indiano e raros também os trabalhos históricos e sociológicos (embora seja de destacar Max Weber) ou os empreendidos pelos racionalistas, como Keyserling, Romain Rolland, René Guénon e Spengler.

A literatura no longínquo passado é por excelência religiosa e sem delimitações entre as disciplinas. Esta literatura sagrada compreende o Rig-Veda, escrito em sânscrito arcaico e que data aproximadamente do século XX a.C., os Vedas, os Brâmanes e os Upanichades. Apenas no século XIX da atual era são os textos fixados em escrita. No entanto, os brâmanes ortodoxos julgam a escrita indigna para fixar a santidade dos textos e, ainda hoje, é a transmissão oral que predomina na maioria dos centros de ensino superior indianos.

A unificação relativa do pensamento védico é produto da confluência de dois tipos diversos de pensamento religioso: o budismo e o jainismo, respectivamente derivador dos ensinamentos de dois poetas do século VI a.C., Buda e Mahavira. Nesta mesma época de imensas transformações culturais temas védicos servem para a elaboração das duas grandes epopeias indianas: o Maabarata e o Ramaiana. Exprimem mitos e valores retirados da vida dos povos e elevados à dignidade sacra. O Maabarata apresenta um tema central de narração épica a respeito das lutas ocorridas entre duas famílias nobres e um notável enriquecimento com a apresentação de subtemas que, às vezes, quase atingem autonomia e hinos de caráter metafísico moral. O Ramaiana, compilado por Valmique, narra as aventuras de um herói, Rama, que alcança o nível de divindade implacável quanto aos homens lançados em constantes hostilidades. Reelaborações menos grandiosas, mas ainda importantes são os Puranas e os Tantras.

Embora uma literatura exclusivamente laica não tenha existido na Índia, podemos observar uma realidade lírica na qual o religioso não assume primeiros planos. Calidasa (século IV) escreveu numerosas peças de teatro, o Ritusamara – descrição das seis antigas estações do ano – e o Raguvança, no qual figura um resumo do Ramaiana.

Importante ciclo de contos e fábulas com versões induístas, budistas e janistas numerosos é redigido em sânscrito sob o título de Pancatantra e fornece imensa fonte de inspiração temática às literaturas ocidentais, sendo autores que a ela recorreram, entre outros, Renart, La Fontaine, Anderson, Grimm e Goethe.

Outra importante tradição indu é constituída pelos ciclos de contos cujo procedimento de construção é a inclusão encadeada de episódios, tal como ocorre em “As Mil e Uma Noites”. São exemplos o Brihat-Cathá e o Daçakumâracarita, atribuído a Dandin. Este último romance clássico apresenta dez diferentes agrupamentos de aventuras e, embora com predominância do sentido moral, acumula o picaresco, o erótico e o burlesco.

Observemos agora que esta literatura, apresentada apenas em suas linhas mais gerais, não ultrapassa o domínio sânscrito, védico e clássico: é imensa a variedade de línguas faladas na Índia e muitas apresentam rico patrimônio literário. Os dravídicos autóctones destacam-se pela literatura de quatro línguas diferentes dentre as catorze existentes. Apresentam também literatura de algumas das atuais vinte e sete faladas em solo indiano, tais como a bengali, o marata, o penjabi e o assamês. A própria língua inglesa, que assumiu a posição de língua de relações gerais, apresenta autores da importância de um Tagore ou de Kamala Markandaya. As literaturas dravídicas apresentavam vários séculos de expressão literária de inestimável importância e valor, mas, inacessíveis pela deficiência de traduções.

A mais importante língua moderna da Índia é o hindi, falado com numerosas variantes dialetais por 125 milhões de indus. Sua literatura, com tradição de treze séculos, apresenta como autores importantes Kabir (1440-1518), hinduísta extremamente influenciado pelo islamismo, e Nanak (1469-1538).

Falado por 55 milhões de hindus, o bengali apresenta riqueza literária superior a qualquer outro grupo linguístico indiano. O texto bengali de primeira importância é Cariapadas, que data do século X e reúne contos místicos. O século XIX presencia a elevação do bengali ao nível literário nacional e como expressão do amálgama de influências tradicionais e ocidentais em grandes apresentações sincretistas. Rammohan Rây (1772-1833) exerceu imensa influência nesta fundação de literatura nacional e, logo, inúmeras eram as traduções de autores estrangeiros. Michael Madhusudan Datta (1824-1873) adaptou o Ramaiana a uma visão cristã ao escrever Meganada Vada. Rabindranath Tagore (Rabindranâth Thâkur – 1861-1941), autor de “A Religião do Homem”, “A Carta do Rei”, “Gora”, e “A Máquina”, alcançou repercussão mundial e foi detentor de um prêmio Nobel.

Fonte: “Os Forjadores do Mundo Moderno”, Editora Fulgor, edição 1968, volume 7, páginas 19/21.

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7 comentários:

✿ chica disse...

Aprendendo com Rosemildo, poderia ser o nome desse blog... Sempre postagens que nos acrescentam..Muito legal! abração,tudo de bom,chica

Graça disse...

OLá, meu querido amigo!

Conforme prometi, cá estou, extasiada diante da literatura Indiana, que, como afirmei, 'sei quase nada sobre'...
Nem sei por onde começo! Já sei, tive uma excelente ideia! vou começar pelo começo...rs
Esses dois nomes dos figurões aí (Kabir e Nanak) vou acrescentar naquela minha postagem (que passei o link pra você). Obrigada, irá enriquecer um pouco mais o que tenho ali.
Vou ler muitas vezes, pode acreditar, Furtado, até 'decorar para a prova'...rs
Como se diz aqui no sul das Geraes, está um 'colosso', essa sua postagem! Eu sabia que ia amar, meu amigo!!!
Aguarde, que enquanto estiver no ar, vou voltar pra comentar outros dados que considero relevantes (apesar de que TUDO aqui é relevante!)
Um abração, meu querido colega, e fique com Deus!

Adriana Vargas de Aguiar disse...

Ola convite a você,
Venha conhecer o nosso blog, o clube dos novos autores, fazer parte da construção dessa história de amor e luta, nos unimos, os novos autores para fortalecermos aquilo que a sociedade literária ainda não aceita – o nosso novo talento.,
Siga o blog, você econcorra a livros todos os meses, agora em setembro, serão 16. Quanto mais comentar, mais aumenta suas chances em serem sorteados, pois o sorteio será feito através dos comentários!Divirta-se em nosso chat!
Um abraço.

Tais Luso disse...

Saber dos caminhos que a humanidade trilhou até chegar nossos dias, de sabermos - um pouco, pelo menos - como tudo começou é fascinante. Estou acompanhando. Está ótimo esse seu trabalho!

Bjs

Chris... ჱܓ disse...

Olá amigo!

É sempre bom aprender um pouco mais.

Uma linda semana de paz e alegrias para ti e para os teus.

Nair Morbeck Sobrinha disse...

muito dez!Sem palavras, tudo sempre interessante e maravilhoso..mundo encantados de nossas letras!

Mara disse...

Rosemildo!
Muito interessante a tua postagem.
Eu desconhecia.
Beijo,
Mara

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